You are currently browsing the tag archive for the ‘línguas’ tag.

 

Ano passado eu fiquei três meses na França e não aprendi francês. Fiz um mês de curso intensivo numa pequena associação que tinha como objetivo nos colocar a falar a língua, que é a parte mais difícil do francês. Mas naquela época até entender era complicado para mim, quando estávamos entre amigos, aquela conversação toda parecia uma massa só de palavras, sem pausas, sem emendas e minha cabeça desligava ou eu ficava numa conversa paralela em inglês.

Aprendi o básico, mas insisti no inglês, até porque teve uma vez que fui comprar crédito para meu celular e tentei pedir em francês e ouvi: Do you speak english? (ninguém acredita quando conto essa história, já que os franceses tem fama de não gostarem de falar outra língua). Derrota total! Sem contar que todos os dias eu ia na boulangerie, pedia “une baguette” e lá vinha a pessoa com três! Como se une é bem dieferente de trois??! Acontece que pronunciar esse “u” com biquinho e tem o “u” sem biquinho, não é tão fácil quanto parece. Ah e claro que teve mais de uma vez que eu perguntei se a pessoa falava inglês, ela respondeu yes e depois continuou falando tudo em francês.

Resumindo, meu inglês que desenvolveu pouco em Londres em 3 meses morando com brasileiros, desenvolveu mesmo na França, onde eu acordava e dormia falando inglês. Que aliás, pode se tornar uma língua maldita quando você está em qualquer outro país tentando aprender outra língua, pois afinal, tem sempre algo a recorrer.

Ao voltar para o Brasil parece que então minha cabeça estava pronta para aprender français, não sei explicar como, mas comecei a fazer exercícios mentais pensando em francês (coisa que eu fazia quando comecei o inglês), assisti a todos os filmes em francês que tive acesso e quando o semestre começou, entrei num curso regular, com aula uma vez por semana, mas já no teste oral me saí bem, consegui entender tudo, tudo mesmo que a professora falou e consegui falar também. Fui para o segundo nível do básico porque tinha muitos tempos verbais para aprender além do presente, mas a professora sempre me incentivava a falar bastante na classe porque os outros colegas falavam pouco, já que não tinham tido uma experiência em países francofônicos.

Neste verão europeu, retornei a Marseille e parece mágica eu poder entender quando as pessoas se dirigem a mim, poder falar, mesmo ainda com dificuldade ou pronunciação incorreta, manter uma conversação com meus amigos (mesmo que eu não entenda 100% das palavras), falar ao telefone, ainda que um pouco nervosa. Mesmo até pedir um sorvete, uma informação na rua, ou melhor, até já dei informação na rua!

E recebi uma amiga brasileira aqui e entre franceses não conseguia mais falar muito em inglês, preferia falar em português com ela e traduzir para o francês, porque minha cabeça agora quando pensa numa outra língua escolhe primeiro o francês. Mas no começo não era bem assim, pois a primeira referência de língua estrangeira que eu tinha era o inglês e um dia na aula eu disse “Je can”! E o engraçado que após aprender uma segunda língua, não faço mais aquele exercício de pensar em português, traduzir e depois falar. Com o inglês era assim, depois ele saía direto. Com o francês já saiu fluindo. Já o espanhol, ah esse se foi. Não consigo mais articular nada além dum hola, que tal…

Sabe aquela cena do filme Amélie Poulain em que ela atravessa o ceguinho e vai narrando tudo que acontece ao redor? Quando ela o deixa ele está iluminado, como se pudesse enxergar. É assim que me sinto desta vez. Claro que não sou ingênua, como o cego que não voltou a ver, também sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Aprender a gramática, pronunciar bem as palavras, desenvolver bem as frases, aumentar o vocabulário… Mas saí do Brasil no nível básico e cheguei aqui num nível já intermediário. E o melhor foi o “bravo” de meus amigos.

E revendo essa cena, outros detalhes que ficaram de fora no post Na França de Amélie: as provas de melão na feira, o poulet rôti (frango assado), as charcuterie, espécie de açougue que só vende produtos a base de carne de porco. Ainda preciso descobrir le Pierrot Gourmand.

*Ver, ouvir e falar

Anúncios

Em homenagem a todos estudantes de francês! En l’honneur de tous les étudiants de français!

*

Foto tirada no ” Le Panier”, vieux Quartier de Marseille, o bairro mais antigo de Marseille

* Fale mais alto

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 24 outros seguidores

Twitter

Principais mensagens

Top Clicks

  • Nenhum

Blog Stats

  • 244,621 hits
setembro 2017
S T Q Q S S D
« maio    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930