Faltando alguns dias para completar 6 meses que estou na França posso dizer que reencontrei o prazer da leitura… em francês! Sempre gostei de ler, hábito que estava meio abandonado nos últimos anos, mas aqui o fato de não ter televisão e não ter carro proporciona mais tempo para leitura. Embora a internet ainda roube muito do meu tempo.

Enfim, com tempo para ler e muitos livros à disposição na biblioteca pública Alcazar e na Fnac que vire e mexe dou uma passada, faltava o prazer de devorar um livro como fazia com meus livros em português. Mas cheguei lá. Ontem à noite terminei de ler as 535 páginas de “Un jour” (Um dia), de David Nicholls. Não foi o primeiro livro que li em francês, mas foi o primeiro assim longo e um livro de adulto que escolhi pelo interesse da história e não porque seria indicado para meu nível de francês.

A dica eu tinha pego neste blog aqui há muito tempo. É muito interessante a história de Emma e Dexter descrita sempre no mesmo dia do ano, 15 de julho, durante 20 anos. Depois de passarem uma noite juntos após a formatura eles desenvolvem uma relação profunda, mesmo que em vários momentos estarão longe um do outro e vivendo experiências completamente diferentes. O sentimento daquela noite permaneceu forte, embora ele, um tremendo galinha, passou muito tempo com medo de assumir seus sentimentos. E ela se protegeu através de uma amizade. Durante quase todo o livro fiquei encantada por esse relacionamento e por não ser uma história de amor convencional , do tipo felizes para sempre. Depois o livro muda e acabei me decepcionando, mas o fato de ter chegado ao fim de 535 páginas, todas em francês, me deu um outro tipo de satisfação.

E uma coisa engraçada, a história se passa quase todo tempo em Londres, mas também em Edimburgo e outras cidades da Inglaterra e uma passagem por Paris – que coincidência comecei a ler quando estava no trem quase chegando a Paris também (em trânsito para a Normandia). Mas o fato de ler uma história em francês originalmente escrita em inglês algumas vezes confundiu minha cabeça. Não sei explicar, tinha que parar e pensar que aquilo não era na França, coisa que nunca acontece quando leio um livro traduzido em português. E mesmo sem conhecer os lugares exatos citados no livro em Londres e Edimburgo, como já estive nas duas cidades, consegui me transportar para o clima da história. E apesar da minha decepção, recomendo a leitura. Já estou com saudades de Em e Dex, me apeguei. Sabe aqueles livros que mesmo que você está ocupada ou tem outras coisas para fazer tem vontade de largar tudo para ler?

Sobre a Alcazar

A Biblioteca Pública de Marseille é um paraíso de livros, DVDs, CDs e BDs. Por apenas 5 euros por ano (para estudantes) e 21 euros para o público em geral você pode pegar emprestado por 3 semanas (renováveis) até 15 itens, pode ser 15 livros por exemplo ou 10 livros, 2 CDs, 2 DVDs de filmes e um DVD de documentário (tem limites para alguns materiais, como DVD que é 2 por pessoa). A sede fica no centro, perto da minha casa, onde tem muitas atividades e exposições. Mas existem unidades espalhadas por bairros e estações do metrô.

Recentemente comecei a utilizar uma das unidades do metrô numa estação que passo quase todos os dias. Lá posso pegar livros e mesmo devolver aqueles que peguei em outra unidade. Quando quero algum livro que está emprestado, reservo pela internet e quando ele está disponível me ligam e me mandam e-mail para avisar e tenho uma margem de vários dias para passar e buscá-lo.

O sistema é parecido em bibliotecas de várias cidades da França, por isso não é raro encontrar muitos CDs de música copiados nas estantes da galera da nossa geração – tudo pego emprestado nas bibliotecas na época de estudante. No meu tempo eu alugava CDs numa locadora e gravava em K7, depois fazia cópia no computador. Apesar da era do mp3 ainda vejo muita gente, principalmente mais velha, saindo da biblioteca com pilhas de CDs. Além de livros de literatura é possível levar para casa livros de gramática e guias de viagem, por exemplo. Quando fui à Barcelona usei um guia emprestado da Alcazar. A biblioteca tem também um espaço para leitura de jornais e revistas e a carta de sócio dá direito a usar a internet também, se não me engano é 45 min por dia.

A façada em estilo Art Nouveau