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Tem coisas que é melhor a gente saber. E saber logo. Espero que isso me impulsione a começar de novo e aprender a não acreditar mais no que as pessoas falam. E deixar de falar as minhas verdades também, pois ninguém as merece. Não da maneira coerente como eu encaro as coisas.

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Quarta-feira estava dando uma olhada no mural que tenho em casa, onde tem uma reportagem sobre o lançamento de A mulher que amou demais, de Myrna, pseudônimo de Nelson Rodrigues. Quem me ensinou a gostar deste escritor, não gostava muito dos livros da Myrna. Mas acho que comigo são os que mais tem a ver. Pelo menos seus títulos. Comprei na feira É impossível amar e ser feliz ao mesmo tempo, com o subtítulo o Consultório Sentimental de Nelson Rodrigues. Li só a primeira crônica, a que dá título ao livro e gostei muito, me identifiquei. Sem contar que dizia as suas verdades, nua e crua, doa a quem doer, “na lata”: amar é sofrer. Veja este trecho:

“Quando eu tinha meus dezessete anos, fazia uma idéia do amor. Pensava do amor maravilhas. ‘Vou ser feliz, muito feliz’, era o meu sonho, o meu desejo profundo. E, depois, quando me enamorei, quando me apaixonei, descobri a mais estranha das verdades: não havia entre o meu amor e a felicidade a menor relação. Eu amava e era infeliz”.

Pois assim, Myrna vai te convencendo, assim como acabei me convencendo de que realmente “é impossível amar e ser feliz ao mesmo tempo”, frase que discordava até alguns meses atrás, até ver que isso realmente real e tudo porque eu fui uma “mulher que amou demais”.

Legião Urbana

Se a paixão fosse realmente um bálsamo

O mundo não pareceria tão equivocado

Te dou carinho, respeito e um afago

Mas entenda, eu não estou apaixonado

A paixão já passou em minha vida

Foi até bom mas ao final deu tudo errado

E agora carrego em mim

Uma dor triste, um coração cicatrizado

E olha que tentei o meu caminho

Mas tudo agora é coisa do passado

Quero respeito e sempre ter alguém

Que me entenda e fique sempre a meu lado

Mas não, não quero estar apaixonado

A paixão quer sangue e corações arruinados

E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago

E essa escravidão e essa dor não quero mais

Quando acreditei que tudo era um fato consumado

Veio a foice e jogou-te longe

Longe do meu lado

Não estou mais pronto para lágrimas

Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado

Veja o nosso mundo

Eu também sei que dizem

Que não existe amor errado

Mas entenda, não quero estar apaixonado

É tudo bem melhor quando você NÃO está aqui.

Lucha de gigantes

convierte,

el aire en gas natural

un duelo salvaje

advierte,

lo cerca que ando de entrar

En un mundo descomunal

siento mi fragilidad.

Vaya pesadilla

corriendo,

con una bestia detras

dime que es mentira todo,

un sueño tonto y no más

Me da miedo la enormidad

donde nadie oye mi voz.

Deja de engañar

no quieras ocultar

que has pasado sin tropezar

monstruo de papel

no sé contra quien voy

o es que acaso hay alguien mas aquí?

Creo en los fantasmas terribles

de algun extraño lugar

y en mis tonterías

para hacer tu risa estallar

En un mundo descomunal

siento tu fragilidad.

Deja de engañar

no quieras ocultar

que has pasado sin tropezar

monstruo de papel

no se contra quien voy

o es que acaso hay alguien más aquí?

Deja que pasemos sin miedo.

Camões, tão antigo e tão atual!

Busque Amor novas artes, novo engenho

Para matar-me, e novas esquivanças,

Que não pode tirar-me as esperanças,

Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temo contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como e dói não sei porquê.

Neste sábado nunca tive tanto contato com a língua espanhola. Começou pela Feira do Livro, quando fui ao estande de livros em espanhol para ver se haviam conseguido El Hacedor, do Borges. Me explicou, na língua nativa do local, que muitos libros estavam na alfândega. O rapaz que me atendeu quis saber se eu já havia procurado na banca da frente, mas como na semana passada não obtivera sucesso ali, nem tinha ido. Mas ele foi até lá e voltou com o livro na mão. Como é legal conseguir um exemplar de uma edição esgotada, é um desafio e já está se tornando um hobby para mim. Comprei a obra e mais um livro de tirinhas da Mafalda, de Quino.

Mais tarde fui ao bar Sierra Maestra. Que lugar fabuloso. Música cubana, ambiente agradável, com muitas fotos de Che e Fidel. A primeira vontade que tive foi de somente hablar en español e qual não foi a minha surpresa quando os garçons vieram me atender e só falavam nesta língua. Tomei drinks diferentes com muito rum cubano, ervas, hortelã. Achei legal que cada bebida tinha uma espécie de slogan, como a margaritta, chamada de “Una chica guapa”.

Cheguei em casa e fui assistir o filme “O Crime do Padre Amaro”, em espanhol é claro, com o mexicano Gael García Bernal. E antes de dormir, para terminar o dia de cultura hispânica ou latina, li algumas tiras de Mafalda em espanhol.

Pois é, já escrevi aqui que um dia a gente acorda, nem sabe, mas naquele dia há uma mudança que mexe com toda sua vida. E isto novamente está acontecendo, porém é uma mudança positiva. Não é só porque, finalmente, vou trabalhar num horário de gente normal. Mas alguma coisa mudou aqui dentro e estou me sentindo bem melhor. Embora preferisse que nada tivesse acontecido, finalmente acho que consegui me conformar…

Vi no jornal que a Fernanda Torres andou pela Feira do Livro. Nesta quinta foi a vez do Tarcísio Filho, e eu em casa, dormindo! Ali, há poucos metros do evento. Mas quando estava indo para o trabalho cruzei com o patrono da Feira da Gente, o escritor Donaldo Schüler. Não foi no pavilhão do evento, foi quase em frente ao edifício Ouvidor. Na hora fiquei na dúvida se era ele. Depois olhando nas fotos das notícias tive certeza. E uma colega confirmou que ele tem os olhos bem azuis. E os que vi eram profundos, como as águas do oceano.

Ando meio sem vontade de escrever por aqui, essa é a bem da verdade. Embora em algumas noites insones tenha sido tomada por uma inspiração para contos que me faz levantar e escrever, não tenho muito ânimo para compartilhar os meu dias, pois adoro fazer isso, mas usar o blog acaba se tornando irreal. A verdade é que ando me sentindo muito só, sem ter com quem compartilhar.

Mas falando em Feira do Livro, que é o motivo deste post, fui até lá (que é ali para mim) no sábado, só para fazer uma pesquisa de preços. Mas claro, acabei comprando e dos três livros que adquiri, apenas um estava na minha lista. Mas fiquei feliz, encontrei um livro que estava esgotado: o “Poemas” do Millôr Fernandes. Também um outro que não encontrava de jeito nenhum, “El Hacedor”, do Borges, o vendedor do estande de livros em espanhol ficou de conseguir. Acho que da minha busca pelas edições esgotadas só vai ficar faltando mesmo o “Flor de Obsessão”, do mestre Nelson Rodrigues.

Neste sábado vou para lá novamente, aí sim comprar de verdade. Também quero participar de alguns eventos paralelos. Legal que o Carlos Heitor Cony vai estar autografando e a Alice Ruiz também. Estas sessões eu não perco de jeito nenhum.

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