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Je suis allée au cinéma voir Camille Claudel 1915. Cette femme me fascine et me fait peur. Le film montre 3 jours de la vie de l’artiste après deux ans de son internement forcé dans un asile pour des malades mentaux près d’Avignon, là où elle ne sculptera plus.

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J’ai bien aimé la façon que le réalisateur Bruno Dumont nous remets dans cet univers claustrée et au même temps paisible. Ses cameras fixes et les portraits qu’il fait des patientes de l’hospice nous donne une idée de l’ennuyeusement qui vivait Camille et les dégoûts d’être proche de ceux qui émettent des bruits constante sans réussir a une vraie communication, qui font des crises, qui sont dehors de la réalité  L’enfer d’être surveillée tout le temps « comme une criminel », d’y avoir perdre sa intimité et de plus qui n’avoir aucun confort, aussi être mal nourrit. Et Juliette Binoche magistral dans son rôle à visage dépourvu de maquillage où ses regardes jouent le rôle principal. J’ai écouté une interview à la radio où Binoche raconte qu’elle avait sur le mur de sa chambre d’adolescente la photo de Claudel, la seule photo qui on connais, c’est marron mais aussi naturel qui une actrice de son porte prendre ce rôle, joue avant dans autre film sur la vie de la sculptrice.

Mais Camille m’a fait peur à cause de les emprisonnement que l’amour pour nos mettre, volontaire ou involontaire, physique ou psychique, en couple ou tout seule. La fin de sa liaison avec Rodin, quand elle avait 30 ans, qui a épouse une autre femme lui mis à un claustre, d’abord volontaire, puis qu’elle a vécu 10 ans recluse dans son atelier au quai de Bourbon avant d’être enfermer dans un asile où elle passe 30 ans, jusqu’à sa mort.

Le film montre une passage où 2 personnages répètent une scène de théâtre, l’homme demande la fille en mariage et elle dit oui sous la condition de n’être pas trompé et Camille tombe en larmes, des larmes que je connais, qui nous brise au moins des souvenirs, au moins de références. Cette amour amer qui nous possède, enlève la raison et nous mettre en prison même quand on vit en liberté.

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“Identifier le bonheur lorsqu’il est à ses pieds, avoir le courage et la détermination de se baisser pour le prendre dans ses bras… et le garder. C’est l’intelligence du coeur. L’intelligence sans celle du coeur ce n’est que da logique et ça n’est pas grand-chose.” 

“Identificar a felicidade quando ela está aos seus pés, ter a coragem e a determinação de se abaixar para pegá-la em seus braços… e guardá-la. É a inteligência do coração. A inteligência, sem essa do coração, é só lógica e isto não é grande coisa”.

Marc Levy, Et si c’était vrai (E se fosse verdade…)

Adorei o livro, mesmo não sendo aconselhável ver o filme antes, a história é muito diferente! Por isso ele me prendeu e hoje comecei a ler do meio para fim e só parei quando terminei.

Além da frase acima, o personagem Arthur tem outras ideias interessantes sobre a vida e relacionamentos, como o cotidiano, que ele compara há uma fruta madura. Só prova seu gosto doce quem tem paciência de passar por algumas rotinas amargas e que são poucos a ter paciência:

“- Je crois que le quotidien est la source de la complicité c’est là qu’au contraire des habitudes on peut y inventer “le luxe et le banal”, la démesure et le commun.

Il lui parle des fruits que l’on n’a pas cueillis, ceux qu’on laisse pourrir à même le sol. ‘Du nectar de bonheur qui ne sera jamais consommé, par négligence, par habitude, par certitude et présomption”.

“Eu acredito que o cotidiano é a fonte da cumplicidade, é lá que ao contrário dos hábitos podemos inventar “o luxo e o banal”,  a desmesura e o comum.

Ele lhe fala de frutas que nós não colhemos, essas que deixamos mesmo apodrecer ao sol. “Do néctar de felicidade que não será jamais consumido, por negligência, por hábito, por certeza e presunção.”

Enfim, lendo o post sobre o filme, desde 2007 queria ler o livro, projeto esquecido. E valeu a pena. Algumas páginas de irreal para nos fazer sonhar, como faz o filme, com um pouco mais de profundidade.

Aqui o que escrevi sobre o filme

Sempre tive a sensação que nasci na época errada. Houve um tempo em que eram os Beatles, depois a má época da profissão de jornalista (como descrevi nesse post), depois quando li Paris é uma Festa, de Hemingway, a sensação era de  época e lugar errado.

E então hoje finalmente assisti Minuit à Paris e lá eu me encontro com um personagem que tem essa mesma sensação! Não sei onde andei que jamais li a sinopse do filme. Estava na lista para ver há tempos pois sempre vejo os filmes atuais do Woody Allen. Não priorizei muito porque pensei que seria algo meio clichê, Paríííí, ah Paríííí, o lance da Carla Bruni. Depois saiu do cinema, depois tentei baixar e vários tinham problemas e finalmente consegui uma versão original em inglês com legendas em francês. Enfim, as horas passaram voando enquanto vi o filme e invejei muito o personagem Gil, como eu queria flanar na Paris de “cette époque là”.

Adoro a moda, os vestidos, as bandanas na cabeça, o brilho e o charme de uma época plena, onde tudo ainda era original, uma geração inteira que podia explorar a arte, a literatura, a música, sem a sensação do “já foi feito”, onde qualquer coisa ordinária se tornava arte, pois foram os primeiros a ter essa ideia. Uma época onde o idealismo e a paixão eram maiores que as coisas cotidianas da vida, mesmo que essas coisas fosse o essencial para sobreviver.

E em falando desta época, assunto para o próximo post é a bande dessinée Pablo, sobre Picasso antes de se tornar Picasso. Estou encantada com o livro e não vejo a hora de sair o próximo volume.

Depois de dois meninos (Valentin e Kolya) terem encantado meu coração em filmes que mostram a  realidade de seus países, hoje foi a vez de uma querida vovózinha me emocinar em Depuis Qu’Otar est Parti. O filme se passa em Tbilisi, na Geóriga e conta a história não de Otar, mas da espera e da saudade de uma mãe e de uma filha e uma neta que vêem Paris atráves do olhar do irmão que partiu. E a história é bem mais do que isso, mas contar aqui faria perder a graça. Assistam que vale a pena.

Além da  relação entre avó e neta que é tão bonita, é possível conhecer um pouco a Geórgia e entender o que se passa por lá. Estou numa fase de praticar ainda mais o desapego e às vezes é melhor nem pensar para poder seguir em frente. E então a gente vê, engenheiros, professores, vendendo suas coisas num mercado de pulgas para poderem sobreviver, no sentido de comprar comida mesmo. A mãe e a filha que dormem juntas num sofá cama, a falta de assistência em saúde…

Uma das minhas cenas preferidas no filme é quando mãe e filha vão passar um  fim de semana num pequeno e abandonado sítio da família e deixam a avó em casa. Aproveitando que está sozinha, ela vai até o parque de  diversões e anda na roda-gigante. Lá em cima, longe dos olhares protetores da família, ela fuma dois cigarrinhos e respira liberdade.

Para mim que moro, morei sozinha muito tempo, esta cena tem um real significado. Ainda estou aprendendo como sentir certas liberdades, às vezes até mesmo de não fazer nada, quando se divide o teto com outra pessoa. Fico imaginando o que este momento representa na vida de uma velhinha como esta, que da casa dos pais foi morar com o marido, ou considerando o comunismo, nem deve ter saído da casa da família. No máximo deixou um sofá-cama para ganhar a privacidade de uma cama dividida com o cônjuge. E depois ficou aos cuidados da filha e da neta tendo que lutar por suas vontades, muitas vezes, na base da ranzinza.

E o mais engraçado, é que nos extras do DVD se descobre que a atriz não queria fazer esta cena. Por trás da personagem de uma mulher forte, decidida e convincente, tinha uma senhora de 88 anos com medo de roda-gigante e que sequer tinha entrado numa! Foram dias convencendo a atriz Esther Gorintin até que ela encara o desafio pessoal, encarna a personagem e voilà, mais que uma ótima cena, mas uma metáfora para a vida, pelo menos para a minha. E ela gostou da experiência e repetiu quantas vezes foi necessário, o que se negava quando enfim foi convencida a entrar na pequena cesta que a levaria pelos ares.

Ou seja, nunca é tarde para sentir frio na barriga e se viciar com esta sensação. E eu continuo não tendo medo de me levar nessa roda do mundo.

Depois de ter revisto Before Sunrise, hoje revi Before Sunset… Outras inversões: eu sou a escritora (pretensa, bien sûr) e o lado francês é que é ativista ambiental, tanto ou mais que Celine. O fato de escrever me mantém mais ligada no romance, me faz mais otimista… Tem um pouco de Jesse dentre de mim também.

Eu ganhei um box de filmes do cineasta francês Christophe Honoré que chegou da França no fim do ano passado. Dans Paris eu já tinha assistido, encontrei por acaso em uma locadora. Romain Duris (o eterno carinha de Albergue Espanhol e Bonecas Russas) interpreta um cara que sofre visceralmente pelo fim de seu relacionamento. Gostei bastante do filme, da profunda dor do personagem principal e da leveza do seu irmão, interpretado por Louis Garrel. O primeiro filme que vi com este jovem e excelente ator, pelo jeito, preferido de Honoré, pois está nos três filmes que tenho.

Agora acabo de assistir Ma Mère. Embora tenha visto na língua original e sem legendas e sou uma iniciante no idioma, a qualidade e o peso desses atores para dar vida a esse Édipo consciente deixa claro a tensão sexual entre mãe e filho desde o começo do filme. Baseado no livro de Georges Bataille, Isabelle Huppert dá vida nas telas a essa mãe amoral e depravada. Digamos que não assisto nada tão chocante desde Irreversível, mas se antecipar aos fatos do filme torna a experiência menos escandalosa. No caso de Ma mère, acabei esperando por esse desfecho já que não acompanhei as críticas (o filme é de 2004) e Irreversível é um filme para qual se chega ao cinema com o estômago já preparado ou nem se vai até lá.

Encontrei informações sobre o filme nesse blog aqui, fala bastante de filmes deste diretor e franceses em geral. E quem escreve o blog já se encontrou com Garrel em Paris! Vou ver se acompanho para encontrar mais coisas nas locadoras que apenas clássicos.

When the soundtrack of the movie became the soundtrack of your life. And Paris is also the scenario…

The music is perfect except about promises. Jesse also made no promises. Us, Celines, we use the moments as promises.

More about Before Sunset

 

Uma vez eu vi um trailer de um filme sobre um jovem que conhecia uma garota no trem em uma viagem pela Europa e passavam uma única noite juntos. Não guardei o nome do filme o que tornou sua busca por locadoras inútil. Um dia vi que ia passar na tevê, de madrugada. Coloquei um VHS para gravar e assisti o filme no dia seguinte. Adorei, não lembro quantos anos eu tinha na época. Quando ele foi lançado eu tinha 14 anos, então provavelmente assisti antes de me apaixonar pela primeira vez, e talvez por isso, me concentrei na romântica e surreal história e não nas teorias e sentimentos dos personagens.

Em Paris, visitei a livraria onde Celine e Jesse se reencontram em Before Sunset

Nove anos depois, foi lançada a sequência do filme, Before Sunset. Eu tinha 23 anos, a idade de Celine no primeiro filme, e já me sentia como a Celine, então com 32. Transcrevi aqui cenas dela que são exatamente quem eu sou. Pois bem, ontem eu passei a madrugada revendo Before Sunrise e descobri como tenho muitas coisas em comum com a jovem Celine. São coisas que sinto e que nunca consegui colocar dessa maneira, mas é isso:

“I always feel this pressure of being a strong and independent icon of womanhood and not amking it look like my whole life is revolving around some guy. But loving someone and being loved means  so much to me. I always make fun  of it and stuff but isn’t everything we do in life a way to be loved a little more?”

If there’s any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone sharing something; I know it’s almost impossible to succeed but who cares, really? The answer must be  in the attempt.”

“I’m the most harmless person. The only person I could really hurt is myself.”

Nessa pequena saleta da charmosa livraria deixei o bilhete colorido perto do espelho falando em como sou Celine e Amélie Poulain

“After a few years how a couple would begin to hate each other by antecipating their reactions or gettin tired of their mannerisms. I think it would be the opposite for me. I think I can really fall in love when I know everything about someone. The way he’s gonna part his hair, wich shirt he’s gonna wear that day, knowing the exact story he’d tell in a given situation. I’m sure that’s when I know I’m really  in love.”

Muitas coisas do que foram ditas naquela noite se concretizaram. Jesse foi pai e bom marido, para pelo menos saber que teve um bom relacionamento. Ela não esqueceu, não seguiu em frente. Deu tudo e ele partiu e essa experiência marcou sua vida e depois disso parou de acreditar no amor. E até hoje não sabemos se 9 anos depois eles tiveram outra chance…

Just one night can change whole two lifes, even if it is a ocean apart. In my surreal and at the same time, real history I’m the american (thanks for God, south american, even that mean one language more between us).

Nine years, is too much, but I think I will feel the same. Seems fugacious, but in the bottom is what marks us more. The connection may still exist, this invisible thread that unites us and scare us.

As partes em que mais me identifico. Agora preciso rever Before Sunset para revistarParis.

 

It’s 8:08 a.m right now in France. The day has dawned there. I’m going sleep now more convinced, I’m Celine. I just see again Benfore Sunrise. Young and more old Celine still live inside of me.

L’amour toujours nous suit
L’amour toujours nous fuit
L’amour toujours nous détruit
Comme la pluie et l’oubli,
Comme des cris dans la nuit

“My favorite children’s book is about a little prince… who came to Earth from a distant asteroid. He meets a pilot whose plane has crashed in a desert. The little prince teaches the pilot many things… but mainly about love. My father always told me I was like the little prince. But after I met Adam… I realized I was the pilot all along”.

Um engenheiro e uma escritora. E um problema de convivência entre eles: síndrome de Asperger. Essa é a história de Adam, que começa com o trecho acima. Em um relacionamento podem existir muitas síndromes. Pessoas têm problemas, pessoas em situações diferentes, pessoas que estão fora do seu lugar, do seu universo e que por isso podem ter problemas para interagir. O filme é doce, a trilha sonora suave… com pedaços de belas palavras perdidas entre uma música e outra…

When I’m lost
In your eyes
I see a way for me
Someone Else’s Life, Joshua Radin

You know there will be days
when you’re so tired
that you can’t take another step
the night will have no stars
and you’ll think you’ve gone as far
as you will ever get
you and me walk on, walk on, walk on
‘cause you can’t go back now
and yeah, yeah, yeah you go where you want to go
yeah, yeah be what you want to be
if you ever turn around, you’ll see me

Can’t go back now, The Weepies

Can’t you see that when I find you, I’ll find me
Oh I need you to know today I’ll wait for you always

Eu assisti ao filme Il y a Longtemps que Jet’aime e me identifiquei muito com Juliette. Recomeçando a vida, sem se importar muito com ela ou tendo que ser muito paciente para suportar cada minuto, cada desafio, sem reclamar, tendo que aceitar o que é independente do que se quer. Mas o pior, não se quer nada, ou o que se quer não se pode ter de volta. E sobretudo, introspectiva, pois ninguém sabe o que se passa dentro de mim e eu não tenho nem vontade de extravasar. Coisas do tipo que não se podem explicar com palavras. Quero guardar em mim, pois essa é a única maneira de manter vivo algo que já foi. Et de souffrir pour ce qui est perdu.

E a música do filme, que dit tout!

Dis quand reviendras-tu?
(Jean-Louis Aubert)

Voilà combien de jours, voilà combien de nuits,
Voilà combien de temps que tu es reparti
Tu m’as dit: “Cette fois, c’est le dernier voyage”
Pour nos coeurs déchirés, c’est le dernier naufrage

Tu m’as dit : Au printemps, je serai de retour
Le printemps, c’est joli pour se parler d’amour
Nous irons voir ensemble les jardins refleuris
Et déambulerons dans les rues de Paris!”

Dis, quand reviendras-tu?
Dis, au moins le sais-tu
Que tout le temps qui passe
Ne se rattrape guère…
Que tout le temps perdu
Ne se rattrape plus!

Le printemps s’est enfui depuis longtemps déjà
Craquent les feuilles mortes, brûlent les feux de bois
À voir Paris si beau en cette fin d’automne
Soudain je m’alanguis, je rêve, je frissonne
Je tangue, je chavire, et comme la rengaine
Je vais, je viens, je vire, je tourne, je me traîne
Ton image me hante, je te parle tout bas
Et j’ai le mal d’amour, et j’ai le mal de toi

J’ai beau t’aimer encore, j’ai beau t’aimer toujours
J’ai beau n’aimer que toi, j’ai beau t’aimer d’amour

Si tu ne comprends pas qu’il te faut revenir
Je ferai de nous deux mes plus beaux souvenirs
Je reprendrai la route, le monde m’émerveille
J’irai me réchauffer à un autre soleil
Je ne suis pas de ceux qui meurent de chagrin
Je n’ai pas la vertu des femmes de marins

Baixei o Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain sem legendas que é para treinar o ouvido para o francês e também porque fazia muito tempo que eu não revia o filme e meu DVD ficou no Brasil…

Ainda não fui a Paris, mas depois de estar vivendo há algumas semanas na França, reparei em outros detalhes que antes passaram desapercebidos. Não é só a delicada épicerie do monsieur Collignon, que só realizei agora, porque elas estão por todos os cantos de Marseille, com suas endives e melons (preparei um hoje e deixou um perfume por toda a casa…) Mas é também as cerises, compradas num cestinho, que a pequena Amélie usa como brincos…. e os fraises colocados nos dedos que adoro comer com chantilly fresco comprado na boulangerie.

É  também o letreiro luminoso indicando uma pharmacie, que aparece na cena em que Amélie senta na Gare de l’Est para ver o álbum do Nino pela primeira vez. Ah, a estação, bem parecida com a Saint-Charles aqui de Marseille onde se pega trem para todas as partes da Europa e também para pontos mais distantes da cidade, como quando Amélie vai visitar seu pai. As tabacarias nos cafés e bares. As velas acesas na igreja. O frango assado dos domingos. Le petit vélo encontrada na caixa de Dominique Bretodeau e o cavalo que corre… em meio ao Tour de France!

O Afeganistão, os marchés, as campainhas com os nomes das pessoas e os prédios antigos. O formato dos interruptores dos prédios, os vasinhos nas janelas, o prazer de quebrar um crème brûlée, os cinemas antigos, as escadas, as palavras pelas paredes…

Os carrosséis por toda a parte como se fosse um antigo sonho dourado no meio da frenética cidade para nos lembrar que um dia fomos crianças e tudo na vida girava lentamente ao som de uma música delicada.

E toda vez que passo por uma máquina de fotos eu dou uma olhadinha em volta para ver se não tem nenhuma fotinho rasgada aos pedaços…

Et cet amour muet…

P.S: Tentei com minhas fotos fazer um pequeno comparativo. Mas confesso que não me dediquei muito a ele, tirei uma ou outra no caminho que uso normalmente, outras do meu arquivo… Poderia exaustivamente explicar cada coisa nas imagens do filme. Mas só estando aqui, só conhecendo a França, e, acho que olhando o filme um zilhão de vezes, é que você se dá conta de cada detalhe. E claro, sendo alguém super observador como eu.

Vi Sex and the City 2 e não gostei do filme. Eu sei que sequência de filmes costuma decepcionar, ainda mais originário de uma série. Mas gosto tanto da série que qualquer momento a mais com essas meninas me alegra, depois de ver tantas reprises.

Não sei se realmente é o filme que é ruim ou fui eu quem mudou. Passei a dar valor a outras coisas na minha vida… Achei a casa da Carrie e do Big fria, sem personalidade. Decoração de revista, tudo perfeito e caro, mas sem alma. E o figurino foi mesmo exagerado. Ela anda de salto alto dentro de casa! A série sempre foi conhecida pelo jeito fashion das protagonistas, mas era um fashion do dia a dia, uma coisa mais de acordo com a realidade. O que são aquelas roupas luxuosas para uma viagem ao deserto? Aliás, tudo nessa viagem é meio surreal. E quando fiquei sabendo que teria uma viagem pensei: mesma fórmula repetida do primeiro filme. Mas nesse, além de não ter muito propósito, praticamente todo o filme se passa durante a viagem e vira uma comédia de sessão da tarde, comprovado até pela trilha ao fundo.

O Big sacaneou muito a Carrie, mas teve algumas situações que achei ela bem chatinha. E nesse segundo filme ela está mesmo chata. E resolver os problemas com uma joia?

Para mim, virou tudo muito superficial e sem alma. Uma pena, preferia ter ficado sem essa.

A série sempre foi conhecida pelo jeito fashion das protagonistas, mas era um fashion do dia a dia, uma coisa mais de acordo com a realidade.

Há uma semana de ir para França e descubro enfim a data do Music Fest que perguntei nesse post aqui

… foi ontem!

É sempre no primeiro dia do verão.

Na quarta passada eu assisti novamente (500) Days of Summer, e sei lá, dessa vez achei ela meio filha da puta. Acho que é porque estou em outro momento agora, há uma luz que nunca se apaga…

Eu sempre amei trilhas de filmes. As músicas tem outro significado para mim depois que fazem parte de uma história. Com a facilidade de ter músicas hoje em dia, tenho as trilhas de todos filmes que gosto e quando revejo presto atenção nas cenas em que a música se encaixa. Adoro todas desse filme… You make my dreams uhuhuhu oh yeah!

Mas dessa vez prestei atenção na cena do elevador que ela destaca o seguinte trecho da música There is a light that never goes out, dos Smiths:

To die by your side, such a heavenly way to die

Já eu destaco essa:

I never never want go home
because I haven’t got one
anymore

E essa música tocou na festa da última sexta, que é assunto para outro post… a seu tempo.

Eu ganhei a trilha do filme Le Fabuleux Destin D’Amelie Poulain e o DivX  com o filme de um ex-colega de trabalho. Ouvi muito aquele cdzinho gravado especialmente para esta fã que não parava de cantarolar as valsas do Yann Tiersen durante as madrugadas no offline. Depois com tantos mp3s e para não arranhar o CD no carro, acabou que as músicas ficaram esquecidas na trilha dos meus dias.

Aí agora, ouvindo algumas coisas em francês e comentando no twitter, minha amiga Gi baixou várias músicas da França e mais outras que seus colegas franceses de ONG compartilharam com ela. Como eu não tinha baixado ainda o que andava descobrindo, antes dela partir carreguei meu pen drive com essas canções e mais uma pastinha com a trilha do filme em mp3. E essa semana voltei a ouvir, no fone de ouvido, antes de dormir, porque eu não estava na minha casa para colocar em alto e bom som. Tentei achar no blog se tinha algum motivo para eu ter desistido de querer dançar a Valse d’Amelie, que para mim significa isso aqui. Não encontrei uma razão aparente, mas fiquei feliz com alguns enganos. Como ter achado que meu fabuloso destino já estava completo porque eu tinha encontrado meu Nino Quincampoix. Não era, e nem deveria ser se era para ser daquele jeito. Eu ainda não dancei a Valse d’Amelie. J’espère que merveilleux.

Les projets que je fais
Presque sans trêve
Les beaux soirs ou l’espoir
Berce mon rêve

(trecho de Si Tu N’étais Pas La, da trilha do filme. A música que o ceguinho escuta em uma vitrola na estação de trem)

Os sonhos que criei
Quase sem dar trégua
A bela noite ou esperança
Balança o meu sonho


Mover-se é viver!

A frase é do personagem de George Clooney em Amor sem Escalas e, por mais inverossímel que seja a existência dele, sempre viajando, praticamente sem casa, entre uma cidade e outra demitindo funcionários de empresas falidas e fazendo palestras motivacionais para as pessoas não se comprometerem, tudo que ele diz fez muito sentido para mim.

Por muito tempo fiquei enchendo minha mochila de pesadas bagagens: família, relacionamentos, trabalho, casa e contas para pagar. Tudo isso começou bem cedo, antes que eu tivesse me movido e portanto, vivido muitas coisas. E isso ainda está pesando, mas eu já decidi que vou viver.

Embora no filme possa parecer conversinha fiada, mudar de emprego pode sim te trazer oportunidades melhores. Ainda que não sejam melhores oportunidades na carreira, podem ser melhores chances de viver, de ser feliz em diversos setores, a carreira é só mais um deles. Eu não sei se sou inconsequente ou uma sábia, que antes dos 30 cheguei a conclusão que é melhor ser feliz, fazer o que se gosta (ainda que isso não seja o que te faz bater ponto) do que se dedicar a uma carreira, com a qual talvez seja seu único casamento, ou pior, sua única companhia.

E o filme deixa claro como é bem mais difícil não se comprometer do que ao contrário. Requer toda uma técnica, logística e método. No caso de Ryan era viajar, mover-se também pode ser fugir. Mas uma coisa é certa, a solidão só bate se a gente para, e isso vale também para quando a gente se acomoda, seja no trabalho, nos relacionamentos ou adiando sonhos, não tentando compensar um lado não realizado que pode te levar a realizar outros desejos.

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Adorei a cena em que eles falam sobre como os critérios para ficar com alguém vão diminuindo quando se vai ficando mais velha. Fui no cinema com uma amiga e antes tomamos chimarrão. E eu lhe disse: temos que ir contando os pontos individuais: é alto, bom papo, magro… cada coisa vai valendo pontos, mesmo que o conjunto não pareça tão interessante. Mas para nós, ter cabelo ainda é imprescindível!

* Se você ainda não assistiu 500 Dias com Ela e não gosta de spoiler, melhor não ler esse post.

Fui na sessão da meia-noite e cinco assistir (500) Days of Summer. Quando cheguei no shopping estava tocando Just Like Heaven, na voz da Katie Melua, trilha do filme E se fosse verdade*. Apesar da hora e do feriadão, tinha uma fila grande no cinema, pra tudo: comprar ingresso, comprar pipoca e entrar no cinema. Menos para ver 500 Dias com Ela, claro. Éramos seis pessoas na sala e amei o filme. Tá na categoria Amélie Poulain pra mim, bem como E se fosse Verdade. Só que esse é bem mais verossímel, mas não deixa de ser cute, cute, cute.

Primeiro me identifiquei muito com a Summer. Pais separados, medo de relacionamentos. Só que ao contrário dela nunca admiti daquela forma, negando que o amor existisse. Primeiro demorei muito para me envolver com alguém. Meu primeiro beijo foi aos 17 anos, o segundo quase um ano depois. Só tive um relacionamento mesmo aos 19 anos, quase 20, e daí em diante me entreguei completamente, sofri e continuei me entregando porque acreditava que tudo de ruim que eu temia já tinha acontecido, então porque ter medo da próxima vez?

Em vez de admitir como ela, sempre afastei caras como o Tom, que quisessem de verdade ficar ao meu lado. Preferia aqueles que estavam mas não estavam… E ter medo da próxima vez seria prudente, porque o raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Primeiro admirei a atitude dela, como diria o Marcos, “não se comprometer é bem mais difícil”. Pior são as pessoas que assumem namoro, dizem todas as coisas lindas que a gente quer ouvir e caem fora. Em relacionamentos não há consistência, como ele queria. Assumindo ou não, rotulando ou não, todo mundo pode acordar um dia e não sentir mais. Assumir isso é mais cruel, porém mais realista.

Mas como nessa área tudo é muito mais complicado, como as pessoas mudam de ideia e se o amor existe mesmo e a chega uma hora que realmente a gente sabe, e precisa de uma coincidência para isso (o outro sentir a mesma coisa), a pior coisa que pode acontecer é pessoas que não queriam compromisso se casarem depois de terminar contigo. Foi isso que aconteceu comigo duas vezes. Hoje sei que eu é que não sentia que elas eram “a pessoa com quem eu queria passar o resto da vida” e que nem estava preparada para algo sério. Mas a visão míope da paixão confunde um pouco. Depois veio uma pessoa que pela primeira vez eu achei ter certeza, era “ele”, mas eu não era. Faltou a coincidência e hoje estou meio como a Summer. Isso depois de me sentir como o Tom, quando tudo que a gente acredita não existe. Mas sei que foi mais uma pessoa que passou e que só me desviou de perceber o que estava na minha volta, como  a Autumn.

E se ele tivesse pedido? E se ao tentar não pressionar e fazer o que ela queria ele tivesse perdido a mulher da sua vida? Acho que quando “é” não há esse tipo de complicação e contradição – pelo menos ainda tenho fé que o amor seja assim, tranquilo. Primeiro preciso dar a chance a alguém de passar 500 dias comigo, de verdade.

Há muitas coisas incertas nessa vida, o amor é uma delas. Mas tem muitas coisas das quais a gente tem certeza. Uma delas é que depois do verão sempre vem o outono.

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E acredito, que por mais especial e importante que tu tenha sido na vida de alguém, você será esquecido e perderá esse status. Pois aquela pessoa com quem você vai viver a louca experiência de acreditar que é para sempre na forma de um casamento, ou com quem você terá filhos, será a mais marcante de todas. Para o bem ou para o mal.

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Adorei o visual retrô da Summer, a trilha sonora e Carla Bruni, nossa quando tocou Quelqu’ un m’ a dit (escrevi esse post ouvindo) eu viajei. Lembrei do fim do ano retrasado quando as canções dela embalavam um sonho que abandonei por alguém. Mas o sonho voltou, diferente, mas voltou.

Queria descobrir em que ano se passa o filme (ah depois de escrever isso li o texto que indico no pé do post e lembrei que eles jogam wii, então deve ser bem recente), e é em Los Angeles? Sei lá, pelas referências que tenho do cinema não parece ser Los Angeles. E deve ser legal trabalhar escrevendo mensagens em cartões. Embora o que ele diz sobre isso é bem verdade. Também adorei a expressão “abdome de Jesus” usada pela irmã do Tom, uma pré-adolescente que dá ótimos conselhos para ele. Vou adotar! Não me perguntem mais se gosto de lavar roupa, por favor. Um dos ótimos conselhos dela é que ele só está se concentrando nas coisas boas, por isso a dificuldade em esquecê-la. Sabe que quando passa a paixão, o suposto amor, a gente lembra das coisas boas e elas não machucam mais. Mas antes disso, se concentrar nas ruins como um mantra ajuda muito.

Na saída a Nessa comentou sobre a quantidade de gente que tinha no cinema, eu disse que provavelmente era para assistir Avatar. Aí ela disse que não gosta de filmes que viajam muito. Eu disse que também não, por isso que gostei de 500 Dias com Ela, tão real que termina daquele jeito.

E a verdade é que quando alguém está a fim de você, faz acontecer. É por isso que nem pego mais telefone ou ligo no dia seguinte.

Eu quero o DVD desse filme, e aí lendo sobre o que escrevi sobre E se fosse verdade*, também disse isso e até hoje não tenho…

Ah e quem nunca se sentiu assim como o Tom na cena abaixo (mais ou menos como na música Telegrama, do Zeca Baleiro)? Ele estava apaixonado e , depois de passou a primeira noite com ela. Apesar de estar adorando esse meu espírito de liberdade, desprendimento e casualidade, quero sentir isso muitas outras vezes na vida, ou pelo menos mais uma, se eu encontrar “o cara”.

Aqui tem um texto legal e com várias curiosidades sobre o filme

Ele queria ver Julie & Julia porque é sobre culinária. Eu não sabia muito sobre o filme, mas daí ouvi falar que era mais sobre blogs que gastronomia. Então pensei: ou vai agradar os dois ou pelo menos um sai satisfeito. Na verdade fala sobre os dois e nos divertimos muito.

O filme é adorável, cute, engraçadíssimo e falar do talento da Meryl Streep é chover no molhado tanto quanto esta expressão, mas ela se superou. E não é todo dia que a gente vê um filme baseado em DUAS históriais reais.

Me identifiquei muito com a Julie. Perto dos 30, sem muita perspectiva em alguns aspectos da vida, com o sonho de ser escritora. Ela se propõe ao desafio de cozinhar as 524 receitas do livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking” durante um ano, 365 dias. A experiência é toda relatada em um blog, isso lá em 2002, quando a coisa tava começando. E tem todas as coisas que qualquer blogueiro já passou, como a mãe tirando conclusões a partir das coisas que você escreve, essa exposição que não se sabe bem para quem, mas quando menos se espera é para alguém que está bem perto de ti e tu nem tem muito contato. A alegria de receber comentários, a dúvida de quem são as pessoa por trás dos números das estatísticas.

Enquanto prepara as receitas, ela tem Julia como sua interlocutora. (Para quem lê meu blog há mais tempo já deve ter percebido que minhas interlocutoras são a Amélie Poulain, Celine e Carrie Bradshaw). E aí o filme conta a história dela, que foi viver com o marido na Paris dos anos 50 e aprendeu a cozinhar para ter uma ocupação, já que gostava de comer e como tinha casado aos 40 anos não teve filhos. Não sei se Julia Child era assim na vida real, mas sua personagem é uma pessoa incrível, a única pessoa que realmente não era chata nesse mundo e que encontrou na maturidade um amor tranquilo, mas não menos caliente, com um furor adolescente até. Bonito de se ver. E a declaração de amor: você é meu pão com manteiga. Adoro. Tem coisa mais gostosa e simples? É o tipo de coisa que eu penso quando estou estressada: vontade de estar em casa comento um pão com manteiga.

Enfim, eu escrevo, ainda não sei para quê. A Julie demorou para descobrir e isso veio junto com a culinária. Ela queria se tornar escritora, mas ela era uma boa cozinheira. Isso é um talento, uma arte. Encontrei alguém que tem esse dom, quem sabe a gente não faz uma ótima parceria?

Estou olhando Um Lugar Chamado Notting Hill, acho que é a primeira vez que assisto desde o começo e somente a segunda vez que vejo este filme. A música She, da abertura, me lembra  um domingo de março de 2006, quando alguém acordou, viu o sol lá fora de um dia lindo, lembrou de mim e me escreveu um e-mail com a letra dessa música.

Naquele dia eu não sabia que isso seria o começo de algo que mudaria minha vida, mas não para sempre.

Lembrar de um momento como esse com carinho é a prova de que o que nasceu ali  já morreu.

E já que estou nostálgica, vou postar parte de um texto que escrevi um mês depois para postar aqui e nunca foi postado… São conceitos que tenho que relembrar, pois eu deveria sentir isso sempre, principalmente agora que não tenho a mínima ideia do meu futuro. Acho que até quem eu sou é algo que está meio confuso na minha psiquê. E também porque tudo nessa vida é volátil até que a gente encontre aquele lugar onde queremos ficar para sempre. Até lá, o jeito é viver muitas vidas.

Nas últimas 720 horas da minha existência o tempo ganhou um significado novo para mim. Eu não sei se ele esteve desde sempre comigo, se chegou agorinha e nem quanto tempo vai ficar. Eu não faço mais distinção entre presente e futuro. Eu vivo os momentos, os instantes, o dia, a semana e o mês. E neste curto e longo período de tempo já vivi uma vida!

Finalmente consegui compreender que o presente e o futuro são hoje. Agora, já foi e já é. E dentro de cada dia cabem planos e sonhos do mesmo jeito, mas de uma forma leve. Sem a velha preocupação que me tomava o tempo que eu deveria estar vivendo o que eu estava planejando para amanhã.

Faz um mês que eu sou eu. Até um eu que nem eu mesmo conhecia. Eu faço as coisas que sempre quis fazer, eu ajo da maneira que eu sempre achei que deveria ser. Eu não represento papéis, eu não estou tentando agradar ninguém. E ele está ali do meu lado, do mesmo jeito.

*Agora que o filme terminou consegui concluir o post… fiquei lembrando de onde conhecia a trilha, ela embalou o tal mês. A gente pode não fazer distinção entre presente e futuro, mas sabe muito bem onde fica o passado.

O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante
todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que
levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.
A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve. Mas é levada às últimas consequências mais na
dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão
fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo
lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos
tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como
um orgasmo… Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos
parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se
contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.
Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber
driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como
silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo
que parece encolher e mirrar. Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que havia chegado a ele. Pois até a mais
caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos. O olhar que se tem do outro e
o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma
alegria que dói. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever
seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.
Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.
Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é
transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive,
pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.

A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve, pois nem sempre somos compreendidos. Mas é levada às últimas consequências mais na dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como  um orgasmo…

Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.

Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo que parece encolher e mirrar.

Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que ela havia chegado a ele. Pois até a mais caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos: o olhar que se tem do outro e o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma “alegria que dói”. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.  Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.

Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive, pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

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mamma

Sempre tive um pouco de preconceito com musicais. Nem sei se assisti algum até o fim, mas Mamma Mia! é maravilhoso!!! A Meryl Streep está ótima, boa história, bom romance, boa comédia e tem Abba. A melhor cena do filme é quando cantam e dançam Dancing Queen (clique aqui para assistir, vale a pena).

Perfeito. Consegui ver o que sempre tive vontade de fazer quando ouço essa música: sair cantando e pulando como a personagem da Meryl! Normalmente escuto no carro e o máximo que dá para fazer é levantar os braços se estou na carona ou balançar os ombros quando dirigindo. Com certeza vou ensaiar essa coreografia, porque sim, eu danço sozinha pela sala, embora a vontade seja mesma de sair dançando por aí. Entrou para minha lista (imaginária) de melhores cenas do cinema. E a Grécia também, outro item na lista de desejos.

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Hoje faz 12 anos que a Princesa Diana morreu e um ano, sete meses e 14 dias que eu comecei a deixar esse sonho morrer. O
sonho de conhecer o lugar onde Amélie viveu seu fabuloso destino após descobrir uma caixa de lembranças no dia em que Diana
morreu em Paris.
No dia 17 de janeiro de 2008 uma promessa de quem sabe poder viver a cena final de Amélie Poulain ao invés de subir sozinha as
colinas de Montmartre me fez mudar aquele sonho. Eram palavras, como sempre são palavras, mas que eu dou um crédito a mais
do que traços que formam ideias. Foram meses até tudo se acertar e depois muitos outros de paciência, tolerância e amor.
Algumas felicidades e muitos, muitos outros sonhos. Confesso que coloquei esse desejo de ir à França, e agora não mais sozinha,
em segundo plano. Ele viria como consequência de outros que eu tinha na minha mente e no meu coração.
Esses sonhos começavam com o trivial. Mas quando o trivial já é um sonho, alcançar os demais parecia impossível e angustiante.
E até que chegou a um ponto que fiquei impotente. Não havia mais nada que eu pudesse fazer para alcançar meus próprios
sonhos. Que sensação sufocante é a impotência diante de seus próprios desejos e obstinações. E mais, no meu exército estava
um homem só. Eu acreditava que pelo menos iríamos juntos até o fim da batalha. Para mim esse ponto era pacífico, sequer seria
discutido. Amor e lealdade andam juntos e não nos fazem desistir simplesmente. Eu não contava que podia haver um desertor. E
houve. E no final das contas eu já estava tão cansada de só sonhar que toda aquela fantasia agora me parecia como os dias finais
de uma guerra em que se sai derrotado: exaustivo, frustrante e com um desejo enorme de voltar para casa.
E eu ainda não consegui voltar.

Hoje faz 12 anos que a Princesa Diana morreu e um ano, sete meses e 14 dias que eu comecei a deixar esse sonho morrer. O sonho de conhecer o lugar onde Amélie viveu seu fabuloso destino após descobrir uma caixa de lembranças no dia em que Diana morreu em Paris.

No dia 17 de janeiro de 2008 uma promessa de quem sabe poder viver a cena final de Amélie Poulain, ao invés de subir sozinha as colinas de Montmartre, me fez mudar aquele sonho. Eram palavras, como sempre são palavras, mas que eu dou um crédito a mais do que traços que formam ideias. Foram meses até tudo se acertar e depois muitos outros de paciência, tolerância e amor.

Algumas felicidades e muitos, muitos outros sonhos. Confesso que coloquei esse desejo de ir à França, e agora não mais sozinha, em segundo plano. Ele viria como consequência de outros que eu tinha na minha mente e no meu coração.

Esses sonhos começavam com o trivial. Mas quando o trivial já é um sonho, alcançar os demais parecia impossível e angustiante. E até que chegou a um ponto que fiquei impotente. Não havia mais nada que eu pudesse fazer para alcançar meus próprios sonhos. Que sensação sufocante é a impotência diante de seus próprios desejos e obstinações. E mais, no meu exército estava um homem só. Eu acreditava que pelo menos iríamos juntos até o fim da batalha. Para mim esse ponto era pacífico, sequer seria discutido. Amor e lealdade andam juntos e não nos fazem desistir simplesmente. Eu não contava que podia haver um desertor. E houve. E no final das contas eu já estava tão cansada de só sonhar que toda aquela fantasia agora me parecia como os dias finais de uma guerra em que se sai derrotado: exaustivo, frustrante e com um desejo enorme de voltar para casa.

E eu ainda não consegui voltar.

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Peter perguntou quando eu me apaixonei por Jack. E eu respondi: foi enquanto você dormia.

Assim termina o filme Enquanto você dormia, que deu na Sessão de Sábado. Revi com prazer, mesmo sabendo esse final já de cór. A história é de uma bilheteira solitária do metrô de Chicago que tem uma paixão platônica por Peter, um passageiro que ela vê todos os dias, mas não conhece. Um dia ele é jogado nos trilhos durante um assalto. Lucy salva a vida dele e ele fica em coma. Ela é confundida com a noiva dele e  conhece toda a família, sentindo-se acolhida e acaba se apaixonando por Jack, irmão de Peter.

Claro que chorei no final. E fiquei pensando que há várias formas de dormir…

dl_07_11Estava procurando o que ver num domingo a noite em que estava reprisando episódios de séries que já assisti e peguei no comecinho o filme O Homem Perfeito. Comédia romântica: bom. Pode ser meio adolescente: mas vamos ver qual é. Hilary Duff eu até que gosto. Ela escrevia um blog: opa, pintou identificação. Foi então que apareceu o Chris Noth, o eterno Mr. Big, que mesmo longe de ser o homem perfeito, é o homem perfeito.  E fiquei assistindo o filme.

É a história de uma mãe solteira, com duas filhas, que cada vez que leva um fora muda de cidade, e ela já levou muitos. Então a filha mais velha, que tem 16 anos, não querendo mudar tão rápido de cidade desta vez, inventa um cara perfeito que seria um admirador secreto da mãe.

Foi então em que um momento, a mãe se mostra relaxada e feliz com esse novo amor e isso a faz agradecer por todos os percalços que levou na vida, se foi para chegar naquele momento. E eu já me senti assim.

Lembro de um dia ensolarado em que eu esperava o ônibus em frente a praça aqui perto de casa e agradeci a Deus por finalmente entender que tudo que eu tinha passado e as pessoas que tinham passado pela minha vida e me magoado era para ter chegado naquele momento de felicidade que eu estava sentindo. Nossa, é uma sensação tão boa, porque além de estar feliz no presente, você consegue fazer as pazes com o passado.

Mas aí hoje, vendo o filme, me ocorreu: mas e quando isso não é definitivo? É daí que nasce a desesperança. E é mais uma história para colocar na conta para tentar um dia perdoar e lembrar que toda a tristeza que ela causou foi por um bom motivo. Mas será que isso acontece de novo? De todos os percalços e recomeços, nunca tinha sentido como naquele dia de sol. Aliás tenho me perguntando se várias coisas podem acontecer mais de uma vez na vida da gente. As ruins eu sei que acontecem. Mas e as boas?

“A coincidência” que une, o destino, a felicidade incomparável, o riso provocado, uma certeza sobre como quer passar o futuro e a delícia de planejar cada próximo dia? E aquela sensação de paz?

Eu não disse que sei de onde surge a falta de esperança…

Fazia tempo que eu não ria tanto numa sessão de cinema, desde os trailers que já estou aguardando para ver A Proposta e Os Normais 2 até o filme propriamente dito escolhido após alguns contratempos e nenhuma pretensão: A Mulher Invisíviel.

O filme me foi previsível, confesso que na primeira cena pensei “hum ele vai ficar com ela no final”. Mas a trajetória do filme é a melhor parte. E como o tal fim vai chegar eu não esperava e me diverti muito nesse meio tempo. E a lição principal, é claro, a gente tem que se amar e confiar em si mesmo. E outra, pelo menos no filme, resignação, e não paciência, mas resignação fez diferença. Tenho me sentido assim ultimamente.

Nas cenas de Minas Gerais finalmente entendi as cores usadas por Tarsila Amaral após sua viagem por lá, as cores caipiras que a encantou. E vi as cores de Abaporu. Não sei bem se a viagem foi antes ou depois da obra de idos de 28, mas eu as vi.

Agora até fiquei sem saber como concluir o post, então fica a dica, assista ao filme. Selton Mello e Fernanda Torres sempre valem o ingresso. E para os guris, claro, tem a Luana Piovani em cenas provocantes. Fora isso, a risada também é garantida.

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