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Acabo de falar com meu amigo, o amigo com quem há 5 anos tive essa conversa aqui, uma conversa bouleversante. A parada séria: um transplante de rins. Ele já tinha a mãe como doadora, mas precisava ultrapassar um outro obstáculo: físico e também psicológico. E  no último dia 14 ele fez a cirurgia. E daqui do meu plano, que tomou um rumo completamente diferente e muito melhor, falo com ele e tudo está bem. Tudo virá para melhor para ele também, uma nova vida se abre depois de tantas etapas, hora de fazer novos planos, Fábio!

“Eh petite fille on est jamais deux a partir”…

Da música Au Port, de Camille.

Por que mulheres que não querem relacionamentos sempre são diagnosticadas, na vida real ou na ficção como pessoas que tem problemas com o pai, por causa do divórcio dos pais ou algo assim? Já a maioria dos homens não quer se envolver e isso é considerado uma coisa normal?

É madrugada e eu não tenho sono. Como se me manter acordada, como se esperar, me trouxesse as respostas pela qual faço vigília.

De manhã eu não quero acordar, quero dormir todo o dia porque eu sei que as respostas não chegarão.

Minha dor reside na minha falta de covardia.

Dois meses, uma eternidade.

Em outros três meses, uma vida.

Je suis revenu comme un étranger au chez moi. J’ai trouvé ma place et a dû quitter. Je n’habite pas en moi plus.

Quand vais-je pouvoir vivre avec mes propres choix?

Quando se estava disposto a fazer o impossível, fica difícil fazer só o possível.

Para quem busca o extraordinário, para quem encontra o extraordinário, é difícil viver o ordinário.

Para quem se alimentava de sonhos, perdê-los faz com que a alma morra à míngua.

Uma pessoa estava com o coração partido no twitter hoje. A desesperança e a decepção do “pra sempre” ter chegado ao fim. Quando a gente gosta de alguém de verdade acredita que isso possa ser real. A paixão inverte a lógica. E mesmo quem já tenha passado por isso, na hora é difícil ver com clareza. Só quem está de fora consegue dizer que passa. E foi o que eu fiz. E tão bom quanto acreditar no amor eterno é descobrir que a gente estava enganado. É libertador descobrir que salvamos a nossa breve existência de um amor errado.

Ele respondeu:

Passa mesmo. Mas continuo acreditando no “para sempre”.Enquanto isto,o jeito é esperar, caminhar, nadar, ler e outros verbos

E eu:

O jeito é viver, esse é o melhor verbo. O resto é consequencia, inclusive o amor. E deixa ele estar para sempre em ti

Nunca tinha pensado nisso. Na hora me veio algo como: podemos ter amor para sempre, o destinatário é que não precisa ser um só. O amor precisa estar em nós e é esse amor “para sempre” que temos que cultivar.

E de vez em quando a gente compartilha com alguém, porque faz bem. Vale a pena arriscar, mesmo que possa virar dor depois, porque quando temos o amor dentro de nós, ele só multiplica quando a gente divide.

A brisa era só uma brisa. Eu nem sei porque tanto entusiasmo por algo que eu não queria.

Só espero que quando essa euforia passar… que passar que nada! Eu quero seguir o curso que tiver que seguir. Se foi assim na dor, porque não pode ser na alegria?

E tem sensação mais boa do que conseguir o que se quer e sentir o seu próprio poder?

Uma coisa é certa, não me sentia assim há anos! Ou melhor, acho que nunca estive tão feliz. Estou no auge de mim mesma. Acho que finalmente me encontrei embora ainda esteja perdida em um monte de coisa. Mas isso, isso já é muito mais da metade do caminho percorrido.

Eu só preciso parar de fazer tantas loucuras, mas sem elas não há diversão. E quer saber? Adoro ter histórias para contar e principalmente aquelas que não dá nem para contar.

Origem Etimológica: do grego EUPHORIA
EU (bem) + PHOROS (ato de portar, de carregar)

Como minha alma faceira e meu espírito livre se deixou aprisionar tantas vezes.

É como diz a frase do Jacques Derrida que gosto de usar para me definir:

“Nunca conheci um homem capaz de tamanha alegria e intensidade. Nunca conheci, tampouco, ninguém tão irremediavelmente triste, abatido e melancólico.

O mundo me exige demais às vezes. Sempre tenho que seguir em frente com fantasmas a minha volta. No mundo virtual a gente pode descobrir e fuçar em tudo que quer, mas até mesmo quando se deixa pra lá, o presente do passado bate a minha porta, do correio eletrônico.

Não dói, mas também não precisa lembrar. Era só isso que eu queria do destino, o brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Eu ainda não cheguei no marco zero, estou na linha negativa. Mas acho que pela primeira vez serei forçada a tomar uma decisão por minhas próprias escolhas. Tenho vindo a reboque das influências daqueles que passaram pela minha vida, ainda que por breves momentos e de marcas doloridas. Preciso saber o que eu quero, o que eu gosto e como conseguir chegar lá. Não é fácil quando não se tem mais 18 anos. Ao mesmo tempo que não tem a pressão daquele tempo, existem outras que eu mesma me imponho que são tão ou mais pesadas.

Dá vontade de voar alto, viajar, mas como se desprender de uma vida arraigada e de certa forma confortável? Tem dias que vejo tudo como um novo começo, em outros parece que perdi tudo. E essa contradição é mais um fato para me desfocar da minha real condição, eu que já tenho tanto problema em achar foco para as coisas que quero.

E bate uma preguiça, um desânimo… eu corri tanto para chegar lá que cansei. E agora? Olho para todos os lados e está visto, não há um lugar para onde eu queira ir nesse caminho. Voltar? Tomar outro? Mudar? São perguntas que me doem e que ainda não consigo responder, não consigo agir. Alguém me disse hoje que os ventos da dúvida são bons. É verdade, porque acomodação dá tédio e eu estou sempre querendo me mover. Até agora eu tinha para onde ir. Hoje não sei mais. Acho que pela primeira vez na vida estou enfrentando a mim mesma de uma maneira que só eu posso resolver e eu ainda não tenho muito ideia por onde começar. Estou jogando para todos os lados, mas nem sei se essa é a direção certa.

Meu centro de equilíbrio sempre foi apenas eu, mas eu sempre gostei de fingir a importância maior que os outros tiveram nas minhas escolhas e decisões, embora eles nunca tenham se envolvido na minha vida e nunca estiveram lá nos momentos-chaves. Acho que era eu que me envolvia demais nas suas e me apaixonava pelas escolhas dos outros.

Eu preciso fazer tudo sozinha, mas adoraria que alguém me resgatasse desse momento e me deixasse viver um conto (uma história breve) até que eu soubesse que rumo tomar. Um hiato no tempo amaparada pelo cuidado descompromissado da paixão e do desejo. Descompromissado mesmo, para que eu não caísse no erro novamente de minhas escolhas serem influenciadas por outra pessoa.

Uma fuga, me perder com alguém para talvez poder me encontrar.

Aquário, do Oscar Quiroga, hoje em Zero Hora:

A coerência nem sempre será virtuosa, porque se você eternamente agir de acordo com o que disse que iria fazer, então nunca mudará de ideia no meio do caminho, nem sequer quando isso seria o melhor a fazer.

Sábias palavras. Prezo muito a coerência, já falei disso aqui muitas vezes. Mas também sou metamorfose ambulante. Não tenho medo de mudar de ideia. E ficar em cima do muro também é uma escolha. Também gosto da contradição. E a minha maior contradição é querer ser coerente. Sou deveras radical, mas também flexível, taí, mais uma contradição e incoerência.  Quer mais um exemplo: eu sou meio cética, mas leio horóscopos e acredito em signo, mapa astral. Tem muita coisa que bate, como o recadinho de hoje aí.

A verdade é que sou humana. Tenho lá minhas verdades e convicções. Sou uma mulher de palavra. O que digo e escrevo procuro cumprir. Por isso admito a minha total contradição. Eu busco a verdade, mas às vezes meio que deixo para lá, porque sei que nunca vou saber de fato o que aconteceu quando eu não estava lá. E o que eu souber será sobre meu ponto de vista. Adoro ter controle das coisas, não para manipular, mas para cuidar e até me defender. Informação até pode ser poder, mas para mim funciona mais como alívio, sensação de cuidado e aproximação da verdade.

Essas são minhas essências. O que me mantém coerente de que sou a mesma pessoa nesses 28 anos é que eu posso mudar de caminho, mas não mudo a essência. Apenas agrego experiências que me transformam e me dão novas ferramentas para encarar o mundo do jeito que eu penso, do jeito que eu sou.

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O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante
todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que
levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.
A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve. Mas é levada às últimas consequências mais na
dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão
fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo
lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos
tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como
um orgasmo… Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos
parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se
contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.
Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber
driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como
silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo
que parece encolher e mirrar. Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que havia chegado a ele. Pois até a mais
caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos. O olhar que se tem do outro e
o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma
alegria que dói. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever
seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.
Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.
Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é
transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive,
pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.

A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve, pois nem sempre somos compreendidos. Mas é levada às últimas consequências mais na dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como  um orgasmo…

Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.

Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo que parece encolher e mirrar.

Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que ela havia chegado a ele. Pois até a mais caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos: o olhar que se tem do outro e o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma “alegria que dói”. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.  Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.

Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive, pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

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Ugly Betty teve dois caras muito românticos disputando seu coração…
10:21 PM Sep 2nd from mobile web

Ugly Betty teve dois caras muito românticos disputando seu coração…

Kitty de Brothers&Sisters (B&S) é casada com um gato, adota um filho e conhece um pai lindo no parquinho…

Sarah de B&S divorciada e na seca volta trabalhar na empresa da família e tem um monte de caras lindos…

e ela acaba de transar com um deles…

Kevin de B&S reencontra o ex-namorado, um ator sexy. Kevin tá casado, mas ele propõe um ménage…

Nora Walker de B&S no alto de seus 6O anos recebe uma surpresa romântica. O arquiteto charmoso e londrino largou o casamento aberto porque  a ama

Chega! Cansei da realidade!!!

Bem que a vida da gente podia ser como nos seriados. De tempos em tempos tudo se resolve, tudo dá certo e não só no final, como nos filmes.

E Rebecca e Justin de B&S quase voltaram. Em casa um amigo apaixonado lhe esperava com flores…

Thomy de B&S não sabe quem ele é e nem nunca soube e não vai voltar para casa. Enfim uma nesga dessa vida ordinária!

Postado no meu twitter no dia 2 de setembro, enquanto eu assistia Brothers&Sisters

ep66_big_carrieSaí do trabalho, fui na academia e cheguei em casa a tempo de pegar o episódio de Sex and The City que toca Moon River, do Henry Mancini. Como só vi Bonequinha de Luxo no mês passado, a música me marcou pelo episódio I Heart NY.

A música foi trilha de um episódio triste para mim, mas ela sempre me emociona, consegue ser maior que aquela tristeza.

Por que será que quando estamos infelizes a gente faz mudanças que não necessariamente nos tornará felizes?

Pensamento é uma coisa engraçada, ou talvez isso aconteça porque eu penso demais. Hoje estava no pilates e essa professora de agora toca as mesmas músicas do Jack Johnson que o primeiro professor colocava logo que entrei na academia. Tem também aquela da abertura do programa Estilo Zen da TVCOM… meio indiana, sei lá.

Daí que eu lembro o que eu ficava pensando durante aquelas aulas lá do comecinho. Eu olho para o mesmo teto e sei exatamente o que eu sentia naquela época. Eu me sentia feliz. Às vezes ia na aula para afugentar os problemas, mas na maioria das vezes era uma tranquilidade e uma paz por certas coisas boas que tinha na vida.

A única diferença é que antes eu olhava no sentido vertical das vigas da sala e agora olho na horizontal. Eu tinha um lugar que sempre ficava naquela época e agora eu fico em outro, mas pocuro não mudar. Sempre o mesmo lugar.

Talvez seja isso. Eu preciso mudar. E principalmente, olhar em outra direção.

Há dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato,me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mudial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando
ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza.O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um
grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…”

Clarice_por_De_ChiricoHá dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato,me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mudial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando

ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza.O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um

grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…”

Esse texto foi publicado na coluna do Luis Fernando Verissimo em Zero Hora de 29 de janeiro dester ano. Quando li isso, pensei “uau”, eu queria ter vivido coisas assim como a Clarice. Claro que os anos de guerra não devem ter sido fáceis, mas falo desse convívio com artistas como De Chirico, ser pintada por ele! Acho esses nossos anos de uma pobreza intelectual e artística e ainda assim eu não tenho contato com os intelectuais e artistas de agora. Fiquei com inveja. Além de ter sido uma escritora reconhecidíssima, ainda viveu e viveu de perto coisas que são de uma época muito particular.

Deixei de chorar, na verdade. Aquela manteiga derretida que chorava vendo até reportagem do jegue biblioteca se foi.

Aí estava assistindo a novela Paraíso, a freira amiga da Santinha falava que gostava de trabalhar com crianças abandonadas, mas que era muito triste quando um bebê deixava de chorar no berçário. E explicou: é porque ele perdeu a esperança de ser cuidado.

E completou: deixar de chorar é ter consciência do próprio abandono.

E sabe que nem chorei? O tempo passa e a casca só fica mais grossa.

Depois do momento relatado abaixo, resolvi tomar um café com media lunas. No lugar, só velhinhas solitárias. Lembrei dessa cena de Sex and the City:

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Carrie em Paris vivendo com o namorado russo e sentindo-se muito só, solidão a dois. Ela tentou seguir em frente e fazer a vida com outra pessoa que não o seu grande amor (Mr. Big). E ficou solitária… O Mr. Big levou dez anos para se decidir depois de muitas idas e vindas, mas quando é amor não tem jeito. Por mais que tenha obstáculos e dificuldades, ainda vale a pena e não deixa a alma virar pequena.

Então caminhando pelas ruas do Moinhos de Vento vi folhas de plátanos no chão e me dei conta que uma nova estação chegou. Acabou a vida em flores, a primavera das cores. O outono também é colorido, mas de um colorido nostálgico, lembra cor do passado, deixa a paisagem melancólica…

Essa ninguém merece! Nem por ouro, nem por gato, nem por sangue de lagarto!

Essa ninguém merece! Nem por ouro, nem por gato, nem por sangue de lagarto!

Esta é a terceira noite que estou dormindo no sofá para acompanhar um pouco dos Jogos Olímpicos de Pequim. Comecei vendo a ginástica, ontem natação e mesmo com os berros do Bernardinho dormi. Hoje sigo vendo a natação e a ginática, e é impossível não ter vontade de ser atleta quando a gente começa a acompanhar as competições (menos de luta greco-romana, né, por favor).

Sei que não tenho nenhuma habilidade esportiva, praticamente morro do coração com uma simples corrida para não perder o ônibus, mas me identifico com a natação, não só porque gosto dos atletas pelados, aqueles corpões, sem pelo, mas porque foi o esporte que, somando todas as vezes que pratiquei, parei e voltei a nadar, foi o que mais fiz em toda vida. Nunca passei do crawl e costas, meu objetivo era avançar todas as vezes que retomei, mas a pausa me trazia imperfeições nos movimentos e não fui adiante. Eu estava aprendendo peito quando parei a a primeira vez, aos 13 anos, derrotada pela  minha garganta que no inverno sulista não suportava as saídas da piscina. Foi indo, indo, até que arrefeci à preguiça de andar com roupa molhada na mochila, as trocas constantes de horário no trabalho, o problema da garganta no inverno e à falta de fôlego mediante os colegas adolescentes, já que nunca conseguia praticar num horário de adulto.
Phelps, o mágico do cubo

Phelps, o mágico do cubo

Lendo o texto do David sobre o Phelps, percebi que se eu fosse atleta, no máximo nadaria de costas, que parece não ser uma modalidade muito cobiçada. Só vi o Phelps praticando-a agorinha, no medley, quando conseguiu a 7ª medalha, feito histórico. Não nasci para querer o melhor, nem para ser a melhor em alguma coisa. Lendo sobre o fenômeno da natação, descobri o motivo. Não conseguiria dedicar todo tempo da minha vida a uma só coisa. Phelps acorda às 6h e odeia, mas ele vai treinar, pois tem o objetivo de vencer, e ele tem razão em não gostar de perder, afinal, ele não tem nem namorada porque só tem tempo para nadar. Tudo que ele faz é nadar. O cara não curte nem os méritos desse feito. Ovacionado pela torcida, ele não perde a concentração para acenar antes da prova. Tudo que ele faz é nadar, nadar. Meus interesses são tão diversos, que não gostaria de viver para uma coisa única. Está certo que ando com dificuldade de realizar algumas coisas porque não consigo fechar o foco, mas enfim, também tenho que aprender que uma coisa de cada vez.

Popov forever

Popov forever

Enfim, nisso lembrava que já acompanhei mais as olimpíadas, agora mal consigo acompanhar tudo que está sendo produzido em função dos jogos. Por exemplo, eu sabia que Camarões já tinha ferrado com o Brasil no futebol em uma Olimpíada, não lembrava bem o ano, depois descobri que foi em Sydney, outra que era na madrugada. Na época, eu trabalhava no horário insone e chegava em casa e assistia até o hipismo, aprendi as regras, inclusive! Acompanhava muito mais na época do Alexander Popov, quando me derretia por ele. Hoje essas roupas de astronauta da natação mal permitem que nos refastelemos com os atletas. Tem mais roupa na piscina que na areia. E por falar em Popov, ele estava agorinha na entrega de medalhas do Phelps (menos encantador de terno).

Mudei o canal e estou vendo a ginástica. Descobri que não gosto mais da música clássica no solo. As modernas são mais interessantes. O Brasileirinho da Daiane já encheu o saco, mas jamais esquecerei de uma música contemporânea, que não sei qual é  (mas ela faz versos na minha mente) quando vi um atleta nas argolas. O tango eletrônico tem tocado nessas Olimpíadas e agora mesmo uma chinesinha fez uma apresentação vibrante com uma música diferente.

Momento mulherzinha

E amei o modelito das chinesas que ficam ao lado do pódio no cubo mágico! Um modelo evasê (ou seria sereia?) branco com gola chinesa e detalhes em azul. As moças que entregam as flores usam um semelhante, em modelo godê. Sensacional, quero para mim. Não encontrei fotos e tirei da tevê. Olha aí embaixo:

Eu quero para mim!

Eu quero para mim!

Estou há dois episódios de terminar oficialmente de ver todas as seis tempordas de Sex and the City em ordem, episódio por episódio. Já vi os dois último e sei que o príncipe que realiza sonhos pode decepcionar e o príncipe que muitas vezes fora mau pode te buscar em Paris… E isso só me faz pensar, pensar mais, como a Carrie no episódio Splat!, quando foi convidada pelo namorado a morar em Paris, tendo que deixar sua vida para trás. Mas até quando viver sozinha é ter uma vida? É o que ela questiona. Às vezes acho que já cheguei nesse limite sendo 11 anos mais nova que ela, porém não tem ninguém me chamando para ir a Paris, prefiro ficar com aquele que me buscaria e que por conseqüência, como o Big, não está pronto para isso, não faria esse convite. Não agora…

So.. why? Por que nos fazer sofrer tanto antes?! Para ter recompensa? Se é que ele vai recompensar… eu ainda estou esperando.

Dizem que a vida sem pensar não vale a pena ser vivida mas e se sua vida for só pensar? Isso é viver ou protelar a vida? E todos aqueles almoços e conversas ao telefone com amigas foram só conversa fiada em vez de ação? É hora de parar de pensar? (aqui ela troca o ponto de interrogação por ponto final).

É isso. É ponto final: É hora de parar de pensar.

Talvez eu vivesse uma fantasia mas encontrei um homem que a tornava realidade. E eu não queria questionar nada.

Quem está mais certo? O que realiza a fantasia e decepciona? Ou o que decepciona e depois surpreende? Mas só surpreende no fim… e o recheio, que é a melhor parte?

O que está mais certo é primeiro eu pensar em mim. E depois parar de pensar.

 

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Ando tão vazia de ações e cheia de planos que não dão em nada. Vazia de bons sentimentos, me enchendo de ressentimentos. Ando e nem sinto o caminhar. Será para frente, para trás ou sigo parada no mesmo lugar?

Possibilidades individuais, solidão a mais. Falta do que preenche os dias de folga. Tendo. Os dois: os dias de folga e o que preenche. Mas ainda preenche?

Falta de expectativas e ainda assim me decepcionando. Dando. Mas não recebendo. Chateada, isolada, procurando o limbo que nem existe mais. Pagando alto, sem contrato. Arriscando ou perdendo tempo? Tempo… ele não pára de correr. A vida se esvaindo, o amor se indo e eu que não sei se estou indo, vindo, voltando ou ficando.

Cansada! 

Versão de verão da foto do topo do blog 

Então eu resolvi trocar os sonhos de lugar, esperar que ele possa ser diferente e mudar os planos. Com isso consegui dez dias para aproveitar o restinho do verão. E olha que dei sorte e só peguei tempo bom! Duas pancadas de chuva, na verdade, que não atrapalharam nada. Ainda estou de férias. Agora para resolver coisas e começar a colocar aqueles planos do ano em prática.

Foram alguns dias no nosso litoral, um ótimo fim de semana em Capão da Canoa e outros em Garopaba, onde me aventurei nas dunas e aproveitei para conhecer a Ferrugem e o Rosa.

Eu ainda penso muito, mas tenho falado um pouco menos e verbalizado menos por aqui. Estou deixando acontecer, sem pressões, sem expectativas, um pouco de receio e pensando (ops) se não posso me tornar fria demais. Mas sei lá, azar, as férias foram ótimas e jamais pensei que este ano novamente passasse um verão assim. Vou olhar os créditos e aproveitar o bônus. Eu sei que é preciso cuidado, mas chega uma hora que não tem como separar, só resta aproveitar os momentos e torcer para que não venha o ônus. Eu ainda não perdi a fé nas pessoas e acredito em recompensa e tenho certeza que se não for agora, pode ser o caminho para que ela venha, de um jeito ou de outro.

Mais um feriadão que eu passo trabalhando em Porto Alegre alone. Além de não ter escala de feriadão, seria meu final de semana de folga e acabei dobrando… Mas agora já passaram as duas madrugadas que trabalhei, tive uma folga no meio da semana e não vou trabalhar no dia do meu aniversário. Aproveitei para fazer o que comecei nos outros feriadõe: olhar séries! Saí sábado bem na hora da pancada de chuva. Foi assim o dia todo, enquanto eu dormia chovia, quando acordei parecia que nunca havia chovido. Saí no meio da tempestade para ir na locadora (enfim uma boa com tudo que quero, mas claro, preciso pegar o carro para ir até ela) e quando voltei e me enclausurei em casa: sol e um dia lindo. Vai entender? Pelo menos se estivesse na praia estaria frustrada, não fiquei veraneando na 101 e nem enfrentando enchentes! Mas claro que haveria punição: tive que acompanhar as duas noites dos desfiles de Carnaval de Porto Alegre. Acreditem, cantei alguns versos previsíveis.

Bom, voltanto as séries, comecei a segunda temporada de Desperate Housewives e vi todinha a quinta temporada de Sex and the City. Só falta olhar a última na seqüência inteira. Já anotei frases e temas para futuros posts.

Pelo menos dessa vez não ficarei o feriadão todo sozinha. Foi só um fim de semana que todo mundo foi para praia e eu fiquei trabalhando. Amanhã, tudo volta um pouco mais ao normal. Se bem que não é lá muito normal considerando os últimos tempos. Mas é bem melhor. É como estar em casa novamente. Ainda não voltei completamente a morar em mim. Digamos que estou pagando aluguel. Mas quem sabe…

Pela primeira vez estou sem palavras. O coração quieto e o pensamento tranqüilo.

Às vezes, não usar as palavras é mais difícil que pronunciá-las.

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