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En 1967, lors de ses adieux à la scène, un journaliste visiblement intrigué par sa décision, demande à Jacques Brel ce qu’il fuyait. Il réfléchit quelques secondes, tête baissé, puis, du ton las de celui qui sait qu’il faut sans fin répeter les choses, il dit…

“Quand quelqu’un bouge, les immobiles disent qu’il fuit.”

(Extrait de Blast, Manu Larcenet)

Em 1967, logo após seu adeus aos palcos, um jornalista visivelmente intrigado por sua decisão, pergunta à Jacques Brel (compositor e cantor de Ne me quitte pas) do que ele fugia. Ele pensa alguns segundos, cabeça baixa, depois, num tom daqueles que sabem que tem que sem fim repetir as coisas, ele diz:

“Quando alguém se move, os imóveis dizem que ele foge”.

(Extraído do BD Blast, Manu Larcenet, uma livre tradução minha).

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“Identifier le bonheur lorsqu’il est à ses pieds, avoir le courage et la détermination de se baisser pour le prendre dans ses bras… et le garder. C’est l’intelligence du coeur. L’intelligence sans celle du coeur ce n’est que da logique et ça n’est pas grand-chose.” 

“Identificar a felicidade quando ela está aos seus pés, ter a coragem e a determinação de se abaixar para pegá-la em seus braços… e guardá-la. É a inteligência do coração. A inteligência, sem essa do coração, é só lógica e isto não é grande coisa”.

Marc Levy, Et si c’était vrai (E se fosse verdade…)

Adorei o livro, mesmo não sendo aconselhável ver o filme antes, a história é muito diferente! Por isso ele me prendeu e hoje comecei a ler do meio para fim e só parei quando terminei.

Além da frase acima, o personagem Arthur tem outras ideias interessantes sobre a vida e relacionamentos, como o cotidiano, que ele compara há uma fruta madura. Só prova seu gosto doce quem tem paciência de passar por algumas rotinas amargas e que são poucos a ter paciência:

“- Je crois que le quotidien est la source de la complicité c’est là qu’au contraire des habitudes on peut y inventer “le luxe et le banal”, la démesure et le commun.

Il lui parle des fruits que l’on n’a pas cueillis, ceux qu’on laisse pourrir à même le sol. ‘Du nectar de bonheur qui ne sera jamais consommé, par négligence, par habitude, par certitude et présomption”.

“Eu acredito que o cotidiano é a fonte da cumplicidade, é lá que ao contrário dos hábitos podemos inventar “o luxo e o banal”,  a desmesura e o comum.

Ele lhe fala de frutas que nós não colhemos, essas que deixamos mesmo apodrecer ao sol. “Do néctar de felicidade que não será jamais consumido, por negligência, por hábito, por certeza e presunção.”

Enfim, lendo o post sobre o filme, desde 2007 queria ler o livro, projeto esquecido. E valeu a pena. Algumas páginas de irreal para nos fazer sonhar, como faz o filme, com um pouco mais de profundidade.

Aqui o que escrevi sobre o filme

Faltando alguns dias para completar 6 meses que estou na França posso dizer que reencontrei o prazer da leitura… em francês! Sempre gostei de ler, hábito que estava meio abandonado nos últimos anos, mas aqui o fato de não ter televisão e não ter carro proporciona mais tempo para leitura. Embora a internet ainda roube muito do meu tempo.

Enfim, com tempo para ler e muitos livros à disposição na biblioteca pública Alcazar e na Fnac que vire e mexe dou uma passada, faltava o prazer de devorar um livro como fazia com meus livros em português. Mas cheguei lá. Ontem à noite terminei de ler as 535 páginas de “Un jour” (Um dia), de David Nicholls. Não foi o primeiro livro que li em francês, mas foi o primeiro assim longo e um livro de adulto que escolhi pelo interesse da história e não porque seria indicado para meu nível de francês.

A dica eu tinha pego neste blog aqui há muito tempo. É muito interessante a história de Emma e Dexter descrita sempre no mesmo dia do ano, 15 de julho, durante 20 anos. Depois de passarem uma noite juntos após a formatura eles desenvolvem uma relação profunda, mesmo que em vários momentos estarão longe um do outro e vivendo experiências completamente diferentes. O sentimento daquela noite permaneceu forte, embora ele, um tremendo galinha, passou muito tempo com medo de assumir seus sentimentos. E ela se protegeu através de uma amizade. Durante quase todo o livro fiquei encantada por esse relacionamento e por não ser uma história de amor convencional , do tipo felizes para sempre. Depois o livro muda e acabei me decepcionando, mas o fato de ter chegado ao fim de 535 páginas, todas em francês, me deu um outro tipo de satisfação.

E uma coisa engraçada, a história se passa quase todo tempo em Londres, mas também em Edimburgo e outras cidades da Inglaterra e uma passagem por Paris – que coincidência comecei a ler quando estava no trem quase chegando a Paris também (em trânsito para a Normandia). Mas o fato de ler uma história em francês originalmente escrita em inglês algumas vezes confundiu minha cabeça. Não sei explicar, tinha que parar e pensar que aquilo não era na França, coisa que nunca acontece quando leio um livro traduzido em português. E mesmo sem conhecer os lugares exatos citados no livro em Londres e Edimburgo, como já estive nas duas cidades, consegui me transportar para o clima da história. E apesar da minha decepção, recomendo a leitura. Já estou com saudades de Em e Dex, me apeguei. Sabe aqueles livros que mesmo que você está ocupada ou tem outras coisas para fazer tem vontade de largar tudo para ler?

Sobre a Alcazar

A Biblioteca Pública de Marseille é um paraíso de livros, DVDs, CDs e BDs. Por apenas 5 euros por ano (para estudantes) e 21 euros para o público em geral você pode pegar emprestado por 3 semanas (renováveis) até 15 itens, pode ser 15 livros por exemplo ou 10 livros, 2 CDs, 2 DVDs de filmes e um DVD de documentário (tem limites para alguns materiais, como DVD que é 2 por pessoa). A sede fica no centro, perto da minha casa, onde tem muitas atividades e exposições. Mas existem unidades espalhadas por bairros e estações do metrô.

Recentemente comecei a utilizar uma das unidades do metrô numa estação que passo quase todos os dias. Lá posso pegar livros e mesmo devolver aqueles que peguei em outra unidade. Quando quero algum livro que está emprestado, reservo pela internet e quando ele está disponível me ligam e me mandam e-mail para avisar e tenho uma margem de vários dias para passar e buscá-lo.

O sistema é parecido em bibliotecas de várias cidades da França, por isso não é raro encontrar muitos CDs de música copiados nas estantes da galera da nossa geração – tudo pego emprestado nas bibliotecas na época de estudante. No meu tempo eu alugava CDs numa locadora e gravava em K7, depois fazia cópia no computador. Apesar da era do mp3 ainda vejo muita gente, principalmente mais velha, saindo da biblioteca com pilhas de CDs. Além de livros de literatura é possível levar para casa livros de gramática e guias de viagem, por exemplo. Quando fui à Barcelona usei um guia emprestado da Alcazar. A biblioteca tem também um espaço para leitura de jornais e revistas e a carta de sócio dá direito a usar a internet também, se não me engano é 45 min por dia.

A façada em estilo Art Nouveau

As bande dessinées (BD ou bédé) são uma paixão na França. Livros em quadrinhos ocupam boa parte das livrarias e da estante aqui de casa. É possível encontrar BDs sobre tudo: ficção, história, biografias e claro, as clássicas HQs de super-heróis, V de Vingança (V pour Vendetta), Mafalda e “Calvin et Hobbes”. A maioria são em edições de grande formato, com capa dura e papel de ótima qualidade, em cores. Há histórias em vários volumes, formando grandes coleções. Não é um passatempo de guri ou de adolescente mas literatura mesmo. Para mim é uma leitura mais fácil, embora claro, muitas vezes é cheio de expressões cotidianas que não estão no dicionário.

A minha paixão por bédés começou com Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet & Clément Oubrerie (ilustrações). Li o primeiro volume na casa de uma amiga, numa noite que a conversa dos homens invadiu a madrugada.  É a história de Aya e suas vizinhas no bairro popular  de Abidjan, en Côte d’Ivoire, nos anos 70. Aya, muito séria, só pensa em estudar para se formar em medicina, enquanto suas amigas só querem sair e namorar no hotel de mil estrelas (um motel improvisado nas mesas da feira ao ar livre), uma delas fica grávida e muitas situações engraçadas são retradas. É um pouco adolescente, mas quem não tem histórias dessa época? A escritora é originária de lá e a gente conhece uma África cotidiana e vivante, longe de guerras e misérias. Vire e mexe tem referência às novelas brasileiras. Além de aprender francês, também aprendo algumas expressões africanas num pequeno glossário que há em cada volume . Tem até uma expressão para criticar os “brancos” que falam com o “rrr” puxado, os franceses no caso. Li até o volume 4, mas são 6 volumes até agora. Quem quiser conhecer, vi na Feira do Livro de Porto Alegre em 2010 que a LP&M publicou o primeiro volume em português.

Journal d’un journal, de Mathieu Sapin é um BD mais sério, mas sempre com humor, ainda mais que retrata o cotidiano de uma redação de jornal, neste caso, o Libération. Mídia de esquerda, Libé tem fama de ser “aberto” e a prova é este livro onde o desenhista teve acesso à todos os setores e reuniões, acompanhou jornalistas em reportagens e entrevistas durante seis ricos meses – ele estava lá durante o tsunami de Fukushima, a morte de Ben Laden e o caso DSK. É a visão de um leigo para quem é jornalista, mas a gente conhece bem o funcionamento do jornal e do site, como as editorias são divididas e essa ideia de liberdade e abertura. Uma vez por ano, por exemplo, escritores são convidados a fazer uma edição do jornal.  Um verdadeiro documentário do tradicional jornalismo francês!

E algo que pode parecer super normal me chamou atenção: os jornalistas vão de metrô para suas pautas. Claro! Em Paris ir de metrô é muito mais prático! Mas nunca tinha pensado nisso. Como no Brasil as empresas de comunicação tem carros com motoristas à disposição dos repórteres e fotógrafos, o que dá um certo status também, nunca imaginei que em grandes jornais da Europa os jornalistas saíam em transporte em comum. Mas aqui funciona e é bem melhor que carro… Já fiz muita reportagem de ônibus e metrô no pequeno jornal que fiz meu primeiro estágio, mas depois na RBS, claro, todo mundo ia de “carro da firma”.
OS BDs, a 9ª arte, também invadem a 7ª arte, o cinema (alguém sabe qual é a 8ª?). Um dos mais célebres é Persepolis, de Marjane Satrapi. Não li o livro ainda, mas vi o filme, biografia da escritora e desenhista no Irã dos anos 80, onde através da história de sua vida, a gente conhece o cotidiano de Teerã em preto e branco e como a revolução leva ao exílio e consequentemente a uma crise de identidade. O filme ganhou o prêmio do juri do Festival de Cannes em 2007. Da mesma escritora, Poulet aux Prunes, chegou ao cinema no início de novembro na França (veja o trailer). No site do IMDb o título aparece em português (Frango com Ameixas), talvez esteja em cartaz no Brasil. Li o livro antes de ir ver o filme. Doce, triste e engraçado é a história de um músico que tem seu instrumento quebrado por sua esposa, com quem vive um relacionamento conturbado. Sem sua paixão ele decide pôr fim à sua vida. Também se passa no Irã, mas aqui o que importa é uma história de amor que no cinema ganhou vida em uma alegoria sensível. O único ponto negativo é que o instrumento, um Tar, no filme é transformado em violino. Mas não tira o brilho da história.

O último BD que li também foi de Marjane: Broderies. Enquanto os maridos fazem a siesta, as mulheres de sua família se reúnem para o samovar, um chá onde elas podem “tricotar” à vontade. Mesmo sendo de uma cultura mais conservadora, elas falam abertamente sobre  homens, sexo, casamento… de como os ocidentais veem o sexo, de simpatias para pegar homem, de como uma mulher que não era mais virgem tentou enganar o marido e acabou cortando o pobre na noite de núpcias. Muito engraçado e não há mulher que não se identifique. De extra aprendi as palavras digamos, popular, para o órgão sexual masculino.

Para os homens há Pascal Brutal, A nova virilidade. O personagem é um cara fortão, de vida de excessos, mas que pensa de vez em quando. Rodeado de mulheres, ele também é bissexual (ops, mas isso não se pode dizer).

São centenas e centenas de BDs, o próximo da minha lista é a série Le Photographe. Através de desenhos de Guibert e Lemercier e fotos do fotógrafo Didier Lefèvre podemos acompanhar a jornada a de uma missão de Médicos sem Fronteira nas montanhas do Afeganistão durante a invasão russa. Vi o vídeo que acompanha o livro e são imagens fortes de crianças, homens e mulheres feridos pela guerra, as extremas dificuldades para embalar medicamentos e acomodar no lombo de mulas que muitas vezes caíam montanha abaixo com toda a carga valiosa em cenas chocantes. Mas se vê o trabalho recompensado no rosto de um adolescente que teve sua face estraçalhada por uma bomba e alguns meses após o atendimento que ele recebeu, mesmo precário, teve seu lindo rosto recuperado.

Outras das minhas leituras aqui

Hoje lembrei das minhas conversas com o Nelson Rodrigues em 2005… sempre atual, as minhas palavras e as dele.

Isso porque li no twitter do @rodriguesnelson:

A pior forma de ódio é o ex-amor. Ninguém perdoa aquele ou aquela que deixou de ser amado.

Ai, isso tudo é tão complicado que prefiro nem pensar.  É tão boa a vida com só o que ela tem de bom. É passageira, efêmera, instável, mas pulsa mais em minhas veias.

É como estar numa montanha russa, o frio na barriga é mais constante, mas também passa rápido. Não há a sensação do fim, estou sempre em loopings e com a eterna expectativa dos começos.

Fui comentar sobre O Livro dos Abraços, do Galeano, lá no Usina e descobri que essa mania aqui tem um adendo:

O marcador que veio da loja, dentro deixo do livro, marcando algo que gosto ou na página que ele estava antes de eu chegar ao fim da leitura.

Ando sumida… tenho deixado meus pensamentos mais livres e aí não guardo tudo que poderia escrever. Também me ocupei bastante na última semana. Retomei a terapia, voltei para as aulas de História da Arte  e entrei numa academia, ainda que só tenha ido em duas aulas no mesmo dia na semana passada, e essa ando com a agenda cheia e os horários de trabalho ainda oscilando. Mas hoje é só terça-feira.

Na sexta passada folguei para dobrar nas duas madrugadas do fim de semana. Aproveitei o ócio no dia útil e me dei um dia de burguesinha, como na música do Seu Jorge. Fui no esteticista, na manicure (em vez do cabelereiro)… não malhei o dia inteiro para aguentar as noites sem dormir, mas troquei o suquinho de maçã por um filé com vinho no almoço em uma calçada da Pe. Chagas, sem ter que pegar no batente depois. Ai, realmente me senti muito bem. São coisas até fúteis, claro que levo um livro para a sala de espera do salão de beleza, mas tenho pensado um pouco menos e isso é bom. Também preciso cuidar de mim, coisas que deixei de lado para estudar, trabalhar, correr atrás.

Foi a Clarice Lispector que me fez companhia no meu almoço de sexta-feira. Terminei A Hora da Estrela, mas não gostei tanto assim. Trata-se de uma mulher que não existe porque sequer pensa na sua própria existência. Por mais que eu tente me livrar desse monte de dúvidas, indagações e certezas que eu propago dentro da minha mente sem ter certeza nenhuma, mas para justificar aquilo que eu penso e não queria pensar, ainda assim não posso negar isso como condição que me faz ser o que eu sou. Para isto o livro serviu, aprender a fazer bom uso dos meus pensamentos, não dar bola para eles de vez em quando, mas jamais negar que eles é que me fazem existir.

E como gosto de tirar o melhor das coisas, tem frases que gostei na obra que colocarei aqui. Aí vai a primeira, do comecinho do livro:

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar”.

Ai, ai. Ando com pouca inspiração para escrever aqui… acho que é a malemolência das férias e férias de verão é praia, sol, pernas para o ar e nada na cabeça. Bem diferente de fazer um passeio por uma cidade nova, programas culturais, se abastecer de novos conhecimentos. Sinto falta disso… mas não adianta, descanso no verão é só sombra e água fresca mesmo.

Em Garopaba tem uma livraria bem bacana onde comprei A Hora da Estrela, da Clarice Lispector. Nunca li nada dela e achei que era um bom momento para começar, já que esta edição estava baratinha e é um livro fininho, bom para as férias. E como já disse, sempre há tempo para ler os clássicos.

Mas acabei não lendo nada debaixo do guarda-sol. No máximo umas duas páginas antes de dormir a bombordo numa das cabines da pousada que fiquei que era toda inspirada em um navio.

Mas enfim, este post era para dizer que as férias acabaram com “água de ouro”. Troquei as rasterinhas por um saltinho, coloquei uma roupa mais urbana, um pouco de maquiagem, enfim, aquele galmour que por mais que a gente tenta acaba ficando de fora na praia e fui jantar ontem na cachaçaria Água Doce, a nova aqui da Zona Sul. Lugar legal, desses com deck ao ar livre, muitas opções de comida e meia porção que é grande até para duas pessoas e claro, cachaça! Meu martelinho durou a janta toda e só desceu com um pouco de refri. Ahhh abanei o hálito que nem a Fiiiirma em Memorial de Maria Moura e estremeci (esse por minha conta mesmo). As opções são diversas, de todas regiões do Brasil e as folclóricas, com nomes engraçadíssimos. Eu recomendo, nem que seja para fazer cara feia.

pearl.jpgAssisti ao filme A Mighty Heart, baseado no livro Coração Valoroso, que Mariane Pearl escreveu sobre o seqüestro do seu marido, o jornalista Daniel Pearl que foi morto no Paquistão por terroristas que colocaram o vídeo de sua execução na internet. Tudo aconteceu em 2002, Mariane estava grávida e a agonia durou cinco semanas.

Eu li o livro lá por julho do ano passado, num período conturbado. Enquanto eu lia sobre a paixão, o amor e o companheirismo dos dois e me identificava com suas promessas e os ideais dele que ela tomou para si em uma busca pela verdade que ultrapassou as do jornalismo, mas uma busca pela paz no mundo, sem idealismo, embora com um preço alto, eu vivia um momento parecido. Quando entrei nos capítulos das investigações difícieis e confusas na busca por Danny, algo havia se perdido de mim também. Foi o telefone que não tocou mais, verdades descobertas na internet, uma pessoa que desapareceu e eu fiquei perdida. Foi quase insuportável ir até o fim do livro pois a solidão que ela se impõe no momento de ter o filho é brutal e da qual eu queria fugir. Tanto que nem escrevi sobre o livro aqui.

Quando soube que a Angelina Jolie faria o papel de Mariane me decepcionei um pouco, pois sua aparência em nada lembrava essa francesa descendente de cubanos. Meses atrás vi um making of e aí vi no quanto ela se transformou nessa personagem real. E Angelina conseguiu passar a força dessa mulher, que mesmo grávida e num momento de desespero, conseguiu manter a lucidez, e mais que isso, ajudar na busca pelo marido baseada naquilo que ela conhecia de seu companheiro e no que acreditavam, sem perder o otimismo e a esperança de um mundo de paz como ele queria, mesmo quando seu mundo desmoronou. É uma mulher inspiradora.

Posso dizer que vivi um pouquinho de seu desespero ao ter alguém na guerra que também sumiu num dia. Mas chequei os e-mails e investiguei seus relatos a ponto de me tranquilizar e confiar que tudo estava bem, enquanto os outros pensavam em me proteger. Foi algo infinitamente menor, mas dá para compreender um pouco mais as suas atitudes.

 É uma pena que o filme se concentra mais nas investigações, mostrando pouco a ligação dos dois. Mas a cena em que ela recebe a notícia que ele está morto é forte, impossível de imaginar só lendo o livro. É uma cena que só se identifica quem já passou pela dor de perder alguém que se ama…

Mas se o livro foi um divisor na minha vida, o filme também foi visto num momento muito simbólico. Ambos estarão para sempre em meu coração.

pipa.jpg

Fui ver O Caçador de Pipas e chorei muito. Menos que quando li o livro, acredite! E este é o grande triunfo dessa obra para mim. A adaptação foi muito fiel, embora achei que conta um pouco que o especatador tenha lido o livro e esqueceram dois detalhes (quem leu o livro sabe, mas um deles seria muito forte). E claro, não há a profundidade do livro, não mostra o quanto a covardia de Amir o torturou por toda a vida, até quando viu que poderia ser bom novamente. O quanto seus atos maldosos são justifcados pela falta do olhar do pai.

Mas é uma história de amizade linda e a coragem e a lealdade de Hassan é algo tão puro e verdadeiro que todos deveriam lembrar desse personagem antes de fazer alguma coisa por alguém e ele faria mil vezes.

O cenário era muito diferente do que eu imaginava em Cabul. Minha visão está impregnada com o Afeganistão pós 11 de setembro, muito mais retrógrado que antes da invasão soviética. Achei eles bem moderninhos, pelo menos na casa de Amir, já que seu pai era rico e liberal. Já a parte que se passa nos EUA me pareceu familiar com a minha imaginação.

O filme não mostra também o quanto de paixão Amir sentia por Soraya como no livro, e acho que por isso me emocionei tanto ao ver a cena do casamento, principalmente na parte da tradição do espelho. Gosto de rituais que marcam uma história de amor.

Como sempre, é um ótimo filme, mas um grande livro sempre vai ser melhor. Confira os dois.

E depois de me apaixonar por um russinho e crianças vietnamitas e um argentininho, também me apaixonei pelas crianças afegãs do filme.

A propósito: se você me tirasse no amigo secreto o que me daria de presente?

Provoque seus leitores em seus blogs também. Acho que o que a gente ganha de presente pode ser revelador sobre o que as pessoas pensam de você.

A propósito 2: eu preciso colocar fora um livro que minha irmã me deu no meu aniversário de 23 anos – Enquanto o amor não vem.

pinball.jpgDeu uma confusão no amigo secreto da empresa. Tinha outra colega Fernanda e quem tirou ela, jurou que tinha me tirado. Tive dois amigos! Mas como não fui na festa, o presente demorou três dias para chegar, pois o meu amigo sempre esquecia. Bom, mas a outra pessoa que me tirou foi a colega que é minha dupla. Me escreveu um cartão lindo e como não tinha olhado a minha lista a tempo, comprou o livro Máquina de Pinball, da Clara Averbuck. Só que este presente foi para a outra Fernanda, já que a outra pessoa que me tirou comprou as latinhas com estampa de Paris que eu tinha pedido.

Mas daí fiquei curiosa para saber que presente ela tinha me comprado. Quando foi me mostrar o livro no site da Cultura disse que tinha tudo a ver comigo. A escritora começou com blogs e aí li a sinopse e concordei.

Mais tarde, em casa, fui adicionar o livro na minha lista da Cultura e li novamente a sinopse e fiquei um tantinho assustada. Num primeiro momento pensei, “não, não tem nada a ver comigo”, mas daí refleti:

Neste livro a autora, Clarah Averbuck, narra a história de Camila, que não tem dinheiro, namorado, televisão nem comida e mora em São Paulo, onde não tem muita sorte. Decide ir para Londres ver os Strokes, enchendo-se de dívidas. A vida lá também não é fácil, resolve voltar, se apaixona, se decepciona, bebe, e mesmo assim consegue rir da própria desgraça enquanto ouve boa música e bebe vodka barata.

Uau! Pensei! Já estive sem dinheiro, sem namorado, sem televisão e sem comida (em casa). Logo que fui morar sozinha era assim. Se bem que ainda não tenho comida em casa.

Bom, eu decidi viajar agora e meu pai não quer porque acha que vou me encher de dívidas. Do Strokes eu só gosto de 12.51. Eu me apaixono e me decepciono e já perdi a ilusão de que isso pode não acontecer de novo. Apesar de ser intensa também no sofrimento, sim eu consigo rir da minha própria desgraça em diversas situações. Tanto que posso dizer que não me considero uma pessoa de sorte, mas me livrar de certas pessoas, embora pareça azar, no fundo foi a minha sorte. Eu ouçou Norah Jones, Diana Krall, Dolores O’Riordan, Madeleine Peyroux, Carla Bruni, U2 e Beatles (concluam se é música boa). Ah e a vodka que tem aqui em casa é Natacha! Se o manual de redação desse blog permitisse, eu colocaria aqui agora um sonoro hahahaha.

livro.jpgTerminei de ler no final de semana Paris é uma festa. Fazia tempo que não lia um livro tão rápido (nem tão rápido assim, mas do jeito que minha leitura anda atrasada…). Depois de andar com o Hemingway para cima e para baixo levei 20 dias para devorar as 236 páginas da obra.

A atmosfera da cidade luz nos anos 20 é algo encantador. Já tinha um carinho por essa época, devido aos acontecimentos artísiticos, mas ao ler com que paixão Ernest escreve sobre sua vida na cidade, é mais surpreendente ainda. Um tempo em que as pessoas deixavam de comprar roupas para comprar quadros (hoje em dia nem que eu vendesse todos os meus bens e trabalhasse pelos próximos 30 anos poderia comprar as obras daquela época, nem ganhando na Mega-Sena!). Um tempo que mesmo sendo muito pobres, aproveitavam a vida pelos cafés ou em viagens pela Europa. Uma tempo em que o idealismo de viver de escrever era real, mesmo que o preço fosse passar fome. Acho que é por isso que nada mais se torna clássico, hoje em dia se escreve comercialmente.

Apesar de descobrir que F. Scott Fitzgerald era um chato e até paranóico, adorei ler sobre a convivência de Hem com o autor logo depois dele ter escrito O Grande Gatsby, um livro que me prendeu tanto, que na época que o li, certa vez, estava numa festa e fiquei com vontade de tê-lo comigo para continuar lendo.

E além desse trecho que postei, destaco outras frases de Paris é uma festa:

“Tudo aquilo em que se precisa apostar para ter emoções não vale a pena de se ver”.

“Nunca se deve viajar com uma pessoa a quem não se ame.”

E acho que Paris é o que é porque essa frase escrita nos anos 20 ainda deve fazer sentido para quem conhesse a cidade:  “Paris vale sempre a pena e retribui tudo aquilo que você lhe dê”.

flores.png“Quando a primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia eram  pessoas, mas se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera”.

Paris é uma festa, Ernest Hemingway

Então eu acordei do coma e fui na Feira do Livro e na Bienal no sábado.

Queria comprar algum guia de viagem, até pareceu interessante o Guia para o Viajante Independente na Europa Europa, mas achei mais prudente ir uma hora dessas na Cultura e olhar tudo que tiver na seção de viagem para poder avaliar melhor.

Resolvi procurar por E se fosse verdade. Eu parecia um ET, ninguém sabia do livro. Aí lembrei de Paris é uma festa, do Hemingway, que o Seth dá para a Maggie no filme Cidade dos Anjos. Em uma banca novamente o desconhecimento, até que estou andando a esmo e vejo o livro jogado em cima dos lançamentos em uma banca. E foi tudo que comprei, e já comecei a ler. Depois de meses abandonando os livros o reencontro com as letras tem sido muito bom. Além de conhecer a Paris de Hemingway, ainda ele fala da arte da época, a arte de Picasso, Matisse, Braque…

Já a Bienal foi uma decepção. No Santander eu pensei: “vamos estudar história da arte para sempre” porque o que estão fazendo… francamente! Tá, que mesmo estudando eu ainda não entendo muito, ainda mais da arte contemporânea. Tá, que eu perdi a aula no Santander. Mas eu também tenho a mente aberta. Mesmo assim o Jorge Macchi não me convenceu. Algumas boas sacadinhas que só me liberaram um sorriso mental (não gastei músculos nem para um sorrisinho de canto de boca). E tem lugar mais solitário que aquelas salas de vídeos que para entrar se passa por um corredor escuro, aí tem uma cortina de veludo preta e ainda assim tem que dar mais uma entradinha?

No Margs respirei aliviada. Ufa! Tinha pintura. Mas não gosto de arte inspirada nos pré-colombianos como a do Francisco Matto. Já que estava cansada, olhei correndo as obras dele e do Öyvind Fahlström. O que me impressionou mesmo foram os quilos e quilos de tinta de Iberê Camargo nas salas negras.

Tudo isso pode ser porque não me informei sobre nada desta Bienal, abandonei minhas aulas e também não tem saído muita coisa no Segundo Caderno. Na 5ª Bienal (que Bienal!), lembro que tinha matéria quase diária com os artistas. Ficou mesmo à margem do rio.

Tem souvenirs legais do evento, mas como não me empolguei… Eu ainda não fui no Cais, mas espiei no dia que fui na exposição No Ar – 50 anos de vida e não me interessei muito. Mas quero ver aquela obra do Cildo Meireles. E chatinha desse jeito, a história de projeto pedagógico vai é afastar os pequenos.

Nas livrarias dos museus é que vi o livro do filme O Passado. Acho que vi nas bancas, mas depois não encontrei mais. Quero ver o filme (e o Gael), fiquei com vontade de comprar o livro, mas não sei se é bom. Eu não sou louca como a mulher, mas esquecer para nós é mesmo mais difícil.

Ergui e olhei minha prateleira de livros de comunicação, arte, filosofia e teóricos (além da Mafalda que está aàporque é grande). O laranja do Nietzsche saltou aos olhos!A Vica me passou a tarefa! Como meu computador fica rodeado de livros, assim que terminei de ler o meme, ergui a cabeça para a prateleira de cima, e o primeiro que dei de cara foi a Gaia Ciência, do Nietzsche (deve ser por causa da capa laranja). Eu não li ele todo, mas está cheio de maracações de trechos que gostei. Alguns até já foram postados aqui no blog.

Regras:
1.- Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2.- Abra-o na página 161;
3.- Procurar a 5ª frase, completa;
4.- Postar essa frase em seu blog;
5.- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6.- Repassar para outros 5 blogs.

“Todas as vivências reluziam de outra forma, pois um deus brilhava através delas; e também todas as decisões e perspectivas quanto ao futuro remoto: pois as pessoas tinham oráculos e avisos secretos e acreditavam nas profecias”.

Vou passar para a Lu, Gi, Cris, FábioMila. Mas se mais alguém quiser fazer, fique à vontade.

media.jpgDepois de quase dois meses, finalmente chegou a tradução que encomendei de We the media, do Dan Gillmor.

Como o livro em português só tinha de uma editora de Portugal, tive que esperar ele ser importado e demorou mais que as seis semanas prometidas. Mas é a bíblia do jornalista de web 2.0. Com certeza vai valer a pena.

Sábado busquei ele na Cultura. Agora é arranjar tempo para devorá-lo. 

Depois de três meses, exatamente, três meses, recebi ontem os dois volumes da coleção Mestres da Pintura que tinha comprado no site da Folha de S. Paulo.

Depois dessa confusão, troquei o endereço para a portaria do condomínio, mas esqueci de autorizar o porteiro e a encomenda voltou. Então liguei e pedi que mandassem novamente por uma distribuidora que se não me encontrasse ia entrar em contato e eu saberia o endereço e poderia buscá-los. Não sei o que aconteceu, só sei que depois de alguns dias sem olhar minha caixa de correspondências, lá estavam as três tentativas do carteiro e novamente pedindo que eu buscasse a entrega na agência do Menino Deus. Desta vez liguei, o pacote estava lá e para não ter que pagar estacionamento de novo, até porque o do posto da esquina estava lotado, estacionei na calçada em frente ao Correio. Como achei que não podia, larguei o carro ali, mas tinha uma vaga realmente, só que bem apertada então deixei mesmo na porta onde chega os carros de carga e descarga. Azar!

E finalmente pude colocar na prateleira os livros de Van Gogh e Cézanne, ao lado do Da Vinci. Ainda quero comprar mais alguns volumes. Mas vou tentar na Cultura mesmo.

dscn2767.JPGEu tinha grande expectativa em conhecer a livraria El Ateneo Grand Splendid. Instalada dentro de um antigo teatro, tem no palco um café e alguns camarotes com poltronas onde se pode sentar e ler à vontade. Em volta disso tudo, livros, livros e mais livros. Esplêndida mesmo.

Veja o interior da El Ateneo

Aí é que se vê o nível cultural de Buenos Aires, pois esse antigo teatro é bem peracido com o nosso São Pedro. E o teatro deles, o Cólon é maravilhoso. Fiquei boquiaberta quando fiz a visita guiada. Apesar de não ser free para jornalista, vale a pena gastar 12 pesos para conhecê-lo. É o teatro lírico mais importante da América Latina e um dos cinco mais famosos do mundo por sua acústica. Devido ao seu centenário estava fechado para reformas, mas eu gostaria muito de um dia poder voltar lá numa noite de ópera. Em 2008 ele reabre com Aída, de Giuseppe Verdi, a mesma da inauguração em 1908.

Mas voltando à livraria e porque foi um capítulo a parte. Inicialmente pensei que só daria uma olhadela, afinal os livros são todos em espanhol, embora quisesse adquirir Toda Mafalda. Mas ao chegar na seção de Diseño enlouqueci. Muitos livros sobre desing gráfico, diagramação e comunicação visual. Coisa que aqui não se encontra. Separei logo uns cinco. Aí vou ver os preços: decepção. A maioria custava entre 100 e 200 pesos. Fiquei com o único dentro do meu orçamento que custava 38 pesos: El diseño de comunicación, Jorge Frascara. Mas levei também a Mafalda, que é um clássico. Só ficou faltando tomar o café no palco!

Buenos Aires – Capítulos a parte IV
Buenos Aires – Capítulos a parte III
Buenos Aires – Capítulos a parte II
Buenos Aires – Capítulos a parte I
Surpresa da viagem

caca.jpgPor mais envolvente que seja um livro, dificilmente me faz chorar como num filme. É até mais fácil um sorrisinho de canto de boca quando tem alguma sacada boa. Teve um livro que chegou a encher meus olhos de lágrimas, acho que foi Quase Memória, mas o que conseguiu me fazer debulhar foi O Caçador de Pipas, de Hosseini Khaled, que ainda estou lendo. Ontem à noite, antes de dormir, estava fazendo a minha habitual leitura. Tive que trancar um pouco do choro para as lágrimas não molharem as páginas. E hoje, sem resistir em ficar longe da história, lendo na casa da minha mãe depois do almoço, as lágrimas não rolaram mais porque ela me interrompeu.

Mesmo que todo mundo já tenha lido esse livro, de Gisele Bündchen a Diego Alemão, do Big Brother, não vou contar, mas dar uma pista do que me emocionou. É uma parte em que dois personagens se separam devido a uma coisa horrível que um deles faz para o outro. Eu absolvi o personagem de seu erro, pois só quem sabe o que é fazer coisas para chamar a atenção de um pai pode entender tal ato. O menino do livro sente-se rejeitado porque a mãe morreu no parto e ele acha que o pai o culpa por isso. Meu pai nunca me rejeitou, mas o fato de ter deixado o nosso lar quando eu era criança me marcou. Também o fato de ele nunca concordar muito com as profissões que escolhi faz com que eu me identifique com o livro.

Não sou muito dos best-sellers, tanto que o livro é emprestado porque sempre acabava priorizando outros, mas não é à toa que ele continue no topo da lista de mais vendidos da Veja. É daquelas leituras que prendem, que invadem o teu cotidiano e não saem do teu imaginário.

Vou ali, ler mais um pouquinho. Acho que vou chorar quando eu tiver que me despedir de Amir jan e Hassan jan.

candido.jpgLi no Cultura que o historiador americano Robert Darnton que fez sua palestra hoje no Fronteiras do Pensamento ia discutir na conferência Voltaire, Rousseau e nós, o livro Cândido, de Voltaire. Ele considera a obra “um dos melhores textos, que qualquer estudante de Ensino Médio pode ler”. Diz que lê o livro todos os anos e dá aulas para seus alunos sobre ele. Outra realidade. Aqui os professores precisam empurrar um Machado de Assis para os adolescentes, que muitas vezes acabam só lendo quando cai na leitura obrigatória do vestibular. E quantos presentes no Salão de Atos da UFRGS devem ter lido tal obra?

Eu li Cândido quando estava no ensino médio, e por iniciativa própria. A aula de filosofia que tive no colégio foi baseada em O Mundo de Sofia, facilitando a coisa para a gurizada, mais ou menos o que propõe o Luc Ferry, que palestrou na semana passada. Mas como sempre gostei de filosofia, encontrei o livro de Voltaire numa banca perto de casa, comprei e comecei a ler. Não me perguntem nada sobre ele. Li até o fim por princípio e a única coisa que me lembro é que por fome extrema comeram nádegas de mulheres.

A edição que tenho é tão pobrinha, que não lembro de ter o nome completo: Cândido ou o Otimismo. E ao me deparar com esse título, nunca consegui entendê-lo, visto que só lembro da passagem citada acima. Acho que eu precisava de um pouco mais de orientação para ter lido Voltaire. Quem sabe um dia eu não retorne ao livro, ao menos para poder entender o que há de otimismo nele.

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livro.jpgJá que eu não consegui entrar através do ingresso dipolmado no curso de Filosofia e não tive saco para fazer vestibular, sou uma candidata a leitora de Aprender a Viver, de Luc Ferry.

O livro procura mostrar a filosofia com linguagem acessível, um O Mundo de Sofia para adultos. E o melhor, tem filosofia contemporânea pós-Heidegger, que preciso aprender mais, já que a cadeira de Comunicação e Filosofia que fiz na faculdade me mostrou um mundo de coisas que quero conhecer e do livro Filósofos do Século XX  pouco apreendi, já que tem uma linguagem bem acadêmica.

Em tempo, o autor vai abrir o seminário Fronteiras do Pensamento, no próximo dia 20.

Seine a Argenteuil, Claude Monet “O Tempo é um rio sem nascentes a correr incessantemente para a Eternidade, mas bem se pode dar que em inesperados trechos de seu curso o nosso barco se afaste da correnteza, derivando para algum braço morto feito de antigas águas ficadas, e só Deus sabe o que então nos poderá acontecer.”

Quando fiquei sabendo que o filme A Casa do Lago tratava-se de duas pessoas que se apaixonam em épocas diferentes, ela está em 2006 e ele em 2004, fiquei um pouco incrédula e desconfiada. Mas logo lembrei de um dos meus contos preferidos, na minha opinião, o melhor de Erico Verissimo, que li quando tinha uns 12 anos, ou menos. Para ter uma idéia, eu ainda não sabia o que era sufragistas, palavra citada no texto.

Trata-se de Sonata, que começa com a frase lá de cima que anotei na época e me acompanha durante anos. Achei até que já tivésse publicado aqui, mas não. Procurando-a na internet, encontrei o conto na íntegra. Reli e a história continua a povoar meu imaginário, me transportando ao casarão com o anjo triste no jardim.

Foi daí que tirei a idéia de procurar no Museu de Comunicação um jornal do dia em que eu nasci. Mas não me lembrava, achava que era uma idéia original que eu tivera. Porém, durante dois anos morei muito perto do museu e nunca fui lá fazer tal pesquisa.

Mas há um tempo atrás pesquisando no arquivo digital do jornal descobri que Sonata foi adaptado para a televisão em 2001 e eu, tão vidrada em tevê, fui afastada dessa correnteza por algum braço morto e infelizmente, não assisti.

livro.jpgQuando comecei ler As armas secretas, do Cortázar, me perguntei: porque diabos comprei este livro?! Não que seja ruim, mas é que compro os livros e começo a ler muito tempo depois de ter adquirido. Tentei lembrar o motivo que me fez ir até uma livraria, pedir por ele ou simplesmente vê-lo em uma prateleira e me chamar atenção, sacar o cartão de crédito e desembolsar o valor, que na época representava mais, já que eu ganhava menos.

Será que era porque ele era o autor de O jogo da Amarelinha? Este, que por sinal, esperei acumular pontos na Livraria Cultura para adquirí-lo, porque ouvi uma amiga dizer que foi o livro que mudou a sua vida. Eu só li ele uma vez, na ordem correta e não a sugerida, e não achei grande coisa, exceto por uma frase salvadora.

Aí lembrei: quando estava lendo Imagem – Cognição, Semiótica, Mídia, para meu trabalho de conclusão, dois livros eram sugeridos pois tinham relação com o que tratava na obra: El Hacedor, do Jorge Luis Borges (que foi difícil encontrar) e As armas secretas

Resolvi então ver que referências tinha no livro dessas obras e descobri que eram contos específicos de cada livro. No do Borges, La rosa amarilla e no do Cortázar, Las babas del diablo, que na forma de romance fala do ato de fotografar. Antes de começar a ler o conto, fui ler o que o livro teórico dizia. E a indicação era a melhor possível. Foi o conto que li mais rápido. Hoje terminei a obra, mas definitivamente, Cortázar não consegue prender minha atenção. O seu jeito de narrar me confunde, nunca sei quem está falando o quê. E Paris fica tão depressiva. Duvido que seja assim.

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