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Mover-se é viver!

A frase é do personagem de George Clooney em Amor sem Escalas e, por mais inverossímel que seja a existência dele, sempre viajando, praticamente sem casa, entre uma cidade e outra demitindo funcionários de empresas falidas e fazendo palestras motivacionais para as pessoas não se comprometerem, tudo que ele diz fez muito sentido para mim.

Por muito tempo fiquei enchendo minha mochila de pesadas bagagens: família, relacionamentos, trabalho, casa e contas para pagar. Tudo isso começou bem cedo, antes que eu tivesse me movido e portanto, vivido muitas coisas. E isso ainda está pesando, mas eu já decidi que vou viver.

Embora no filme possa parecer conversinha fiada, mudar de emprego pode sim te trazer oportunidades melhores. Ainda que não sejam melhores oportunidades na carreira, podem ser melhores chances de viver, de ser feliz em diversos setores, a carreira é só mais um deles. Eu não sei se sou inconsequente ou uma sábia, que antes dos 30 cheguei a conclusão que é melhor ser feliz, fazer o que se gosta (ainda que isso não seja o que te faz bater ponto) do que se dedicar a uma carreira, com a qual talvez seja seu único casamento, ou pior, sua única companhia.

E o filme deixa claro como é bem mais difícil não se comprometer do que ao contrário. Requer toda uma técnica, logística e método. No caso de Ryan era viajar, mover-se também pode ser fugir. Mas uma coisa é certa, a solidão só bate se a gente para, e isso vale também para quando a gente se acomoda, seja no trabalho, nos relacionamentos ou adiando sonhos, não tentando compensar um lado não realizado que pode te levar a realizar outros desejos.

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Adorei a cena em que eles falam sobre como os critérios para ficar com alguém vão diminuindo quando se vai ficando mais velha. Fui no cinema com uma amiga e antes tomamos chimarrão. E eu lhe disse: temos que ir contando os pontos individuais: é alto, bom papo, magro… cada coisa vai valendo pontos, mesmo que o conjunto não pareça tão interessante. Mas para nós, ter cabelo ainda é imprescindível!

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Uma grande jornada se encerra na minha vida. Agradeço muito aos amigos que fiz e que levo comigo, as oportunidades, as portas que se abriram, o aprendizado e a experiência.

Com certeza tudo que vivi e aprendi nesses seis anos serão de grande valia para o novo caminho que se abre para mim. E como diz uma das 79 teorias que tenho no meu blog, não importa o final, o que conta é a história. O importante é o percurso, o meio, o recheio, a trajetória… Não é por falta de contatos que vocês não vão me convidar para um chopp.

Foi com essas palavras que me despedi de uma vida. Não sei se escolhas certas ou erradas me levaram até elas, mas é certo que se eu não tivesse arriscado eu não saberia e poderia estar frustrada, como eu estava agora, em que nos últimos dois anos minha vida estava parada. E eu estava numa função para qual fiquei sabendo que seria a minha durante uma reunião coletiva. Sequer fui avisada antes ou consultada e deu no que deu.

Nesses últimos meses eu pensava que era melhor ter ficado nas minhas origens, mas se lá tivesse ficado não teria chegado a um lugar que sempre quis e depois deixei em nome de voos maiores. O fato é que todos que disseram que as portas estariam abertas, me fecharam quando eu quis retornar. Mas tudo bem, ainda acredito nos desígnios de Deus e do destino e tenho certeza que se abrirá um caminho maior agora.

Foi muito bom receber o carinho dos amigos, nessas horas a gente vê quem são. As pessoas que prometeram as portas, sequer tiveram coragem de mandar um “boa sorte”, mas talvez seja menos hipócrita assim… E também sou capaz de entender seus motivos.

E eu tinha deixado de ser a pessoa querida e simpática que eu era nesse ambiente, tinha virado ranzinza, com um certo “ranço”. E quando via algumas injustiças, me sentia cúmplice. Pode parecer bobagem, mas é como eu me sinto. Podia nem ser comigo, mas mesmo assim eu não conseguia deixar de me espantar. Graças a Deus não perdi essa capacidade!

E a opinião de um pequeno grupo de pessoas não é a verdade. Como disse um amigo, eu que estava precisando demitir essas pessoas da minha vida.

Eu sei que estou num momento tão bom da minha vida que isso não me abalou, pelo contrário, estou bem entusiasmada com as possibilidades. Acho que é hora de parar de ter medo dos sonhos e finalmente ir vivê-los. O mundo me espera!

Abaixo uma mensagem do Fernando Pessoa que recebi da minha querida amiga Mônica. Linda, foi a única coisa que me fez arrancar umas lágrimas, mas mais de alívio do que tristeza. Há tempos elas deixaram de ser minhas companheiras.

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final… Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu…. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora… Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida .Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”

Eu aprendi a me desprender de pequenas coisas que me faziam sofrer caso perdesse. Também aprendi a parar de entender porque as coisas acontecem, principalmente em relação aos relacionamentos. Acho que essas duas lições é que me permitem ser feliz agora.

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