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Por que em lojas de louças e objetos que podem quebrar os preços estão sempre embaixo?

A gente é obrigada a pegar na mão e virar de cabeça para baixo para ver quanto custa. Fico sempre morrendo de medo de ser um elefante na loja de porcelanas.

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Ligar o ar-condicionado todos os dias e a conta de luz não passar da faixa dos R$ 50.

Outras dores e delícias

Ir no súper na sexta-feira à noite e comprar sopa indivudual.

Outros cúmulos em pleno século 21

O pó de café está acabando. Acho que é o segundo pacote em dois meses. Além da água e do papel higiênico, é a única coisa que termina antes do prazo de validade!

Outras dores e delícias de morar sozinha

Pensamento é uma coisa engraçada, ou talvez isso aconteça porque eu penso demais. Hoje estava no pilates e essa professora de agora toca as mesmas músicas do Jack Johnson que o primeiro professor colocava logo que entrei na academia. Tem também aquela da abertura do programa Estilo Zen da TVCOM… meio indiana, sei lá.

Daí que eu lembro o que eu ficava pensando durante aquelas aulas lá do comecinho. Eu olho para o mesmo teto e sei exatamente o que eu sentia naquela época. Eu me sentia feliz. Às vezes ia na aula para afugentar os problemas, mas na maioria das vezes era uma tranquilidade e uma paz por certas coisas boas que tinha na vida.

A única diferença é que antes eu olhava no sentido vertical das vigas da sala e agora olho na horizontal. Eu tinha um lugar que sempre ficava naquela época e agora eu fico em outro, mas pocuro não mudar. Sempre o mesmo lugar.

Talvez seja isso. Eu preciso mudar. E principalmente, olhar em outra direção.

Tenho me sentido tão isolada.

Não se trata da família (inclusive agorinha enquanto escrevo minha mãe ligou) e nem dos amigos. Me sinto assim no dia a dia.

Uma ilha pelo menos é cercada de água por todos os lados.

Até para organizar o tempo a gente perde tempo.

Coloquei a minha agenda em dia que estava com o marcador parado no dia 10 de julho. E para isso tive que deixar várias outras coisas da casa por fazer. Sempre se tem coisas da casa por fazer!

Já tinha falado aqui de várias coisas em casa que estragaram e depois voltaram a funcionar. Pois aconteceu de novo. Meu DVD tinha estragado, não ligava, nada. No fim de semana esqueci disso e aluguei um DVD e tive que assistir no computador.

Então terça-feira acordei mais cedo para tomar café da manhã em casa, quando de repente faltou luz. Isso é bem comum aqui e pensei comigo: ainda bem que já tomei banho, ou melhor, que não estava no meio do banho. Continuei fazendo meu desjejum e a energia voltou. De repente ouço uma vozinha no fundo “deixa, deixa, eu dizer o que penso dessa vida”. Meu DVD! Voltou a funcionar e estava tocando o CD que estava lá dentro.

Newsletter-Pasquetti-2009-SITE

Foi arrumando a agenda e me programando melhor que aproveitei o tempo entre o trabalho e o pilates (porque voltar para casa não vale a pena e aí que não vou na academia mesmo) que fui ver a exposição do Carlos Pasquetti na galeria Bolsa de Arte.

Entre objetos, fotografias e pinturas (algumas até sem moldura, em papel mesmo) gostei de uma obra composta por vários quadros pequenos, estes todos devidamente emoldurados. O interessante de ir a uma galeria é saber o real valor $ das obras. Essa que eu gostei até que não era assim tão cara, pelo tamanho (e até onde vai meu entendimento e tolerância para o valor$ da arte, porque claro, era bastante dinheiro), metade do preço dos quadros maiores, os desenhos que podem ser girados em sentido horário e ficar de ponta-cabeça.

Além desses desenhos, haviam os objetos de tecidos que lembram bolsas e sacolas (cuidado, algumas são bolsas mesmo para guardar as obras, segundo me explicou a pessoa que me atendeu). E tinha um diferente “tiro-ao-alvo”. Não conheço muito da obra desse artista gaúcho e tive poucas explicações na galeria. E para mim a arte, por mais que eu não ache bonita, se torna apaixonante quando conheço as motivações do artista. Devia ter ido com mais tempo e marcado com alguém para trocar uma ideia.

Mas o mais curioso foi ver dentro da galeria um cusco, um pequeno cão que ia ser levado para um passeio. Ele parecia ser da casa.

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Acabei descobrindo ali pela volta da Quintino várias lojas interessantes de decoração, até numa loja fofa de bebê eu estive porque tinha um abajur que ficaria lindo no meu quarto que tem a mesma cor da decoração da vitrine da loja.

E como ainda estou procurando um quadro para sala e para o quarto que eu bata o olho e diga: “é esse”, descobri a FastFrame, com muito mais opção que a Wall Street Posters. Um pouco mais cara, mas os posters são importados (por exemplo, gostei de um pequeno, retrô, que poderia compor com outros similares, e um só custava R$ 32). Não cheguei a perguntar preço de moldura, mas dá para comprar lá e levar na Wall, que é mais barata até que a vidraçaria da vila aqui perto de casa. Saiu baratinho emoldurar, da forma mais simples, os posters que trouxe de San Telmo.

Conseguir tirar uma mancha de um guardanapo.

Usando recursos antigos (sabão de coco) e modernos (alvejante para peças coloridas). E nem precisei ligar para minha mãe que sempre me dá dicas preciosas para tirar manchas e afins.

Olha que linda essa história de amor: Carta perdida reúne casal depois de dez anos

É por isso que acredito em três coisas: em coisas do amor, sempre dizer tudo que se deve dizer, principalmente por cartas que guardam essa dádiva de se perder ou se achar no tempo; tudo acontece ao seu tempo; e quando é para ser não tem jeito.

E essa é que sempre escuto da minha mãe e já nem sei se acredito ou não: o que é teu está guardado (bah, mas não precisava encontrar só dez anos depois, né?)

Agora está completo: algumas obras de todos os períodos da exposição Arte na França no post (clica aqui).

Para ver todinhaaas só indo mesmo no Margs até 30 de agosto. Vale a pena. Cem anos de gênios como esses não se vê assim tudo junto reunido sempre, ainda mais no Brasil, ainda mais em Porto Alegre.

Ficar lendo as mensagens e interlocuções entre outras pessoas, provavelmente também solitárias, no Chat TV*.

*Chat TV é o canal 37 da Net analógica. Ali passa a programação e mensagens em torpedos que o pessoal manda a R$ 0,31 mais impostos.

Outros cúmulos da solidão:

dl_07_11Estava procurando o que ver num domingo a noite em que estava reprisando episódios de séries que já assisti e peguei no comecinho o filme O Homem Perfeito. Comédia romântica: bom. Pode ser meio adolescente: mas vamos ver qual é. Hilary Duff eu até que gosto. Ela escrevia um blog: opa, pintou identificação. Foi então que apareceu o Chris Noth, o eterno Mr. Big, que mesmo longe de ser o homem perfeito, é o homem perfeito.  E fiquei assistindo o filme.

É a história de uma mãe solteira, com duas filhas, que cada vez que leva um fora muda de cidade, e ela já levou muitos. Então a filha mais velha, que tem 16 anos, não querendo mudar tão rápido de cidade desta vez, inventa um cara perfeito que seria um admirador secreto da mãe.

Foi então em que um momento, a mãe se mostra relaxada e feliz com esse novo amor e isso a faz agradecer por todos os percalços que levou na vida, se foi para chegar naquele momento. E eu já me senti assim.

Lembro de um dia ensolarado em que eu esperava o ônibus em frente a praça aqui perto de casa e agradeci a Deus por finalmente entender que tudo que eu tinha passado e as pessoas que tinham passado pela minha vida e me magoado era para ter chegado naquele momento de felicidade que eu estava sentindo. Nossa, é uma sensação tão boa, porque além de estar feliz no presente, você consegue fazer as pazes com o passado.

Mas aí hoje, vendo o filme, me ocorreu: mas e quando isso não é definitivo? É daí que nasce a desesperança. E é mais uma história para colocar na conta para tentar um dia perdoar e lembrar que toda a tristeza que ela causou foi por um bom motivo. Mas será que isso acontece de novo? De todos os percalços e recomeços, nunca tinha sentido como naquele dia de sol. Aliás tenho me perguntando se várias coisas podem acontecer mais de uma vez na vida da gente. As ruins eu sei que acontecem. Mas e as boas?

“A coincidência” que une, o destino, a felicidade incomparável, o riso provocado, uma certeza sobre como quer passar o futuro e a delícia de planejar cada próximo dia? E aquela sensação de paz?

Eu não disse que sei de onde surge a falta de esperança…

Não tem tristeza ou problema no mundo que eu não esqueça com uma bacia de pipoca!

E ultimamente tem que ser doce ainda por cima. Estou ficando especialista em pipoca caramelada. E sabe que descobri um jeito facinho de limpar a panela?

Tem melhor coisa depois de uma noite muito mal dormida, ir para cama no dia seguinte e só se dar conta que você estava dormindo 8h depois? Daquelas noites em que tu nem vira para o lado ou pelo menos não tem consciência que isso aconteceu.

E todos os dias quando acordo eu penso: a minha cama é o melhor lugar do mundo!

Pois mais uma vez desejei e consegui. Fui ver a mostra Arte na França antes do que eu imaginava, na segunda-feira quando abriu para a imprensa. Produzi um vídeo e estou produzindo uma série de audioslides. O vídeo não ficou tão bom, filmar sem tripé não é fácil. Não foi produzido, como neste aqui que entrevistei críticos, historiadores e o próprio artista, que claro dessa vez não teria como.

Cheguei lá e consegui falar com o diretor do Margs no meio da correria, pois estava sendo organizada a big festa do Ano da França e a inauguração da exposição que seria para convidados naquela noite. Mas o bom que ele me conseguiu um tradutor e deu para pegar uma palavrinha do curador, que quase ninguém entrevistou porque ele fala francês.

Não deu para usar toda a entrevista porque na primeira parte era uma pergunta maior e o tradutor pediu que ele repetisse a resposta e então ficou aquele ping-pong que não deu para dublar. Mas enfim, era mais para ser um vídeo para as pessoas ficarem com vontade de ir na exposição e saber o que não poderiam perder.

Nos audioslides vai dar para ver mais coisas, vou ir postando aqui. Então se não foi ainda, clique aqui para ver uma amostrinha dessa fabulosa exposição com gênios da pintura:

Audioslides:

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Obra de Renoir de 1881 (um século antes do meu nascimento)

No dia 15 de maio eu estava vendo o Jornal Nacional e saiu uma matéria sobre a exposição Arte na França: 1860 – 1960: o Realismo. Fiquei maravilhada e com vontade de ir a São Paulo para vê-la. Aí falei em voz alta: eu queria ver essa exposição! Eu fechei a boca e o Willina Bonner disse: “Depois de São Paulo, a exposição seguirá para Porto Alegre”.

Se tudo na vida que a gente desejasse se realizasse assim…

Então terça-feira a mostra será aberta no Margs, é dessas exposições para ver mais de uma vez. Uma oportunidade única de ver um século de história da arte que teríamos que dar a volta ao mundo e ainda assim não veríamos todas porque algumas são de colecionadores particulares. Pela primeira vez no Rio Grande do Sul estarão pinturas de Courbet, Delacroix, Degas, Matisse, Monet, Van Gogh, Degas, Renoir, Cézanne, Miró, Picasso, Léger, Dalí e Manet, entre outros.

Tenho que dar um jeito de me imiscuir em alguma turma do curso que eu fazia para acompanhar uma aula com minha professora. Finalmente vamos poder saber a real cor de tantas obras estudadas em slides. E o legal de estudar arte é o treino do olho. Achei a foto ao lado no site do Margs, mas não tinha legenda. Fui para o google, minha primeira aposta era que seria do Renoir e bingo!

E viva o Ano da França no Brasil!

barco1Que o twitter é um fenômeno todo mundo já sabe e todo mundo fala e muita gente tá lá. Engraçado que virou um fenômeno meio tardio, né? Quando surgiu não fez tanto sucesso, agora só se fala nele (entendeu o duplo sentido?).

Então, mas o fenômeno vai além de ser falado em revistas especializadas, cadernos sobre informática e até mesmo mídia em geral. Dias desses estou vendo Desperate Housewives e lá está o Tom, marido da Lynette voltando desanimado de uma entrevista de emprego porque não sabia o que era twittar.

Aí nesta semana estou vendo Brothers & Sisters, e a Sara, que está montando uma empresa pela internet com dois nerds (ou geeks, não sei) fez uma apresentação e se deu mal porque não sabia o que era twitter ou facebook. Só a teledramaturgia brasileira é que anda atrasada com essas coisas… ainda lembro quando tardiamente o celular e seus recursos passou a ser usado nas novelas. Em Caminho das Índias tem uma secretária que só fala no Second Life, mas esse teve sua febre e acho que já era. Não sei direito porque foi uma onda a qual não me rendi.

Mas no twitter estou lá, contando em tempo real o que nem sempre coloco aqui, e até fico na dúvida se devo replicar algumas coisas. Cada vez estou usando mais. Começou por causa do trabalho e depois para me distrair na fila do supermercado. Mas agora vire e mexe estou postando. A única celebridade que eu sigo é o Luciano Huck e é engraçado saber o que ele está fazendo.

O que mais me assusta é a quantidade de gente que não sei quem é e que me segue e sabe o que está se passando comigo, o que eu estou fazendo em determinado momento em até 140 caracteres. O blog tem em média 150 visitas diárias, também não faço ideia quem seja essas pessoas, mas lá no twitter elas tem um nick e um perfil e também dizem algo (já que aqui pouca gente comenta). Talvez até sejam pessoas que acompanham o blog (pois tem ali no menu meu endereço) e estão me seguindo por lá… mas vai saber. Se a gente pensar nisso não conta nadinha.

Acho que vou ter que ingressar no facebook também, já recebi vários convites e deletei do e-mail. Não dá para ficar para trás…

Outro fenômeno que a gente sempre ouve falar nas séries e filmes é na Oprah. Mas hoje me surpreendeu que em um filme de 1991 ela fosse citada! Estava revendo Viva! A Babá Morreu – sessão da tarde de adulto é no domingo mesmo – e a garota, uma personagem de 17 anos cita a apresentadora mais famosa da tevê.

Eu posso não ser muito boa na cozinha, mas fazer drinks e bebidinhas sempre dá certo. Entrou para o meu repertório o quentão. Ótimo para os dias frios. Ainda prefiro o vinho sozinho, mas para reunir uma galera é uma ótima opção de fazer o vinho render.

Fazia tempo que eu não ria tanto numa sessão de cinema, desde os trailers que já estou aguardando para ver A Proposta e Os Normais 2 até o filme propriamente dito escolhido após alguns contratempos e nenhuma pretensão: A Mulher Invisíviel.

O filme me foi previsível, confesso que na primeira cena pensei “hum ele vai ficar com ela no final”. Mas a trajetória do filme é a melhor parte. E como o tal fim vai chegar eu não esperava e me diverti muito nesse meio tempo. E a lição principal, é claro, a gente tem que se amar e confiar em si mesmo. E outra, pelo menos no filme, resignação, e não paciência, mas resignação fez diferença. Tenho me sentido assim ultimamente.

Nas cenas de Minas Gerais finalmente entendi as cores usadas por Tarsila Amaral após sua viagem por lá, as cores caipiras que a encantou. E vi as cores de Abaporu. Não sei bem se a viagem foi antes ou depois da obra de idos de 28, mas eu as vi.

Agora até fiquei sem saber como concluir o post, então fica a dica, assista ao filme. Selton Mello e Fernanda Torres sempre valem o ingresso. E para os guris, claro, tem a Luana Piovani em cenas provocantes. Fora isso, a risada também é garantida.

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Vamos ver se consigo explicar a foto: no centro Clara (Júlia Lemmertz) e Miguel (Marco Ricca). A menina de chapéu é filha da atual esposa do primeiro ex-marido da Clara que é pai da Carol (no fundo). O pequeno no colo dela é o Léo, filho do segundo casamento de Clara. No colo do Miguel a sua filha Júlia. E no carrinho de bebê, o filho do segundo ex-marido de Clara, pai do Léo. Ufa!

Vamos ver se consigo explicar: no centro Clara (Júlia Lemmertz) e Miguel (Marco Ricca). A menina de chapéu é filha da atual esposa do primeiro ex-marido da Clara que é pai da Carol (no fundo). O pequeno no colo dela é o Léo, filho do segundo casamento de Clara. No colo do Miguel a sua filha Júlia. E no carrinho de bebê, o filho do segundo ex-marido de Clara com a nova esposa, portanto irmão do Léo. Ufa!

Há tempos que digo que o conceito de família não é mais pai, mãe e filhos. Provavelmente há uns 15 anos, desde que meu pai casou de novo, aí veio a família da mulher dele, depois minha mãe que tem nova sogra, enteado… e tem a família da família dessas pessoas. Um agregamento de gente.

Pois a televisão finalmente se deu conta e Globo fez a série Tudo novo de novo, que passou a alegrar as minhas noites de sexta-feira.

A história é de Clara (Júlia Lemmertz) uma mulher separada duas vezes e de cada casamento tem um filho. Aí ela começa a namorar Miguel (Marco Ricca) um cara separado que também tem uma filha e é uma confusão de gente, porque tem o filho do ex-marido que é irmão de um dos filhos dela, mas não é nada da outra filha. Os programas de casal com os filhos e as confusões e desajustes entre as crianças de idades diferentes… Olha bem difícil namorar assim… Fora outras confusões que aparecem com os pais deles, ex-mulher que leva golpe do namorado estrangeiro da internet e só se ajeita quando casa com uma outra mulher… Coisas da vida social atual que eu nem pensaria na época que me dei conta que família era algo além dos meus pais e irmãos e demais laços consanguínios, como insistia meu professor de sociologia. Mas é bem um retrato da família atual.

Na última sexta foi o último episódio da temporada. No final estavam todos juntos num passeio e um senhor idoso perguntou para o Léo, um menino muito fofo, se todos aqueles eram seus irmãos quando eles estavam posando para foto. E ele definiu bem: é complicado explicar, mas são todos da minha família.

Espero que venha outras temporadas por aí! O programa é muito bom!

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos

Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Eu trabalhei na madrugada em que o Michael Jackson morreu e passei a noite toda ouvindo suas músicas no programa de tevê, mas das coisas que li e escutei naquele dia, duas engraçadas:

– Sua vida não passou em branco (e olha que ele dedicou um bom tempo para deixar de ser negro).

– É uma lenda viva! (essa o Paulo Sant’Ana merece o crédito, me fala isso de manhã na rádio…)

Tem cenas, filmes e histórias que mexem com a gente como se fosse uma bebida alcóolica, nos deixa melancólicos, nos faz extrapolar as emoções e sair desabafando. Foi mais ou menos o que aconteceu aqui.

E cada vez mais entendo que nada como um dia após o outro. Não tem angústia, problema ou chateação que resista com a mesma intensidade após uma noite de sono, mesmo que seja sem dormir muito bem.

Há dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato,me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mudial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando
ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza.O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um
grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…”

Clarice_por_De_ChiricoHá dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato,me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mudial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando

ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza.O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um

grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…”

Esse texto foi publicado na coluna do Luis Fernando Verissimo em Zero Hora de 29 de janeiro dester ano. Quando li isso, pensei “uau”, eu queria ter vivido coisas assim como a Clarice. Claro que os anos de guerra não devem ter sido fáceis, mas falo desse convívio com artistas como De Chirico, ser pintada por ele! Acho esses nossos anos de uma pobreza intelectual e artística e ainda assim eu não tenho contato com os intelectuais e artistas de agora. Fiquei com inveja. Além de ter sido uma escritora reconhecidíssima, ainda viveu e viveu de perto coisas que são de uma época muito particular.

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