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Dirigir é padecer no paraíso.

Seu horário nunca é cedo aonde estou
e quando escondo a minha olheira
é pra colher amor

Na Estrada – Marisa Monte

… e não fiz.

Quinta-feira fiz uma aula prática de auto-escola. Condição imposta pelo meu pai para me entregar meu carro. Faz muito tempo que tenho carteira de habilitação, definitiva, tanto que vence em janeiro próximo, mas prática zero. Já andei um pouco aqui e ali, mas nunca na Capital, que tem um trânsito um pouco mais acalorado do que Sapucaia do Sul ou a freeway.

Pois bem, didática, escolhi fazer o trajeto casa-trabalho e no percurso, passando pela avenida Erico Verissimo o nobre colega está atravessando a rua fora da faixa de segurança. Mas como boa motorista, mesmo que iniciante, respeitei o pedestre.

Já faz uma semana que ele entrou na minha vida. Mas só o conheci hoje. Ele tem quase a mesma idade que eu, parece seguro e enxuto. Acho que vamos nos entender.

Meu pai quem escolheu, porque entende melhor dele. Vai chegar numa hora em que estou precisando muito… é o meu primeiro carro.

Pois é, desde que a empresa cortou de me levar pra casa, apressei os planos e comprei o que deu com a grana que eu tinha para não ter que fazer mais a loucura de ir para casa de ônibus depois das 22h30min.

O dia hoje foi cansativo. Fui até Sapucaia de ônibus e trem buscar o Uninho. Na chuva. Mas certa de que não precisarei passar por isso de novo (odeio andar a pé em dias de chuva). Dirigi das 11h até às 16h, com intervalo de 1h para o almoço, tudo para adquirir prática ao volante. E mesmo assim, só sairei da minha garagem porque o pai deixou o carro de frente, depois que eu entrar nela novamente, não sei quando conseguirei sair de ré. Mas eu me supero, ah se me supero!

Hoje saí de casa às 9h para trabalhar. Um bom horário, não é muito cedo e assim eu não durmo tanto. Tem feito dias lindos, ensolarados e com temperatura agradável. Enquanto esperava o ônibus fiquei pegando um solzinho, escutando uma das novas músicas do Jack Johnson no meu radinho de pilha (que é minha nova mania nesses tempos de iPod) e olhando a grama do pequeno parque que tem em frente. Adoro essa combinação gramado e sol. Também gosto de andar no ônibus olhando a paisagem. Tenho o privilégio de morar perto do Guaíba e quando o coletivo desce a Pinheiro Borba a gente vê lá de cima o rio espraiado, como se não tivesse rua do outro lado. Já vi barco à vela, navios… às vezes me parece surreal. Sentirei falta dessas coisas agora que estarei motorizada (essa história ainda não contei aqui).

Mas voltando ao ponto de ônibus embalada pelo Jack Johnson, curtindo o sol… senti uma sensação tão boa. Vi beleza na singela praça banhada de sol. Senti como são bons os dias e que momento maravilhoso estou vivendo, não só pelo amor, mas por tudo. Percebi que essa história de que felicidade são momentos é mesmo verdade, mas se a gente consegue transpor esse sentimento para os dias aí se tem uma vida feliz. E isso é o que importa.

Agora o Fabuloso Destino de Fernanda Souza está completo!

O meu Nino Quincampoix me encontrou!!!!

Pois tenho problemas! O chá de coca me deu um leve pesar nos olhos e não me deixou nem um pouco animadinha… normal. O mesmo aconteceu quando tomei Red Bull uma única vez (nem preciso dizer porque não tomei mais, né?!).

Talvez faça efeito se eu tomar de manhã, quando o sono sempre me persegue, por mais que tenha dormido.

Mas é bom, tomei bem docinho. Só não gostei do cheiro.

Com este presentinho providencial aí, que meu namorado me trouxe do Peru, vai ser mais fácil encarar a dupla jornada.

E por falar nisto, se você ainda não viu, não deixe de ler a matéria que ele fez sobre a terra dos cocaleiros.

Eu queria um chá da Bolívia, pois me parecia mais autêntico. Mas não havia industrializado… e poderia dar problema se ele “exportasse” as folhinhas…

Ah… ainda não provei para ver se “ejerce una acción estimulante, ayudando a combatir la fatiga y el stress. Facilita la digestión y actúa en contra del mal de altura”, como diz na embalagem.

Fomos no cinema sábado. Assistimos Um Herói do Nosso Tempo, nosso primeiro filme na tela grande. A motivação inicial foi esta. Unindo horário conveniente e o artigo do Moacyr Scliar no Cultura, e claro, o gosto que sei que ele tem pelas causas internacionais.

Pois o filme é surpreendente. De uma qualidade cinematográfica e fotográfica inesperada. Além da história bonita, comovente, profunda. E eu que andava meio que pendendo para as tradições judaicas, que acho interessante, tive oportunidade de aprender um pouco mais sobre isto. Mas em todo desenrolar da história, a única mensagem que fica é que o amor é o mais importante. E aí fica explicado as diversas lágrimas que rolaram no rosto de todos aqueles que estavam na sala. Só não consegui ver do senhor que ria alto nas cenas engraçadas. Vai ver ele saiu correndo não querendo ser visto aos prantos.

Sexta-feira passada, vou até o bar jantar entre o trabalho de uma edição e outra e uma rodinha conversa animadamente: Claudio Brito, Paulo San’tana, o Kadão e mais alguns que não lembro. Quando o Claudio Brito abriu os braços e começou a cantar alto prestei atenção neles. O papo seguia… relembravam velhos tempos. Coisas diversas, assim como nossa geração relembra os anos 80, dizendo lembra do Atari, do Pogoball, do bilboquê? Pois bem, eles falavam de coisas béeem mais antigas, tipo de 1958. Comentei com o Luiz Domingues que eles estavam falando de coisas de uma época em que nem minha mãe era nascida! Ele pediu que eu repetisse pra eles o comentário pois era bem pertinente. O San’tana olhou para minha cara de fedelha e balançou a cabeça e o cigarro afirmativamente. Como eles estavam obstruindo a entrada, pedi licença para passar naquele túnel do tempo e voltei ao trabalho.

Domingo, quando estou terminando de ler o jornal me deparo com a coluna do San’tana, relembrando os bons e velhos armazéns. A maioria das coisas que ele escreve me levam aos meus tempos de criança! Sim, as vendas, onde eu comprava cera em pacotinho pra mãe. Eu vivi muito dessas coisas. Meu avô materno teve armazéns a vida toda e dos sete filhos, pelo menos cinco deles tiveram uma venda também, inclusive meus pais, antes de eu nascer. Mas quando eu ia visitar o vô ou o tio Hélio, era no armazém que eu ficava. Adorava ajudar a atender os clientes e enfiar os dedos igual a Amélie Poulain nos sacos de grãos. As meninas disputavam para ficar atendendo na parte de brinquedos e miudezas. Mas o grande mérito era quando o vô ou o tio nos deixava ficar no caixa. Aí sim, os outros primos ficavam com a cara no chão! Tinha que saber dar o troco e todo mundo queria colocar a mão na registradora. Aquelas antigas, de manivela. A única coisa que eu não gostava era de ficar na balança. Até hoje não sei como funcionava quando passava de não sei quantos quilos e nem calcular o valor sobre o peso. A única coisa legal nesse balcão era uma engenhoca que o tio fez para a caneta não sumir dali. Era amarrada num barbante e ficava sobre a cabeça. Quando precisava usar, era só puxar que um pesinho lá na ponta fazia o serviço.

Essa coluna me transportou há tempos remotos, que eu nem recordava mais… Continua tendo muita coisa que nunca ouvi falar, tal como na conversa que descrevi no início do post, mas tantas coisas que eu conheci e nem lembrava mais: Detefon, Boa Noite, Biotônico Fontoura (tá esse é inesquecível e traumático), cera Parquetina!

Este trecho: ” quando incomodamente o bodegueiro interrompia o meu sonho de consumo, com autoridade eu lhe pedia que me desse um mandolate e três ou quatro unidades de bala de goma”… pois na nossa época se dizia assim: “Tio, me vê tudo de bala!”…

O colunista justifica estar lembrando de todas essas coisas porque “sobrevém uma deliciosa nostalgia dos tempos de guri”. Pois na sexta, quando passei naquela rodinha, jamais poderia imaginar que as lembranças do meu tempo de guria também têm semelhanças como as do Sant’ana.

Quanto mais em conta, mais burocrático.

Eu tento manter um certo padrão aqui no blog. Tenho um manualzinho de redação dele, aqui na minha cabeça. Uma das coisas que eu veto é escrever “haha”, “hehe” nos posts. Nos comentário tá liberado.

Mas não é de hoje que a linguagem da internet vem mudando um pouco a linguagem da mídia tradicional. Já vi entrevistas com palavrões e formas bem coloquiais, em revistas como a Tpm. Mas me causou estranheza, mais do que as reticências usadas numa matéria para não publicar palavrões de parlamentares, o “hahahah” que saiu no Bom dia da página 3 de domingo de Zero Hora.

Recebo os papéis do plano de previdência privada da empresa hoje. Vou dar uma olhada, só por curiosidade, porque não entendo quase nada e pelo que me explicaram certa vez, não vale grande coisa, não ao menos que eu seja promovida a um cargo muito mais alto. Olho o formulário e meu estado civil está como casada.

Tudo bem que meus pais não tenham me convidado para o casamento deles, mas não me chamaram para o meu? Quando foi que eu não sei?

Espero que o status esteja valendo também para o seguro de vida, que vale mais para os comprometidos legalmente.

16h25min
Estou no bar tomando um café para repor as energias para a segunda jornada de trabalho e escuto uma explicação criativa sobre o que é fio-terra (no mau sentido, é claro).

Continuando a série de hábitos que estou mudando ou retomando:

• Voltei a ler o jornal quase de cabo a rabo, diariamente.

• Estou escutando a Gaúcha, ao menos de manhã cedo.

E agora tenho que acordar cedo também. Além de trabalhar a noite, estou trabalhando de manhã até final de maio. Ainda não me mudei para a Redação, mas estou quase!

Se eu não aparecer muito aqui vocês já sabem. Além da jornada dupla ainda tem as aulas de História da Arte e o Inglês que a custo (além do choro, também R$ 38,00) consegui trocar para o fim de semana, pois nos outros dias de tarde eu teria que ir duas vezes até o curso e faltar a reunião de pauta da editoria.

É… acho que hiperatividade pega!

Fui no supermercado neste sábado só porque não tinha nada em casa para comer. No estacionamento já não tinha nenhum dos milhares de carrinhos. Dentro do hipermercado também não. Foi só se aproximar da entrada para ver o porquê. Trânsito mais caótico que o de São Paulo. Tive que encarar. Não haviam cestinhos também. Resolvi tomar o voltante de um carro que achei perdido. Nem preciso dizer que estava torto…

O motivo do estabelecimento estar lotado, além de ser sábado, é a proximidade do feriado de Páscoa. Daí lembrei que eu também precisaria fazer as compras da Páscoa! Mas resolvi deixar isso para o final.

Já no primeiro corredor, estava escolhendo sabonetes e ops, melhor colocar algo dentro antes que alguém leve meu carrinho. Fui pechando nas pessoas, todo mundo parecia que estava naqueles carro auto choque de parque… Peguei uma maçã, mas desisti de levar quando vi a fila para pesar. Entrei no corredor de iogurtes e eis que estão anunciando uma promoção relâmpago: o Molico estava pela metade do preço. Vi o povo se atirando pra dentro do carrinho onde estava o produto. Gente que nunca se preocupou em tomar iogurte ligth levando aos tubos. Resolvi pegar também. Afinal estava me molhando numa chuva que nem resolvera entrar. Tinha sobrado só um tal de morango com calda de chocolate. Não me pareceu light mas dizia 0% de gordura…

Tumulto para sair deste corredor porque tinha gente querendo entrar e outros sair e quem queria entrar impaciente porque ia perder a promoção e nem tinha mais nada mesmo… Depois do inferno para conseguir voltar para a outra ponta do corredor e escolher os ovos de Páscoa, hora de encarar a fila. Nem andei muito. Primeiro porque não dava, segundo porque estavam todos os caixas cheios. Parei no mais próximo de onde eu estava e que também ficava perto da minha saída. Por sorte a Revista Veja não estava lacrada e fiquei lendo tranqüilamente… e li boa parte da revista. Larguei quando estava chegando minha vez, mas que muvuca armaram as mulheres que estavam na minha frente. Passaram as compras separadas, mais uma demora por causa da maldita promoção de uns coelhinhos ridículos, até que sou atendida!

Mandei a mulher deligar a porra da esteira traseira porque ia quebrar meus ovos de Páscoa. As pessoas atrás de mim já fazendo pressão para que eu saísse logo (sendo que meu carrinho não tinha mais que uns 20 itens e tinha gente com dois carrinhos).

Bom, enfim, compras registradas, tinha que esperar o fiscal liberar a promoção dos iogurtes em promoção que inventei de pegar antes… Demora daqui, demora dali, saio um pouco para buscar aqueles sacolões para colocar todas as sacolas e facilitar o carregamento. Quando volto tem uma mulher resolvendo um problema da fatura do cartão dela no meu caixa! Mais atraso… Quando finalmente vou pagar, passo três vezes o cartão do Banrisul e nada. Aí no auto falante informam: atenção senhores clientes, o sistema do Banrisul está temporariamente fora do ar!

Por sorte eu tinha outra forma de pagar… o que é raro! Resultado: entrei com sol alto no súper e saí noite. Mais de duas horas dentro daquele inferno, paraíso do consumo.

Reparei que eu consegui mudar alguns hábitos:

• Estou lendo no ôbinus com mais freqüência (antes só conseguia ler no trem).

• Me livrei do vício da televisão. Praticamente não assisto mais. Noticiários, no máximo, muitas vezes, só ouço mesmo. Mas as novelas abandonei em definitivo. Até o Vale a pena ver de novo que era a única que eu podia assistir.

Agora só falta mudar os piores hábitos e passar a me alimentar de maneira mais saudável, voltar a fazer uma atividade física e dormir menos e melhor.

Não tem pra ninguém. Humala é a maior mala da nossa história!

Eu não sei se isso é bom ou ruim, mas de vez em quando sou surpreendida por mim mesma. Uma bobagem, talvez num momento diferente, destrói toda a fortaleza que sou em situações bem mais difícieis.

Talvez seja o acúmulo e aí qualquer coisa seja a gota d´água. Talvez seja felicidade demais e esqueci de ver que podia ter alguma coisa ainda frágil em mim.

Fato é que cada dia eu me desconheço mais e me admiro com as reações que sou capaz de ter.

Quem eu sou é uma pergunta que me faço todos os dias. Também tenho mimfobia, mas me encaro todos os dias.

E agora mesmo estou escutando aquela música que diz: “Eu não vim até aqui pra desistir agora, se depender de mim eu vou até o fim”, e é essa visão que eu tenho da vida, eu sempre acho que é melhor pagar pra ver.

Quando eu andava pelos corredores da biblioteca da Unisinos, que tem seis andares envidraçados, eu pensava em quantas vozes, quantas idéias, teorias e ideologias existe ali dentro…

Passear por esses corredores era como ouvir diversos pensamentos que saem dos livros…

E de certa forma o Kiefer está fazendo isso na foto aí.


Eu vi essa foto do Charles Kiefer no Segundo Caderno de hoje e lembrei de um dia que eu estava almoçando com a Maíra, filha mais velha do escritor, que foi minha colega de trabalho e falávamos da adolescência. Ela confessou que tinha vergonha do seu quarto, que era uma extensão da biblioteca do pai. As amigas tinham os quartos rosinhas, com bichinhos de pelúcia e ela dormia em meio aos livros. Já eu fiquei com inveja. Nem sei de onde tirei o gosto pela leitura já que nunca viu meus pais com um livro na mão que eu não tenha lhes enfiado.

Hoje, mesmo tendo além do meu próprio quarto, também a minha própria sala, os melhores dos meus cento e poucos livros ficam na cabeceira da minha cama e só sairão de lá o dia em que eu tiver uma biblioteca de verdade.

Em 1 ano e 46 dias este blog alcançou a marca de mais de
10 mil visitas.

Obrigada a você!

Notaram que não tenho mais falado tanto das coisas do meu dia-a-dia aqui?
É que agora tenho com quem compartilhar os dias…

Mas claro, continuarei fazendo aquela edição não deixando de contar um filme legal que eu tenha assistido, um livro que li, uma música… sem contar as teorias, pois como diz Nietzsche (eu estou lendo A Gaia Ciência, que já fiz referências aqui) eu também não descobri melhor maneira de me livrar dos meus pensamentos do que escrever.

Não bastasse este astronauta atrasar a nossa vida na quarta`, com a sua saída da órbita, em plena sexta-feira, com edição de sábado e domingo do jornal para ser feita em uma noite só, com um bimotor que desaparece e tumultua tudo, ainda a tal nave vai acoplar!!!! E o povo aqui na redação assistindo… tudo parado…

Tem coisas bem melhores para ser feita numa sexta a noite, nénão??

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