Comecei a ver hoje a 6ª temporada de Grey’s Anatomy e uma frase me mercou no final do segundo episódio:

Quando dói até mesmo para respirar, aí você sobrevive.

Nossa, já senti isso. Tanta dor que parecia que não ia suportar… e hoje estou aqui, consciente de que tudo nessa vida passa, que a gente sempre consegue superar tudo e que a esperança sempre volta.
E aí falaram outra frase, que complementa a outra:
O pior de tudo que quando você acha que já passou, começa tudo de novo…

Mas quando a gente está disposto a querer que comece tudo, para então ver no que vai dar, acho que já passamos do estágio de sobreviver. É então que novamente queremos viver a vida, com o peito carregado do otimismo de que o pior já passou e ainda não chegamos aquilo que nos espera.

Eu queria ser a Meredith só para encontrar meu McDreamy no dia seguinte no mesmo local de trabalho…

Semana agitada. Cansaço acumulado desde a noitada de quarta-feira (maravilhosa). A sexta era para ser de programinha mais ligth. Cheguei em casa relativamente cedo, mas me diverti muito.

Fui assistir Clandestinos, do João Falcão, no Theatro São Pedro. Ganhei os ingressos e deu uma volta enorme na cidade para buscá-los, naquele trânsito das 18h e com chuva na capital gaúcha. Até chegar ao São Pedro foram quase duas horas, e eu achando que ia dar uma banda na Feira do Livro… Mas a peça é muito engraçada. Vale a pena, cheia de atores jovens, bonitos e talentosos. A plateia era meio vergonhosa. Só na baixa e ainda não lotou… Espero que no findi melhore, porque a gurizada é boa e isso envergonha nossa capital.

Depois uma pequena saga para tomar uma ceva na Lima e Silva. Num surto de otimismo achei mesmo que ia chegar depois das 23h30 e sentar na rua no Pinguim. Tentei o Pedrini, fiquei na fila até começar a chover. Voltamos para pegar uma mesa dentro do Pinguim e além de cheio tinha o pessoal da calçada debandando pra lá por causa da chuva. Então fomos para um lugar que nunca tinha reparado na existência: Vídeo Bar. Um bar todo com a temática de filmes, muito simpático e tinha uma das mesas (que consegui sentar depois) com a luminária da Amelie Poulain! Quero uma. Só que o nome do diretor escrito nessa mesa não combinava muito: Hector Babenco.

Enfim, lugar agradável e um papo ótimo regado a ceva bem gelada. Depois um banho de chuva para lavar a alma e fui dançando e cantando dentro do carro que nem vi um cara fazendo ontem no Moinhos. Ele dançava Frank Sinatra e cantava bem alto no engarrafamento do fim da tarde e com as janelas abertas. Eu passei por lugares menos movimentados e com o vidro fechado por causa da chuva enquanto gritava canções e dançava dentro do carro.

Aí peguei engarrafamento na Pe. Cacique mais de meia-noite e meia, no meio daquela fuzarca da lapa baguaceira que se instalou ali com aquele monte de escola de samba e pagodeiras. E tinha uma kombi parada no meio da rua…

Cheguei em casa cansada, mas feliz. E cedo para uma sexta, basta ver os míseros contatos (ausentes) que estão no meu msn. Mas sempre temos o sábado à noite.

Foi uma pessoa que vem de uma cidade que nem está no mapa que me fez refutar uma das minhas teorias.

E quebrei uma das minhas regras.

Mas eu sei da minha história e o quanto foi bom se deixar levar pelo momento, pelo menos uma vezinha. Portanto não estou me importando com julgamentos.

Saber quem eu sou: muito tempo e $$ de terapia.

As justificativas para essa pequena loucura: muita dor e sofrimento já passado.

Sentir o que estou sentindo hoje: não tem preço!

Eu ainda não cheguei no marco zero, estou na linha negativa. Mas acho que pela primeira vez serei forçada a tomar uma decisão por minhas próprias escolhas. Tenho vindo a reboque das influências daqueles que passaram pela minha vida, ainda que por breves momentos e de marcas doloridas. Preciso saber o que eu quero, o que eu gosto e como conseguir chegar lá. Não é fácil quando não se tem mais 18 anos. Ao mesmo tempo que não tem a pressão daquele tempo, existem outras que eu mesma me imponho que são tão ou mais pesadas.

Dá vontade de voar alto, viajar, mas como se desprender de uma vida arraigada e de certa forma confortável? Tem dias que vejo tudo como um novo começo, em outros parece que perdi tudo. E essa contradição é mais um fato para me desfocar da minha real condição, eu que já tenho tanto problema em achar foco para as coisas que quero.

E bate uma preguiça, um desânimo… eu corri tanto para chegar lá que cansei. E agora? Olho para todos os lados e está visto, não há um lugar para onde eu queira ir nesse caminho. Voltar? Tomar outro? Mudar? São perguntas que me doem e que ainda não consigo responder, não consigo agir. Alguém me disse hoje que os ventos da dúvida são bons. É verdade, porque acomodação dá tédio e eu estou sempre querendo me mover. Até agora eu tinha para onde ir. Hoje não sei mais. Acho que pela primeira vez na vida estou enfrentando a mim mesma de uma maneira que só eu posso resolver e eu ainda não tenho muito ideia por onde começar. Estou jogando para todos os lados, mas nem sei se essa é a direção certa.

Meu centro de equilíbrio sempre foi apenas eu, mas eu sempre gostei de fingir a importância maior que os outros tiveram nas minhas escolhas e decisões, embora eles nunca tenham se envolvido na minha vida e nunca estiveram lá nos momentos-chaves. Acho que era eu que me envolvia demais nas suas e me apaixonava pelas escolhas dos outros.

Eu preciso fazer tudo sozinha, mas adoraria que alguém me resgatasse desse momento e me deixasse viver um conto (uma história breve) até que eu soubesse que rumo tomar. Um hiato no tempo amaparada pelo cuidado descompromissado da paixão e do desejo. Descompromissado mesmo, para que eu não caísse no erro novamente de minhas escolhas serem influenciadas por outra pessoa.

Uma fuga, me perder com alguém para talvez poder me encontrar.

Amores só são diferentes enquanto existem.
Quando acabam, são todos iguais.

Tem coisas que a gente fez no passado que a idade nos absolve. E acho que poderemos dizer a mesma coisa no futuro.

artista blogHoje por um momento senti a força esvair, o cansaço de ser sempre forte bater mais alto e algumas lágrimas rolarem. Nossa há quanto tempo não chorava… tanto que nem lembro.

Meu mundo está caótico, tudo parece estar evaporando, desvanecendo, desmoronando… e eu estou completamente paralisada, assistindo a tudo isso derreter diante dos meus olhos e simplesmente não consigo fazer nada. Desisti.

Durou alguns minutos essa sensação. Cheguei em casa e resolvi arregaçar as mangas e começar fazer alguma coisa que amenizasse um pouco do caos e manter uma das poucas coisas sólidas que ainda me resta. No mais, é engolir os suspiros e acreditar que tudo passa e que tudo faz parte de um plano maior e que ainda vou agradecer por isso estar acontecendo porque o melhor virá. De certa forma já aconteceu uma vez e veio o melhor. Vai ver ainda não cheguei onde devo estar.

Obras Introdução à nova crítica e Malhas da liberdade, de Cildo Meireles. expostas no MARGS Fotografia: Cristiano Sant'Anna

Obras Introdução à nova crítica e Malhas da liberdade, de Cildo Meireles. expostas no MARGS Fotografia: Cristiano Sant'Anna

Visitei parte da 7ª Bienal do Mercosul, fui na mostra Projetáveis, no Santander Cultural e Desenho das ideias, no Margs. Na primeira, senti que é aquela parte que quer se integrar ao mundo virtual à qual vivemos, dialogando com a fronteira entre o real e o virtual. A obra Virtual Redundancy é a prova disso, uma maquete com peças de computador é montada em um vídeo e os objetos estão disponíveis no real para que possamos criar também.

E como tudo nesse mundo parece já ter sido feito, nada me pareceu novidade. Como em Drawing for Filó, em que o artista desenha sendo filmado e o que temos na tela é a projeção da obra sendo feita. Uma outra plataforma, acompanhamos o processo de criação, mas ainda é um desenho, a arte genuína.

Gostei da obra The Dance Music Collaborations, é literalmente estonteante, pois as luzes e o som te deixam tontos dentro da sala de projeção. Curiosa é a instalação Atrás da Porta, uma topologia dos espaços inacessíveis. O artista, Fernando Pião, colocou câmeras de segurança em lugares para os quais não se costuma olhar. As câmeras estão espalhadas pelo Santander em pontos onde ninguém passa. O segurança, um senhor muito simpático (afinal ele achou que eu tinha 17 e 18 anos… tá certo que estava meio escuro lá) me disse que a mediadora estava explicando esses dias a obra para um grupo de estudantes e ouviu-se um estouro dentro do museu. Uma cortina caiu onde uma dessas câmeras estava. Ela dizia que o artista queria mostrar pontos onde não se observam pessoas e lá estavam nos monitores, os bombeiros arrumando a cortina… Fun at Work parece ser bem legal, mas estava fora do ar, assim como em outras, a interatividade do público não estava funcionando muito bem e as obras “travando”… é o mundo dos computadores!

Ainda não fui no Cais, não sei o que tem lá, mas colocar os projetáveis dentro do Santander foi uma ótima ideia. Se vê tudo no conforto do ar-condicionado. Só algumas fichas da obra deveria ter uma luz em cima para podermos ler. Lembra daquela Bienal dos containers? A gente quase desmaiava de calor vendo os vídeos. Tinha também no Memorial do RS, um calor dos infernos por causa do teto de madeira. E na 5ª Bienal, lembro que os últimos andares da Usina do Gasômetro se transformaram em salas escuras que dava até medo de visitar.

Abraham Cruz Villegas, Tratado de Libre Comer

Abraham Cruz Villegas, Tratado de Libre Comer

No Margs é que me senti mais em casa, com a mostra Desenho das Ideias. Fiz a visita com uma monitora. Para mim arte é completamente ideia, muito mais do que um objeto, porque às vezes os artistas não criam nenhum objeto, mas se apropriam de coisas já existentes dando um novo significado. E a exposição mostra o desenho, de onde tudo parte, seja como esboço para uma pintura ou para a ideia de uma instalação ou uma performance. Alguns estão lá não em forma de desenho, mas materializados em 3D. Cildo Meireles é um dos meus preferidos. Ele ainda nega que não tenha cunho político com a ditadura, mas a obra Malhas da Liberdade é ou não é uma crítica a quem ia preso em nome de ideias libertárias? Gostei da delicadeza dos pequenos desenhos de José Antonio Suárez e daquela alemã (Nina Lola Bachhuber) de traço delicado que desenha com pincel! Não deixe de ver o que tem por trás da obra Tratado de Libre Comer, de Abraham Cruz Villegas. Imperdível a crítica à hipocrisia de James Ensor com suas máscaras. Tem Oswaldo Goeldi, León Ferrari  e vejam que interessante o que o Paulo Bruscky publica nos classificados. Parece que andou saindo na ZH esses dias também.

E a surpreendente Marta Minujín, que criou El Partenón de Libros (1983), “uma réplica do Partenon de Atenas em tamanho natural em plena Avenida 9 de Julio de Buenos Aires, recoberta com livros proibidos durante a ditadura militar, que foi inaugurado e entregue ao público durante o primeiro Natal em democracia”. Genial! Pena que só tenha os esboços e o vídeo da obra… Também já fez outros monumentos, como um obelisco de pão doce.

Tem muito poema sonoro e outras obras em áudio no Margs, mas não me chamaram muito atenção. Também não tem graça ficar olhando para uma parede branca enquanto escuta, muito melhor como fizeram nessa bienal, quando mp3 player nem era muito popular ainda, mas você pegava um e ficava escutando enquanto dava uma voltinha pelo cais. E também era ruim a monitora ficar ali me esperando… mas tem até Arnaldo Antunes.

Também anda rolando performances durante a Bienal, não cheguei a assistir nenhuma, mas pelo que li sobre a Aula de Ginástica e Filosofia e Ao Vivo, não pareceu nada muito atraente. Nada como a perfomance daquele cara nu, não lembro em qual Bienal, foi antes da 5ª e eu morava no centro (isso foi de 2003 a 2005). Alguém lembra? Não tenho o nome do artista, tinha um recorte no meu mural que ou foi fora ou está muito bem guardado. Mas era assim, a gente entrava em uma sala no segundo andar da Usina e embaixo, no primeiro andar, tinha uma piscina, onde o artista entrava nu e imagens coloridas se projetavam no seu corpo. Ele fazia movimentos que combinavam com as projeções. Era uma coisa muito linda de se ver e tu até esquecia de que ele estava completamente pelado. Mas se serve de consolo, tem fotos da performance do Flávio de Carvalho no Margs, quando ele desfilou de saia e meia arrastão, convencido de esse ser o traje ideal para os homens que vivem num país com o clima como o do Brasil (escrevi sobre ele aqui). Ah, as vanguardas…

Pelo menos voltei a me encantar com a Bienal, na 6ª eu passei bem à margem… e o tema era justamente A terceira margem do rio. Nesse ano, Grito e Escuta. Faz todo sentido para mim.

Sobre outras bienais

Assisti na segunda-feira a entrevista do William Bonner (@realwbonner) na Marília Gabriela e ele terminou com trechos finais da poesia Quero, do Carlos Drummond Andrade:

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Adorei os versos finais. Só quem já se precipitou no caos pode se identificar, é o que eu costumava chamar de “eu não sou eu”. Eu chamava os objetos de não-amor de amores mais ou menos (esse post explica tudo).

Mas o que preciso é acreditar que esse amor existe, não preciso que me digas de 5 em 5 minutos que me ama, mas que me ame em todos os 5 minutos da sua vida e em nome disso me respeite e respeite a nossa história. E quando se tem isso, o amor é tranquilo, não é essa angustia de ficar esperando ser verbalizado para acreditar. Nunca vivi isso, algo como no filme Marley & Eu, em que eles brigam e o amigo já está falando em separação e ele disse: “ei, foi só uma briga, eu amo a minha mulher”. Acho que esse compromisso é o mais difícil de todos. Eu sou um pouco assim, se estou com aquela pessoa me comprometo com a nossa história, por isso que quando vejo que a recíproca não é verdadeira, acabo sofrendo demais. E o Bonner também falou algo nesse sentido em relação a Fátima, e achei lindo.

Talvez isso seja a ética do amor, o verdadeiro compromisso e respeito por aquele que dizemos amar. Isso é o amor, nas atitudes, muito além das palavras. Quando se trata de família tem um laço maior que te une para toda vida. Mas quando tu resolve formar uma família com alguém, aí precisa dessa entrega, de criar esse laço por livre e espontânea vontade, e mantê-lo. Incluir alguém na sua vida é a coisa mais séria desse mundo, pena que tem pouca gente praticando isso com a solenidade que merece. Não acredito que amor acabe, acredito em quem desiste de mantê-lo.

O poema completo:

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Minha cabeça anda fervilhando. Ansiedade, perspectivas, incertezas e alívio só de imaginar algumas coisas…

Tem horas que dá vontade de chutar logo o balde, mas estou tentando esfriar a cabeça e tentar prever o caminho antes de me jogar nele com uma mochila nas costas.

Dizem que todos caminhos têm volta. O meu não teve. Por isso quero pensar direitinho na próxima estrada que vou seguir. Não quero que seja um atalho, ou pode ser, o importante é que eu a percorra com conforto, satisfação e felicidade.

Minha vida toma o rumo das minhas escolhas. Não sei se erradas, mas elas definiram tudo até agora e vire e mexe me colocam em novas encruzilhadas.

Estou em uma agora e quero acertar o máximo possível.

Faço dieta para poder beber.

Aquário, do Oscar Quiroga, hoje em Zero Hora:

A coerência nem sempre será virtuosa, porque se você eternamente agir de acordo com o que disse que iria fazer, então nunca mudará de ideia no meio do caminho, nem sequer quando isso seria o melhor a fazer.

Sábias palavras. Prezo muito a coerência, já falei disso aqui muitas vezes. Mas também sou metamorfose ambulante. Não tenho medo de mudar de ideia. E ficar em cima do muro também é uma escolha. Também gosto da contradição. E a minha maior contradição é querer ser coerente. Sou deveras radical, mas também flexível, taí, mais uma contradição e incoerência.  Quer mais um exemplo: eu sou meio cética, mas leio horóscopos e acredito em signo, mapa astral. Tem muita coisa que bate, como o recadinho de hoje aí.

A verdade é que sou humana. Tenho lá minhas verdades e convicções. Sou uma mulher de palavra. O que digo e escrevo procuro cumprir. Por isso admito a minha total contradição. Eu busco a verdade, mas às vezes meio que deixo para lá, porque sei que nunca vou saber de fato o que aconteceu quando eu não estava lá. E o que eu souber será sobre meu ponto de vista. Adoro ter controle das coisas, não para manipular, mas para cuidar e até me defender. Informação até pode ser poder, mas para mim funciona mais como alívio, sensação de cuidado e aproximação da verdade.

Essas são minhas essências. O que me mantém coerente de que sou a mesma pessoa nesses 28 anos é que eu posso mudar de caminho, mas não mudo a essência. Apenas agrego experiências que me transformam e me dão novas ferramentas para encarar o mundo do jeito que eu penso, do jeito que eu sou.

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Passar um feriadão na praia… há quanto tempo não faço isso! Tô me sentindo uma pessoa tri normal e que consegue fazer as coisas que gosta e que planeja. E isso não é porque trabalho na maioria dos feriados. Até que andei tendo umas folgas em alguns, mas eu estava aprisionada.

Engraçado, só eu podia me livrar das amarras, mas cada vez me prendia mais a elas e esperava que elas me libertassem, que elas me ajudassem a realizar tudo que eu estava já tão cansada de sonhar porque sabia que eram só sonhos. E o mais engraçado é que eram coisas bobas como essa: passar um final de semana ou um feriadão na praia.

Por que será que eu achava que aquilo tudo podia ser maior que as coisas mais simples e banais da vida? Eu achava que o inalcançável é que traria felicidade, mas o que nos deixam felizes são as coisas comezinhas do dia a dia. É no dia a dia que se constrói a tal felicidade, assim como uma entidade. Percebendo aos poucos para no fim se dar conta e olhar para trás e enxergá-la como algo grande, porque esteve presente todos os dias, ainda que disfarçada de um abraço, de um colo numa noite de tempestade, de ficar protegida a noite toda sentindo outra respiração na nuca, de um arrepio, uma dança, uma ajuda para levar o lixo para fora, de um ombro que fica molhado pelas lágrimas, de apenas deixar-se ficar, permanecer, estar…

O ódio precisa de dedicação, tanto quanto o amor.

Ele até arriscou a fazer uma teoria
sobre a guria das teorias.

Que sonhar acordada me faz perder o sono.

Amigo de homem bonito sempre é feio.

E os amigos que as amigas querem te apresentar nunca é como nos teus sonhos.

http://www.willekedeboer.web-log.nl/

Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,

Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.

Temporada das Flores, Leoni

É sempre mais rápido voltar do que ir.

Incrível o timing do lançamento dos CDs dela com a minha vida.

Tá essa tá um pouco passada, mas tem ali duas frases perfeitas.

Mas essa baladinha… ah, essa sim. O clipe oficial está aqui (não dá para embedar)

Só os fiéis podem ser passionais.

Mesma fonte de inspiração da teoria nº 71

Never an honest word
But that was when I ruled the world

Coldplay

Tive o fim de semana mais astral da minha vida. Mesmo tendo que trabalhar, me diverti muito. Dei uma de Carrie Bradshaw (com direito a Cosmpolitan e tudo) e fiz um intensivo de nigth para pesquisar como anda a balada e a cidade, e também o sexo e a cidade, por que não?

Algumas observações:

:: Ninguém mais dança. Fato! Só ouvi música boa, seja por DJ, dance ou as bandas que tocaram, mas todo mundo contido, no máximo batendo o pezinho, um leve movimento com o corpo ou com a cabeça. Sair dançando ao estilo Mamma Mia, nem pensar! Eu arrisquei levantar os braços algumas vezes, mas não tive seguidores. Rebolar? Só mesmo no funk. Sério, soltar a franga de uma maneira normal, dançar mesmo está em extinção. Tanto que os bares nem se importam de colocar mesas na pista.

:: Como o povo não dança, um pouco que acabou as “correntes migratórias”. Sabe quando a banda para de tocar ou a música está chata e todo mundo começa a circular, procurando para ver se acha pessoas interessantes? Se bem que ninguém parece querer encontrar pessoas interessantes. Está todo mundo meio blasé. E olha, conversar, puxar assunto e fazer amizades deveria ser obrigatório, tipo couvert. Sem ser chato, claro.

:: Os gaúchos são cada vez mais um povo fechado. Já as gaúchas estão precisando ir à luta. Os caras começam escolhendo já quando passam de carro pela fila do local. Agora os cariocas, ah esses sabem viver. Esses descem as escadas para alcançar seus objetivos sem medo de ser feliz ou levar um não.

:: Se animar com algumas músicas “das antigas”, daquelas que nem é do teu tempo, mas que tu conhece porque teus pais ouviam, isso entrega a idade.

:: Caipirinha de morango em dose dupla é roubada se as amigas não bebem. E homem não toma essas bebidinhas de mulherzinha. Vai sobrar pra ti.

:: Não adianta, em todo o lugar, no final da festa, chega uma hora que a constelação de losers se destaca. E olha, alguns estão bem disfarçadinhos de mauricinhos (ainda existe esse termo?) e também não andam assim mais tão corajosos.

:: Banheiros são sempre um capítulo a parte (já escrevi sobre eles uma, duas, três vezes). Em um deles, a área da pia era coletiva, para homens e mulheres. Tem o baita inconveniente de ter que sair sem antes se olhar no espelho. Mas o mais inacreditável, o cúmulo do metrossexualismo, foi um cara me pedir base emprestada para disfaçar as espinhas! Como eu não tinha, pediu então meu batom, e pelo termo correto: isso é um gloss, me disse ele! Ah não, meu gloss importando não!

:: Vi fila no banheiro dos homens e não tinha no das mulheres.

:: Em dois locais diferentes tocou A Fuego Lento.

:: Eu vi dois homens dançando A Fuego Lento juntos! Juro por Deus. Espero que eles sejam um casal. Sério, não posso acreditar que eles também estão fazendo aquela coisa ridícula que as mulheres fazem em festas de dançar juntas quando nenhum homem as tira. Já dizia Tim Maia: “só não pode dançar homem com homem, e nem mulher com mulher. O resto vale”.

:: Em três locais diferentes tocou Amigo Punk. Festa mais que garantida. Nessa hora até teve alguns braços que sacudiram no ar em punhos. Mas poucos, e confesso que o fiz, ainda que timidamente devido às circunstâncias.

:: Cheguei a uma idade em que coisas que eu achava ridículas antes, agora penso: se a pessoa está se divertindo, vai fundo. Vi uma figura peculiar de idade avançada dançando a valer (como eu gostaria de ter dançando a noite toda, como as pessoas dançavam a noite toda antigamente). Poderia parecer ridículo, espalhafatoso. Mas ele tava aproveitando, se divertindo e é isso que vale.

:: Poucos momentos na pista de música eletrônica e tocou Loves is in the Air (remixado, é claro) e Gala. Isso sim é dance! Não esses psy trance. Me empolguei e senti olhares meio que reprovadores pela minha saliência (mas eu só estava dançando normal!). E claro, até tinha gente dançando um pouco mais nessa pista, que era completamente escura ou com aquela luz piscante e estonteante.

: Bom e no final das contas o caneco (de chopp) vai para…

… um cara que às 4h, em frente a um bar que tem uns 3m de comprimento, me diz que chegou agora e me pergunta se é ali que se pega a cerveja!

Meu primeiro cosmopolitan! E nem precisei ir até Nova York ou no Kong, em Paris. Só fui até a Cidade Baixa!

27092009111

Para quem não sabe, é o drink da Carrie e das meninas do Sex and the City. Amei!

Às vezes a gente vira a página, outras fecha o livro.

Admitir que acabou, para você, e não para o outro, é mais difícil. Principalmente para quem não quer desistir e por teimosia fica insistindo naquele capítulo. Pensei que jamais ia perdoar por deixar que eu parasse de sentir. Na verdade, só tenho que agradecer. Só assim pude abrir um livro novo.

E uma história nova, com todo mistério e expectativa que tem, é sempre bem mais interessante que uma história que você já conhece. E nenhuma narrativa muda só porque você parou de ler no meio, o final será sempre o mesmo.

Nada nem ninguém muda sem que também mudem as circunstâncias.

PRIMAVERAdegliuominiAssim é com as estações…

O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante
todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que
levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.
A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve. Mas é levada às últimas consequências mais na
dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão
fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo
lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos
tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como
um orgasmo… Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos
parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se
contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.
Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber
driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como
silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo
que parece encolher e mirrar. Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que havia chegado a ele. Pois até a mais
caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos. O olhar que se tem do outro e
o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma
alegria que dói. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever
seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.
Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.
Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é
transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive,
pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.

A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve, pois nem sempre somos compreendidos. Mas é levada às últimas consequências mais na dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como  um orgasmo…

Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.

Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo que parece encolher e mirrar.

Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que ela havia chegado a ele. Pois até a mais caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos: o olhar que se tem do outro e o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma “alegria que dói”. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.  Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.

Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive, pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

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  • Vou dormir, sério, esse negócio contando o nº de tweets que chega, como se fosse a minha caixa do gmail, tá me deixando nervosa e escrava! 12 hours ago
  • @cassiazanon Agora me diz, se tu é atleta e sabe que pode passar por antidoping, se tu não vai pesquisar se pode tomar até uma aspirina? 12 hours ago
  • @mj8 Coloca uma que dê para sair dançando. Acredite: na hora vai dar vontade ;) A minha não era muito dançante, a Valsa da Amelie... 12 hours ago
  • @Kidids Ah, acabei de ver e achava que era tu hehe 13 hours ago

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