You are currently browsing the monthly archive for outubro 2008.

Foi quando assisti Minha vida sem mim com uma garrafa de vinho e me desmanchei em lágrimas que o psicólogo me disse que não deveria assistir essas coisas tristes, não naquela época, e que eu deveria ver filmes como Pãos e Tulipas.

Pois na sexta lembrei dele na locadora e este filme italiano de Silvio Soldini foi uma agradabilíssima surpresa.

De férias em excursão com a família, Rosalba é esquecida numa lanchonete da estrada. O ônibus parte sem ela e o marido e os filhos não se dão conta. Ao pegar uma carona para voltar para casa e aproveitar para ficar sozinha, coisa que nunca faz já que está sempre às voltas da família, descobre que está indo para Veneza e resolve conhecer a romântica cidade das gôndolas. O que seria apenas uma noite vai virando numas férias da vida de dona-de-casa e do lar. Ela faz novos amigos e com situações engraçadas e pitorescas, a Veneza dos seus moradores se descortina na tela, e a gente passa a torcer pela existência dos personagens e se encanta em como uma vida pode mudar de maneira singela.

Comecei a perceber que a Itália é um lugar que inspira mudanças. Creio eu. Nunca estive lá, mas há algo em pequenas cidades e no interior que nos motivam. Adoraria viver em NY ou Paris, sim… mas mudança mesmo de vida seria viver na paisagem amarelada da Toscana, que aliás, já foi tema de um outro filme sobre mudanças inesperadas e repentinas também, assim como Só Você.

Não fiquei com vontade de largar tudo e ir para Veneza, mas com certeza fiquei reflexiva. Não há nada que me prenda, além dos sonhos acordadas da vida que eu quero ter um dia. E me canso às vezes de tanto sonhar e o pouco que eu faço não ter resultado. Eu quero tantas coisas e não faço nada. Outras para acontecer não dependem só de mim, afinal entre as coisas que eu quero incluiu um outro. Mas esse é um pensamento errado, eu sei, pois a vida que acontece é aquilo que eu faço dela. Mas quero não apenas viver, mas também compartilhar, como se compartilha pães e tulipas. A Rosalba esquecida pelo outro nos mostra o quanto fazer por si, ainda que sem querer, pode trazer inesperadas surpresas e lá no final das contas realizar-se também com o outro. Eu ainda estou aprendendo a ter uma felicidade só minha. Dizem que o caminho é esse, mas eu queria o atalho e a fantasia.

Será que a gente precisa ter para se desprender? Ter um casamento monónotono e virar empregada dos filhos para descobrir que dá para viver uma outra vida, ainda que com muito menos segurança e estabilidade? Mas nossa geração não terá esse privilégio. Formando famílias depois dos 30, até ter filhos adolescentes e criados já seremos idosos. E aí é que vem toda a gênese do meu desespero: o que eu fiz nesses meus 30 anos? Eu deveria estar aproveitando e algo me diz que a Itália tem muito a ver com isso. É para lá que devo ir? Não sei, mas é para algum lugar diferente de onde estou.

Anúncios

Nossa, quanto tempo não dou as caras por aqui! E eu achava que a vida fosse fácil depois da faculdade! Pelo menos agora consigo fazer academia e um curso… mas olimpíadas e eleições… ufa! acabou! que venha o marasmo de 2009, porque em 2010 começa tudo de novo. E eu nem tenho lido tudo que gostaria, não fico no computador o tempo que gostaria… tá, mais canais na tv a cabo faz diferença, mas nem é tanto assim. E olha que nem assisto mais novela.

Quando foi que roubaram o tempo? Acho que nem sobrou tempo para investigar onde ele foi parar.

Wendy, Victory e Nico

A promessa é de que a série seria sucessora de Sex and the City. É da mesma criadora, mas é mais difícil se identificar com essas mulheres… não só pelo fato de serem casadas ou terem filhos. Mas é porque são muito poderosas, muito ricas e beira ao artificial. Não que eu não goste. Agora acabo de descobrir que já assisti toda a primeira temporada (passa todas às segundas, 22h na Fox, e eis que estou aqui esperando mais um capítulo e começa a reprisar o primeiro).

Elas estão sempre maravilhosas! Vestidos no trabalho que aqui na nossa vida em Porto Alegre eu usaria para ir a uma festa de casamento. Mesmo em casa usam penteados como se acabassem de sair do cabelereiro. Trabalham de mais, a Wendy tem filhos e um marido que adora sexo. Chegando em casa tarde do trabalho, tendo noites quentes e indo trabalhar impecável todos os dias, quantas horas essa mulher dorme? Fora as festas que elas vão por motivos de trabalho e os drinks que tomam juntas (bem menos que em Sex… que as quatro amigas parecem ter dias específicos para se encontrar para o brunch). 

Se fosse me comparar, tirando a infidelidade eu acho que preferia ser a Nico, que é chefe de redação de uma revista, mas quem não gosta de ter um lado artístico como a Victory, que é estilista? Mas se fosse escolher o emprego dos sonhos eu preferia ser a Carrie, do Sex and the City. Não adianta, é insubstituível! Eu achei que depois do filme seria o fim, mas não, está mais vivo que nunca, e olha que só tenho duas temporadas em DVD e as reprises do Multishow. A propósito, já saiu DVD do filme?

De qualquer forma fiz o teste do Lipstick e eu sou a Wendy, que é mãezona, até com seus funcionários, do tipo que abraça alguém quando demite. Para a durona Nico isso é o fim. Já a Victory é amiga, acho que sequer demitira alguém, a não ser quando faliu e foi obrigada. Quem sabe um dia não serei com a diretora do estúdio de cinema, uma mãe de família trabalhadora que se vira em quatro? Bom, com o marido em casa cuidando dos filhos fica mais fácil…

Outro ponto contra a série: passa dublado!

Depois do fim de semana sem Net e com apenas um filme da locadora (Onde os fracos não tem vez – não tenho o que dizer sobre o filme, muito estranho), e já que o Lipstick Jungle terminou, ainda bem que peguei a 4ª temporada do Lost! Eu vi os primeiros no computador, mas sempre trancando, foi muito ruim e não vi toda a temporada. Agora com os DVDs na locadora vou finalmente me inteirar. Tô sempre atrasada com a ilha!

Para quem não sabe cozinhar, morar sozinho requer criatividade na invenção de lanches variados e fáceis de fazer e na compra de comidas prontas.

Já tive a fase do cereal com iogurte, do miojo com molho de atum, do sanduíche natural, torrada, capelleti frito e essa semana para aproveitar a massa de lasanha que sobrou de uma que preparei, improvisei pastéis de queijo.

Com a bebida também, para evitar o refri eu tomava suco de uva de caixinha com gelo, como eu adorava tomar em festas quando ainda não bebia nada alcóolico. Enjoei, passei para o suco de pêssego, até chegar ao de soja e desistir. Ultimamente estou no ice tea que de vez em quando revezo com H2O.

Pizza congelada é uma salvação, mas elas já me tiraram até a vontade de comer uma boa pizza. O único clássico que não muda de fase é o pão com manteiga. Como é bom um cacetinho com manteiga! Mas daí comer pão dá culpa e aí já teve a fase do centeio, integral, pão de sanduíche ligth, não posso nem ver pão de sanduíche. Agora descobri um de milho… Enfim, tenho fases de comidas e depois que enjôo não quero mais saber. Aja criatividade para quem não sabe fazer um feijão com arroz.

Outras dores e delícias

Passada a infância o desejo da Caloi Ceci evoluiu para uma Caloi Ventura, aquela roxa com o banco verde limão. Lembro que ficava em frente da minha casa tomando chimarrão e via uma garota que passava garbosa em cima da sua, livre para circular pela cidade e paquerar os garotos. Eu tinha que esperá-los passar, se é que algum passaria pelo meu portão… Coisa de adolescente.

Foi então que anos depois, quando essa bici já estava fora de circulação, meu pai apareceu com uma usada. Mas eu queria igual, mas acho que teve um rolo até ele deixar que a bicicleta ficasse na nossa casa, coisa de pais separados… ele achava que minha mãe não cuidaria direito, sei lá. No verão eu levei a bicicleta para a praia e 10 dias antes de completar 18 anos, numa noite quente,  eu e a turma da praia saímos a percorrer as ruas de paralelepído do balneário Nordeste com nossas magrelas. Foi então que mesmo andando devagar eu levei o maior tombo da minha vida. A ferradura do freio soltou e trancou nos aros da roda, com a trava inesperada eu voei por cima do guidon e dei de cara no chão. Quando me levantaram minha camiseta estava empapada de sangue eu eu dizia ter visto um clarão. Na verdade, quando caí o aparelho dos meus dentes raspou na pedra da rua criando uma faísca.

Voltamos em procissão empurrando as bicicletas com o sangue escorrendo da minha face. Eu estava tranquila, até ver a cara de pavor dos meus avós e dos pais dos meus amigos. Quando me olhei no espelho, a coisa estava feia mesmo. O aparelho tinha descolado de todos os dentes da frente e cortei o lábio inferior por dentro. Me levaram para uma emergência em Tramandaí. No guichê a pessoa na minha frente reclamava de uma unha encravada enquanto eu ali, com a mão tapando a boca inchada. Quando a moça perguntou o que eu queria eu só tirei a mão do rosto e ela me passou para o médico imediatamente. O mais engraçado era a minha irmã, de tão nervosa ela ria e chorava ao mesmo tempo e quase a atenderam achando que o problema era com ela. Dali fui para um consultório dentário que, não sei porque cargas d’água dias antes eu passei na frente e gravei aquele lugar: dentista 24h. Ela removeu os ferros retorcidos da minha boca e passei vários dias do verão deitada na rede, com o inchaço do rosto eu não ia na praia, nem pude ir numa janta da turma, afinal eu mal podia fechar a boca e comer macarrão em público não seria algo agradável. Foi nestes dias de solidão na rede que resolvi deixar de gostar do meu primeiro amor, do mesmo jeito que um dia resolvi gostar dele. Mas sofri muito, mas nunca tinha sido correspondido…

Uma semana antes do acidente: meu pai andou na bike e na época ele estava meio gordinho. Chegamos a conclusão que essa combinação nas ruas de paralelepído afrouxou a ferradura do feio da bicicleta que causou meu tombo.

Depois disso a bicicleta ficou definitivamente na praia, sem que eu tocasse nela em vários verões. Até que meu avô mandou reformá-la, o roxo e o verde limão deram lugar ao bordô, um banco preto e adesivos aleatórios, não era mais a ventura dos meus sonhos e do meu tombo.

E está lá na praia até hoje. Desde que vim para este apartamento com área de serviço eu quero trazê-la, mas não o fiz. Acho que na real eu preciso realizar o sonho da bicicleta nova.

(falando em praia, a bici velha me ajudou a escapar várias vezes de discussões de família. eu era pequena e quando eu brigava com meu pai eu subia na magrela e fugia até a beira-da-praia).

Estava assistindo ao Camarote TVCOM e um dos blocos foi sobre brinquedos, a propósito do Dia da Criança. Eis que no cantinho apareceu aquela caixa registradora igualzinha a que minha irmã tinha. E a mulher do Museu do Brinquedo da Casa de Cultura Mario Quintana falava sobre Piaget, um cara que estudei no Magistério e aí lembrei de como os brinquedos podem influenciar a personalidade ou quem sabe prever o futuro.

Quando minha irmã ganhou a caixa registradora, eu ganhei a maquininha de escrever. Hoje eu sou jornalista e ela administradora de empresa. Não faz todo sentido?

 

Só que a minha tal maquininha com o slogan “escreve de verdade” não tinha a velocidade dos meus pensamentos. O teclado era um disco e era preciso girar para cada letra que se queria grafar num papel carbono. Isso mesmo, não havia fita, era um carbono que imprimia no papel as letras do disquinho. Foi então depois de me frustrar com o brinquedo e encher muitas folhas de caderno com minhas poesias e pretensos romances com finais piegas é que meu sonho de consumo passou a ser uma máquina de escrever. Mas eu não queria portátil, não, queria uma coisa profi. Meu pai sempre com suas idéias e sem ter como convencê-lo ao contrário, comprou uma usada, que de tão antiga só tinha letras em formato de caixa alta. Para diferenciar maiúsculas e minúsculas, oo tamanho do corpo era diferente. Tenho que guardar essa relíquia, vai que um dia eu me torne escritora… e com a onda retrô e que eu curto, vai combinar com a decoração quando eu tiver mais espaço.

Mas voltando aos brinquedos. Eu não guardei quase nada da infância, uma pena. Não que eu estragasse, eu cuidava… minha mãe que não os teve, cuidava mais ainda. Mas sei lá onde foram parar… Nem a minha Barbie que precisei numa cadeira idiota de publicidade que fiz na faculdade eu encontrei, acabei usando uma do Paraguai mesmo. Ainda tem o Banco Imobiliário que ficou na casa da praia e que meu irmão pequeno quer para brincar de assaltar (pode? influência do GTA). O Cara a Cara que eu adorava não sei onde foi. Dei de Natal para meu irmão há uns dois anos, mas eu gostava mais que ele… acabou que ele também perdeu as peças, e os personagens mudaram de nomes! A Sonia, o Henrique… ganharam nomes mais contemporâneos!

Foi então que pesquisando para achar as imagens da registradora e da maquininha de escrever que encontrei esse blog com coisas dos anos 80 e 90 e várias lembranças vieram à tona. Alguns brinquedos me marcaram, outros eu invejei apenas e alguns só brinquei porque uma prima, coleguinha ou vizinha tinha. Você se lembra?

Brick game – meu pai tinha um bazar e papelaria. Ele vendia muitas coisas made in china. Eu tinha uns 15 anos e “trabalhava” com ele. Adorava estar entre papéis e canetas. Odiava tirar xerox, suspirava pelas caixinhas de música em forma de cômoda e jogava com os brick games que estavam à venda quando não tinha clientes na loja. Ah, trabalhar era bom e eu não sabia…

Agenda eletrônica – a minha não era dessas, era uma do paraguai que meu pai também vendia no bazar. Cabia 50 telefones! E na época a maioria das pessoas em Sapucaia nem tinha telefone em casa mesmo… Celular? Só o tijolo da motorola que meu pai carregava.

Lapiseira Poly – sair do 1.6 (era assim aquela grossa?) até chegar a 0.5 era uma evolução e tanto!

Miniatura supermercado – essa minha irmã tinha para eu fazer as compras e ela registrar na sua registradora!

Pip Pop – É uma das lembranças mais antigas que tenho de um brinquedo. Vai ver por isso adoro pipoca. Não lembro de tê-la usado! Não sei se porque não funcionava mais quando já estava mais grandinha, acho que era com resistência que funcionava. Junto da pipoqueira lembro que eu tinha duas cuias de chimarrão bem pequenas e uma bomba, mas a mãe não deixava eu usá-la de jeito nenhum. O motivo (que eu não recordo): certa vez eu teria colocado talco como se fosse erva.

Mimeógrafo – lembro da primeira vez que escrevi em uma matriz. Eu estava na segunda série e baseada num livro que li nas férias, Tico vai a cidade (hahaha) criei minha primeira história. A professora gostou tanto que pediu para eu escrever na matriz para distribuir aos meus coleguinhas. No estágio do Magistério eu usei muito mimeógrafo. Lembra do cheiro das provas? Até hoje não sei como professores da 5ª série em diante davam aula sem xerox.

Boliche – com pinos de canetinha! Eu tive

Fofi Dog – o meu é igualzinho a esse aí do link. Este e o da minha irmã ainda está lá na casa da mãe… acho que perto do Natal ela ainda dá banho neles como fazia sempre com todas as nossas bonecas.

Abelhudo – nem lembrava que tinha esse nome, visto que brinquei muito pouco e logo estragou. O meu era o branco e o da minha irmã o vermelho. Tu dava corda e ele mexia as patas e o rabo. Os nossos estragou logo de cara, meu pai tentou consertar e acabou desmontando tudo e nunca mais conseguiu montar!

Papéis de carta – tenho uma pasta lotadinha até hoje! E um que mostrava uma casa apor dentro era a minha relíquia, consegui trocar uma vez e depois as meninas me invejavam e ofereciam de tudo por ele… E quando eu inventava de reorganizá-los? Uma tarde inteirinha tirando e colocando nos saquinhos da pasta.

Chuquinhas – com um ano e dez meses de diferença eu e minha irmã ganhávamos quase os mesmos brinquedos para não dar briga. Então essas chuquinhas nós tínhamos várias, só variava o acessório, mas algumas eram repetidas.

Boneca de papel – adoravaaaaa montar as roupinhas. Agora dá para fazer isso na internet. Não é incrível?

Pião – esse era igualzinho o do meu pai, sim de quando ele era criança. Quando eu era pequena os brinquedos mais interessantes não eram os meus, mas os do meu pai, que ele tinha guardado numa espécie de tonel. Nós não podíamos mexer, para não estragar. Dito e feito, quando ele liberou não sobrou muita coisa para contar história.

Brinquedo de parque de diversão – esse primeiro que aparece uma vez passei a tarde nele cheirando a lona quente. E quando alguém pulava de um lado tu caía do outro e batia com as costas nos ferros de sustentação que tinha embaixo. Por que fiquei tanto tempo dentro desse brinquedo insano? Era o único no parque que a gente podia ficar o tempo que quisesse.

Caneta maluca – acho que a minha era promocional dos pneus Michellan, meu pai ganhou. Acho. 

Meu primeiro Gradiente – o meu foi o primeiro mesmo. E lembro do dia que estava na casa de uns primos de uma colega de escola, pois eu ai posar na casa dela, e fomos na sua tia. Os guris estavam jogando bola dentro do apartamento e quebraram o suporte do meu microfone! Bem mais eficiente que a máquina de escrever, mas não me incentivou a ser uma jornalista de rádio.

Peposo – não é o urso mais feio que já existiu? Por que diabos a gente gostava disso? Lembro que o pé era de borracha gordinho, quase tão nojento quanto o bico da minha mamadeira e que o pelo ficou embolotado que nem cobertor velho. (Pior que ele só mesmo o Fofão… esse eu não tive).

Álbum Amar é – esse acho que cheguei quase a completar, o meu era em formato de coração.

Pense bem – sonho de infância não realizado!

Essa era a bicicleta da minha infância (e da infância do meu pai!) só que na minha não estava toda original como essa aí... ela tinha a cor da nossa casa, foi pintada com o mesmo verde escuro. Não é tudo que o uma menina não quer?

Caloi Ceci – essa sim, uma das maiores frustrações da infância. Nunca ganhei uma bicicleta. Meu pai reformou uma antiga, que era dele (igual essa da foto), pintou de verde escuro e nela embalei muito sonhos e fantasias de como eu poderia ter uma bicicleta nova. Eu andava nessa velha sem freio e nunca vou esquecer do dia que desci uma lomba com uns cachorros acuando nos meus pés e sem freio atravessei a encruzilhada e passei raspando por um carro que atravessava a via. Minha prima ganhou uma ceci rosa bebê e eu ralei os joelhos andando nela e me disseram: quando casar sara. Mas eu ainda nem comprei a minha bicicleta! Sério, eu não paro de olhar as propagandas em jornal, tô louca para comprar uma e andar por aí. E se bobear vai ser com cestinha e tudo. Agora o sonho é mais fácil, afinal tenho o dinheiro para pagá-la. Mas e as necessidades racionais de adulta que são colocadas sempre na frente? Parece que eu cresci, né?

Não tem só brinquedos neste blog, mas programas de tv, propagandas, discos, DinOvo, Porta dos Desesperados, móveis da Barbie, Legos, A La, Le, Li, Lo, Lu Patinadora, A Magic Face (minha irmã tinha, nessa época eu achava que nunca usaria maquiagem na vida e nem pintaria as unhas, tudo que a boneca fazia), o Pula Macaco, fita K7 Basf, Bolinha de Sabão (a boneca), Bem-me-quer (essa eu só tive uma colcha), tem materiais escolares, balas soft (quem nunca se engasgou com uma dessas?), copos da Pepsi dos Trapalhões, Redley (usei com fita tape!), aquaplay, mola maluca, ping pong e muito mais. Com certeza você vai lembrar de outros 12 de outubros bem mais divertidos.

Agora tem coca-cola (e zero) de 1,5 litro! E eu tinha adquirido o bom hábito de não comprar mais refrigerante, porque uma garrafa de 600ml custa quase o mesmo que 2 litros, e se eu compro 2 litros eu tomo 2l, ainda que choca.

Já leite que faz bem eu parei de comprar quando acabaram com as caixinhas de meio litro.

É o mercado abrindo os olhos para o nicho single

Outras Dores e delícias

Depois dessa humilhação nunca mais voltei ao RPM (até porque os horários não fecharam muito), mas evitei mesmo. Hoje resolvi fazer o tal de power jump. É tanto jump que tive que confirmar mesmo se era o que eu estava pensando, porque aquele que tem que levantar pesos eu não me arrisco… com certeza derrubaria no pé ou derrubaria alguém com a barra.

Pois bem, foi mais uma aula que na segunda música eu comecei a olhar para o relógio e não parava mais. Só dei uma pausa na secagem dos ponteiros quando teve uma seqüência de exercícios “mais leve” para que a gente conseguisse ir até o fim.

Desde uma aula de estepe que fiz há uns 13 anos não tinha mais encarado a coreografia dessas aulas porque eu vou pra lá enquanto todo mundo vai para cá. Mas cheguei numa idade que consigo superar isso, embora no início da aula foi meio complicado. Mas a professora foi clara, eu não poderia parar no meio e me incentivou dizendo que eu estava muito bem para primeira aula. Mas por que raios não se faz um movimento 2o vezes e depois outro mais 20 e assim por diante? Quando tu pega um passinho, muda para outro e outro e aí mescla tudo e dá-lhe uma língua que eu não entendo (tentei lembrar alguma expressão mas não lembro!).

Mas sobrevivi! Afinal meu condicionamento já melhorou um pouquinho… E claro que tudo é hábito, se acostumar com o jump, decorar a coreografia. Nos anos 80 eu sabia vários passinhos!!! Resta saber se voltarei para a aula… tô reconsiderando o RPM.

Tem uma posição da aula de pilates que me levou à reflexão e não à flexão. Quando subimos em uma base e com os pés um na frente do outro e bem juntos, esticamos o braço e ficamos equilibrados. Aí o professor manda fechar os olhos e o corpo começa a pender para um lado ou para o outro, faz força para manter-se firme, olhos na direção do horizonte sem enxergá-lo.

Isso porque o equilíbrio é também uma experiência visual. Aí lembrei do livro que foi fundamental no meu trabalho de conclusão sobre linguagem visual, tinha uma parte dedicada a isto:

“A mais importante influência tanto psicológica como física sobre a percepção humana é a necessidade que o homem tem de equilíbrio, de ter os pés firmamente plantados no solo e saber que vai permanecer ereto em qualquer cirscustância, em qualquer atitude, com um certo grau de certeza. O equilíbrio é, então, a referência visual mais forte e firme do homem, sua base consciente e inconsciente para fazer avaliações visuais.  (…) O equilíbrio é tão fundamental na natureza quanto no homem. É o estado oposto ao colapso. É possível avaliar o efeito do desequilíbrio observando-se o aspecto de alarme estampado  no rosto de uma vítima que, subitamente e sem aviso prévio, leva um empurrão.” (Sintaxe da Linguagem Visual, Donis A. Dondis)

Bom e daí o texto vai explicando porque algumas formas não são usadas nas linguagens visuais, pois geram tensão e desequilíbrio. O círculo por exemplo, não é tão equilibrado como um quadrado, mas quando o vemos impomos um certo equilíbrio criando um eixo vertical e imaginando uma base horizontal. É por isso que a gente nunca vê num jornal ou numa revista uma forma de ameba, por exemplo, a não ser que tu queira chocar mesmo e não prender a atenção do espectador.

Ele ficou na campanha para angariar adversárias, mas estava lá registrando o momento

Pela primeira vez me meti no meio da mulherada para pegar o buquê sem constrangimento. Antes eu ficava lá meio que por ficar, num embate de pego não pego, como se isso pudesse mesmo decidir meu destino, um destino para qual eu ainda não tinha certeza se queria me atirar (mas que admiti aqui )

Então eu ficava no fundo do bolo, me esquivando para não ser derrubada pela mulherada e fingindo que lá seria o lugar ideal. Dessa vez não, fui lépida e faceira, disposta até a mudar de estratégia, ou seja, ficar na frente, porque com a onda de casamentos tenho notado que as noivas não tem força suficiente para jogar as flores além da primeira fila. Bom, não demorou para as desesperadas ficarem na minha frente e eu estar de novo no final. Com salto altíssimo eu não estava muito disposta a disputar os primeiros lugares e muito menos me tapear com as outras convidadas pelo buquê despedaçado, como a rosa que brigou com o cravo na cantiga. Nessas alturas eu comemorava mesmo é o fato de assumir que sim, eu estou querendo pegar o buquê. Pois bem, ao som de “elas estão descontroladas” ele parou na lateral da primeira fila aos pés de uma menina que tá longe do compromisso mas que se agachou e pegou antes da leva de mulheres que se jogou aos seus pés. Humilhação também não, né?

Mas o fato que essa minha disposição tem a ver com meu momento de vida. Algumas mulheres desde os 15 anos já pensam nisso, inclusive ganham coisas para o enxoval nessa data. Eu não, só agora, aos 27 anos, tendo conquistado algumas coisas é que me sinto apta a assumir isso. E o principal é ter alguém ao lado com quem se quer compartilhar a vida, sem isso não há glamour de festa que enseje o desejo de ter a sua. Sou muito mais movida pelos meus sentimentos do que pelas convenções.  E rituais só tem sentindo quando representam o que se sente. 

Também estou influenciada pela moda, casamento está em alta e não há quem não se empolgue ao ver duas pessoas unindo suas vidas, até eles ficam influenciados… E estou na fase dos casamentos (nossa vida é dividida pelas festas: os 15 anos, depois vem as formaturas… e os casamentos dos amigos e familiares – quando começar as festas de 1 aninho aí sim vou achar que estou ficando para titia), se não pintar mais ninguém, a próxima é minha melhor amiga e aí não tem como não se envolver. Desde o da minha irmã tem aparecido muitas festas de casamento, comparando aos últimos, sei lá, 20 anos…

Mas todos os dias eu abro o jornal e olho os anúncios e ainda suspiro por uma bicicleta!

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 24 outros seguidores

Twitter

Principais mensagens

Top Clicks

  • Nenhum

Blog Stats

  • 244,621 hits
outubro 2008
S T Q Q S S D
« set   nov »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031