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Tem coisas que a gente fez no passado que a idade nos absolve. E acho que poderemos dizer a mesma coisa no futuro.

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artista blogHoje por um momento senti a força esvair, o cansaço de ser sempre forte bater mais alto e algumas lágrimas rolarem. Nossa há quanto tempo não chorava… tanto que nem lembro.

Meu mundo está caótico, tudo parece estar evaporando, desvanecendo, desmoronando… e eu estou completamente paralisada, assistindo a tudo isso derreter diante dos meus olhos e simplesmente não consigo fazer nada. Desisti.

Durou alguns minutos essa sensação. Cheguei em casa e resolvi arregaçar as mangas e começar fazer alguma coisa que amenizasse um pouco do caos e manter uma das poucas coisas sólidas que ainda me resta. No mais, é engolir os suspiros e acreditar que tudo passa e que tudo faz parte de um plano maior e que ainda vou agradecer por isso estar acontecendo porque o melhor virá. De certa forma já aconteceu uma vez e veio o melhor. Vai ver ainda não cheguei onde devo estar.

Obras Introdução à nova crítica e Malhas da liberdade, de Cildo Meireles. expostas no MARGS Fotografia: Cristiano Sant'Anna

Obras Introdução à nova crítica e Malhas da liberdade, de Cildo Meireles. expostas no MARGS Fotografia: Cristiano Sant'Anna

Visitei parte da 7ª Bienal do Mercosul, fui na mostra Projetáveis, no Santander Cultural e Desenho das ideias, no Margs. Na primeira, senti que é aquela parte que quer se integrar ao mundo virtual à qual vivemos, dialogando com a fronteira entre o real e o virtual. A obra Virtual Redundancy é a prova disso, uma maquete com peças de computador é montada em um vídeo e os objetos estão disponíveis no real para que possamos criar também.

E como tudo nesse mundo parece já ter sido feito, nada me pareceu novidade. Como em Drawing for Filó, em que o artista desenha sendo filmado e o que temos na tela é a projeção da obra sendo feita. Uma outra plataforma, acompanhamos o processo de criação, mas ainda é um desenho, a arte genuína.

Gostei da obra The Dance Music Collaborations, é literalmente estonteante, pois as luzes e o som te deixam tontos dentro da sala de projeção. Curiosa é a instalação Atrás da Porta, uma topologia dos espaços inacessíveis. O artista, Fernando Pião, colocou câmeras de segurança em lugares para os quais não se costuma olhar. As câmeras estão espalhadas pelo Santander em pontos onde ninguém passa. O segurança, um senhor muito simpático (afinal ele achou que eu tinha 17 e 18 anos… tá certo que estava meio escuro lá) me disse que a mediadora estava explicando esses dias a obra para um grupo de estudantes e ouviu-se um estouro dentro do museu. Uma cortina caiu onde uma dessas câmeras estava. Ela dizia que o artista queria mostrar pontos onde não se observam pessoas e lá estavam nos monitores, os bombeiros arrumando a cortina… Fun at Work parece ser bem legal, mas estava fora do ar, assim como em outras, a interatividade do público não estava funcionando muito bem e as obras “travando”… é o mundo dos computadores!

Ainda não fui no Cais, não sei o que tem lá, mas colocar os projetáveis dentro do Santander foi uma ótima ideia. Se vê tudo no conforto do ar-condicionado. Só algumas fichas da obra deveria ter uma luz em cima para podermos ler. Lembra daquela Bienal dos containers? A gente quase desmaiava de calor vendo os vídeos. Tinha também no Memorial do RS, um calor dos infernos por causa do teto de madeira. E na 5ª Bienal, lembro que os últimos andares da Usina do Gasômetro se transformaram em salas escuras que dava até medo de visitar.

Abraham Cruz Villegas, Tratado de Libre Comer

Abraham Cruz Villegas, Tratado de Libre Comer

No Margs é que me senti mais em casa, com a mostra Desenho das Ideias. Fiz a visita com uma monitora. Para mim arte é completamente ideia, muito mais do que um objeto, porque às vezes os artistas não criam nenhum objeto, mas se apropriam de coisas já existentes dando um novo significado. E a exposição mostra o desenho, de onde tudo parte, seja como esboço para uma pintura ou para a ideia de uma instalação ou uma performance. Alguns estão lá não em forma de desenho, mas materializados em 3D. Cildo Meireles é um dos meus preferidos. Ele ainda nega que não tenha cunho político com a ditadura, mas a obra Malhas da Liberdade é ou não é uma crítica a quem ia preso em nome de ideias libertárias? Gostei da delicadeza dos pequenos desenhos de José Antonio Suárez e daquela alemã (Nina Lola Bachhuber) de traço delicado que desenha com pincel! Não deixe de ver o que tem por trás da obra Tratado de Libre Comer, de Abraham Cruz Villegas. Imperdível a crítica à hipocrisia de James Ensor com suas máscaras. Tem Oswaldo Goeldi, León Ferrari  e vejam que interessante o que o Paulo Bruscky publica nos classificados. Parece que andou saindo na ZH esses dias também.

E a surpreendente Marta Minujín, que criou El Partenón de Libros (1983), “uma réplica do Partenon de Atenas em tamanho natural em plena Avenida 9 de Julio de Buenos Aires, recoberta com livros proibidos durante a ditadura militar, que foi inaugurado e entregue ao público durante o primeiro Natal em democracia”. Genial! Pena que só tenha os esboços e o vídeo da obra… Também já fez outros monumentos, como um obelisco de pão doce.

Tem muito poema sonoro e outras obras em áudio no Margs, mas não me chamaram muito atenção. Também não tem graça ficar olhando para uma parede branca enquanto escuta, muito melhor como fizeram nessa bienal, quando mp3 player nem era muito popular ainda, mas você pegava um e ficava escutando enquanto dava uma voltinha pelo cais. E também era ruim a monitora ficar ali me esperando… mas tem até Arnaldo Antunes.

Também anda rolando performances durante a Bienal, não cheguei a assistir nenhuma, mas pelo que li sobre a Aula de Ginástica e Filosofia e Ao Vivo, não pareceu nada muito atraente. Nada como a perfomance daquele cara nu, não lembro em qual Bienal, foi antes da 5ª e eu morava no centro (isso foi de 2003 a 2005). Alguém lembra? Não tenho o nome do artista, tinha um recorte no meu mural que ou foi fora ou está muito bem guardado. Mas era assim, a gente entrava em uma sala no segundo andar da Usina e embaixo, no primeiro andar, tinha uma piscina, onde o artista entrava nu e imagens coloridas se projetavam no seu corpo. Ele fazia movimentos que combinavam com as projeções. Era uma coisa muito linda de se ver e tu até esquecia de que ele estava completamente pelado. Mas se serve de consolo, tem fotos da performance do Flávio de Carvalho no Margs, quando ele desfilou de saia e meia arrastão, convencido de esse ser o traje ideal para os homens que vivem num país com o clima como o do Brasil (escrevi sobre ele aqui). Ah, as vanguardas…

Pelo menos voltei a me encantar com a Bienal, na 6ª eu passei bem à margem… e o tema era justamente A terceira margem do rio. Nesse ano, Grito e Escuta. Faz todo sentido para mim.

Sobre outras bienais

Assisti na segunda-feira a entrevista do William Bonner (@realwbonner) na Marília Gabriela e ele terminou com trechos finais da poesia Quero, do Carlos Drummond Andrade:

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Adorei os versos finais. Só quem já se precipitou no caos pode se identificar, é o que eu costumava chamar de “eu não sou eu”. Eu chamava os objetos de não-amor de amores mais ou menos (esse post explica tudo).

Mas o que preciso é acreditar que esse amor existe, não preciso que me digas de 5 em 5 minutos que me ama, mas que me ame em todos os 5 minutos da sua vida e em nome disso me respeite e respeite a nossa história. E quando se tem isso, o amor é tranquilo, não é essa angustia de ficar esperando ser verbalizado para acreditar. Nunca vivi isso, algo como no filme Marley & Eu, em que eles brigam e o amigo já está falando em separação e ele disse: “ei, foi só uma briga, eu amo a minha mulher”. Acho que esse compromisso é o mais difícil de todos. Eu sou um pouco assim, se estou com aquela pessoa me comprometo com a nossa história, por isso que quando vejo que a recíproca não é verdadeira, acabo sofrendo demais. E o Bonner também falou algo nesse sentido em relação a Fátima, e achei lindo.

Talvez isso seja a ética do amor, o verdadeiro compromisso e respeito por aquele que dizemos amar. Isso é o amor, nas atitudes, muito além das palavras. Quando se trata de família tem um laço maior que te une para toda vida. Mas quando tu resolve formar uma família com alguém, aí precisa dessa entrega, de criar esse laço por livre e espontânea vontade, e mantê-lo. Incluir alguém na sua vida é a coisa mais séria desse mundo, pena que tem pouca gente praticando isso com a solenidade que merece. Não acredito que amor acabe, acredito em quem desiste de mantê-lo.

O poema completo:

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Minha cabeça anda fervilhando. Ansiedade, perspectivas, incertezas e alívio só de imaginar algumas coisas…

Tem horas que dá vontade de chutar logo o balde, mas estou tentando esfriar a cabeça e tentar prever o caminho antes de me jogar nele com uma mochila nas costas.

Dizem que todos caminhos têm volta. O meu não teve. Por isso quero pensar direitinho na próxima estrada que vou seguir. Não quero que seja um atalho, ou pode ser, o importante é que eu a percorra com conforto, satisfação e felicidade.

Minha vida toma o rumo das minhas escolhas. Não sei se erradas, mas elas definiram tudo até agora e vire e mexe me colocam em novas encruzilhadas.

Estou em uma agora e quero acertar o máximo possível.

Faço dieta para poder beber.

Aquário, do Oscar Quiroga, hoje em Zero Hora:

A coerência nem sempre será virtuosa, porque se você eternamente agir de acordo com o que disse que iria fazer, então nunca mudará de ideia no meio do caminho, nem sequer quando isso seria o melhor a fazer.

Sábias palavras. Prezo muito a coerência, já falei disso aqui muitas vezes. Mas também sou metamorfose ambulante. Não tenho medo de mudar de ideia. E ficar em cima do muro também é uma escolha. Também gosto da contradição. E a minha maior contradição é querer ser coerente. Sou deveras radical, mas também flexível, taí, mais uma contradição e incoerência.  Quer mais um exemplo: eu sou meio cética, mas leio horóscopos e acredito em signo, mapa astral. Tem muita coisa que bate, como o recadinho de hoje aí.

A verdade é que sou humana. Tenho lá minhas verdades e convicções. Sou uma mulher de palavra. O que digo e escrevo procuro cumprir. Por isso admito a minha total contradição. Eu busco a verdade, mas às vezes meio que deixo para lá, porque sei que nunca vou saber de fato o que aconteceu quando eu não estava lá. E o que eu souber será sobre meu ponto de vista. Adoro ter controle das coisas, não para manipular, mas para cuidar e até me defender. Informação até pode ser poder, mas para mim funciona mais como alívio, sensação de cuidado e aproximação da verdade.

Essas são minhas essências. O que me mantém coerente de que sou a mesma pessoa nesses 28 anos é que eu posso mudar de caminho, mas não mudo a essência. Apenas agrego experiências que me transformam e me dão novas ferramentas para encarar o mundo do jeito que eu penso, do jeito que eu sou.

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Passar um feriadão na praia… há quanto tempo não faço isso! Tô me sentindo uma pessoa tri normal e que consegue fazer as coisas que gosta e que planeja. E isso não é porque trabalho na maioria dos feriados. Até que andei tendo umas folgas em alguns, mas eu estava aprisionada.

Engraçado, só eu podia me livrar das amarras, mas cada vez me prendia mais a elas e esperava que elas me libertassem, que elas me ajudassem a realizar tudo que eu estava já tão cansada de sonhar porque sabia que eram só sonhos. E o mais engraçado é que eram coisas bobas como essa: passar um final de semana ou um feriadão na praia.

Por que será que eu achava que aquilo tudo podia ser maior que as coisas mais simples e banais da vida? Eu achava que o inalcançável é que traria felicidade, mas o que nos deixam felizes são as coisas comezinhas do dia a dia. É no dia a dia que se constrói a tal felicidade, assim como uma entidade. Percebendo aos poucos para no fim se dar conta e olhar para trás e enxergá-la como algo grande, porque esteve presente todos os dias, ainda que disfarçada de um abraço, de um colo numa noite de tempestade, de ficar protegida a noite toda sentindo outra respiração na nuca, de um arrepio, uma dança, uma ajuda para levar o lixo para fora, de um ombro que fica molhado pelas lágrimas, de apenas deixar-se ficar, permanecer, estar…

O ódio precisa de dedicação, tanto quanto o amor.

Ele até arriscou a fazer uma teoria
sobre a guria das teorias.

Que sonhar acordada me faz perder o sono.

Amigo de homem bonito sempre é feio.

E os amigos que as amigas querem te apresentar nunca é como nos teus sonhos.

http://www.willekedeboer.web-log.nl/

Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,

Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.

Temporada das Flores, Leoni

É sempre mais rápido voltar do que ir.

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