Ano passado eu fiquei três meses na França e não aprendi francês. Fiz um mês de curso intensivo numa pequena associação que tinha como objetivo nos colocar a falar a língua, que é a parte mais difícil do francês. Mas naquela época até entender era complicado para mim, quando estávamos entre amigos, aquela conversação toda parecia uma massa só de palavras, sem pausas, sem emendas e minha cabeça desligava ou eu ficava numa conversa paralela em inglês.

Aprendi o básico, mas insisti no inglês, até porque teve uma vez que fui comprar crédito para meu celular e tentei pedir em francês e ouvi: Do you speak english? (ninguém acredita quando conto essa história, já que os franceses tem fama de não gostarem de falar outra língua). Derrota total! Sem contar que todos os dias eu ia na boulangerie, pedia “une baguette” e lá vinha a pessoa com três! Como se une é bem dieferente de trois??! Acontece que pronunciar esse “u” com biquinho e tem o “u” sem biquinho, não é tão fácil quanto parece. Ah e claro que teve mais de uma vez que eu perguntei se a pessoa falava inglês, ela respondeu yes e depois continuou falando tudo em francês.

Resumindo, meu inglês que desenvolveu pouco em Londres em 3 meses morando com brasileiros, desenvolveu mesmo na França, onde eu acordava e dormia falando inglês. Que aliás, pode se tornar uma língua maldita quando você está em qualquer outro país tentando aprender outra língua, pois afinal, tem sempre algo a recorrer.

Ao voltar para o Brasil parece que então minha cabeça estava pronta para aprender français, não sei explicar como, mas comecei a fazer exercícios mentais pensando em francês (coisa que eu fazia quando comecei o inglês), assisti a todos os filmes em francês que tive acesso e quando o semestre começou, entrei num curso regular, com aula uma vez por semana, mas já no teste oral me saí bem, consegui entender tudo, tudo mesmo que a professora falou e consegui falar também. Fui para o segundo nível do básico porque tinha muitos tempos verbais para aprender além do presente, mas a professora sempre me incentivava a falar bastante na classe porque os outros colegas falavam pouco, já que não tinham tido uma experiência em países francofônicos.

Neste verão europeu, retornei a Marseille e parece mágica eu poder entender quando as pessoas se dirigem a mim, poder falar, mesmo ainda com dificuldade ou pronunciação incorreta, manter uma conversação com meus amigos (mesmo que eu não entenda 100% das palavras), falar ao telefone, ainda que um pouco nervosa. Mesmo até pedir um sorvete, uma informação na rua, ou melhor, até já dei informação na rua!

E recebi uma amiga brasileira aqui e entre franceses não conseguia mais falar muito em inglês, preferia falar em português com ela e traduzir para o francês, porque minha cabeça agora quando pensa numa outra língua escolhe primeiro o francês. Mas no começo não era bem assim, pois a primeira referência de língua estrangeira que eu tinha era o inglês e um dia na aula eu disse “Je can”! E o engraçado que após aprender uma segunda língua, não faço mais aquele exercício de pensar em português, traduzir e depois falar. Com o inglês era assim, depois ele saía direto. Com o francês já saiu fluindo. Já o espanhol, ah esse se foi. Não consigo mais articular nada além dum hola, que tal…

Sabe aquela cena do filme Amélie Poulain em que ela atravessa o ceguinho e vai narrando tudo que acontece ao redor? Quando ela o deixa ele está iluminado, como se pudesse enxergar. É assim que me sinto desta vez. Claro que não sou ingênua, como o cego que não voltou a ver, também sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Aprender a gramática, pronunciar bem as palavras, desenvolver bem as frases, aumentar o vocabulário… Mas saí do Brasil no nível básico e cheguei aqui num nível já intermediário. E o melhor foi o “bravo” de meus amigos.

E revendo essa cena, outros detalhes que ficaram de fora no post Na França de Amélie: as provas de melão na feira, o poulet rôti (frango assado), as charcuterie, espécie de açougue que só vende produtos a base de carne de porco. Ainda preciso descobrir le Pierrot Gourmand.

*Ver, ouvir e falar

Anúncios

Em homenagem a todos estudantes de francês! En l’honneur de tous les étudiants de français!

*

Foto tirada no ” Le Panier”, vieux Quartier de Marseille, o bairro mais antigo de Marseille

* Fale mais alto

Estava conversando com um amigo sobre as metas da vida. Temos uma ex-colega dos tempos que éramos estudantes de jornalismo e trabalhavámos num grupo de comunicação importante em Porto Alegre. Ela tinha sonhos bem ousados e quase ninguém lhe dava crédito, muito menos os chefes. Mas o mais importante, ela nunca deixou de acreditar em si própria. Hoje ela* é uma repórter especialista em operações especiais e acaba de publicar um livro.

Aí comentei com meu amigo que fiz metas mais modestas, fui alcançando as coisas aos poucos, com os pés no chão e nunca teve um “chegar lá” e talvez por isso até hoje não vislumbrei um topo. Ou vislumbrei vários, menos altos, ou foram altos o suficiente para mim, sei lá. Daí ele disse que eu ter vindo para cá pode não ser considerando bem pés no chão por alguns. Aí lhe disse que o mais importante nessa vida é no regrets! E abaixo a transcrição do que enviei para ele:

Sei que Paulo Coelho não é lá bom exemplo, mas um dia, eu devia ter uns 15 anos, e eu li uma frase dele que dizia que o
maior pecado é o arrependimento. Demorei um pouco para entender, mas depois que entendi virou um lema. O que tá feito, tá feito e não consigo viver com o “e se?”, sou mais de pagar pra ver.

Essa sou eu, o golpe pode ser duro às vezes, mas depois que passa sempre olho o lado bom e me encontro num lugar melhor agradecendo pelas coisas que aconteceram e me permitiram estar onde estou. Já cresci tanto nessa jornada e conheci e vi tantas coisas que ninguém pode tirar de mim e sei que são as únicas coisas que vou levar comigo no fim do caminho. Talvez esse seja o melhor e maior topo do mundo, não é o do sucesso profissional nem da da montanha de bens que poderia adquirir, mas o topo de mim mesmo, de estar em paz com meu passado, de tirar o melhor das piores situações e de ter todas essas pessoas queridas que continuam comigo nessa escalada.

*Enquanto escrevia o post aproveitei para retomar o contato com essa ex-colega e amiga. O tempo passa e algumas pessoas vão ficando, na correria não retomamos os contatos…

Na aula de hoje descobri que exquis en francês significa requintado, excelente, algo notável em seu genro, delicioso, muito saboroso, distinto, delicado, charmoso, amável, de um charme particular!

O nome do blog e as minhas exquisitices e esquizofrenias que vêm por trás aqui na França tem um sentido todo novo, antônimo, um sinal, um refresh, uma inversão, uma radicalidade, um mudança para essa nova vida.

Voilà! Nunca sonhei com uma vie en rose, mas talvez essa seja minha vida em azul. Minha cor favorita. Le bleu, pode mudar como o azul do céu muda de anil de um dia lindo ensolarado para um azul grisé quando a chuva se aproxima, bleu noir quando vem tempestade, azul escuro intenso quando cai a noite. Como a vida, em seus diversos tons que podem mudar todos num mesmo dia ou no passar dos anos. As tonalidades de cada dia é que constroem os celestes anos de nossas juventudes e vão continuar mantendo nosso céu azul mesmo quando o blue dark cair na noite de nossa existência.
exquis

 adjectif masculin singulier 

1 délicieux, très savoureux (un gâteau exquis)
2 distingué, délicat (politesse exquise)
3 charmant, aimable (un enfant exquis)
4 d’un charme particulier (une promenade exquise)
  expressions 
♦  douleur exquise  (médecine) douleur vive et nettement localisée
Dictionnaire Français Définition  
exquis, e 
  adjectif masculin singulier délicieux, savoureux, agréable, délectable, charmant, délicat, bon, adorable
[antonyme] amer, aigre
2 agréable, charmant, plaisant, piquant, captivant, désirable, séduisant, adorable, aimable, ensorcelant, ravissant, attirant, intéressant, gentil, attachant, baisable
[antonyme] désagréable, rebutant, assommant, repoussant, abasourdissant, déplaisant, dégoûtant, répugnant

As divas morrem cedo.

RIP Amy Winehouse.

Since I’ve come home

Well, my body’s been a mess

And I miss your ginger hair (en fait, tes long cheveux bruns)

Il ya des choses dures à avaler, à défendre nos valeurs, sans entrer dans le choc, nous avons besoin d’avaler. Puis vient la révolte dans l’estomac.

*coincidentemente a 90 é a primeira em francês!

Adoro o Zeca romântico, adoro a poesia do Zeca, seja de amor ou de crueza. A solidão de quase todo o álbum Baladas do Asfalto & Outros Blues que me fez companhia numa fase que eu estava  so alone e quis ir para  Babylon… au revoir ralé.

Adoro a originalidade de Bienal, o escracho de Samba do Approach. Quantas vezes suspirei por alguém de que eu não sabia Quase Nada e quantos Bichos de Sete Cabeças se criaram.

E quantas não foram as incontáveis vezes que quis ir no show dele, opa, contáveis, tá aqui no blog. Só consegui vê-lo uma vez, no Bailão do Baleiro, não teve o brilho de sua trajetória musical, mas foi divertido…

… mas nesta sexta eu vou! Finalmente, vou ver um show inteirinho, dessa vez não será proibido para mim

Mas tudo começou com essa música aqui, adoro esse havy metal debochado das guitarras com o regionalismo nordestino das cordas do violão:

O que as pessoas não se dão conta não é apenas que, por ser deficiente, necessita tratamento especial, vaga disponível por sua condição. Mas simplesmente não dá para um cadeirante desembarcar de um carro numa vaga comum, nem arranhando o carro que estiver à volta. Experiência própria. É necessário espaço e não raro temos que trancar o fluxo no corredor para o desembarque e só então colocar o carro numa vaga qualquer.

Já ouvi a desculpa do “volto em um minuto”. Mas cadeirante está sempre tendo que esperar por tudo. É uma mãozinha aqui para entrar em lugares sem rampa, outra lá para alcançar alguma coisa num mundo de planos “corpo inteiro”. Se vai pegar ônibus, tem que esperar por determinados horários quando passa o adaptado. Se usa o carro, tem que esperar pelos cara-de-pau que ocupam a vaga. É um mundo de espera para quem atravessar de uma calçada a outra torna-se uma maratona porque a maioria dos lugares não é adaptado.

Então, é muito mais fácil ocupar uma das trocentas vagas do estacionamento do que aquela uma para deficientes. Matemática complicada? Então sinto informar que você sofre de alguma deficiência cognitiva, ou pior, deficiência de bom senso. Essa, às vezes, incurável.

Depois de descobrir o azul safira – verde esmeralda do mediterrâneo, preciso conhecer os azuis, verdes e brancos da Patagônia!

O primeiro amor não é importante.

Importante mesmo é o último.

Est celle qui restera toujours avec nous…

A inspiração desta teoria, que não deve ser nada original, veio enquanto escutava Berry no show que assisti hoje em Porto Alegre… Acho que foi durante La Chanson D’Hélène.

Quase desisti de ir pois não consegui companhia. Ainda bem que fui, adorei o show, ela é très sympathique. E muito engraçado, no final, enquanto aplaudiamos de pé, um dos músicos sacou uma câmera fotográfica e começou a nos filmar. Não sei se fiquei mais surpresa por ser alguém do palco filmando a platéia e não o contrário, ou se por ser um francês fazendo isso. Que coisa, pas français, tava mais para coisa de brasileiro!

Melodias doces, uma voz linda na língua mais linda do mundo e dois violões. Fui longe com suas canções, mais precisamente para a França, rencontre avec mon coeur est toujours là…

http://www.dailymotion.com/swf/video/x6xjnu?theme=none
Berry & Daniel Darc – la chanson d’hélène por zecharlieez

http://mediaservices.myspace.com/services/media/embed.aspx/m=9171852,t=1,mt=video

Pourrais-je vous croire un moment
Mon ami, mon amant
Serais-je vous laisser le temps
De dompter mes tourments
De temps que je me souvienne
Premier pas, première peine
J’ai surement connu d’autres joies
D’autre toi dont je ne me rappelle pas

Nous nous reverrons je crois
Peut être une autre fois
Nous nous reverrons j’espère
Mais ce soir nous en resterons là

(Inutile)

Depois de dois meninos (Valentin e Kolya) terem encantado meu coração em filmes que mostram a  realidade de seus países, hoje foi a vez de uma querida vovózinha me emocinar em Depuis Qu’Otar est Parti. O filme se passa em Tbilisi, na Geóriga e conta a história não de Otar, mas da espera e da saudade de uma mãe e de uma filha e uma neta que vêem Paris atráves do olhar do irmão que partiu. E a história é bem mais do que isso, mas contar aqui faria perder a graça. Assistam que vale a pena.

Além da  relação entre avó e neta que é tão bonita, é possível conhecer um pouco a Geórgia e entender o que se passa por lá. Estou numa fase de praticar ainda mais o desapego e às vezes é melhor nem pensar para poder seguir em frente. E então a gente vê, engenheiros, professores, vendendo suas coisas num mercado de pulgas para poderem sobreviver, no sentido de comprar comida mesmo. A mãe e a filha que dormem juntas num sofá cama, a falta de assistência em saúde…

Uma das minhas cenas preferidas no filme é quando mãe e filha vão passar um  fim de semana num pequeno e abandonado sítio da família e deixam a avó em casa. Aproveitando que está sozinha, ela vai até o parque de  diversões e anda na roda-gigante. Lá em cima, longe dos olhares protetores da família, ela fuma dois cigarrinhos e respira liberdade.

Para mim que moro, morei sozinha muito tempo, esta cena tem um real significado. Ainda estou aprendendo como sentir certas liberdades, às vezes até mesmo de não fazer nada, quando se divide o teto com outra pessoa. Fico imaginando o que este momento representa na vida de uma velhinha como esta, que da casa dos pais foi morar com o marido, ou considerando o comunismo, nem deve ter saído da casa da família. No máximo deixou um sofá-cama para ganhar a privacidade de uma cama dividida com o cônjuge. E depois ficou aos cuidados da filha e da neta tendo que lutar por suas vontades, muitas vezes, na base da ranzinza.

E o mais engraçado, é que nos extras do DVD se descobre que a atriz não queria fazer esta cena. Por trás da personagem de uma mulher forte, decidida e convincente, tinha uma senhora de 88 anos com medo de roda-gigante e que sequer tinha entrado numa! Foram dias convencendo a atriz Esther Gorintin até que ela encara o desafio pessoal, encarna a personagem e voilà, mais que uma ótima cena, mas uma metáfora para a vida, pelo menos para a minha. E ela gostou da experiência e repetiu quantas vezes foi necessário, o que se negava quando enfim foi convencida a entrar na pequena cesta que a levaria pelos ares.

Ou seja, nunca é tarde para sentir frio na barriga e se viciar com esta sensação. E eu continuo não tendo medo de me levar nessa roda do mundo.

Antes eu dormia para esquecer.
Agora eu durmo para sonhar.

Avant, j’ai dormi pour oublier
Maintenant, je dors pour rêver

“Eh petite fille on est jamais deux a partir”…

Da música Au Port, de Camille.

Depois de ter revisto Before Sunrise, hoje revi Before Sunset… Outras inversões: eu sou a escritora (pretensa, bien sûr) e o lado francês é que é ativista ambiental, tanto ou mais que Celine. O fato de escrever me mantém mais ligada no romance, me faz mais otimista… Tem um pouco de Jesse dentre de mim também.

Eu ganhei um box de filmes do cineasta francês Christophe Honoré que chegou da França no fim do ano passado. Dans Paris eu já tinha assistido, encontrei por acaso em uma locadora. Romain Duris (o eterno carinha de Albergue Espanhol e Bonecas Russas) interpreta um cara que sofre visceralmente pelo fim de seu relacionamento. Gostei bastante do filme, da profunda dor do personagem principal e da leveza do seu irmão, interpretado por Louis Garrel. O primeiro filme que vi com este jovem e excelente ator, pelo jeito, preferido de Honoré, pois está nos três filmes que tenho.

Agora acabo de assistir Ma Mère. Embora tenha visto na língua original e sem legendas e sou uma iniciante no idioma, a qualidade e o peso desses atores para dar vida a esse Édipo consciente deixa claro a tensão sexual entre mãe e filho desde o começo do filme. Baseado no livro de Georges Bataille, Isabelle Huppert dá vida nas telas a essa mãe amoral e depravada. Digamos que não assisto nada tão chocante desde Irreversível, mas se antecipar aos fatos do filme torna a experiência menos escandalosa. No caso de Ma mère, acabei esperando por esse desfecho já que não acompanhei as críticas (o filme é de 2004) e Irreversível é um filme para qual se chega ao cinema com o estômago já preparado ou nem se vai até lá.

Encontrei informações sobre o filme nesse blog aqui, fala bastante de filmes deste diretor e franceses em geral. E quem escreve o blog já se encontrou com Garrel em Paris! Vou ver se acompanho para encontrar mais coisas nas locadoras que apenas clássicos.

Por que mulheres que não querem relacionamentos sempre são diagnosticadas, na vida real ou na ficção como pessoas que tem problemas com o pai, por causa do divórcio dos pais ou algo assim? Já a maioria dos homens não quer se envolver e isso é considerado uma coisa normal?

Após descobrir um filme francês na tv educativa, coisa que tem acontecido com certa frequência aos finais de semana, assisti ao documentário Love Interrupted (é possível ver online), sobre a história de dois casais que se separaram na juventude e se reencontraram décadas depois. Muito interessante e dá um certo aperto no coração saber que mesmo com amor duas pessoas podem não ficar juntas pelas circunstâncias ou pela distância.

Uma psicóloga entrevistada disse que quando alguém perde um amor ela nunca mais se reconecta com outra pessoa da mesma forma e até mesmo durante um casamento ela fica contida. Faz sentido para mim. Sempre pode haver o reencontro, como aconteceu aqui e nas histórias contada pelo documentário canadense.  Mas sempre fico com a sensação de que a gente tem que viver o amor agora, enquanto ele está acontecendo, embora tudo ao redor pareça impedi-lo. Por que décadas depois é mais fácil mesmo que ainda existam mais obstáculos, como estar casado e ter filhos? Será a urgência da velhice? Mas então os rompantes da juventude devem servir para nos fazer perder a razão, não? A diferença é que quanto mais velhos, mais donos somos dos nossos próprios narizes. Só pode ser isso. Ou com o tempo seguir seu coração parece mais racional que seguir sua cabeça. Je ne sais pas.

E  fica a música de um dos casais de Love Interrupted:

Quando vejo as notícias do que está acontecendo no Egito eu me lembro de um colega egípcio que tive no curso de francês que fiz no último verão europeu. O único egípcio que conheci até hoje. Um garoto de olhos verdes esmeralda. Não sabia falar inglês e a timidez de adolescente no auge dos 17 anos o impedia de tentar se expressar em francês. Será que ele ainda está em Marseille? Ou voltou para o Egito e faz parte desses protestos? Ou foi ferido em alguma manifestação? Acredito que, provavelmente, sua ilegalidade na cidade francesa o tenha mantido longe dessa guerra.

Ele não foi à França atrás de democracia. Como todo jovem tem um sonho: quer ser médico e parecia ignorar todos os percalços que iria enfrentar. Todos sabemos que medicina é um curso difícil e ele ainda teria que vencer a barreira da língua. Sua imaturidade e talvez ele seja realmente tímido, o impediam de se agarrar aquelas aulas como o primeiro e grande passo para conquistar sua profissão. Era o mais quieto dos meus jovens colegas. Os garotos afegãos não conseguiam disfarçar o entusiamo de dividir uma sala de aula com três garotas de cultura mais aberta, incluindo uma brasileira. Para mim era curioso o marido que levava a colega marroquina, que usava véu, até a sala de aula todos os dias.

E nunca vou esquecer da primeira vez que estando lá fora, senti que o Brasil é um país maravilhoso. Toda vez que pediam para falar dos problemas do país eu relatava a insegurança que vivemos aqui e isso impressionava os estrangeiros. Naquele dia fiquei até com vergonha de ter relatado isso, já que no Afeganistão eles não tinham escolha: ou trabalhavam para os americanos ou para os Talebãs e em ambos os casos isso poderia ser uma sentença de morte. O garoto egípcio e o argelino não conseguiam expressar que tipo de problemas os levaram a deixar os seus países, se limitaram a dizer que era por causa de problemas. Mas podemos fazer ideia, uma vaga ideia, na verdade.

Garotos, na certa um antigo ideal ainda os motivava: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Só não contavam que Solidariedade é palavra riscada do vocabulário capitalista. Nesses países em conflito, por mais problemas que tenham, as pessoas ainda dividem um prato de comida. E ainda lutam por liberdade. Um direito que, em pleno século 21, ainda precisa ser conquistado com certas barbáries.

“Mesmo nos piores momentos de minha vida nunca desejei deixar de ser eu mesma. Amo a minha história. Não me trocaria por ninguém. Gosto dos laços que fiz e desfiz ao longo da vida…”

Frase da psicóloga de uma amiga. Resume como me sinto. Embora muitas vezes sofra por ser eu mesma, por ser incompreendida, é isso, mesmo assim, não me trocaria por ninguém!

E amanhã volto para meu psicólogo, não sei nem por onde começar a tentar entender toda essa bagunça.

That love never lasts
And we’ve got to find other ways
To make it alone or keep a straight face
And I’ve always lived like this
Keeping a comfortable distance

And up until now I swored to myself
That I’m content with loneliness,
Because none of it was ever worth the risk

… but you are the only exception…

Engraçado, pensei no título do post e nem sei se essa expressão é correta em inglês. Coloquei no google e apareceu outra música da mesma banda, que eu acabo de descobrir…

Update: tá entro no myspace e o que descubro? Eles vão tocar no Brasil, várias cidades, vou descendo, descendo e bingo: Porto Alegre!

When the soundtrack of the movie became the soundtrack of your life. And Paris is also the scenario…

The music is perfect except about promises. Jesse also made no promises. Us, Celines, we use the moments as promises.

More about Before Sunset

 

Uma vez eu vi um trailer de um filme sobre um jovem que conhecia uma garota no trem em uma viagem pela Europa e passavam uma única noite juntos. Não guardei o nome do filme o que tornou sua busca por locadoras inútil. Um dia vi que ia passar na tevê, de madrugada. Coloquei um VHS para gravar e assisti o filme no dia seguinte. Adorei, não lembro quantos anos eu tinha na época. Quando ele foi lançado eu tinha 14 anos, então provavelmente assisti antes de me apaixonar pela primeira vez, e talvez por isso, me concentrei na romântica e surreal história e não nas teorias e sentimentos dos personagens.

Em Paris, visitei a livraria onde Celine e Jesse se reencontram em Before Sunset

Nove anos depois, foi lançada a sequência do filme, Before Sunset. Eu tinha 23 anos, a idade de Celine no primeiro filme, e já me sentia como a Celine, então com 32. Transcrevi aqui cenas dela que são exatamente quem eu sou. Pois bem, ontem eu passei a madrugada revendo Before Sunrise e descobri como tenho muitas coisas em comum com a jovem Celine. São coisas que sinto e que nunca consegui colocar dessa maneira, mas é isso:

“I always feel this pressure of being a strong and independent icon of womanhood and not amking it look like my whole life is revolving around some guy. But loving someone and being loved means  so much to me. I always make fun  of it and stuff but isn’t everything we do in life a way to be loved a little more?”

If there’s any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone sharing something; I know it’s almost impossible to succeed but who cares, really? The answer must be  in the attempt.”

“I’m the most harmless person. The only person I could really hurt is myself.”

Nessa pequena saleta da charmosa livraria deixei o bilhete colorido perto do espelho falando em como sou Celine e Amélie Poulain

“After a few years how a couple would begin to hate each other by antecipating their reactions or gettin tired of their mannerisms. I think it would be the opposite for me. I think I can really fall in love when I know everything about someone. The way he’s gonna part his hair, wich shirt he’s gonna wear that day, knowing the exact story he’d tell in a given situation. I’m sure that’s when I know I’m really  in love.”

Muitas coisas do que foram ditas naquela noite se concretizaram. Jesse foi pai e bom marido, para pelo menos saber que teve um bom relacionamento. Ela não esqueceu, não seguiu em frente. Deu tudo e ele partiu e essa experiência marcou sua vida e depois disso parou de acreditar no amor. E até hoje não sabemos se 9 anos depois eles tiveram outra chance…

Just one night can change whole two lifes, even if it is a ocean apart. In my surreal and at the same time, real history I’m the american (thanks for God, south american, even that mean one language more between us).

Nine years, is too much, but I think I will feel the same. Seems fugacious, but in the bottom is what marks us more. The connection may still exist, this invisible thread that unites us and scare us.

As partes em que mais me identifico. Agora preciso rever Before Sunset para revistarParis.

 

It’s 8:08 a.m right now in France. The day has dawned there. I’m going sleep now more convinced, I’m Celine. I just see again Benfore Sunrise. Young and more old Celine still live inside of me.

É madrugada e eu não tenho sono. Como se me manter acordada, como se esperar, me trouxesse as respostas pela qual faço vigília.

De manhã eu não quero acordar, quero dormir todo o dia porque eu sei que as respostas não chegarão.

L’amour toujours nous suit
L’amour toujours nous fuit
L’amour toujours nous détruit
Comme la pluie et l’oubli,
Comme des cris dans la nuit

Pois não é que tem um provérbio italiano bem parecido com minha teoria nº 88?

“Um homem não está onde mora, mas onde ama”.

E tem várias ilustrações como esta abaixo. Os sintomas de quem ama são mesmo sempre os mesmos…

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 24 outros seguidores

Twitter

Top Clicks

  • Nenhum

Blog Stats

  • 250.662 hits
abril 2019
S T Q Q S S D
« maio    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  
Anúncios