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Acabo de descobrir que minhas noites de solidão “se acabaram-se”. Mas não é nenhuma invenção das Organizações Tabajara. Só tenho que esperar chegar no Brasil o travesseiro namorado, mais uma invenção japonesa.

O tal produto indispensável para as solteiras e carente além do formato tradicional dos travesseiros possui em sua extensão e de mesmo material um braço para que se possa abraçar ou ser abraçada em suas noites solitárias. Mas os meninos não se preocupem, já há iniciativas para que se crie uma versão para homens, onde além do braço haverá um busto generoso. E para as garotas que curtem um homem sarado e fortão, alguns braços terão esta versão.

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Tem uma música do Tunai e do Milton Nascimento que diz que “Certas canções que ouço/Cabem tão dentro de mim/Que perguntar carece/Como não fui eu que fiz?”

Estes versos dizem tudo, porque uma simples música é capaz de nos embalar e parecer falar para a gente. Assim é a música Fico Assim Sem Você, regravada recentemente pela Adriana Calcanhoto, sob o nome de Adriana Partimpim, no disco que ela fez dedicado às crianças. A música é linda e não tinha notado isto quando o funkeiro Buchecha gravou após a morte de Claudinho, seu parceiro. Mas Adriana Calcanhoto tem uma sonoridade na voz que um simples violão com os acordes de suas cordas vocais faz parecer uma orquestra e a música ficou linda, linda.

Fico assim sem você

Abdullah / Cacá Moraes

Avião sem asa, fogueira sem brasa

Sou eu assim sem você

Futebol sem bola,

Piu-Piu sem Frajola

Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim

Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante

Nem mil alto-falantes

vão poder falar por mim

Amor sem beijinho

Buchecha sem Claudinho

Sou eu assim sem você

Circo sem palhaço,

Namoro sem abraço

Sou eu assim sem você

Tô louco pra te ver chegar

Tô louco pra te ter nas mãos

Deitar no teu abraço

Retomar o pedaço

Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você

E a solidão é o meu pior castigo

Eu conto as horas

Pra poder te ver

Mas o relógio tá de mal comigo

Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta

Romeu sem Julieta

Sou eu assim sem você

Carro sem estrada

Queijo sem goiabada

Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim

Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante

Nem mil alto-falantes

vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você

E a solidão é o meu pior castigo

Eu conto as horas pra poder te ver

Mas o relógio tá de mal comigo

Por quê?

Saí com uma colega de trabalho, que posso chamar de amiga, se não uma das melhores que tenho. Tenho que agradecê-la, me fez sair de casa, ouviu alguns lamentos (sabendo me fazer parar antes que isso pudesse estragar a nossa noite) me acompanhou no chopp, ou melhor, eu a acompanhei. Comi uma massa com iogurte, cenoura e presunto, o que deixaria minha mãe orgulhasa. Enfim, experimetei coisas novas. Com um pouco mais de responsabilidade que nos velhos tempos de guria, conversamos antes de dormir, pouco, pois tínhamos afazeres no domingo, um deles, trabalhar.

Também conheci sua nova morada, que ela está dividindo com um amigo. Situação um pouco inusitada esta, mas não menos interessante, que pude compartilhar um pouquinho. Afinal, não é todo dia que se posa na casa de uma amiga, onde mora um amigo também. Compreendo ela pois em tratando-se de amizade, às vezes é mais fácil com alguém do sexo oposto e mais velho que a gente. E ele, menino (nem tanto) estudioso, como todo bom universitário da medicina. Até consegui chegar em casa e redigir um pouco mais da minha monografia depois de vê-lo acordado cedo, para um domingo, tomando um chimarrão e enfiado dentro de livros e cadernos. Sem contar que no sábado à noite, ele a namorada também estavam estudando, o que achei particularmente interessante, pois é uma coisa que eu e o C. nunca conseguimos. E como eu desejei que aquilo também fosse uma realidade para mim. Talvez se tivessemos tido uma segunda chance, sabendo priorizar a indivudualidade e necessidade de cada um… mas o passado passou, enfim!

Agora é bola pra frente, nova vida, velhos hábitos e esperar, ver o que o tempo reserva para mim. Se bem me conheço, embora desta vez as coisas tenham sido diferentes, depois do processo que estou passando, irá vir o de “Socorro não estou sentindo nada” até poder cantar novamente “Amor I Love You”, não, não, acho que isso não, talvez algo menos intenso. Meu coração disperdiçou a única ficha que tinha e esta não se recupera.

Melhor é viver de começos, afinal eles são a melhor parte. Tive coragem de me entregar e amar, mas não fui correspondida na mesma medida, vamos nós dois então, colecionar começos, amores mais ou menos, ilusões, passatempo.

Estava saindo da Livraria Cultura neste domingo, agradecendo por ter resistido a tantas tentações e não ter gastado, mas ao passar pela gôndola que tem bem em frente à porta principal vejo aquela rosa desabrochada: Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, com tradução de Mario Quintana. Há menos de dois meses, nesta mesma livraria tinha procurado pelo livro e tinha sido informada de que estava esgotado. E agora eu o encontrava, na prateleira dos destaques, um último exemplar, tinha que levar. A sorte é que não custava muito. Pouco antes na seção de literatura estrangeira quase me agachei para olhar no W se quem sabe não haveria por lá um perdido, mas desisti, afinal, livro esgotado às vezes leva muito tempo para ser reeditado. Foi engraçado que quando estava saindo, fiz a volta pela direita, o caminho menos provável, cheguei a dar um passo para trás e me perguntar porque tinha ido por aquele lado. Mas enfim, era para encontrar a obra que procuro desde que assisti ao filme As Horas. Este também está em livro, bem mais fácil de encontrar, mas como já vi o filme… Porém, Mrs. Dalloway me atiçou a curiosidade, pois ele foi lido por uma das mais enigmáticas personagens do filme e de certa forma a influenciou. Se ele é bom, não sei. Um livro escrito em 1925, espero poder compreender um dia na vida de Clarissa Dalloway. Agora, da minha lista de esgotados só falta Poemas, do Millôr Fernandes e O Fazedor, de Borges.

Li no Diário Catarinense de sábado que o Village People vai fazer uma turnê pelo Brasil, e o melhor, vem a Porto alegre no dia 14 de outubro. Tenho que conseguir uma companhia para esta empreitada. Sei que vai ser difícil, mas gosto dos caras, é puro alto astral.

“Abençoados sejam os esquecidos, porque aproveitam até mesmo seus próprios erros” . (Nietzsche)

Fui ver no último fim de semana o filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Quem assistiu ao filme vai entender porque na saída do cinema, todas as pessoas (que não eram muitas, pois a Sala Norberto Lubisco é minúscula) me olharam: eu estava com uma jaqueta laranja. Mas não foi com a Clem. que me identifiquei, e sim com o Joel.

Acho que levo uma vida tão sem graça quanto a dele. Também não sou uma pessoa impulsiva, embora tenha a mesma ansiedade dos personagens de viver a vida intensamente e mesmo assim, vejo as horas, os dias, as semanas e os anos passarem, sem que tenha feito nada de especial. Analisando semioticamente, meu apartamento é tão ou mais pequeno que o dele, e às vezes tão bagunçado quanto. Já muito utilizei o metrô para trabalhar e quase não saio da rotina.

Acho que é por isso alguém quis me apagar de suas lembranças, tal faz Clementine com seu namorado. O pior é saber que na vida real não existe a tal clínica e que nossos momentos não foram gravados numa fita K7 justificando tal procedimento. As pessoas simplesmente nos apagam e é tão doloroso conviver com isso, como bem mostrou Joel. A gente fica procurando uma resposta, um porquê disso. Lembra dos bons momentos que viveu e não entende como uma fração destes que talvez não tenha sido tão positiva, seja o fator decisivo para que tal procedimento seja realizado por aquele que amamos. E como no filme, os arquivos são confidenciais e não conseguimos vasculhar o cérebro do outro para descobrir o porquê. E só nos resta fazer o mesmo, porém a gente não consegue deletar por completo, pois não decidimos isso, temos que fazer para parar de sofrer, mas não estamos lidando com uma escolha própria, e sim algo imposto pela vida, pelas circustâncias, pelos sentimentos ou pela frieza de outro. E nosso procedimento falha, assim como de nosso personagem e levamos para sempre guardados um pedaço daquela paixão, por um tempo no coração e na mente, depois apenas na mente, que é o que vale, pois o coração é metáfora.

Mas o filme é bonito, porque o amor é maior do que as lembranças e os acaba unindo, isso até nos dá uma certa esperança. Mas filme é filme… a vida real é diferente, cruel, mas diferente.

E para terminar, os versos de Alexander Pope que deram o título ao filme:

Feliz é o destino da inocente vestal

Esquecida pelo mundo que ela esqueceu

Brilho eterno da mente sem lembranças

Cada prece aceita, cada desejo renunciado.

Palavras ao Vento



Composição: Nando Reis/Cássia Eller



Ando por aí querendo te encontrar

Em cada esquina paro em cada olhar

Deixo a tristeza e trago a esperança

em seu lugar

Que o nosso amor pra sempre viva

Minha dávida

Quero poder jurar que essa paixão jamais será

Palavras apenas

Palavras pequenas

Palavras momento

Palavras, palavras

Palavras, palavras

Palavras ao vento

Acho que estou ficando ultrapassada. Cheguei a essa conclusão hoje quando uma colega do trabalho chegou mostrando o piercing que acabara de colocar na sombrancelha. Várias pessoas acharam legal e comentaram que querem colocar.

E eu, me senti de outro mundo. Veja bem: eu não uso piercing, e nem usaria. Não tenho tatuagem, e nem faria. Não tenho mais de um furo em cada orelha. Não pinto os cabelos, nem nunca pintei. Estou virando espécie em extinção.

Não tenho nada contra as pessoas que fazem as coisas citadas acima, mas simplesmente não curto essas coisas.

Será que daqui há algum tempo também serei a única a depilar as axilas?

Pelo menos serei diferente continuando a ser uma pessoa normal. Conservadora? Talvez? Radical? Sim, um radicalismo ao contrário, talvez. Mas prefiro: Autêntica.

Tem um dia que a gente acorda e a vida não é mais a mesma. Os pensamentos que rodeiam minha mente quando coloco a cabeça no travesseiro já não são mais os mesmos. Não posso mais imaginar ou sonhar com o que antes sonhava, não posso mais fazer planos e volto a uma terrível condição que tanto preservei para que fosse definitiva, mas que deixei mudar. Mudanças. Como elas são doloridas.

Apesar de tudo estou há espera de uma mudança, que essa sim será positiva. Ela vai me ajudar a colocar a cabeça no travesseiro mais cedo e fazer com que eu mude estes pensamentos que me pareciam ser tão reais, tão certos e seguros. Vai me afastar mais do que realmente eu devo me afastar e quem sabe vai me ajudar a recontruir uma parte da vida que teima em não dar certo.

Confesso que nem sempre segui os passos certos, mas agora sim e por quê? Essa pergunta não se cala dentro de mim. Eu penso, refaço caminhos e sinceramente não compreendo. Na verdade, tudo o que eu mais queria era mesmo colocar essa minha mente cheia de fantasmas no travesseiro e dormir por tanto tempo quanto eles me pertubam, adormecer até que tudo sumisse e acordar somente quando a vida já não fosse mais a mesma. Ou melhor, no dia que talvez ela me devolvesse o passado e me desse oportunidade de reconstruí-lo.

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