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Ir no banheiro com a porta aberta.

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Na primeira vez que fiz vestibular na UFRGS eu tinha 18 anos. Agora aos 28 anos fiz de novo. Não estudei nadinha e fiz festa, muita festa, nos meses que antecederam as provas. O resultado foi o mesmo: não passei.

Da primeira vez foi para Letras, agora História da Arte. Na outra vez eu fiz 6 meses de cursinho, pois fiz magistério e fiquei sem ver quase tudo que se aprende no ensino médio: não tive história e nem geografia e muito pouco das exatas.

Passados 11 anos, muitas diferenças. Desta vez não li nem as leituras obrigatórias (e ainda acertei 15 questões de literatura)… Lá em 1999 eu morava em Sapucaia e meu pai me levou todos os dias para Porto Alegre. Como eu fiquei em uma escola no Partenon, no primeiro dia, com medo de não encontrarmos o local a tempo ou ficar presa em engarrafamentos na BR-116 e nas proximidades da escola, fiz meu pai sair tão cedo que chegamos antes de todo mundo, até das provas. Não tinha monitor, nem candidato, ninguém. Era para chegar às 8h e chegamos pelas 6h… Dessa vez eu moro na Capital e tenho carro e me colocaram numa escola há uns 6 quilômetros da minha casa, bem perto. 

Da outra vez tinha cerca de 5 por vaga, nessa 8. Só que para Letras, tinha gente na minha sala que estava tentando há anos em outros cursos mais concorridos e estavam super preparados. Desta vez, fiquei numa sala com muita gente mais velha, até uma senhora de 60 anos que achava que tudo era coisa do governo, até o tema da redação. Tinha pessoas legais, seriam bons colegas. E como o curso de História da Arte é novo e no RS serve mais para hobby do que profissão, tinha gente de várias áreas, inclusive da História, para nos dar um banho na prova.

O clima de vestibular é muito legal. Eu chegava e me sentava na calçada com a galerinha, na sala de aula todo mundo parecia colegas de colégio, daqueles de anos. Porém no quadro tinha o link para consultar o gabarito. Da outra vez eu acompanhava no rádio mesmo: A, de Argentina, B de Brasil… E de Equador…

Quando adolescente, eu era acostumada a não tomar café da manhã. No primeiro dia fiz isso e chegou uma hora que eu só pensava em comida durante a prova. E ainda fiquei sem água porque levei uma garrafinha que não era transparente.

Dessa vez também não sentei bem na frente, como quando eu era CDF. Na prova da Unisinos (onde passei para Jornalismo na primeira vez) os monitores ficaram conversando e me atrapalharam. Aprendi a lição.

Neste ano tinha duas línguas estrangeiras: espanhol e grego, sim, a prova de física era grego para mim. Não hesitei em chutar tudo numa letra só, o problema é que tentei resolver algumas questões e justo essas tinha como resposta a letra que eu escolhi e por pouco não zerei a maldita. As outras exatas também foi um suplício. Não sei se com um ano de cursinho eu conseguiria resolver na boa aquelas questões… Acho que é mais fácil passar na seleção do mestrado.

E apesar de tudo isso, mesmo não tendo virado bixo, acho que não foi tão mal assim. Tinha 258 candidatos. Pensei que eu ficaria com a 257º posição. Mas não, fiquei em 81º lugar. Eram apenas 20 vagas no acesso universal…

Da primeira vez eu ter passado para Jornalismo na Unisinos e não ter entrado para Letras na UFRGS decidiu meu destino. Tem mão dele de novo aí…

Ah! Exatamente hoje, no dia que saiu o listão, faz 4 nos que me formei!

Mover-se é viver!

A frase é do personagem de George Clooney em Amor sem Escalas e, por mais inverossímel que seja a existência dele, sempre viajando, praticamente sem casa, entre uma cidade e outra demitindo funcionários de empresas falidas e fazendo palestras motivacionais para as pessoas não se comprometerem, tudo que ele diz fez muito sentido para mim.

Por muito tempo fiquei enchendo minha mochila de pesadas bagagens: família, relacionamentos, trabalho, casa e contas para pagar. Tudo isso começou bem cedo, antes que eu tivesse me movido e portanto, vivido muitas coisas. E isso ainda está pesando, mas eu já decidi que vou viver.

Embora no filme possa parecer conversinha fiada, mudar de emprego pode sim te trazer oportunidades melhores. Ainda que não sejam melhores oportunidades na carreira, podem ser melhores chances de viver, de ser feliz em diversos setores, a carreira é só mais um deles. Eu não sei se sou inconsequente ou uma sábia, que antes dos 30 cheguei a conclusão que é melhor ser feliz, fazer o que se gosta (ainda que isso não seja o que te faz bater ponto) do que se dedicar a uma carreira, com a qual talvez seja seu único casamento, ou pior, sua única companhia.

E o filme deixa claro como é bem mais difícil não se comprometer do que ao contrário. Requer toda uma técnica, logística e método. No caso de Ryan era viajar, mover-se também pode ser fugir. Mas uma coisa é certa, a solidão só bate se a gente para, e isso vale também para quando a gente se acomoda, seja no trabalho, nos relacionamentos ou adiando sonhos, não tentando compensar um lado não realizado que pode te levar a realizar outros desejos.

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Adorei a cena em que eles falam sobre como os critérios para ficar com alguém vão diminuindo quando se vai ficando mais velha. Fui no cinema com uma amiga e antes tomamos chimarrão. E eu lhe disse: temos que ir contando os pontos individuais: é alto, bom papo, magro… cada coisa vai valendo pontos, mesmo que o conjunto não pareça tão interessante. Mas para nós, ter cabelo ainda é imprescindível!

Estou bem feliz. Comecei o intensivo de inglês e na quinta-feira foi a última aula da semana e em nenhuma delas fiquei querendo correr porta a fora como aconteceu das outras vezes. E quem diria que isso ia acontecer na terrinha natal…

Na segunda decidi ver se teria intensivos por aqui e descobri o do Yázigi, com preço bom, quase igual ao mais barato que tinha visto em Porto Alegre, e a aula começava naquele dia. Fui correndo. Me colocaram numa turma que tinha alunos de 15 a 25 anos e era basicão demais. Então no outro dia conversei com a orientadora e me encaixei na turma dela. Duas meninas novinhas, mas menos bobinhas que as outras e uma ex-colega dos tempos de colégio! Uma das minhas melhores amiga na época, sentávamos juntas e tudo mais. Ela era um pouco mais velha que eu e aprontava um monte. Pois agora descobri que logo em seguida, quando perdemos o contato porque ela saiu da escola, ela se casou, aos 17 anos e tem um filho de 8! Agora quem anda aprontando sou eu. E a turma é essa, quatro meninas, até hoje, quando chegou um bendito ao fruto, que acho que foi professor nessa mesma escola que estudei com essa colega… well small city…

Mas meu entusiasmo é porque finalmente entendo a aula, o que está escrito no livro, o que a professora diz e consigo falar em inglês. Parece bobagem, mas é um grande passo para o meu universo. Chego em casa e faço os temas e mesmo sendo todos os dias  não acho cansativo. Uma coisa é certa: olhar muitas séries aumentou muito meu vocabulário e me treinou o ouvido, às vezes acontece de, sabe quando uma personagem faz uma pausa e tu consegue antever o que ele vai dizer e fala em voz alta? Eu consigo algumas vezes fazer isso e pensar direto na resposta em inglês e pronunciá-la!

Há não muito tempo, embora sabendo que era necessário, eu abominava a língua, não conseguia fixar os olhos em uma frase e quando fazia curso eu olhava mais para o relógio que para a professora. Um pequeno e primeiro passo que tenho certeza me levará para uma estrada longa.

Que venha the big plan!

Era para ter começado ontem, mas não estava no local certo. Então foi hoje, oficialmente, que dei o primeiro passo para o grande plano. E foi muito bom!

Eu olhei no mapa antes de sair de casa, mas a voz doce do Jorge Drexler me distraiu no meio do caminho e eu me perdi antes de chegar no encontro para fãs de Lost, que foi realizado ontem, na Escola de Design da Unisinos. Fui com a Jana, que tinha direito de levar um convidado. Chegamos cedo para tomar um café e colocar o papo em dia. Deixei o carro estacionado na quadra de basquete, passei pela área da entrada, o saguão, e fomos para o café, que ficava no subsolo, descendo por uma convidativa escadinha.

Olha eu aí twittando durante a palestra

Quando chegamos na recepção e dei meu nome, a Ana Guerra, da Mundocult, disse: “ah, tu twitou que vinha no encontro, e tu tem um blog, né?”. Depois fomos para o auditório, o pessoal comentou que teria brindes no final e eu brinquei: vou ganhar. Aí os palestrantes falavam da ilha e tal  e uma hora comentei, olhando para os janelões, que aquele local parecia uma ilha, pois tinha muitas árvores e um gramado. E então me dei conta: eu já dormi nesse lugar!!!!

A escola ocupa o prédio do antigo Instituto de Pastoral da Juventude (IPJ), onde fui pela primeira vez aos 13 anos para uma assembléia da Pastoral da Juventude Estudantil (PJE). Eu recém tinha entrado no grupo de jovens, e precoce, já fui escolhida para representá-los em instância estadual. Tirando as vezes que dormi em casa de coleguinhas de escola, foi a primeira vez que posei fora de casa. Aí comecei a percorrer os olhos e tudo fazia sentido. O auditório era onde aconteciam as reuniões e as festas, as diversas janelinhas que se via dali eram os quartos. O café era o refeitório que tinha um cardápio fixo sempre que tinha retiros. E aí fui tomada por muitas boas lembranças e fiquei boquiaberta. Muito Lost isso. E como não reconheci? Na época, eu guria da região metropolitana, conhecia muito pouco da Capital. Lembro que tinha marcado que era numa ruazinha “arvorida” que a gente dobrava vindo pela Carlos Gomes, como vim pela Nilo não me dei conta… e tantas memórias acumuladas… a gente vai mesmo esquecendo das coisas.

No meio da palestra comentei com a minha amiga sobre esse meu post sobre Lost e a minha teoria sobre a série: Quando eles se perderam é que se encontraram! E ela achou a frase “profunda e filosófica”. No final, a surpresa era para que olhassemos embaixo da cadeira para ver quem tinha ganhado brindes, e eu, como tinha sentido, fui uma das contempladas… e o prêmio? O livro A filosofia de Lost! Coincidência?

Eu devia ser a única pessoa lá que só viu a série e não participou de mais nada, mas na internet tem um um outro mundo sobre Lost. Tinha fãs empolgados, como um que tatuou a palavra “lost” no braço e todos ficaram com a vontade de conversar entre si e trocar ideias. Então foi criado um ponto de encontro virtual para que a gente possa marcar o próximo encontro real…

A viagem está chegando ao fim e os mistérios continuam… todos nós fãs também estamos perdidos, mas ontem a gente se encontrou.

Outros posts em que falo sobre Lost

Ando com vontade de relatar coisas do meu cotidiano aqui. Desacostumei mesmo a morar sozinha, ou o mais provável é que estou passando muito tempo em casa, e nem é que esteja me sentindo sozinha, mas estou de novo na fase do “Socorro não estou sentindo nada”, sabe, como na poesia de Alice Ruiz. E isso, invariavelmente, me afasta de pessoas com quem eu poderia estar dividindo meus dias.

Pois bem, hoje começou o vestibular da UFRGS que estou prestando para História da Arte. Fazer vestibular 11 anos depois da primeira vez merece um post com várias observações que deixarei para o final, embora algumas tenha colocado no meu twitter.

Na terça eu vou encontro Orientação Dharma – O Culto a Lost acompanhando uma amiga. Nem estava muito ligada nesse tipo de evento e olho Lost sem fazer divagações ou análises, mas acho que vai ser interessante. Se alguém que me ler for, se apresente por favor!

Nunca pensei que eu gostasse tanto de praia! Não sei se é o calor que parece sempre pior a cada ano, o fato de estar quase todo mundo lá, de familiares a amigos e até as melhores festas, mas queria não ter voltado. Me arrependi de não ter escolhido prestar o vestibular lá. Mas pelo menos a noitada de sexta, na Porto vazia, rendeu. Estava cheia e boa como sempre. O pilequinho meu e de uma amiga nos garantiu muita diversão dançando e conheci pessoas. Só não pude usar meu status de vip porque não tinha fila… aí já era pedir demais. Mas isso já foi o suficiente para me aquietar no sábado de noite. Até quarta, é vestibular. Embora não tenha estudado, pelo menos dormir cedo para não perder o horário é meu compromisso.

E passei a ouvir Lady Gaga. Sei que é faísca atrasada, mas gente, o que é esse clipe de Paparazzi?

Na estrada retornando da praia e pensando no que escrevi aqui sobre não estar com saudades da minha casa, me dei conta de uma coisa: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar.

Quando cheguei em casa e pensei nos compromissos da semana, percebi que ainda estou carregando a agenda do ano passado na bolsa. E então me dei conta de outra coisa: minha vida este ano não tem planos pré-estabelecidos. Minha vida está imprevisível.

E gostei das duas constatações, pois ambas são benéficas para o planejamento maior que está regendo o meu momento e a palavra do ano para mim: desprendimento.

Sempre fui de raízes, de ter o meu cantinho bem definido, com minhas coisas bem separadas, mesmo quando dividia o quarto com minha irmã. Depois que passei a ter minha própria casa então!

Sempre adorei comprar agenda e eu mesma é que tinha que escolher, nunca gostei de ganhar de presente. Todo fim de ano era o mesmo ritual: olhava várias até escolher a perfeita, comprava uma caneta nova, preenchia os dados e os primeiros compromissos do ano.

Agora tudo está diferente. Eu já nem sei muito que valores e regras eu sigo. Está tudo mutável, dependendo do momento, do que está por vir. Cada dia uma surpresa e mesmo assim não tenho ansiedade ou expectativas. Só sei que tudo pode ser diferente e eu sigo a correnteza. Me sinto de alma leve e espírito livre, mas  ao mesmo tempo cuidando de mim. E apesar de toda essa aparente confusão, pela primeira vez eu tenho foco.

E enquanto desfazia as malas fiquei escutando Jorge Drexler. Fazia tempo que não ouvia, foi a trilha dessa mesma época de janeiro em 2008. E então veio:

Esto que estás oyendo
ya no soy yo,
es el eco, del eco, del eco
de un sentimiento;
su luz fugaz
alumbrando desde otro tiempo,
una hoja lejana que lleva y que trae el viento.

Depois de passar uma semana com a família antes do Natal e quase duas semanas na praia, hoje cheguei a conclusão que meio que desacostumei a morar sozinha. Pela primeira vez não tive aquela vontade de “estar só eu no meu canto fazendo minhas coisas”. Talvez eu já esteja me preparando para uma nova fase que vem por aí.

É madrugada de quinta-feira, volto hoje para Porto Alegre e vamos ver como vou me sentir. Já estou lamentando as festas que vou deixar de fazer no fim de semana, a cantoria na varanda, o chimarrão no final da tarde e as conversas na rede… Sem falar no banho de mar que ainda não tomei este ano, o agito na areia, as pedaladas no calçadão a beira-mar, os banhos de piscina e a brisa que bate aqui.

Mas ainda tenho o dia de hoje para aproveitar. Espero que o sol apareça mais cedo e eu levante mais cedo do que nos últimos dois dias.

A primeira teoria de 2010:

O que está por vir é sempre melhor do que passou.

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