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Je suis allée au cinéma voir Camille Claudel 1915. Cette femme me fascine et me fait peur. Le film montre 3 jours de la vie de l’artiste après deux ans de son internement forcé dans un asile pour des malades mentaux près d’Avignon, là où elle ne sculptera plus.

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J’ai bien aimé la façon que le réalisateur Bruno Dumont nous remets dans cet univers claustrée et au même temps paisible. Ses cameras fixes et les portraits qu’il fait des patientes de l’hospice nous donne une idée de l’ennuyeusement qui vivait Camille et les dégoûts d’être proche de ceux qui émettent des bruits constante sans réussir a une vraie communication, qui font des crises, qui sont dehors de la réalité  L’enfer d’être surveillée tout le temps « comme une criminel », d’y avoir perdre sa intimité et de plus qui n’avoir aucun confort, aussi être mal nourrit. Et Juliette Binoche magistral dans son rôle à visage dépourvu de maquillage où ses regardes jouent le rôle principal. J’ai écouté une interview à la radio où Binoche raconte qu’elle avait sur le mur de sa chambre d’adolescente la photo de Claudel, la seule photo qui on connais, c’est marron mais aussi naturel qui une actrice de son porte prendre ce rôle, joue avant dans autre film sur la vie de la sculptrice.

Mais Camille m’a fait peur à cause de les emprisonnement que l’amour pour nos mettre, volontaire ou involontaire, physique ou psychique, en couple ou tout seule. La fin de sa liaison avec Rodin, quand elle avait 30 ans, qui a épouse une autre femme lui mis à un claustre, d’abord volontaire, puis qu’elle a vécu 10 ans recluse dans son atelier au quai de Bourbon avant d’être enfermer dans un asile où elle passe 30 ans, jusqu’à sa mort.

Le film montre une passage où 2 personnages répètent une scène de théâtre, l’homme demande la fille en mariage et elle dit oui sous la condition de n’être pas trompé et Camille tombe en larmes, des larmes que je connais, qui nous brise au moins des souvenirs, au moins de références. Cette amour amer qui nous possède, enlève la raison et nous mettre en prison même quand on vit en liberté.

(clique na imagem para ampliar)

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L’INFINITÉ TOUT PRÈS Kaurinui/Vienna, 1994 – Fondation Hundertwasser, Vienne

Visitei hoje a colorida exposição “Le rêve de la couleur” do artista austríaco Friedensreich Hundertwasser au Centre de la Vieille Charité, no coração do antigo e mítico bairro du Panier de Marselha.

São 4 salas em que a gente se surpreende cada vez em que entra com a explosão de fosforescente, de verdes, azuis e composições de cores surpreendente em desenhos simples com toques de tintas douradas e prateadas que parecem o próprio metal derretido, tal sua capacidade de fazer brilhar. São cores que iluminam, que retumbam, que vibram.

Além de pinturas, algumas bem figurativas do início de sua carreira, também estão expostas serigrafias e tapeçarias, sim tapeçarias vibrantes, vivas e coloridas, “enormes”, não somente pelo tamanho, mas no sentido da palavra em francês – extraordinárias!

Além de pintor, Hundertwasser também foi arquiteto e militante ecologista. O humano e seu ambiente foi o centro de suas obras. Ele fez prédios com árvores nas janelas e criou o manifesto Ton droit à la fenêtre (Teu direito à janela) em que numa habitação coletiva, as pessoas deveriam ser mestres do que esperar de sua janela, quem concebe um imóvel deveria levar em conta os desejos de quem vai lhes ocupar. Com outros arquitetos ele criou imóveis sociais originais com alinhamentos irregulares de janelas, linhas ondulantes, integração de árvores nas sacadas e claro, suas cores explosivas.

Além da exposição, um projeto inspirado na filosofia do artista, propõe ateliers para mulheres do bairro Belsunce, no centro de Marseille. A ideia da associação Viens à Marseille é trabalhar o tema da janela e motivar os moradores e comerciantes a colocar floreiras em 600 janelas, revitalizando o bairro.  Em paralelo, a biblioteca Alcazar, ela mesma no bairro Belsunce, propõe uma exposição de livros e posters originais do artista.

MAISONS JAUNES – JALOUSIE Venise, 1966 – Fondation Hundertwasser, Vienne

Próximo ao Grand Magasin, um novo espaço cultural com café /restaurante solidário, que está em fase de construção, o Petit Magasin. Um estabelecimento  foi revitalizado para receber uma centena de selos criados pelo artista onde o visitante é convidado, com a juda de uma lupa, a conhecer esses quadros miniaturas. Além disso, depois da visita é possível fazer uma pausa café num terraço com direito a cup-cakes et cheescakes. Além de encontrar diversos produtos para levar para casa um pouco das cores de Hundertwasser.

É possível visitar a exposição até 9 de setembro, das 10h às 18h, exceto segunda-feira. Na sexta-feira até 22h. O custo é 8 euros e 5 euros (reduzida) e a visita comentada (que ainda voltarei para fazer), custa 3 euros.


RENCONTRES ÉTRANGES Nouvelle-Zélande, 1994 – Fondation Hundertwasser, Vienne

“Certains disent que les maisons sont
faites de murs. Je dis qu’elles sont faites de fenêtres.” – “Alguns dizem que as
casas são feitas de 
paredes. Eu digo que elas são feitas de janelas. “

Olhando as obras e seus desenhos de casas simples, fica a reflexão de uma amiga que estava comigo: na vida o mais importante é amar e ser amado e uma casa em meio ao verde. Coisas simples, tão difíceis de alcançar hoje em dia.

En regardant ses oeuvres et ses dessins de maisons simples, je garde la réflexion d’une amie qui était avec moi: dans la vie le plus important est aimé et être aimé et une maison parmi le vert. Des choses simples,très difficile de avoir aujourd’hui.

Mais fotos das obras do artista, aqui

Petanque e cena pastoril

Na Provença, o presépio tem bem mais que a cena do menino Jesus no estábulo cercado por Maria, José e os reis magos. A tradição é montar um presépio numa verdadeira cidadezinha provençal com as cenas do cotidiano,  como o pastor que desce a montanha com suas ovelhas, a plantação de legumes, a colheita de azeitonas, o jogo de pétanque (uma espécie de bocha)… Todo esse cenário é composto por santons, pequenas estátuas de argila feitas à mão nos diversos ateliers do sul da França. No fim do ano, as feiras de Natal reúnem diversos artesãos que vendem seus santons.

No início de fevereiro visitei um dos ateliers em Aix-en-Provence, Santons Fouque. O santonnier explicou o longo processo de confecção, o que explica também porque eles custam caro, nesse atelier, por exemplo, um peça de 2cm são 9 euros.

Menino Jesus em criaçãoPara fazer um menino Jesus, tout petit,como da foto ao lado, são dois dias trabalhando para fazer a criação. Para as expressões do rosto ele utiliza fotos de bebê da internet. Como o processo é lento, são feitos moldes para que ele possa construir cópias mais rapidamente. Mas dependendo do modelo, uma peça pode ter até 10 formas, como é o caso do “Le Coup de Mistral”, um campônes ao Mistral – o vento típico daqui, peça exclusiva de Fouque desde 1952. Para manter as peças com o mesmo material, elas são coladas com um creme de argila. Depois os santons são colocadas numa cava para secar: uma escultura pequena precisa de uma semana, uma grande até três meses. Nesse processo, como a água evapora, elas diminuem cerca de 10%.

Depois eles são colocados num forno que chega a mil graus, são 36h por atingir a temperatura e outras 36h para ele se resfriar. Após esse processo os santons são como tijolos, fortes e resistentes. Então eles passam ao processo de decoração ou pintura a óleo e mais três dias para secar.

Um trabalho manual impressionante que passa de geração para geração. Eles surgiram no século 18 e se tornaram popular no século 19. Assisti um documentário em que um artesão dizia que ele não se tornou artesão, ele nasceu assim e que ele utilizava seu pai e sua mãe como modelo para as peças e sua tia confeccionava as vestimentas para os santons com o tecido das roupas dos mesmos.

Para quem pretende visitar a Provence e ficou curioso, em Marseille tem uma loja próximo ao Vieux Port – ao lado de La Maison du Pastis (a bebida típica do sul da França). Em Aix-en-Provence existem diversos ateliers, a lista você pode conferir aqui. O Santos Fouque que visitei é de fácil acesso, é possível pegar a linha 3 de ônibus em frente ao Office de Tourisme e para na frente do atelier.

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Minha versão preferida da série minimalista de Vahram Muratyan:

Repara que as legendas são trocadas, em francês na imagem de New York, em inglês na imagem de Paris, para quem não conhece a referência poder identificar…

Veja a séria Paris vs New York – a tally of two cities completa  aqui

Estou devendo aqui centenas de posts, eu sei, mas retomei o blog e além de mostras as paisagens naturais do Sul da França, de pequenas cidadezinhas em Charrente, também quero escrever sobre os roteiros na cola de pintores. Já estive em Arles, a cidade do Van Gogh, em Amsterdam onde está o seu museu, em Aix-en-Provence, a cidade de Cézanne, onde já visitei praticamente todos os locais consagrados pelo artista. Os dois que faltam ainda farei, pois é a cidade onde vou estudar.

Nesta terça-feira, o canal France 2, através do programa Secrets d’Histoire apresentou os jardins de Giverny, onde Claude Monet viveu e pintou muito de suas obras. “Il a vécu la lumière” (Ele viveu a luz, diz um de seus historiadores).

Além de mostrar paisagens encantadoras, entrevistar historiadores, familiares e até uma psicanalista, o documentário faz reconstituições minunciosas, como se estivéssemos assistindo a um filme sobre a vida e obra do pintor impressionista. O lugar, onde hoje é a Fundação Monet, totalmente restaurado pelos mesmos mecenas de Versailles, fica há uma hora de Paris. Mesmo as fotos dos jardins evocam às obras de Monet, imaginem visitar a casa, o atelier, os jardins por onde Monet criou e deixou suas impressões… A próxima vez que eu for à cidade luz vou ter que encaixar uma visita no meu roteiro. Para quem não pode ir até lá por enquanto e entende um pouco francês pode se maravilhar com o documentário, clicando aqui (não sei se fica disponível por tempo indeterminado ou só na semana da emissão). Quem não entende francês e ama artes, vale dar uma espiadinha mesmo assim.

Quase 4 anos depois que escrevi esse post aqui o ciclo se fechou. Cheguei a Poitiers na noite de 24 de agosto último, passei todo o dia 25 lá e voltei no dia seguinte pela manhã. O suficiente para conhecer essa cidade universitária que é muito calma, praticamente vazia no verão. No roteiro: igrejas, igrejas. O Museu de Belas Artes vale a pena somente pela sala de Camille Claudel (uh la la, se encontra de tudo na internet, alguém colocou aqui fotos de todas as obras, eu respeitei e não fotografei).

Como são lindas e delicadas suas esculturas! O carro-chefe é a obra La Valse (ao lado), onde um casal dança num delicado movimento do bronze esculpido. Mas a escultura L’abandon me impressionou um pouco, pois retrata a dor profunda dessa mulher abondonada por Rodin, seu grande amor e mestre que a levou à loucura, no sentido mais literal.

Mas os caminhos que me levaram a essa ville são totalmente diferentes do que eu planejei. Naquela época eu tinha um amigo que morava em Poitiers, jogava na liga de vôlei da cidade. Como eu queria realizar o sonho de conhecer a Europa, iria para Espanha estudar espanhol e depois obviamente conhecer Paris e dar uma esticadinha até Poitiers já que teria hospedagem gratuita. Acabei não juntando grana suficiente, deixando outros acontecimentos da vida adiarem esses planos e enfim, vim para a Europa pela primeira vez no ano passado num roteiro completamente diferente: Londres para aprender inglês, Holanda e Escócia de visita, Marseille na França para aprender francês e acabei conhecendo muitos outros cantos da França, tanto no Sul como na região de Charente. Estive perto de Poitiers, mas somente este ano fomos visitar son frère que lá habita. E foram por caminhos completamentes diferentes que o meu fabuloso destino me trouxe à França. Na época do post um comentário se eu estava pensando em morar na França. Não, na época a ideia era só visitar. E vejam só no que deu.

Sempre fui de empreitadas, na escola participei de mutirão de pintura das salas de aula, da criação do conselho escolar. Ajudei, junto com mais três amigas, a erguer todinha de novo a biblioteca da nossa escola do ensino médio, desde separar e catalogar os livros, pintar móveis, fazer fichas até atender os alunos. No meu último emprego participei do nascimento de um novo e importante site de notícias. Nos últimos meses no Brasil trabalhei com meu pai e fizemos a reforma na loja matriz, empreitada grande desmontar e montar tudo de novo. Agora aqui em Londres me candidatei para um trabalho voluntário numa galeria de arte. Chegando para a entrevista, o espaço ainda estava fechado. Lá fui eu ajudar na montagem. Desde o letreiro da fachada, mailing, arrumação das máquinas do café, design de posters… e hoje, quando só eu de voluntária estava lá, o espaço finalmente foi inaugurado! É legal fazer parte de alguma coisa desde o começo, a gente se envolve mais. E trabalhar em Brick Lane é muito legal! Hoje acho que foi o dia que mais vi gente de todos os tipos…

Pois é, há dois dias fez um mês que cheguei nessa terra onde as pessoas não se vestem, se fantasiam. Hoje cozinhei pela segunda vez. Na semana passada fiz uma lasanha para uma visita, hoje fiz carne moída para montar wraps, ficou tri bom. Fora a minha inconfundível receita de miojo com molho de atum que rola de vez em quando. No mais é o bom e velho café, breakfast no jantar com minhas duas novas manias: pancake e coleslaw.

Hoje consegui entender uma mensagem inteirinha pela primeira vez dos alto falantes da estação do tube… E Londres tem me ensinado a ser paciente e moderada. Em outras épocas eu compraria tudo que visse pela frente e tenho evitado de ir até na Primark. Prova da minha moderação é que tenho uma garrafa de champagne, champagne mesmo, da França, na minha geladeira e ainda não abri!

Na primeira vez que fiz vestibular na UFRGS eu tinha 18 anos. Agora aos 28 anos fiz de novo. Não estudei nadinha e fiz festa, muita festa, nos meses que antecederam as provas. O resultado foi o mesmo: não passei.

Da primeira vez foi para Letras, agora História da Arte. Na outra vez eu fiz 6 meses de cursinho, pois fiz magistério e fiquei sem ver quase tudo que se aprende no ensino médio: não tive história e nem geografia e muito pouco das exatas.

Passados 11 anos, muitas diferenças. Desta vez não li nem as leituras obrigatórias (e ainda acertei 15 questões de literatura)… Lá em 1999 eu morava em Sapucaia e meu pai me levou todos os dias para Porto Alegre. Como eu fiquei em uma escola no Partenon, no primeiro dia, com medo de não encontrarmos o local a tempo ou ficar presa em engarrafamentos na BR-116 e nas proximidades da escola, fiz meu pai sair tão cedo que chegamos antes de todo mundo, até das provas. Não tinha monitor, nem candidato, ninguém. Era para chegar às 8h e chegamos pelas 6h… Dessa vez eu moro na Capital e tenho carro e me colocaram numa escola há uns 6 quilômetros da minha casa, bem perto. 

Da outra vez tinha cerca de 5 por vaga, nessa 8. Só que para Letras, tinha gente na minha sala que estava tentando há anos em outros cursos mais concorridos e estavam super preparados. Desta vez, fiquei numa sala com muita gente mais velha, até uma senhora de 60 anos que achava que tudo era coisa do governo, até o tema da redação. Tinha pessoas legais, seriam bons colegas. E como o curso de História da Arte é novo e no RS serve mais para hobby do que profissão, tinha gente de várias áreas, inclusive da História, para nos dar um banho na prova.

O clima de vestibular é muito legal. Eu chegava e me sentava na calçada com a galerinha, na sala de aula todo mundo parecia colegas de colégio, daqueles de anos. Porém no quadro tinha o link para consultar o gabarito. Da outra vez eu acompanhava no rádio mesmo: A, de Argentina, B de Brasil… E de Equador…

Quando adolescente, eu era acostumada a não tomar café da manhã. No primeiro dia fiz isso e chegou uma hora que eu só pensava em comida durante a prova. E ainda fiquei sem água porque levei uma garrafinha que não era transparente.

Dessa vez também não sentei bem na frente, como quando eu era CDF. Na prova da Unisinos (onde passei para Jornalismo na primeira vez) os monitores ficaram conversando e me atrapalharam. Aprendi a lição.

Neste ano tinha duas línguas estrangeiras: espanhol e grego, sim, a prova de física era grego para mim. Não hesitei em chutar tudo numa letra só, o problema é que tentei resolver algumas questões e justo essas tinha como resposta a letra que eu escolhi e por pouco não zerei a maldita. As outras exatas também foi um suplício. Não sei se com um ano de cursinho eu conseguiria resolver na boa aquelas questões… Acho que é mais fácil passar na seleção do mestrado.

E apesar de tudo isso, mesmo não tendo virado bixo, acho que não foi tão mal assim. Tinha 258 candidatos. Pensei que eu ficaria com a 257º posição. Mas não, fiquei em 81º lugar. Eram apenas 20 vagas no acesso universal…

Da primeira vez eu ter passado para Jornalismo na Unisinos e não ter entrado para Letras na UFRGS decidiu meu destino. Tem mão dele de novo aí…

Ah! Exatamente hoje, no dia que saiu o listão, faz 4 nos que me formei!

Obras Introdução à nova crítica e Malhas da liberdade, de Cildo Meireles. expostas no MARGS Fotografia: Cristiano Sant'Anna

Obras Introdução à nova crítica e Malhas da liberdade, de Cildo Meireles. expostas no MARGS Fotografia: Cristiano Sant'Anna

Visitei parte da 7ª Bienal do Mercosul, fui na mostra Projetáveis, no Santander Cultural e Desenho das ideias, no Margs. Na primeira, senti que é aquela parte que quer se integrar ao mundo virtual à qual vivemos, dialogando com a fronteira entre o real e o virtual. A obra Virtual Redundancy é a prova disso, uma maquete com peças de computador é montada em um vídeo e os objetos estão disponíveis no real para que possamos criar também.

E como tudo nesse mundo parece já ter sido feito, nada me pareceu novidade. Como em Drawing for Filó, em que o artista desenha sendo filmado e o que temos na tela é a projeção da obra sendo feita. Uma outra plataforma, acompanhamos o processo de criação, mas ainda é um desenho, a arte genuína.

Gostei da obra The Dance Music Collaborations, é literalmente estonteante, pois as luzes e o som te deixam tontos dentro da sala de projeção. Curiosa é a instalação Atrás da Porta, uma topologia dos espaços inacessíveis. O artista, Fernando Pião, colocou câmeras de segurança em lugares para os quais não se costuma olhar. As câmeras estão espalhadas pelo Santander em pontos onde ninguém passa. O segurança, um senhor muito simpático (afinal ele achou que eu tinha 17 e 18 anos… tá certo que estava meio escuro lá) me disse que a mediadora estava explicando esses dias a obra para um grupo de estudantes e ouviu-se um estouro dentro do museu. Uma cortina caiu onde uma dessas câmeras estava. Ela dizia que o artista queria mostrar pontos onde não se observam pessoas e lá estavam nos monitores, os bombeiros arrumando a cortina… Fun at Work parece ser bem legal, mas estava fora do ar, assim como em outras, a interatividade do público não estava funcionando muito bem e as obras “travando”… é o mundo dos computadores!

Ainda não fui no Cais, não sei o que tem lá, mas colocar os projetáveis dentro do Santander foi uma ótima ideia. Se vê tudo no conforto do ar-condicionado. Só algumas fichas da obra deveria ter uma luz em cima para podermos ler. Lembra daquela Bienal dos containers? A gente quase desmaiava de calor vendo os vídeos. Tinha também no Memorial do RS, um calor dos infernos por causa do teto de madeira. E na 5ª Bienal, lembro que os últimos andares da Usina do Gasômetro se transformaram em salas escuras que dava até medo de visitar.

Abraham Cruz Villegas, Tratado de Libre Comer

Abraham Cruz Villegas, Tratado de Libre Comer

No Margs é que me senti mais em casa, com a mostra Desenho das Ideias. Fiz a visita com uma monitora. Para mim arte é completamente ideia, muito mais do que um objeto, porque às vezes os artistas não criam nenhum objeto, mas se apropriam de coisas já existentes dando um novo significado. E a exposição mostra o desenho, de onde tudo parte, seja como esboço para uma pintura ou para a ideia de uma instalação ou uma performance. Alguns estão lá não em forma de desenho, mas materializados em 3D. Cildo Meireles é um dos meus preferidos. Ele ainda nega que não tenha cunho político com a ditadura, mas a obra Malhas da Liberdade é ou não é uma crítica a quem ia preso em nome de ideias libertárias? Gostei da delicadeza dos pequenos desenhos de José Antonio Suárez e daquela alemã (Nina Lola Bachhuber) de traço delicado que desenha com pincel! Não deixe de ver o que tem por trás da obra Tratado de Libre Comer, de Abraham Cruz Villegas. Imperdível a crítica à hipocrisia de James Ensor com suas máscaras. Tem Oswaldo Goeldi, León Ferrari  e vejam que interessante o que o Paulo Bruscky publica nos classificados. Parece que andou saindo na ZH esses dias também.

E a surpreendente Marta Minujín, que criou El Partenón de Libros (1983), “uma réplica do Partenon de Atenas em tamanho natural em plena Avenida 9 de Julio de Buenos Aires, recoberta com livros proibidos durante a ditadura militar, que foi inaugurado e entregue ao público durante o primeiro Natal em democracia”. Genial! Pena que só tenha os esboços e o vídeo da obra… Também já fez outros monumentos, como um obelisco de pão doce.

Tem muito poema sonoro e outras obras em áudio no Margs, mas não me chamaram muito atenção. Também não tem graça ficar olhando para uma parede branca enquanto escuta, muito melhor como fizeram nessa bienal, quando mp3 player nem era muito popular ainda, mas você pegava um e ficava escutando enquanto dava uma voltinha pelo cais. E também era ruim a monitora ficar ali me esperando… mas tem até Arnaldo Antunes.

Também anda rolando performances durante a Bienal, não cheguei a assistir nenhuma, mas pelo que li sobre a Aula de Ginástica e Filosofia e Ao Vivo, não pareceu nada muito atraente. Nada como a perfomance daquele cara nu, não lembro em qual Bienal, foi antes da 5ª e eu morava no centro (isso foi de 2003 a 2005). Alguém lembra? Não tenho o nome do artista, tinha um recorte no meu mural que ou foi fora ou está muito bem guardado. Mas era assim, a gente entrava em uma sala no segundo andar da Usina e embaixo, no primeiro andar, tinha uma piscina, onde o artista entrava nu e imagens coloridas se projetavam no seu corpo. Ele fazia movimentos que combinavam com as projeções. Era uma coisa muito linda de se ver e tu até esquecia de que ele estava completamente pelado. Mas se serve de consolo, tem fotos da performance do Flávio de Carvalho no Margs, quando ele desfilou de saia e meia arrastão, convencido de esse ser o traje ideal para os homens que vivem num país com o clima como o do Brasil (escrevi sobre ele aqui). Ah, as vanguardas…

Pelo menos voltei a me encantar com a Bienal, na 6ª eu passei bem à margem… e o tema era justamente A terceira margem do rio. Nesse ano, Grito e Escuta. Faz todo sentido para mim.

Sobre outras bienais

NUBLVontade de pegar um avião e ir correndo ver a exposição Matisse Hoje, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.

E vou ter o próximo feriado de folga… poderia ir, não fosse aquele outro “tempo” que nos impede de várias coisas. Algumas obras são do  Centro Georges Pompidou. Ah eu preciso passar uma vida em Paris só vendo arte!

Bom, comecei a gostar de Matisse no dia em que minha vaca colorida da pré-escola finalmente fez sentido para mim. E não é só a vibração de suas cores que me atrai, gosto do traço sensual como nas pinturas dos arcos da Fundação Barnes, suas danças, e Nu Azul (1952), uma das minhas favoritas, que eu queria ter na cabeceira da minha cama.

Fiquei super feliz com essa possibilidade da UFRGS ter graduação em História da Arte. É o curso dos meus sonhos e o mestrado parece tão difícil de ingressar para mim que sou de outra área. Se bem que a essa altura encarar um vestibular não é lá muito fácil. Olha eu não acreditando em mim, como sempre e acabo não tentando nada.

Tomara que aprovem, porque eu até tenho algumas ideias de produção artística, mas para fazer Artes Visuais precisa prova de desenho e eu só sei fazer boneco de pau. Consegui, inclusive, tirar nota vermelha na escola em Educação Artística. Uma das duas ou três que tirei em toda vida escolar. Mas aceditem, mesmo com isso não sou boa em marcar X em seleções. Se bem que nem sei mais, vestibular ainda é assim?

Mas que venha o curso! Espero que essa seja minha segunda graduação.

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Foi arrumando a agenda e me programando melhor que aproveitei o tempo entre o trabalho e o pilates (porque voltar para casa não vale a pena e aí que não vou na academia mesmo) que fui ver a exposição do Carlos Pasquetti na galeria Bolsa de Arte.

Entre objetos, fotografias e pinturas (algumas até sem moldura, em papel mesmo) gostei de uma obra composta por vários quadros pequenos, estes todos devidamente emoldurados. O interessante de ir a uma galeria é saber o real valor $ das obras. Essa que eu gostei até que não era assim tão cara, pelo tamanho (e até onde vai meu entendimento e tolerância para o valor$ da arte, porque claro, era bastante dinheiro), metade do preço dos quadros maiores, os desenhos que podem ser girados em sentido horário e ficar de ponta-cabeça.

Além desses desenhos, haviam os objetos de tecidos que lembram bolsas e sacolas (cuidado, algumas são bolsas mesmo para guardar as obras, segundo me explicou a pessoa que me atendeu). E tinha um diferente “tiro-ao-alvo”. Não conheço muito da obra desse artista gaúcho e tive poucas explicações na galeria. E para mim a arte, por mais que eu não ache bonita, se torna apaixonante quando conheço as motivações do artista. Devia ter ido com mais tempo e marcado com alguém para trocar uma ideia.

Mas o mais curioso foi ver dentro da galeria um cusco, um pequeno cão que ia ser levado para um passeio. Ele parecia ser da casa.

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Acabei descobrindo ali pela volta da Quintino várias lojas interessantes de decoração, até numa loja fofa de bebê eu estive porque tinha um abajur que ficaria lindo no meu quarto que tem a mesma cor da decoração da vitrine da loja.

E como ainda estou procurando um quadro para sala e para o quarto que eu bata o olho e diga: “é esse”, descobri a FastFrame, com muito mais opção que a Wall Street Posters. Um pouco mais cara, mas os posters são importados (por exemplo, gostei de um pequeno, retrô, que poderia compor com outros similares, e um só custava R$ 32). Não cheguei a perguntar preço de moldura, mas dá para comprar lá e levar na Wall, que é mais barata até que a vidraçaria da vila aqui perto de casa. Saiu baratinho emoldurar, da forma mais simples, os posters que trouxe de San Telmo.

Agora está completo: algumas obras de todos os períodos da exposição Arte na França no post (clica aqui).

Para ver todinhaaas só indo mesmo no Margs até 30 de agosto. Vale a pena. Cem anos de gênios como esses não se vê assim tudo junto reunido sempre, ainda mais no Brasil, ainda mais em Porto Alegre.

Pois mais uma vez desejei e consegui. Fui ver a mostra Arte na França antes do que eu imaginava, na segunda-feira quando abriu para a imprensa. Produzi um vídeo e estou produzindo uma série de audioslides. O vídeo não ficou tão bom, filmar sem tripé não é fácil. Não foi produzido, como neste aqui que entrevistei críticos, historiadores e o próprio artista, que claro dessa vez não teria como.

Cheguei lá e consegui falar com o diretor do Margs no meio da correria, pois estava sendo organizada a big festa do Ano da França e a inauguração da exposição que seria para convidados naquela noite. Mas o bom que ele me conseguiu um tradutor e deu para pegar uma palavrinha do curador, que quase ninguém entrevistou porque ele fala francês.

Não deu para usar toda a entrevista porque na primeira parte era uma pergunta maior e o tradutor pediu que ele repetisse a resposta e então ficou aquele ping-pong que não deu para dublar. Mas enfim, era mais para ser um vídeo para as pessoas ficarem com vontade de ir na exposição e saber o que não poderiam perder.

Nos audioslides vai dar para ver mais coisas, vou ir postando aqui. Então se não foi ainda, clique aqui para ver uma amostrinha dessa fabulosa exposição com gênios da pintura:

Audioslides:

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Obra de Renoir de 1881 (um século antes do meu nascimento)

No dia 15 de maio eu estava vendo o Jornal Nacional e saiu uma matéria sobre a exposição Arte na França: 1860 – 1960: o Realismo. Fiquei maravilhada e com vontade de ir a São Paulo para vê-la. Aí falei em voz alta: eu queria ver essa exposição! Eu fechei a boca e o Willina Bonner disse: “Depois de São Paulo, a exposição seguirá para Porto Alegre”.

Se tudo na vida que a gente desejasse se realizasse assim…

Então terça-feira a mostra será aberta no Margs, é dessas exposições para ver mais de uma vez. Uma oportunidade única de ver um século de história da arte que teríamos que dar a volta ao mundo e ainda assim não veríamos todas porque algumas são de colecionadores particulares. Pela primeira vez no Rio Grande do Sul estarão pinturas de Courbet, Delacroix, Degas, Matisse, Monet, Van Gogh, Degas, Renoir, Cézanne, Miró, Picasso, Léger, Dalí e Manet, entre outros.

Tenho que dar um jeito de me imiscuir em alguma turma do curso que eu fazia para acompanhar uma aula com minha professora. Finalmente vamos poder saber a real cor de tantas obras estudadas em slides. E o legal de estudar arte é o treino do olho. Achei a foto ao lado no site do Margs, mas não tinha legenda. Fui para o google, minha primeira aposta era que seria do Renoir e bingo!

E viva o Ano da França no Brasil!

Fazia tempo que eu não ria tanto numa sessão de cinema, desde os trailers que já estou aguardando para ver A Proposta e Os Normais 2 até o filme propriamente dito escolhido após alguns contratempos e nenhuma pretensão: A Mulher Invisíviel.

O filme me foi previsível, confesso que na primeira cena pensei “hum ele vai ficar com ela no final”. Mas a trajetória do filme é a melhor parte. E como o tal fim vai chegar eu não esperava e me diverti muito nesse meio tempo. E a lição principal, é claro, a gente tem que se amar e confiar em si mesmo. E outra, pelo menos no filme, resignação, e não paciência, mas resignação fez diferença. Tenho me sentido assim ultimamente.

Nas cenas de Minas Gerais finalmente entendi as cores usadas por Tarsila Amaral após sua viagem por lá, as cores caipiras que a encantou. E vi as cores de Abaporu. Não sei bem se a viagem foi antes ou depois da obra de idos de 28, mas eu as vi.

Agora até fiquei sem saber como concluir o post, então fica a dica, assista ao filme. Selton Mello e Fernanda Torres sempre valem o ingresso. E para os guris, claro, tem a Luana Piovani em cenas provocantes. Fora isso, a risada também é garantida.

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Há dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato,me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mudial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando
ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza.O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um
grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…”

Clarice_por_De_ChiricoHá dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato,me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mudial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando

ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza.O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um

grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…”

Esse texto foi publicado na coluna do Luis Fernando Verissimo em Zero Hora de 29 de janeiro dester ano. Quando li isso, pensei “uau”, eu queria ter vivido coisas assim como a Clarice. Claro que os anos de guerra não devem ter sido fáceis, mas falo desse convívio com artistas como De Chirico, ser pintada por ele! Acho esses nossos anos de uma pobreza intelectual e artística e ainda assim eu não tenho contato com os intelectuais e artistas de agora. Fiquei com inveja. Além de ter sido uma escritora reconhecidíssima, ainda viveu e viveu de perto coisas que são de uma época muito particular.

livroPor enquanto, com a reforma, livros, principalmente de arte (que são mais caros) virou sonho de consumo. Até porque com as mudanças que estou fazendo, alguns livros ficarão desalojados por enquanto, até projetar a sala…

Mas está na minha lista esta preciosidade:  Arte Brasileira Contemporânea, de Paulo Sergio Duarte.

Em 2005, eu estava visitando a 5ª Bienal do Mercosul no Margs com a minha turma de História da Arte, quando o Paulo Sergio Duarte, que foi curador daquela edição, adentrou o museu com um grupo de monitores e começou a lhes dar aula ali. Larguei a vista, já que a monitora era bem fraquinha, e fiquei em volta ouvindo… nossa aprendi um monte em poucos minutos! Uma pena que tive que sair para trabalhar… era uma aula que não tinha preço.

Confere aqui a matéria e a entrevista que saiu no Segundo Caderno da ZH sobre o livro.

Eu só fiquei sabendo que esse vestido existia há pouco tempo atrás, quando o Yves Saint Laurent morreu. E adorei! Queria ter uma roupa com a estampa de um dos quadros de um dos meus pintores preferidos! O vestido é simples, assim como as obras de Mondrian. Mas é na simplicidade de suas obras e no seu rigor formal que está a sua grandiosidade. Daí lembrei de postar isso depois que vi a coluna do Xico Gonçalves no último Donna que ele fala justamente sobre estilistas que usam a arte como inspiração.

Ironicamente nunca tive nenhuma aula de História da Arte sobre Piet Mondrian, ou porque não peguei seu período, ou por que foi alguma aula que tive que faltar.

Além do vestido, também queria ter uma estante inspirado na obra do artista, como foi feito na embaixada dos Países Baixos que saiu numa matéria do Casa&Cia uma vez.

Abri mais um capítulo no meu caderno de História da Arte. Achei que esse semestre teria que parar de vez por causa do horário de trabalho, eu já tinha desistido de História da Arte Brasileira e foi um drible para ir até o final do semestre passado de Vanguardas Históricas. Mas abriu uma turma no turno da noite e enfim seria desde o “começo”. Iniciou com o Renascimento. Uma chatice, confesso, não sou muito dessa arte acadêmica, mas com certeza o dia que for à Itália, vai ser muito bom conhecer melhor. E indo do começo, aos poucos chego nos modernos e enfim estudo numa seqüência cronológica.

Aí vai o vídeo:

Sábado passado fui na FeiArte, a Feira Internacional de Artesanato que estava rolando em Poa. Ganhei um convite e não precisei enfrentar a quilométrica fila.

Daí estou olhando as blusas e batas num estande da Índia, procuro o preço e dou de cara com a etiquera da peça: MADE IN CHINA!

Apesar dessa, achei a Feira bem legal, embora não tenha comprado muito… tinha muita coisa de decoração e ainda não sei que estilo quero para o dia que eu decorar meu apê. Comprei uma blusa da Amazônia, eu acho, um pingente de Veneza e um caderno para escrever memórias da Indonésia, porque a capa era mais bonita que dos álbuns de fotografias… e quem imprime, para não dizer revela, fotografia? Já meus pensamentos estão sempre querendo ser scaneados, digitados… terei um espaço para colocá-los em punho também.

Hoje faz um ano que fui para Buenos Aires. Este post estava escrito e guardado. Acho que é um bom dia para encerrar os capítulos a parte de Buenos Aires. Logo virão capítulos de outros lugares do mundo. O projeto segue em andamento. Mais um passo.

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Uma das minhas grandes expectativas em ir a Buenos Aires era para ver “o homem que come”.

Não se assustem, estou falando de Abaporu, uma das obras mais conhecidas da artista brasileira Tarsila do Amaral, que está no Malba – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. O nome do quadro, que em tupi-guarani significa homem que come, foi um presente de Tarsila para seu marido Oswald de Andrade, que o batizou.

Logo que entrei na sala da coleção permanente já dei de cara com a obra, mas duas pessoas estavam paradas na frente. Para não ver “metade” da pintura, desviei o olhar correndo para um Rivera que estava a minha esquerda.

Quando os intrusos saíram pude contemplar toda a beleza e a grandiosidade de Abaporu. Fiquei muito tempo na frente dele. Daí fui perguntar para a monitora se eu podia “sacar una foto”, sem flash, só para recordação (como eu tinha feito no outro museu). Mas fui terminantemente proibida. Olhei mais um pouco e segui pela exposição, controlando a ansiedade de olhar logo para outra obra máxima do Malba, o quadro Autoretrato  con chango y loro (em espanhlo) de Frida Kahlo.

Quando estava perto de chegar nesse, vi um grupinho de turistas tirando uma máquina fotográfica da bolsa. Sinalizei que era proibido e alertei a monitora. Ah, se eu não poderia tirar uma foto, ninguém poderia! E sabe-se lá se ao menos teriam o cuidado de tirar o flash.

Flutuei por toda a exposição, maravilhada. Interagi com as obras cinéticas, inclusive uma do artista brasileiro Abraham Palatnik. Vi muitas obras de brasileiros que já tinha estudado, conheci um pouco mais da arte latinoamericana de períodos que adoro. Acho que olhei tudo umas três vezes e depois dei uma olhada rápida nas exposições que estavam por lá na época. Dos brasileiros tem Di Cavalcanti, Portinari, Hélio Oiticica, Lygia Clark (trepante e bichos!), Nelson Leirner, Antônio Dias e Mira Schendel.

A exposição é muito bem organizada, por perídos, desde o moderno ao concretismo e obras mais contemporâneas. Por lá, a visita é mais tranqüila, afinal é preciso pagar 12 pesos. Plata que não gastei, pois consegui entrada livre com minha carteira de jornalista. Mas teria sido um dinheiro bem empregado. A parte de trás da fachada é toda envidraçada, então quando se entra e sobe-se as escadas rolantes até o andar das obras há uma luminosidade incrível.

Depois, a obrigatória visita a lojinha do Museu. Tem produtos bem diferenciados feito por artistas e numa outra parte muitos livros. Me contentei com uma caneta, dois postais (um de Abaporu e outro do Metaesquema de Helio Oiticica) e o catálago do Malba, que é bem carinho, 65 pesos, mas vale muito a pena. Tem duas páginas para cada obra, uma com explicação e outra com reprodução, que dá para ver bem os quadros e esculturas, além de biografias e linha do tempo da arte latinoamericana (um ano e ainda não terminei de ler, mas não me canso de olhar para ele).

E aí está: Abaporu, Tarsila do Amaral, óleo sobre tela, 1928
A obra é importante porque marca o início do movimento antropofágico, manifestação artista da década de 20. E ah! Tarsila não participou da Semana de Arte Moderna. Vi a própria falando, em um vídeo, claro.

abaporu.jpg

Buenos Aires – Capítulos a parte VI
Buenos Aires – Capítulos a parte V
Buenos Aires – Capítulos a parte IV
Buenos Aires – Capítulos a parte III
Buenos Aires – Capítulos a parte II
Buenos Aires – Capítulos a parte I
Surpresa da viagem

Então eu acordei do coma e fui na Feira do Livro e na Bienal no sábado.

Queria comprar algum guia de viagem, até pareceu interessante o Guia para o Viajante Independente na Europa Europa, mas achei mais prudente ir uma hora dessas na Cultura e olhar tudo que tiver na seção de viagem para poder avaliar melhor.

Resolvi procurar por E se fosse verdade. Eu parecia um ET, ninguém sabia do livro. Aí lembrei de Paris é uma festa, do Hemingway, que o Seth dá para a Maggie no filme Cidade dos Anjos. Em uma banca novamente o desconhecimento, até que estou andando a esmo e vejo o livro jogado em cima dos lançamentos em uma banca. E foi tudo que comprei, e já comecei a ler. Depois de meses abandonando os livros o reencontro com as letras tem sido muito bom. Além de conhecer a Paris de Hemingway, ainda ele fala da arte da época, a arte de Picasso, Matisse, Braque…

Já a Bienal foi uma decepção. No Santander eu pensei: “vamos estudar história da arte para sempre” porque o que estão fazendo… francamente! Tá, que mesmo estudando eu ainda não entendo muito, ainda mais da arte contemporânea. Tá, que eu perdi a aula no Santander. Mas eu também tenho a mente aberta. Mesmo assim o Jorge Macchi não me convenceu. Algumas boas sacadinhas que só me liberaram um sorriso mental (não gastei músculos nem para um sorrisinho de canto de boca). E tem lugar mais solitário que aquelas salas de vídeos que para entrar se passa por um corredor escuro, aí tem uma cortina de veludo preta e ainda assim tem que dar mais uma entradinha?

No Margs respirei aliviada. Ufa! Tinha pintura. Mas não gosto de arte inspirada nos pré-colombianos como a do Francisco Matto. Já que estava cansada, olhei correndo as obras dele e do Öyvind Fahlström. O que me impressionou mesmo foram os quilos e quilos de tinta de Iberê Camargo nas salas negras.

Tudo isso pode ser porque não me informei sobre nada desta Bienal, abandonei minhas aulas e também não tem saído muita coisa no Segundo Caderno. Na 5ª Bienal (que Bienal!), lembro que tinha matéria quase diária com os artistas. Ficou mesmo à margem do rio.

Tem souvenirs legais do evento, mas como não me empolguei… Eu ainda não fui no Cais, mas espiei no dia que fui na exposição No Ar – 50 anos de vida e não me interessei muito. Mas quero ver aquela obra do Cildo Meireles. E chatinha desse jeito, a história de projeto pedagógico vai é afastar os pequenos.

Nas livrarias dos museus é que vi o livro do filme O Passado. Acho que vi nas bancas, mas depois não encontrei mais. Quero ver o filme (e o Gael), fiquei com vontade de comprar o livro, mas não sei se é bom. Eu não sou louca como a mulher, mas esquecer para nós é mesmo mais difícil.

Finalmente fui na exposição No Ar – 50 anos de Vida. Muito legal, principalmente aquele vídeo com edição de imagens de várias épocas. Show de bola. E não é que em uma das fotos do livro dos 50 anos da firma eu apareço? Ah e aquele secador de cabelo dos anos 30 eu tinha lá em casa. Se eu soubesse que era tão antigo tinha guardado! E olha que ele funcionava. Cheguei a usar e lembro do cheiro que saía dele.

Não deu tempo de ir na Bienal. Aliás, estou completamente por fora e isso me angustia. Não fui mais nas aulas de História da Arte, inclusive perdi uma que foi no Santander. Mas ainda me recupero.

Assisti também Scoop – O grande furo, do Woody Allen. De vez em quando é bom ver filmes em que nem tudo corresponde a realidade, onde a ficção ganha as asas da imaginação e coisas inverossímeis tornam-se possíveis e engraçadas. 

Depois de três meses, exatamente, três meses, recebi ontem os dois volumes da coleção Mestres da Pintura que tinha comprado no site da Folha de S. Paulo.

Depois dessa confusão, troquei o endereço para a portaria do condomínio, mas esqueci de autorizar o porteiro e a encomenda voltou. Então liguei e pedi que mandassem novamente por uma distribuidora que se não me encontrasse ia entrar em contato e eu saberia o endereço e poderia buscá-los. Não sei o que aconteceu, só sei que depois de alguns dias sem olhar minha caixa de correspondências, lá estavam as três tentativas do carteiro e novamente pedindo que eu buscasse a entrega na agência do Menino Deus. Desta vez liguei, o pacote estava lá e para não ter que pagar estacionamento de novo, até porque o do posto da esquina estava lotado, estacionei na calçada em frente ao Correio. Como achei que não podia, larguei o carro ali, mas tinha uma vaga realmente, só que bem apertada então deixei mesmo na porta onde chega os carros de carga e descarga. Azar!

E finalmente pude colocar na prateleira os livros de Van Gogh e Cézanne, ao lado do Da Vinci. Ainda quero comprar mais alguns volumes. Mas vou tentar na Cultura mesmo.

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