Petanque e cena pastoril

Na Provença, o presépio tem bem mais que a cena do menino Jesus no estábulo cercado por Maria, José e os reis magos. A tradição é montar um presépio numa verdadeira cidadezinha provençal com as cenas do cotidiano,  como o pastor que desce a montanha com suas ovelhas, a plantação de legumes, a colheita de azeitonas, o jogo de pétanque (uma espécie de bocha)… Todo esse cenário é composto por santons, pequenas estátuas de argila feitas à mão nos diversos ateliers do sul da França. No fim do ano, as feiras de Natal reúnem diversos artesãos que vendem seus santons.

No início de fevereiro visitei um dos ateliers em Aix-en-Provence, Santons Fouque. O santonnier explicou o longo processo de confecção, o que explica também porque eles custam caro, nesse atelier, por exemplo, um peça de 2cm são 9 euros.

Menino Jesus em criaçãoPara fazer um menino Jesus, tout petit,como da foto ao lado, são dois dias trabalhando para fazer a criação. Para as expressões do rosto ele utiliza fotos de bebê da internet. Como o processo é lento, são feitos moldes para que ele possa construir cópias mais rapidamente. Mas dependendo do modelo, uma peça pode ter até 10 formas, como é o caso do “Le Coup de Mistral”, um campônes ao Mistral – o vento típico daqui, peça exclusiva de Fouque desde 1952. Para manter as peças com o mesmo material, elas são coladas com um creme de argila. Depois os santons são colocadas numa cava para secar: uma escultura pequena precisa de uma semana, uma grande até três meses. Nesse processo, como a água evapora, elas diminuem cerca de 10%.

Depois eles são colocados num forno que chega a mil graus, são 36h por atingir a temperatura e outras 36h para ele se resfriar. Após esse processo os santons são como tijolos, fortes e resistentes. Então eles passam ao processo de decoração ou pintura a óleo e mais três dias para secar.

Um trabalho manual impressionante que passa de geração para geração. Eles surgiram no século 18 e se tornaram popular no século 19. Assisti um documentário em que um artesão dizia que ele não se tornou artesão, ele nasceu assim e que ele utilizava seu pai e sua mãe como modelo para as peças e sua tia confeccionava as vestimentas para os santons com o tecido das roupas dos mesmos.

Para quem pretende visitar a Provence e ficou curioso, em Marseille tem uma loja próximo ao Vieux Port – ao lado de La Maison du Pastis (a bebida típica do sul da França). Em Aix-en-Provence existem diversos ateliers, a lista você pode conferir aqui. O Santos Fouque que visitei é de fácil acesso, é possível pegar a linha 3 de ônibus em frente ao Office de Tourisme e para na frente do atelier.

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