You are currently browsing the monthly archive for março 2006.

Mas por que você escreve?

– Cá entre nós, meu caro, eu não descobri ainda outra maneira de me livrar de meus pensamentos.

Trecho resumido do texto 93 do Livro II de A Gaia Ciência, de Friedrich Nietzsche.

Anúncios

Terça, dia 28 de março foi o meu dia… Dia do Diagramador!

Faz dias que quero postar isso aqui. Agora com a queda do ministro Palocci não tenho mais desculpa para deixar de falar.

Eu fico espantada com histórias como essa do tal Francenildo. Sem nem entrar nas questões éticas, ou melhor, não éticas, é impressionante como a vida real nos passa a frente com enredos inverossímeis.

Me refiro a história do provavel pai biológico ter depositado a grana para ele, admitir isso e não confirmar a paternidade. Se a história é mesmo verídica achacou com essas famílias e trouxe à tona verdades ou mentiras com requintes folhetinescos.

Outro caso que me impressionou muito foi o do Pedrinho e da sua irmão Jamile… Por uma disputa de heranças se descobriu outra história cinematográfica, que não foi à toa que virou mesmo tema de novela, como Senhora do Destino.

Esse brasileiro não vai ao espaço. Estou dizendo isso há dias quando não pára mais de sair no jornal matérias sobre ele… e acaba sempre caindo nas minhas mãos… até porque diagramo o caderno de ciência. Lembram da Daiane dos Santos? Falaram, falaram… e ela não decolou.

Alguém disse que ele é tão chato que resolveram mandar para o espaço. Começo a concordar. Só falta morrer e acabar rendendo plantões extras.

“É preciso ter estômago frio para amar. Como se desprender e se entregar sem se deixar envolver…”

Assim começa um post muito legal do blog Hotel Básico. Daí comentei algo que quero compartilhar aqui.

Eu adorei esta contradição na frase, que serve também para quando a gente quer se envolver.

Dizem que todos nós vivemos nesta busca obstinada do amor porque pelo menos uma vez o sentimos… quando fomos concebidos. Acho isso muito bonito.

Não procuramos por algo que não conhecemos, queremos ter esse sentimento sublime de novo… e talvez isso explique algumas pessoas serem tão sem futuro, marginalizadas, a violência… porque com a banalização do sexo e até do amor, tem muita gente sendo concebida sem sentir o dom supremo.

A mulher começa a se despir pelos brincos.

Eu ganhei o novo CD da Marisa Monte, Infinito Particular. E embutido veio um particular infinito.

O disco todo é muito bom. Mas me identifiquei muito com a música título:

Eis o melhor e o pior de mim

O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate

Não é impossível
Eu não sou difícil de ler

Faça sua parte

Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Em alguns instantes

Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara

O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder

Olha minha cara

É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo

A água é potável
Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

(Composição Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown)

O Márcio Pinheiro me passou um texto seu explicando os entrelaçamentos que fazem o mundo parecer pequeno demais. Aí está a teoria que dizem ser a sistemática utilizada pelo orkut.

A seis passos de Gisele Bündchen

Que o mundo é pequeno, todos sabem, até por abusarem desse clichê para definir situações cotidianas, coincidentes ou não, sobre a proximidade de pessoas aparentemente distantes. O pioneiro a levar a sério a afirmação foi o psicólogo Stanley Milgram que em 1967 incumbiu 200 pessoas em Omaha, Nebraska, e 100 outras em Boston a localizarem determinadas pessoas através dos seus conhecidos. Milgram fornecia apenas o nome e a profissão, nada mais, e observou que seus investigadores passaram por uma média de seis etapas até chegar aos investigados. O estudo de Milgram virou uma teoria “six degrees of separation” (“seis degraus de separação”), algo até próximo de uma lenda urbana, que postula que todas as pessoas no planeta inteiro estão conectadas por uma rede de seis pessoas – de Osama Bin Laden a Júnior Baiano, de Michael Jackson a Gaúcho da Fronteira, de você a Gisele Bündchen.

A tese deu origem a uma peça do dramaturgo John Guare, que fez sucesso na Broadway no começo dos anos 90, e a um filme, “Seis Graus de Separação”, com Will Smith, sobre a história (verídica!!!!) de um ladrão que se apresentava como sobrinho de Sidney Poitier e conseguiu por um tempo freqüentar a alta sociedade nova-iorquina.

Mas se a tese de Milgram se mostrou verdadeira há três décadas, agora, com o e-mail, ficou mais fácil de ser comprovada? Não necessariamente. Um estudo da Universidade de Columbia mostra que mensagens eletrônicas enviadas de um ponto a outro no planeta precisam quase sempre passar por uma rede de aproximadamente seis pessoas. A pesquisa reuniu mais de 60 mil voluntários que se inscreveram para participar do projeto pela internet e que deveriam tentar enviar e-mails para uma entre 18 pessoas indicadas em 13 países. Assim como na pesquisa feita nos anos 60, a mensagem não podia ser enviada diretamente ao destinatário. Os participantes tinham que enviá-la para alguém conhecido que achassem que pudesse ter relação com o alvo dos e-mails.

Das mais de 24 mil correntes iniciadas, apenas 384 conseguiram chegar aos seus destinatários. E o que foi decisivo para o sucesso ou fracasso das cadeias, segundo o estudo, não foi a distância do alvo (geográfica ou social), mas o interesse e a boa vontade das pessoas em continuar repassando as mensagens.

Sites recomendados:
http://smallworld.columbia.edu/
http://us.imdb.com/title/tt0108149/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica

Eu já disse aqui que o mundo é pequeno demais ou a gente que circula muito. Também disse que como se não bastasse esse mundo pequeno, jornalistas sempre andam em bando.

Dias desses trabalhei no Segundo Caderno e ouvi o Márcio Pinheiro perguntando para o Luis Bissigo que jornalistas do centro do país tinham vindo a Porto Alegre para entrevistar o Santana, que fez show aqui no dia 15. No dia seguinte entro no blog do Antônio Carlos Miguel, d’O Globo e vejo este post com foto do Márcio e tudo. Daí entro no blog da Cássia, a digníssima esposa do Márcio, citada inclusive pelo Miguel e lá está a foto do meu colega. Comento em O dia se espatifa e rende esta teoria:


Não é só o mundo que é pequeno. A blogosfera também!

Fui ontem no legal Outback Steakehouse, o restaurante que tem temática australiana. Pedimos a famosa Ribs on The Barbie. Quando as costelinhas chegaram, desenrolamos os talheres que estavam no guardanapo e não pude deixar de fazer uma associação. Os talheres eram enormes, a faca, quase um facão. Aí lembrei do Chuck Norris e este monte de pérolas aí que criaram dele que me fazem rir como uma boba. Chuck Norris deve freqüentar o Outback e Chuck Norris não comeria costelinhas de porco com uma simples faquinha de pão.

It’s a beautiful day
The sky falls and you feel like it’s a beautiful day
Don’t let it get away

Está um lindo dia, o céu desaba
E você sente como se fosse um lindo dia.
Está um lindo dia,
Não o deixe escapar…

E se amanhã não sabe… o que importa é mesmo o presente.

O presente de estar aqui. O presente do tempo corrente. O presente como situação simultânea do momento da enunciação. O dom, a dádiva. O presente de ganhar algo especial, um mimo, brindar!

A vida é mesmo agora!

Eu queria que sentimentos fossem certeza.
Mas daí, eu penso, que graça teria?

Só conseguimos surpreender nossas próprias reações pelos sentimentos. Quando nos tocamos, por exemplo, a pele já está esperando por isso pelo comando que o cérebro recebe e não sentimos cócegas ou arrepio. Acho que isso prova que as emoções vêm mesmo do coração, por mais absurdo que posso parecer.

Mas não há como negar que por mais dúvidas e incertezas que alguns sentimentos provocam, nada se compara ao leve tremor no coração, esse caminhar no abismo (ou quem sabe, no paraíso?) com um sorriso nos lábios, os devaneios sem que se esteja dormindo ou com febre.

Eu sinto meu coração bater, não apenas para bombear o sangue, eu o sinto vibrar quando quer me tirar o folêgo. E não há lágrima no mundo que derrube o meu desejo de senti-lo assim.

E nunca estive tão leve, feliz, despretensiosa e pretensiosa ao mesmo tempo, esperando ver no que vai dar e aproveitando cada instante. Se me falam dando, eu digo: dando certo!

Eu sinto que escrevendo aqui é como se eu estivesse editando a minha própria vida.

Eu edito minhas ações, minhas idéias, meus pensamentos. Tudo que está aqui não é nem 100% verdade, nem 100% mentira. Eu me permito aficcionar algumas coisas, exagerar em outras ou diminuir algumas. E mesmo assim eu ainda sinto que aí está minha vida numa rede aberta.

Em editar algumas coisas, preciso ter sangue frio como todo editor que às vezes corta a matéria de alguém ou dá na manchete algo que não tem tanta importância porque ele precisa anunciar algo como prioridade. Mas o meu sangue frio aqui é ter desprendimento suficiente para não me importar com o olhar ou julgamento do outro.

Por sentir liberdade em escrever deliberadamente e terminar um post, por exemplo, com uma frase do Nelson Rodrigues que eu não concordo, mas que acho genial e que dá um efeito legal de conclusão.

No final das contas eu acho que é sempre assim mesmo. Eu me vejo de um jeito que ninguém mais me vê e cada um faz sua edição do que pensa a meu respeito. Assim como não existem fatos e sim versão dos fatos, nós também não existimos. O que existe é o olhar, o ponto de vista, a visão de Melinda que cada um faz de si e dos outros.

Talvez você saiba de pessoas, à sua volta, que devem olhar para si mesmas apenas de alguma distância, a fim de se achar suportáveis, ou atraentes e animadoras. O autoconhecimento não lhes é aconselhável.

A Gaia Ciência, Friedrich Nietzsche.

Conheço o espírito de muitos homens
Mas não sei quem sou eu mesmo!
Meu olhar é demasiado próximo de mim –
Não sou o que vejo e o que vi.
Eu seria de maior proveito para mim
Se de mim pudesse estar mais longe.
Não tão distante quanto meu inimigo, claro!
Já o amigo mais próximo está longe demais –
Mas entre nós dois há o meio caminho!
Advinham vocês o meu pedido?

A Gaia Ciência, Friedrich Nietzsche.

Os sinos dobram
Dobram a esquina radiante
O céu espia mais azul que antes

Tudo silencia
Ouço só meu coração…

Fragmentos da música Flores no Asfalto, do Zeca Baleiro

A formiguinha noturna que habita dentro de mim se manifestou e tive que comer um chocolate. Comprei um bombom Serenata de Amor, esse que agora vem com mensagens de amor. A insensível aqui quase a devorou junto. Mas quando fui ler me espantei: “Felicidade é a certeza de que somos amados apesar de sermos como somos.”

Puxa vida! Que todo mundo quer ser amado do jeito que é, isso sim. Mas esse “apesar” aí dá a impressão de que a gente se dê por contente quando alguém nos ama já que não somos grande coisa.

Nénão?

Dando uma olhada na procedência dos meus visitantes, descobri que uma mulher da Malásia já esteve por aqui. Ela está grávida e cobre a cabeça com lenços. Deve ter uma vida muito diferente da minha. Mas aposto que deve ter coisas parecidas.

Com isto, lembrei de um comentário que uma professora fez em aula. Ela leu numa revista que uma mulher oriental, não sei a nacionalidade, dessas que usam burca ou lenços para se cobrir, disse que não compreendia as mulheres do ocidente. Na hora todas nós estranhamos. Porque somos nós que não entendemos como elas podem levar aquela vida. Ao que ela respondeu a justificativa usada pela mulher: as ocidentais precisam trabalhar, cuidar da casa, criar filhos… e isto parecia para ela muito desgastante, muito sacrficado. Assim como é para nós algumas coisas que a cultura de seu povo as impõe.

Depois disto passei a respeitar mais. Claro que há muitos absurdos, como aquela mulher que sofreu estupro coletivo. Mas isso vai além dos limites, até para elas. Tanto que alguém resolveu ir atrás de seus direitos.

Mas de qualquer forma não troco a minha vida de mulher ocidental: às vezes escreva do trabalho, do sistema, algumas até dos maridos e filhos, mas livres. Carregam nos ombros apenas o peso de nossas escolhas.

Como não mudou nada do ano passado para cá, linko o texto que escrevi ano passado sobre o Dia Internacional da Mulher. Até porque quando o achei, reli o texto do Cardoso, e esse sim vale uma releitura.


Sexta passada fui ver a exposição do Joan Brossa – De Barcelona ao Novo Mundo, no Margs. O artista trabalha com poesia visual, poemas objetos e mais algumas coisas que vocês podem conferir no site dele.

Não gostei da obra Nupcial (aí ao lado). Claro que reconheço que a idéia é legal, mas me irrita essa idéia de que para os homens o casamento ou relacionamentos são uma prisão.

Eu poderia interpretar a obra de um ponto de vista bem feminista: se o homem se algema quando casa, a mulher, ao menos no ponto de vista do Brossa, está livre, leve e solta.

Mas a minha conclusão é que se duas duas pessoas não se sentirem livres uma com a outra não podem viver sob o mesmo teto ou sequer compartilhar bons momentos juntos.

Uma vez a Martha Medeiros disse que uma mulher interessante é uma feia com pós-graduação.

Conversando com uma pessoa jovem, que é motorista e já casado e com filho, cheguei a conclusão de que:

Quanto maior o grau de instrução, mais chance de ficar encalhado (a).

Por falar na teoria acima, recomendo este texto, principalmente aos meus amigos e amigas, do Fabrício Carpinejar: Não me apresente aos amigos

Começa assim: “Amor não é caridade, nem filantropia”.

Eu já escalei as montanhas mais altas
Eu já corri através dos campos
Só para estar com você

Eu corri, eu rastejei
Eu escalei os muros da cidade
Estes muros da cidade
Só para estar com você

Mas eu ainda não encontrei
o que estou procurando

(I Still Haven’t Found What I’m Looking For – U2)

Eu não encontrei EM você e nem DE você…

Ando sem tempo e sem concentração para TEXTUALIZAR as exquisioTeorias que andam ocupando minha mente nos últimos tempos. Para não perder os assuntos de vista fiz uma pauta. Constam dez itens. Aguardem.

“… por isso se acredito no futuro da humanidade é porque sempre haverá uma canção inédita dos beatles. amanhecendo não faço parte do final do mundo, contudo me identifico com a maioria das coxas, amo tudo que é estranho, só confio em exceções…”

Regurgitofagia – Michel Melamed

Foi esta a frase que separei do livro que citei neste post. Eu comecei a me interessar pelo Melamed quando o Daniel me passou exatamente este trecho por msn. E mais um outro que publico futuramente.

Para mim, a materialização da liberdade é dirigir em alta velocidade numa estrada deserta ouvindo música clássica ou uma ópera. Mas dessas músicas animadas, que inflam o alma e elevam o espírito.

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 24 outros seguidores

Twitter

Principais mensagens

Top Clicks

  • Nenhum

Blog Stats

  • 244,621 hits
março 2006
S T Q Q S S D
« fev   abr »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031