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Assisti no fim de semana o filme Na natureza selvagem. Diferente da maioria das pessoas, não fiquei com vontade de ir para o Alasca e tô muito longe de sequer pensar em desprendimento da maneira como ele viveu. E não foi só desprendimento material, mas emocional também.

A verdade é que não me conformo. Não me conformo que ele não tenha tentado atravessar o rio, eu morreria tentando. Ou caminharia, até ver se encontrava o fim, poderia se perder, mas estaria tentando. A verdade é que essas seriam as minhas escolhas. Ele optou por outra, foi a errada. As minhas também poderiam ser. Talvez ter ido para lá foi um escolha errada, mas a vida é assim, se formos buscar razão em tudo, aí já não somos.

Mas não me conformo que ele não tenha vivido um amor, e descobriu que a felicidade só é compartilhada quando completa. Não deu tempo. Não me conformo, pois tenho uma gana de viver muito grande, não desistiria. E ele parecia ter essa gana também. E não me conformo com o destino, acaso… nunca apareceu ninguém, porque duas semanas depois que ele morreu apareceu? Por que não foi antes? Fiquei impressionada e com vontade de ler o livro, pois ele tinha pensamentos bem profundos…

Descobri que essa minha persitência em lutar pela vida – ainda que alguns dias eu vejo ela passando quase que desperdiçadamente – vem de família. Hoje visitei meu avô materno no hospital. Três infartos consecutivos aos 80 e poucos anos, no total cinco em toda sua vida. Estava muito mal na uti. Tive a sorte de hoje encontrá-lo no quarto, bem, fazendo piadinhas, rindo e cobrando que a terceira neta mais velha se case (no caso, eu). O seu coração, que sempre foi considerado fraco, começo a desconfiar que é bem forte.

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No fim de semana que inaugurou, no dia 1º de junho, fui visitar meu mais novo vizinho, a Fundação Iberê Camargo. E logo de cara me rendi ao alvo e imponente prédio do Álvaro Siza. Eu que era daquelas que criticava a arquitetura fechada do português, num privilegiado espaço em frente a uma das vistas mais lindas de nossa cidade.

Júlio Cordeiro

Acontece que toda estrutura do prédio te conduz pela exposição, organizadamente. Quem como eu, que não gosta de perder nada, não precisa ficar indo e voltando para olhar todas as obras, basta seguir em frente, descer os andares pelas rampas e você terá visto tudo linearmente. E enquanto desce, tem a oportunidade de ver a paisagem emoldurada através das janelas quadradas e pequenas nos corredores suspensos e das arredondadas e grandes que envolvem o Guaíba e nos deixa pequenos diante da imensidão das águas. E foi então que me dei conta que aquela paisagem está ali, sempre esteve, emoldurada pelas janelas do meu carro ou alcançando o longe quando passo a pé. Não é preciso a Fundação para que contemplemos o rio. A paisagem do lado de fora é muito mais ampla e bela. E com o prédio, só veio a ganhar status de obra ao ser emoldurada nos pequenos quadros abertos por Siza.

Com isso, o foco do que está lá dentro não se perde. É para ver as obras que entramos no museu e para vê-lo, que para os padrões de Porto Alegre, já é uma obra em si.

Na primeira vez olhei as obras da exposição atentamente, sabendo apenas o nome de suas séries e não entendendo muito sobre toda aquela massa de tinta sobre as telas. E eu só consigo gostar de um artista quando eu entendo, mesmo que os quadros não sejam do tipo que eu colocaria na parede de sala. E aí na mesma semana da abertura, tive uma aula de história da arte na Fundação. E então entendi o veio expressionista de Iberê, mais identificado com o grupo A Ponte, do Munch, do que com o colorido dos fovistas. Minha paixão por Iberê foi crescendo ao ver a Mauren, do setor educativo, falando de como ele pensava em arte 24h por dia e pintava até a exaustão, ficando ofegante com a pincelada gestual e para imprimir com relevo aquilo que queria expressar. Dizia-se não abstrato e que suas figuras eram irreconhecíveis e assim deve ter parecido para a multidão que invadiu o prédio nos seus primeiros dias e que irritantemente posava para fotos em frente as obras como se estivessem num ponto turísitco (não deixa de ser e eu mesmo já fiz isso em viagens, mas pô, ainda que algumas obras da exposição sejam de coleções particulares e dificilmente voltem a ser vistas, a Fundação está aí, para quando se quiser contemplar Iberê).

Pois bem, na minha segunda visita não voltei a olhar todas as obras, mas os detalhes, algumas cores de Iberê impossíveis de serem reproduzidas e que dá vontade de ter roupas no tom. As assinaturas feitas com o cabo do pincel, os lugares onde ele espremeu o tubo de tinta em cima da tela e onde deixou o fundo aparecendo. Moderno, no limite! Como sugere o nome da exposição. E gosto mesmo da arte dos modernos para cá, tirando um pouco do contemporâneo, que às vezes parece passar desse limite, que Iberê respeitou embora, imagina o que não era sua obra aqui no sul, se os modernos já eram um escândalo em todo o país.

A verdade é que aquelas cores escuras constratando com o alvo concreto branco nos envolvem e ali está toda a angústia de um homem que dizia que viver dói. Nos anos 80, volta para o RS e para a figura humana depois de um incidente que o levou a matar um homem. Aí não interessava mais o objeto e “tudo te é falso e inútil…” para nossa sorte, que imprimimos em nossa cultura um grande artista, que ao mesmo tempo que era um pessimista, um artista das trevas, como se dominava, era também alguém que conseguia dar muita vida a quadros inamiados com suas tintas e pincéis.

 Sobre a Fundação, não deixe de reparar nos detalhes. Além daqueles que a imprensa já falou, do cabideiro, sinalização, das cadeiras e luminárias projetadas por Álvaro Siza, tem o ralo de mármore, olhem que diferentes os interruptores onde se acendem a luz dos banheiros. As luminárias das rampas também são interessantes. E não deixe de ir na lojinha. Eu adoro lojas de museus. Não sei como, em três vezes, consegui resistir aos souvenirs, a verdade é que não me decidi por qual comprar. Tudo com a característica bicicletinha do Iberê é muito legal. E claro, ali se pode ver o cabideiro de perto e  a porta-balcão do local.

Na terceira vez em que fui na Fundação só vi mesmo a lojinha. Foi no Dia dos Namorados e de bônus levei o catálago da exposição que já estava de olho. Só falta ir mais uma vez para tomar um café com a iluminação das águas do Guaíba ou com vista para a pedreira e uma outra para sentar nos degraus da entrada e contemplar o pôr-do-sol sob as imponentes paredes brancas.Foto do blog da Fernanda ZaffariFoto do blog da Fernanda Zaffari

 

 

 

 

 

Não colocarei nenhuma imagem das obras. Isto aqui é muito plano para todo o empastelamento de Iberê. Vá e veja de perto.

 

Todos os dias eu tenho coisas para organizar. Tem as coisas do trabalho e de casa. E principalmente, coisas da vida. Pagar conta, ir no banco, ir no médico, marcar dentista, fazer exames, faxinar a casa, providenciar o conserto de alguma coisa, trocar o óleo do carro, fazer unhas, ir no supermercado, ver alguma coisa na internet, ler o jornal… E aí, entre esses compromissos chatíssimos da vida adulta, de vem em quando, fazer alguma coisa para se distrair… mas às vezes até um café com um amigo precisa entrar na agenda, na lista de tarefas. E os dias passsam, já é quinta? A semana acabou! Sexta tenho que ir na manicure, mas antes lavar a louça para não estragar as unhas. Tudo precisa de planejamento, encaixar horários, daí trocam o horário do trabalho, reagendar. Planejar também leva tempo…

Foi neste roldão de coisas, que mesmo sem computador, é que não consegui colocar as leituras em dia, no máximo de caderno velhos de jornais que não tinha conseguido ler ainda e os jornais do dia, que há três não consigo porque fui resolver alguma pendenga depois que saí do trabalho. A verdade é que fui acumulando várias coisas e atualmente estou lendo:

:: Arte latino-americana século XX
:: Jornalismo Online
:: Paris
:: Nós, os media
:: Moderno no Limite, catálogo da mostra de Iberê Camargo
:: Fama e Anonimato
:: Revista sobre Nietzsche
:: Veja Mulher

Ou seja, não estou lendo nada… e tem mais algumas coisas para ler na internet, principalmente os blogs aí ao lado. E no fundo estou com vontade de ler romance, histórias que me façam viajar e esquecer de toda essa rotina de providências e lembrar que a vida pode ter outras facetas e que ela já foi diferente um dia.

Ganhei dois ingressos para ver Sex and the City – O Filme! Eu assisti pela primeira vez na estréia, dia 6, e estava mesmo querendo ir de novo. Assim que assistir pela segunda ou terceira vez, posto aqui.

Das 18h as 20h não desgrudei os olhos do relógio e da janela. A espera só não foi mais angustiante porque foi o tempo do descanso e de olhar novas séries nos canais que tenho a mais agora. Antes das 19h tentei me precaver caso algo não desse certo, mas não adiantou. Às 20h eu desisti de esperar, achei que o tempo havia se esgotado, mas não perdi a esperança. Virei as costas da janela, não sem antes me precaver. Cerca de cinco minutos depois a batida na vidraça. Chegou!!!

Meu notebook chegou hoje. Me agarrei à caixa como uma criança com seu presente de Natal e corri para dentro de casa, abraçada nela. Foi uma sensação de infância. Esses dias sem computador em casa pareceu uma eternidade!

Agora estou me sentindo a Carrie, escrevendo com ele no colo, no meu note fashion: ele é roxinho com flores. Espero que eu não enjoe, porque tenho percebido o quanto a moda me influencia. Já estou com várias roupas nesse tom. Inverno passado eu comprei tudo marrom, caramelo, creme, bege. Hoje não posso mais ver essas roupas! E agora estou com várias de tons púrpuras, berinjela, lilás… puxa, minha mãe usou uma roupa de cetim roxa no casamento da minha tia mais nova, que casou com mangas bufantes! E agora eu tenho blusa de cetim roxa! É, moda passa… mas agora esse é meu novo jeito de blogar. E tenho várias coisas para escrever!

Estou sem computador em casa, de novo, tô cheia de coisas para postar. Empolgada com a Fundação Iberê Camargo, fui ver Indiana Jones e amanhã estréia Sex and the City – O Filme.

Enquanto fico impossibilitada de atualizar aqui, passa ali no Toda Mulher e leia o post que eu fiz sobre o sexo e a cidade.

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