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Desde que comecei a ler Quase Memória, do Carlos Heitor Cony eu quero colocar um post sobre ele, tal o fascínio que o livro exerceu sobre mim. Já terminei de ler, continuo fascinada e portanto, tenho que recomendar.

O obra foi lançada depois de Cony ficar 20 anos sem publicar um romance e este é um quase-romance. Cony recebe um pacote que reconhece ser de seu pai, dez anos após sua morte. Enquanto observa o embrulho ele recorda a grande figura que foi o jornalista Ernesto Cony Filho. Me apaixonei por este homem entusiasmado pela vida e cheio de técnicas mirabolantes. Uma pessoa simples que não se deixava abater pelas adversidades. Um grande pai, um grande jornalista, um grande homem. Não sei até que ponto tudo é real ou ficção, e claro que Cony por admirar seu pai pode estar exagerando, é a sua visão de filho coruja. Mas mesmo assim, queria ter um pai como este. O único fato que me incomodou foi ele ter traído sua esposa, mas isso meu pai também fez, então…

A minha vontade era ler cada vez mais o livro, mas ao mesmo tempo, não queria que ele terminasse. Foi assim quando li o romance de estréia deste mesmo autor, O Ventre, que também recomendo. Me iniciei em CHC com Romance sem Palavras, e foi o menos melhor dos que li dele até agora. Ainda bem que ainda tenho mais dois volumes novinhos do Cony me esperando em casa.

Mas conhecer este jornalista que atuou antes mesmo de existirem as máquinas de escrever, me faz pensar que nasci na época errada. Eu já tinha essa sensação em relação aos Beatles e a música dos anos 60 e 70. Agora em relação a minha profissão. Não querendo defender a não formação acadêmica, mas os grandes jornalistas nunca a tiveram. Saio da faculdade com a impressão de que fiz um curso técnico do Senai ou Senac (não menosprezando estas entidades), mas sinto que foi tempo perdido os anos que fiquei no banco universitário aprendendo como escrever sem pensar sobre o que estou escrevendo. Vendo no final do curso os colegas levarem um grupo de música para fazer uma entrevista na rádio e não saber que tipo de música a banda toca! São muito pouco os que trabalham na área e ninguém será um grande jornalista, até porque hoje, assim como o furo, são coisas que já não existe mais, para o bem ou para o mal. E tudo que sei um pouco a mais, que atino, foi porque sempre trabalhei na área e me considero jornalista desde os 19 anos, quando publiquei minhas primeiras matérias num jornal da cidade. Se Nelson Rodrigues começou com 15, eu também posso contar que já sou jornalista há 5 anos.

E engraçado que durante a leitura do livro, recebi uma carta registrada. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Pensando no pacote que Cony recebera do pai e quem me mandava uma encomenda? Sendo que eu estou morando há três meses no novo endereço. Desconfiei ser a Gi, lá do Mato Grosso, não era. Dúvida até ir ao Correio. Era só o talão de cheques… O banco mudou o sistema. Eu sabia… mas não havia solicitado.

E a leitura do livro foi outro motivo que me fez repensar a questão de filhos: ter ou não ter. Quando escrevi este post sabia que tinha um outro motivo que não lembrava. Era a admiração. Foi o pensamento ligeiro que correu em minha mente que eu talvez pudesse ser tão admirada por um ser como Cony-pai o foi pelo seu filho. Não por egoísmo, não por vaidade, mas pela sinceridade do sentimento que um filho pode ter, embora muitas vezes reconhecido tardiamente. Mas isso não incomoda a pai e mãe, seu amor é sublime e como se diz, a gente só consegue entendê-lo quando tem os próprios rebentos.

Mas Ernesto Cony Filho me motiva. Como ele, de agora em diante, sempre vou dormir pensando: “Amanhã farei grandes coisas!” E tenho que acreditar nisso ao final do dia, pois assim, não me angustio tanto com essa urgência que eu tenho em viver.

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Depois do metrosexual

Do retrossexual

Surge o übersexual


E as classificações não páram por aí. No link acima, tem mais explicações.

Como machista assumida, acho que homem que é homem não precisa de classificação nenhuma. Mas que estes aí tem a minha admiração, ah isso tem (suspiro)!

Quem tem a companhia de um livro, nunca está só.

“Viver é estar no mundo
às vezes a tona
às vezes no fundo.”

(Olegário Schmitt)

Ando enlouquecida, sem tempo para nada. Não consigo parar, pelo menos, não consigo pensar…

Não gosto de bagunça. Procuro sempre deixar a minha casa em ordem. Às vezes parece que ninguém mora ali, outras faço uma bagunça deliberada, como quando vou escolher uma roupa. Mas o que eu mais gosto são as bagunças com personalidade, como neste domingo, que sentada no tapete da sala para ler jornal, deixei os cadernos espalhados, o telefone no chão e o chimarrão ao lado.

O palavrão acima é o título original, em alemão, da ópera que assisti no sábado, no Theatro São Pedro. O empresário de teatro, de W. A. Mozart é uma adaptação brasileira de uma obra criada há mais de 200 anos. Para comemorar os 20 anos da Orquestra de Câmara de Porto Alegre, a ópera com versão inicalmente criada para o público carioca, foi adaptada para o gauchismo por Tatata Pimentel. Esta não era uma ópera tradicional, se enquadra numa categoria, que até o século 19, era chamada de singspiel, que é uma ópera alemã com diálogos entre as partes cantadas.

Bom, explicações a parte, gostei muito. Quanda o Orquestra tocou a abertura cheguei a levar um leve susto, um susto por dentro, uma dissonância entre meus olhos e ouvidos. Acostumada a escutar música clássica em aparelho de som, não parecia que o as notas vinham dos instrumentos, de tão perfeito. E descobri a beleza que vozes bonitas podem dar à música.

Bom, mas não foi tudo perfeito, embora superável pela beleza do espetáculo. Eu saí do trabalho no sábado e fui comprar meu ingresso. Só tinha para as galerias, os outros já haviam todos sido vendidos, inclusive na segunda-feira, quando terá uma segunda apresentação, só tinha mais alguns camarotes. Bom, se não havia escolha… deixando para segunda, eu acabaria não indo. Não sabia que tanta gente gostava de ópera em Porto Alegre, mas os dois decênio da Orquestra também motivava. Cheguei uma hora e dez minutos antes do espetáculo começar para conseguir o melhor lugar no pior lugar do teatro. Só eu, um grupo de senhoras e D. Eva.

Bom, mas quando foi aberto, lá pude escolher o melhor lugar na claustrofóbica Galeria Central. Pois sentei bem no meio, no segundo degrau. Eu tinha esperança de conseguir um lugar nos andares abaixo depois que o espetáculo começasse, mas deixei isso de lado… Sobrou lugares nos camarotes, naqueles que são piores que as galerias e também na primeira fila da platéia… de certo reservados para convidados que não vieram, mas não saí do meu lugar.

O texto com piadinhas superadas (a ópera era de humor) era totalmente dispensável, mas não chegou a incomodar. O que me perturbou foi um ícone pós-moderno. Pois fui pela primeira vez numa ópera, e não é que era legendada!? Tinha um telão traduzindo. Detestei! Não só por ser um contraste muito grande com o tipo de espetáculo, mas também porque fiquei atrás do magnifício lustre e só consegui ler alguns fragmentos. Mas deu para entender, até porque li sobre a história da ópera e este recurso era dispensável.

Bom, terminado o espetáculo, fui levada pelo meu vizinho de galeria a conhecer o barítono, que tinha sido seu professor. Cumprimeitei todos os artistas, visitei bastidores, vi o São Pedro do palco, conheci os camarins. Ouvi do barítono um comentário em off que se fosse em épocas do apogeu do teatro eu teria me tornado uma jornalista famosa por publicar isso. E presenciei uma cena muito singular. Quanto estive no camarim, o barítono estava vendo pela primeira vez uma irmã que tem por parte de pai. Esta seria uma boa pauta para um tipo de jornalismo que não se faz mais…

Só espero, que a casa praticamente lotada mostre a receptividade dos porto-alegrenses para óperas e que outras possam ser apresentadas no palco de nosso teatro.

By Amanda Costa

Sábado
Zarpar para o futuro pra que, se entre os mortais há quem esteja louco para fazer duas mil e várias odisséias com você? No presente, no day by day, aqui-agora mesmo, há tantos mergulhos possíveis… Entre na onda. Siga a melodia, acerte o passo consigo e com seus pares. Intectualizar, racionalizar e verbos semelhantes? Ah, deixe isso pra lá.

(eu não li no sábado, mas entrei na onda de um mergulho possível no sábado. essa coisa de zarpar no futuro é a minha imaginação que às vezes voa longe demais e não me deixa enxergar em volta no presente e talvez deixe mesmo passar estes mergulhos possíveis. estes verbos! nossa sofro tanto por verbalizar algumas coisas. tenho me dedicado tanto ao intelectualizar e sinto repúdio e afastamento de algumas pessoas… e se eu passo a racionalizar! ah, daí não sinto mais…)

Domingo
Poderia haver menos bolhas nesse seu aquário, não? Tempestade em copo d’água, pra quê, caríssimo?! Nem sal de fruta pode curar. Relaxe e reflita. Duas vezes pra garantir. Não há problema em reconsiderar. Voltar atrás não vai atrasar a sua vida, pelo contrário. Você sabe que está precisando de um carinho, de um abraço. Tem gente a fim de lhe dar.

(refletir duas vezes, essa é boa! geralmente penso e digo é isso e pronto! aí, claro, não reconsidero. o resto é melhor nem comentar… deixa o tempo passar e me levar).

P.S: eu já falei aqui que não dou tanta importância assim para horóscopo, mas sabe que eles me dão bons conselhos de vez em quando. Estes dois são exemplos. Aconselho: leia o seu horóscopo. Porque como disse aquele poético, feito pelo Carpinejar, eu ao receber excremento de aves, chamo a sujeira de sorte… tiro dessas pequenas bobagem, grandes lições.

Estava atravessando a pé o estacionamento do Big ontem e pensando que eu me encaminhava para mais um fim de semana by myself. As mesmas comprinhas de sexta para um fim de semana Bridget Jones: guloseimas, vinho e debaixo do edredon. A cena e a trilha já estavam na minha mente, igualzinho no primeiro filme:

I was alone
I was all by myself
No one was looking
I was thinking of you
Oh yeah, did I mention
I was all by myself

All by myself
All by myself
All by myself

Entro no supermercado, depois de uns três minutos zanzando, percebi que a música estava tocando no super. Conspiração! Conspiração para me deixar deprê. Fiz o mesmo roteiro das compras de toda sexta-feira: pizza, frios, pães, vinho, moça fiesta, coca ligth e mais algumas coisinhas que o fim do mês levara, como iogurte e cereal. Quando cheguei ao caixa lembrei que hoje não é dia de fazer compras! Uma pessoa solteira deve ir a um hipermercado somente no domingo. Por sorte a moça do caixa rápido deixou eu passar com mais de dez itens, mas não chegavam a 20.

Pois hoje fui trabalhar. Odeio trabalhar no sábado, porque além de ser fim de semana, não trabalho na minha área, mas o pior de tudo mesmo é acordar cedo. Aperto no Passe Livre, peguei dois coletivos para compensar a demora do meu ônibus, que passou quando eu estava na outra parada. Esforço em vão. Mas trabalhar tem sido uma boa ocupação, bem como a aula, visitar a família… fico com menos tempo para pensar.

Mas chegando no trabalho, resolvi ir atrás do caderno Cultura, do jornal Zero Hora, que gosto muito. Resolvi olhar o Segundo Caderno, embora já tencionava levar para casa a edição dominical que também teria os horários do cinema. Descobri que seria apresentado hoje uma ópera de Mozart no Theatro São Pedro. Fiquei empolgadíssima. Já me vislumbrei lá. E vou ir. Sei que para esta empreitada não terei companhia. Mas não me importo, afinal, não é todo mundo que curte.

Como são as coisas! Há pouco tempo pedi por uma ópera aqui. Embora pela duração, de 60 minutos, deva ser uma opereta, eu conto depois como foi…

Desde que li o livro do Diogo Mainardi não deixo de pegar a Veja e ir a cata de sua coluna em cada sala de espera que eu vou. Hoje eu li uma coluna de junho, que ele falava de seu segundo filho, que nasceu no dia 16 daquele mês, no dia do Bloomsday, que ficou conhecido pelo personagem do livro Ulisses, de James Joyce (que eu não li e tenho medo, há um mito, várias pessoas não conseguem ler este livro).

Mainardi dava dois conselhos: tenha filhos, muitos e quanto antes, que é para dar tempo de ter uma prole grande e leia Joyce.

Eu nem posso pensar na primeira hipótese. E não falo isso como algo para agora, mas para toda vida. Sempre disse que não quero ter filhos, mas hoje passando em frente a uma casa para terceira idade e depois o conselho do Diogo… Sempre tenho vizinhos velhos e solitários e isso me assusta um pouco, não sei o quanto mais que ter filhos, mas… enfim! as pessoas sempre disseram que eu vou mudar de idéia. E ainda não mudei, mas já passo a admitir que talvez eu possa mesmo pensar diferente no futuro.

Por hora, acho que é melhor eu ir ler Joyce mesmo.

Agora peguei a mania de falar e escrever a seguinte expressão:

Mas… enfim!

É quase como um suspiro, um lamento, uma conformação.

Eu não acho ruim não ter namorado. O que me incomoda é não ter parceria para jantar fora, beber num bar ou viajar.

Como disse meu psicólogo, quando a gente vai ficando mais velho, cada vez mais ficam escassos os programas, as festas e as parcerias para tudo isso. É por isso que quando jovens jogamos futebol e quando ficamos mais velhos, jogamos tênis.

Essa música da Adriana Calcanhoto enquadra bem este momento…

Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?

o resto nem vale a pena colocar…

O mundo dá voltas
Para uns anda pra frente
Para outros, volta pra trás

SORRIA

Mesmo que você não esteja sendo filmado.

Tem filmes e livros que a gente tem idade certa para assistir ou ler. Neste sábado assisti novamente Pulp Fiction, do Quentin Tarantino. Parecia que estava vendo pela primeira vez. Eu o tinha visto há uns sete, oito anos e achei confuso. Ainda não estava acostumada com uma montagem não linear. Mas agora que este recurso não é mais novidade e consegui entender o confuso 21 Gramas, desconfiei que tinham colocado o Pulp na seqüência correta, mas foi só impressão. E ontem percebi que é realmente um filmão este. Eu não tinha maturidade para entendê-lo quando assisti a primeira vez, sem contar que pude revisitar a trilha em suas cenas. Excelente! Aliás, se tem uma coisa que os filmes do Tarantino tem de melhor, além do filme, é a trilha sonora. E depois de Kill Bill fiquei fã da Uma Thurman, e vê-la morena é um elogio.

Eu não entendo nada de Tarantino, de repente algum crítico até já falou sobre isso (até vou dar uma pesquisada depois), mas Kill Bill nasceu no Pulp Fiction. A história do seriado que Mia participou de um piloto, sobre cinco raposas, é a história do grupo de assassinas de Kill Bill. Uma loira, uma morena, uma oriental e ela era especialista em facas… aí está o grupo da Mamba Negra! E a espada empunhada por Bruce Willis … quase um flash forward, se é que se pode utilizar a expressão entre-filmes.

A vida é engraçada. Na sexta, do trajeto entre a parada de ônibus e o trabalho pensei no Herbert Viana. Eu devo ter pensando no meu irmão e associado, pois lembro que o pensamento que tive foi que além do cara não caminhar mais, ainda tinha perdido sua mulher, seu amor.

Eu nem sabia que ele estava em Porto Alegre e faria show neste dia. E pelos caminhos do destino acabei indo no Encontros Tim, no Gigantinho. Foi legal ver eles tocando antigos e novos sucessos do Paralamas, com a participação de Dado Villa-Lobos (que estava um tesão!) e algumas clássicas do Legião.

O Marcelo D2 eu não curti muito, mas o cara que fez a música Seven Nation Army, do White Stripes utilizando somente sua boca e um microfone merece meu respeito. E claro, Chorão é sempre legal.

Acho que um ano de solteirice foi bem comemorado! E a propósito: hoje é dia do solteiro.

No post abaixo, o motivo por eu ter ficado feliz. Fiz mistério porque o meu editor não tinha comunicado todo mundo oficialmente, mas minha editora fez na segunda, e acho que já está quase todo mundo sabendo mesmo.

Ainda faltam seis meses para que eu me forme e me torne legitimamente jornalista por formação acadêmica e eu consegui uma colocação como diagramadora, a área que eu pretendo trabalhar desde o segundo ano de faculdade e que foi objeto de estudo do meu trabalho de conclusão – já feito e aprovado desde o ano passado.

Estou com o coração partido por deixar o jornalismo online, que aprendi a gostar trabalhando, já que na faculdade ele é pouco e mal explorado, e continuo acreditando que ele um dia ainda vai acabar com as rotativas. E também pelas pessoas com quem trabalho. Mas estarei do ladinho, no outro prédio, e ainda na mesma empresa.

Com a euforia de ter chegado lá, um filme se passou na minha cabeça:

Eu me lembro do dia que saí do cursinho com o resultado de que havia passado no vestibular e com o currículo do curso. Vim olhando no trem e de tão fascinada das cadeiras que ia cursar, acabei perdendo a estação que tinha que descer. Naquela época eu nem sabia que existia diagramação. Mas passado o primeiro ano na Universidade, consegui estágio num jornal de Esteio e fui trabalhar na sucursal de Sapucaia do Sul. Seis meses ralando para fazer reportagens, tendo que ir aos lugares de ônibus e cobrir e tirar fotos ao mesmo tempo com uma antiga Pentax toda baleada e fui promovida a editora do jornal, mas continuava estagiária! Jornal pequeno é assim mesmo. Eu tinha 19 anos e mergulhei em todos os Manuais de Redação que conhecia e até o que não conhecia e descobri na época. Revisando e editando o jornal, acabei me aproximando da diagramação e quando vi já estava acumulando mais esta função, além de tratar as fotos também. O jornal também tinha gráfica e acabei aprendendo algumas coisas de impressão. O período neste jornal foi tão traumatizante na área de reportagem, que ali decidi que queria ser jornalista de redação. Aquela que não levanta a bunda da cadeira a não ser para tomar um café.

Passado exatamente um ano trabalhando 9h por dia com um salário miserável (pelo acúmulo ganhei 50 pila a mais) vi que o Correio do Povo precisava de gente no setor de Fotocomposição. E lá fui eu. Dei endereço do meu namorado na época, pentelhei, enchi o saco, ligava toda semana para saber se havia uma resposta ao teste e a entrevista que eu fiz, até que fui contratada. O teste era diagramar a coluna social do Eduardo Conil, no Quark, programa que eu conhecia pouco, pois usávamos o PageMaker no jornal que eu trabalhava. Lá aprendi de tudo! Transmitir arquivos via satélite para os Parques Gráficos, casar páginas, scanear anúncio em fotolitos e tratar os digitais, tirar fotolito, montar fotolito, gravar chapa e mandar o jornal para a rotativa, além de tratamento de fotos, onde acabei me especializando e ficando fixo nisso. Não estava mais diagramando, mas “rodeando” a área e trabalhando numa redação “de verdade”.

Nesta época cursei uma das duas cadeiras de editoração eletrônica. Só que o professor logo viu que tudo que ele ia ensinar de diagramação eu já sabia, então me tornei monitora, não paguei a cadeira, auxiliava ele nas aulas e só fazia as provas para constar nas notas. Em seguida, caiu a disciplina de Projeto Gráfico e fiz uma única cadeira da área que eu mais gostava.

Mas voltando ao trabalho no Correio do Povo: não era fácil. Além de uma chefe que fazia coisas inacreditáveis que a gente acha que só existe em novela, eu morava em Sapucaia do Sul e saía do jornal a meia-noite. Nosso setor tinha um motorista exclusivo, mas a tal chefe não deixava ninguém ser levado em casa. Já ela ia fazer compras com o carro (ela é casada com um dos diretores, o Correio do Povo só perde no nepotismo para os políticos e olhe lá). Resumindo: eu saí da Caldas Jr. e ia até o Viaduto da Conceição a pé e sozinha todos os dias, depois da meia-noite. Louca! Hoje não sei como eu tinha coragem! Mas devo admitir que nunca fui assaltada neste trecho, fui ser em Sapucaia, já no portão de casa.

Na época em função disso, eu cogitei morar sozinha na Capital. Comecei a procurar apartamento, mas na última hora bateu uma menininha lá dentro de mim, chorei e não tive coragem de deixar o lar materno. Não estava preparada ainda… Bom lá fiquei até às vésperas de completar 22 anos. Fui demitida com uma leva de 150 pessoas e por ser a mais nova do setor (para gasterem menos com indenização, e a minha chefe não podia demitir um colega, por exemplo, que ia até a Renner pagar as contas dela). Mas aprendi muito lá. Posso dizer que de fome eu não morro, pois posso elaborar desde a pauta de um jornal até gravar a chapa para a rotativa.

Me dei ao luxo de ficar de férias até passar o Carnaval, então fui procurar emprego. A primeira entrevista que eu fiz foi para um estágio de Assessoria de Comunicação da Fundação Liberato. Fui contratada. Parece mentira, mas ir de Sapucaia a Novo Hamburgo é mais difícil que até Porto Alegre. Lá, além das tarefas de assessoria, fiz o projeto gráfico e diagramava o jornal da escola. Lá estava eu de novo, às voltas com a diagramação. Era estilo jornal mural, uma página, só frente, que era anexada na porta de cada sala de aula. Eu gostava do clima de lá. Eu tinha feito magistério. Me decepcionei com as crianças e comecei o Jornalismo enquanto estagiava para ganhar o título de professora. Mas eu tinha trabalhado na escola onde fiz o Ensino Médio e inclusive alguns mesmos professores trabalhavam lá. Só que o Liberato é uma fundação, não haveria nenhuma perspectiva de ser efetivada.

Cinco meses e apareceu uma vaga para jornalismo online de uma grande empresa do Rio Grande do Sul. O trabalho? Publicar os jornais desta empresa na internet, através de suas páginas diagramadas. Na primeira etapa da seleção, uma entrevista coletiva, perguntaram quem conhecia o software QuarkXPress. Só eu levantei a mão. Mas isso não foi suficiente para que eu fosse contratada. Ainda fiz uma prova de português, uma dinâmica de grupo e haveria ainda mais uma etapa se eu não os tivesse convencido de que deveriam me chamar. Mas também, as pessoas fazem cada coisa nestas dinâmicas. A semiótica, que é outra área que gosto muito, me ajudou. Mas daí não tinha jeito. O trabalho era de madrugada, eu não queria perder a vaga e disse que se contratada fosse, eu viria morar em Porto Alegre. E assim se fez. Num período que eu estava em lua-de-mel com a minha família.

Eu sabia que o trabalho noturno ia prejudicar a faculdade em algum momento, pois as cadeiras em sua maioria são oferecidas a noite. Mas não desisti. E o que parecia que não ia acontecer, se realizou. Surgiu uma vaga para o dia. Mas outra colega mais antiga também a queria. Ela ficou com a vaga, mas abriram uma para mim em outra área, onde já trabalharia com jornalistas, fazendo o mesmo trabalho, sem distinção. Exceto que no papel eu ainda seria assistente. Aí abandonei de vez a diagramação, pela primeira vez, estava me afastando das cercas que eu rondava, exceto pela monografia de Conclusão de Curso que eu estava fazendo , mas ela já estava praticamente pronta.

Aprendi muito. Peguei gosto pelo jornalismo online, principalmente porque o trabalho era basicamente edição de títulos, chamadas e porque eu era uma quase jornalista de redação, que só levanta da cadeira para fazer a ginástica laboral. Meu trabalho sempre bem valorizado. Sentia que confiavam nele e sempre tive um bom retorno sobre ele. Mas daí o sonho chamou mais alto e lá vou eu encarar um novo desafio.

Me preocupa com que precocidade as coisas acontecem comigo. Me preocupa o fato de jamais ter passado mais de dois anos no mesmo lugar. Acho que agora eu sossego o faixo, pelo menos por mais que dois anos. Mas o destino me levou por esse caminho e finalmente vou parar de rondar para finalmente trabalhar naquilo que gosto. A diagramação para mim é como ser correspondente internacional para muitos colegas. E vou poder cumprir as justificativas do ante-projeto do meu trabalho de conclusão:

“Pretendo com esta pesquisa, me aprofundar mais no assunto, para que isto seja útil na minha vida profissional, pois pretendo trabalhar nesta área. Acredito que um trabalho desta natureza me torne uma profissional com algo a mais, pois a diagramação não é necessariamente feita por jornalistas. É uma profissão regulamentada como de ensino médio, sendo realizada por técnicos. Mas a minha preocupação vai além da técnica, fazendo um aprofundamento em sua relevância no jornalismo. Acredito também, que através das entrevistas e observações que pretendo fazer com diagramadores, me insira dentro do contexto do mercado, fazendo com que crie contatos com estes profissionais.” (não sei se ainda vale, mas onde vou trabalhar só contratam jornalistas ou formandos, que é o meu caso).

E fica aqui, com este meu relato, a prova da teoria que postei algum tempo atrás. Embora tudo foi construído lentamente, eu não tive pressa. Eu não me joguei obstinada a esse sonho. Eu valorizei o trabalho que eu fazia e procurava alternativas para melhorar dentro dele. É preciso acreditar no que se faz, independente do que se faz, e acima de tudo, como já disse, estar preparada para quando acontecer! Embora um pouco inexperiente na área, a minha paixão pela diagramação contagiou o jornalista que está me contratando, pois ele viu que eu acredito nisso e esse foi o grande diferencial. E eu que rondei tanto, finalmente vou selar o “casamento”, como bem disse meu novo chefe.

Quando trabalhava num horário convencional, ou seja, aquele em que se acorda cedo, sempre dormia no sofá assistindo televisão na sexta-feira. Parecia que o acúmulo da semana tinha tomado conta. Pois desde que fui morar sozinha, isto não tinha mais acontecido. Até que numa sexta dessas, após um pouco de vinho e terminar de assistir um DVD adormeci na sala. Acordei uma hora depois, eu acho, toda dura. Agora eu sinto falta da minha mãe me chamando e me mandando ir para a cama.

Sinto tanto por ter perdido as noites quentes. Pelas roupas de domingo que deixei de desfilar. Pelos filmes que não vi. As risadas que não dei. As novas pessoas que não observei.

Eu tenho uma urgência em viver. Lamento cada dia de sol e folga que deixei de aproveitar. Cada noite de verão em pleno julho e agosto que não saí para um único chopp. Tudo por falta de companhia. Amigos e amigas, embora como diga meu horóscopo by Fabricio Carpinejar “Ao receber excremento de aves, chamo a sujeira de sorte”. Embora eu não esteja neste momento tão chateada assim, sinto que devo me revoltar contra vocês por me deixarem na mão. Por não terem compartilhado um trago comigo ou por me fazerem ficar em casa.

Não queria ter comemorado sozinha a minha conquista pessoal, mas acho que inevitavelmente foi o que aconteceu. Pessoal = sozinha. Desde sexta da semana passada estou nessa. Até o calor me abandonou, me deixando com menos vontade de então fazer alguma coisa e lamentar mais ainda por não tê-lo aproveitado. E o pior é ter que ficar ouvindo na tevê “Por um amigo, quem é que não tem um amigo”. Por sorte, eu ainda tinha a companhia solitária mas sempre fiel do vinho.

Dormi no verão e acordei no inverno.

A ansiedade está comendo minha cintura
Minha esbelteza
Está levando embora minha barriga tesa.

A ansiedade está carregando
Pedaços de roupas que não cabem.

A ansiedade está fazendo
com que eu coma
mesmo sem vontade.

Eu não gosto de ficar usando fone de ouvido para escutar música durante o trabalho, mas hoje decidi que não ia ficar ouvindo porra de depoimento em CPI nenhuma. Então enquanto Roberto Jefferson gastava se arsenal opereta, fiquei escutando no fone Unidos do Caralho a Quatro. Sujeira por sujeira, fico com esta, mais criativa e mais original.

Meu dia foi todo embalado por La Donna è Mobile – Rigoletto de Giuseppe Verdi. Escutei ela enquanto trabalhava e depois não me saiu mais da cabeça.

Fui andando pela rua, atravessando os sinais, caminhando entre as pessoas, sacolejando no trem ao som dos acordes da orquestra que embalam

La donna è mobile
qual piuma al vento
muta d’accento
e di pensiero

Adoro essa ópera. Acho muito alegre. Gosto de colocar em alto volume e sair pela casa me sentindo feliz e livre. Estou escrevendo este post e escutando seu som: tan-tan-tan-rãrã… palavras! não conseguem traduzir tudo!

Mas eu quero assistir uma ópera!! Alguém sabe de alguma em cartaz no Brasil?

muta d’accento
e di pensier
e di pensier
E DI PENSIERRRRRRRRRRRRR!!!!!

Só agora assisti Eterno Amor, filme de Jean-Pierre Jeunet, o mesmo diretor de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e também com a Audrey Tautou. Como eu previa, não ia superar Amélie Poulain e achei até um pouco chato. A fotografia é linda e a assinatura de Jeunet está presente, mas muito pouco, pois a história não comportava tanto assim. O filme é muito triste. Daqueles que valem pelo seu final, pois é impossível não derramar um vale de lágrimas.

O filme conta a história de Mathilde (Audrey Tautou) que se recusa em acreditar que seu noivo morreu na 1ª Guerra Mundial e decide procurar pistas sobre ele. Seu otimismo irrecuperável é alimentado por um jogo que muitas vezes já fiz na minha vida. Mathilde fica dizendo coisas como: se eu chegar na estrada antes do carro Manech, que é seu noivo, voltará vivo. E assim ela passa todo o tempo em que está em sua busca.

Nenhuma obra cinematográfica vai superar O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Eu sou suspeita para falar, mas é este o seu valor. Não adianta cobrar isso do seu diretor. Ele é especial, justamente por ser um filme único. Sinto por não tê-lo assistido no cinema…

Acabou meu gás na sexta. Durou 716 dias, ou seja, 1 ano, 11 meses e 17 dias.

Intelectuais não juntam os trapos. Juntam os livros.

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