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Na estrada retornando da praia e pensando no que escrevi aqui sobre não estar com saudades da minha casa, me dei conta de uma coisa: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar.

Quando cheguei em casa e pensei nos compromissos da semana, percebi que ainda estou carregando a agenda do ano passado na bolsa. E então me dei conta de outra coisa: minha vida este ano não tem planos pré-estabelecidos. Minha vida está imprevisível.

E gostei das duas constatações, pois ambas são benéficas para o planejamento maior que está regendo o meu momento e a palavra do ano para mim: desprendimento.

Sempre fui de raízes, de ter o meu cantinho bem definido, com minhas coisas bem separadas, mesmo quando dividia o quarto com minha irmã. Depois que passei a ter minha própria casa então!

Sempre adorei comprar agenda e eu mesma é que tinha que escolher, nunca gostei de ganhar de presente. Todo fim de ano era o mesmo ritual: olhava várias até escolher a perfeita, comprava uma caneta nova, preenchia os dados e os primeiros compromissos do ano.

Agora tudo está diferente. Eu já nem sei muito que valores e regras eu sigo. Está tudo mutável, dependendo do momento, do que está por vir. Cada dia uma surpresa e mesmo assim não tenho ansiedade ou expectativas. Só sei que tudo pode ser diferente e eu sigo a correnteza. Me sinto de alma leve e espírito livre, mas  ao mesmo tempo cuidando de mim. E apesar de toda essa aparente confusão, pela primeira vez eu tenho foco.

E enquanto desfazia as malas fiquei escutando Jorge Drexler. Fazia tempo que não ouvia, foi a trilha dessa mesma época de janeiro em 2008. E então veio:

Esto que estás oyendo
ya no soy yo,
es el eco, del eco, del eco
de un sentimiento;
su luz fugaz
alumbrando desde otro tiempo,
una hoja lejana que lleva y que trae el viento.

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2009 termina de um jeito bem especial para mim, pois o novo ano que começa será diferente, não só porque é um ano novo. É o primeiro fim de ano com expectativas de grandes mudanças. E em 2009 já foi o ano em que tudo mudou.

Minha vida começou de um jeito e terminou diferente em todos os setores: amor, trabalho… e um  novo e importante capítulo se abriu: amigos. Não que eu não os tivesse antes e esses continuam na minha vida, porém conquistei novas e importantes amizades responsáveis pelos momentos mais divertidos desse ano. As gurias foram fundamentais para a minha “virada”.

Eu achava que sabia viver bem comigo mesma, mas só agora me sinto assim. Porque não é só sozinha em casa se aturando que a gente percebe isso. Mas também na diversão e se ocupando com as “tuas coisas”, como diria meu psicólogo. Depois de cinco anos na terapia, finalmente aprendi a me ocupar com as “minhas coisas” e não ficar em função do outro. Acho que por isso que posso dizer que vivi bastante coisas nesse 2009. Eu achava que ter alguém do meu lado e amar já era o suficiente para estar vivendo. Não é.

Foi o ano em que fui na academia com regularidade, passei a encarar a terapia com regularidade, voltei a me divertir dançando, tomei meu primeiro cosmopolitan e o ano em que cheguei a conclusão de que eu sofri muito nos relacionamentos, mas o que veio nesses intervalos… ahhhh ainda que fugazes valeram muito a pena, que o digam os franceses!

Foi o ano em que o twitter passou a fazer parte do meu cotidiano e com isso eu também me divirto e conto não só o que estou fazendo, mas agora, o que está acontecendo na minha vida. Meu apê ganhou cara nova e durante a reforma eu voltei a morar com o meu pai, VINTE ANOS depois. E minha mãe perdeu o pai dela e eu vi que não devo repetir o mesmo erro com o meu. Passei um feriadão na praia, minha melhor amiga se casou, derramei menos lágrimas, o blog sofreu uma ameaça de processo. Meu irmão teve uma convulsão e foi internado, negligência que nem relatei por aqui, mas o pior foi o susto de viver o pavor de estar com ele em hospitais novamente. Mas melhor nem falar do que é ruim.

A bicicleta, o presente que me dei no Natal passado, só estou aproveitando agora quando estou tendo o melhor fim de ano em anos!

Desde que sei onde ficou o passado, não vejo problemas em olhar para trás. Afinal é isso que nos faz não repetir erros no futuro. E em um ano repleto de coisas boas, tenho mais é que brindar não só o novo ano que começa, mas também agradecer por tudo que aconteceu em 2009 que me trouxe até aqui!

Não vou fazer listas e resoluções de ano novo. Como adoro boas surpresas, meu único objetivo é ir e deixar a vida me surpreender em 2010.

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Estou olhando Um Lugar Chamado Notting Hill, acho que é a primeira vez que assisto desde o começo e somente a segunda vez que vejo este filme. A música She, da abertura, me lembra  um domingo de março de 2006, quando alguém acordou, viu o sol lá fora de um dia lindo, lembrou de mim e me escreveu um e-mail com a letra dessa música.

Naquele dia eu não sabia que isso seria o começo de algo que mudaria minha vida, mas não para sempre.

Lembrar de um momento como esse com carinho é a prova de que o que nasceu ali  já morreu.

E já que estou nostálgica, vou postar parte de um texto que escrevi um mês depois para postar aqui e nunca foi postado… São conceitos que tenho que relembrar, pois eu deveria sentir isso sempre, principalmente agora que não tenho a mínima ideia do meu futuro. Acho que até quem eu sou é algo que está meio confuso na minha psiquê. E também porque tudo nessa vida é volátil até que a gente encontre aquele lugar onde queremos ficar para sempre. Até lá, o jeito é viver muitas vidas.

Nas últimas 720 horas da minha existência o tempo ganhou um significado novo para mim. Eu não sei se ele esteve desde sempre comigo, se chegou agorinha e nem quanto tempo vai ficar. Eu não faço mais distinção entre presente e futuro. Eu vivo os momentos, os instantes, o dia, a semana e o mês. E neste curto e longo período de tempo já vivi uma vida!

Finalmente consegui compreender que o presente e o futuro são hoje. Agora, já foi e já é. E dentro de cada dia cabem planos e sonhos do mesmo jeito, mas de uma forma leve. Sem a velha preocupação que me tomava o tempo que eu deveria estar vivendo o que eu estava planejando para amanhã.

Faz um mês que eu sou eu. Até um eu que nem eu mesmo conhecia. Eu faço as coisas que sempre quis fazer, eu ajo da maneira que eu sempre achei que deveria ser. Eu não represento papéis, eu não estou tentando agradar ninguém. E ele está ali do meu lado, do mesmo jeito.

*Agora que o filme terminou consegui concluir o post… fiquei lembrando de onde conhecia a trilha, ela embalou o tal mês. A gente pode não fazer distinção entre presente e futuro, mas sabe muito bem onde fica o passado.

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