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Na semana passada eu me lembrei de um personagem de filme ou livro que colecionava cartas de baralho que ele encontrava na rua. Pensei comigo, agora que estou em Paris, uma das maiores cidades do mundo, devo observar. Olha que na primeira vez que visitei a cidade até dei uma olhada para ver se não encontrava fotos rasgadas em volta das máquinas, como em Amélie Poulain. Em seguida mudei de ideia: “não, isso é história de filme, quem vai sair com um baralho no bolso e perder algumas cartas por ai?”

Porém hoje, quando saio do metro e estou subindo as escadas correndo, olhando para o chão, voilà! Paro um instante no meio da multidão para pegar uma carta de baralho! Eu viro: um coringa!

Todas as lembranças da semana passada voltam ao meu espírito. Não era em Amélie Poulain que eles colecionavam cartas. Talvez no livro O Dia do Coringa, de Jostein Gaarder? E bom, google me ajudou a lembrar: foi em Sex and the City, uma das minhas séries preferidas. Carrie conhece Jack Berger, um escritor charmoso que colecionava cartas encontradas pelas ruas de Nova York. No final do episodio ela encontra um valet, um príncipe, e pensa que é bom saber que eles estão por aí.

Eu encontrei um coringa, tenho todas as possibilidades pela frente!

La semaine dernière une pensée m’avait traversé l’esprit. Je me suis rappelé d’un personnage de  film ou livre que collectionnait des cartes de jeu qu’il trouvait dans la rue. Je me suis dit, « c’est marron ça, maintenant que je suis à Paris,  une des plus grandes villes dans le monde, il faut que j’observe ». Ensuite, j’ai pensé, « nan, c’est truc de film, qui va sortir avec un je des cartes dans la poche et perdre ses cartes dans la rue ?».

Aujourd’hui quand je descends du métro et je monte vite les escaliers en regardant le sol, voilà ! Je m’arrête un petit instant dans la foule pour ramasser une carte de jeu ! Je la tourne: un Joker !

Tous les souvenirs remontent dans mon esprit. Ce n’était pas en Amélie Poulain qu’ils collectionnaient des cartes. Peut-être dans le livre  Le Mystère de la Patience, de Jostein Gaarder, où l’histoire se déroule  autour d’un jeu de 52 cartes ? Et non, Google m’aidé : c’était en Sex and the City, une de mes séries préfères. Carrie connaît Jack Berger, un écrivain charmant que collectionnit des cartes de jeu qu’il trouvait dans les rues en New York. Dans la fin de l’épisode elle trouve la carte du Jack, qu’il a le sens du prince et pense qu’est bon savoir que les good guys sont là…

Bon, moi j’ai trouvé un Joker : j’ai tous les possibilités devant moi !

Sempre tive a sensação que nasci na época errada. Houve um tempo em que eram os Beatles, depois a má época da profissão de jornalista (como descrevi nesse post), depois quando li Paris é uma Festa, de Hemingway, a sensação era de  época e lugar errado.

E então hoje finalmente assisti Minuit à Paris e lá eu me encontro com um personagem que tem essa mesma sensação! Não sei onde andei que jamais li a sinopse do filme. Estava na lista para ver há tempos pois sempre vejo os filmes atuais do Woody Allen. Não priorizei muito porque pensei que seria algo meio clichê, Paríííí, ah Paríííí, o lance da Carla Bruni. Depois saiu do cinema, depois tentei baixar e vários tinham problemas e finalmente consegui uma versão original em inglês com legendas em francês. Enfim, as horas passaram voando enquanto vi o filme e invejei muito o personagem Gil, como eu queria flanar na Paris de “cette époque là”.

Adoro a moda, os vestidos, as bandanas na cabeça, o brilho e o charme de uma época plena, onde tudo ainda era original, uma geração inteira que podia explorar a arte, a literatura, a música, sem a sensação do “já foi feito”, onde qualquer coisa ordinária se tornava arte, pois foram os primeiros a ter essa ideia. Uma época onde o idealismo e a paixão eram maiores que as coisas cotidianas da vida, mesmo que essas coisas fosse o essencial para sobreviver.

E em falando desta época, assunto para o próximo post é a bande dessinée Pablo, sobre Picasso antes de se tornar Picasso. Estou encantada com o livro e não vejo a hora de sair o próximo volume.

Faltando alguns dias para completar 6 meses que estou na França posso dizer que reencontrei o prazer da leitura… em francês! Sempre gostei de ler, hábito que estava meio abandonado nos últimos anos, mas aqui o fato de não ter televisão e não ter carro proporciona mais tempo para leitura. Embora a internet ainda roube muito do meu tempo.

Enfim, com tempo para ler e muitos livros à disposição na biblioteca pública Alcazar e na Fnac que vire e mexe dou uma passada, faltava o prazer de devorar um livro como fazia com meus livros em português. Mas cheguei lá. Ontem à noite terminei de ler as 535 páginas de “Un jour” (Um dia), de David Nicholls. Não foi o primeiro livro que li em francês, mas foi o primeiro assim longo e um livro de adulto que escolhi pelo interesse da história e não porque seria indicado para meu nível de francês.

A dica eu tinha pego neste blog aqui há muito tempo. É muito interessante a história de Emma e Dexter descrita sempre no mesmo dia do ano, 15 de julho, durante 20 anos. Depois de passarem uma noite juntos após a formatura eles desenvolvem uma relação profunda, mesmo que em vários momentos estarão longe um do outro e vivendo experiências completamente diferentes. O sentimento daquela noite permaneceu forte, embora ele, um tremendo galinha, passou muito tempo com medo de assumir seus sentimentos. E ela se protegeu através de uma amizade. Durante quase todo o livro fiquei encantada por esse relacionamento e por não ser uma história de amor convencional , do tipo felizes para sempre. Depois o livro muda e acabei me decepcionando, mas o fato de ter chegado ao fim de 535 páginas, todas em francês, me deu um outro tipo de satisfação.

E uma coisa engraçada, a história se passa quase todo tempo em Londres, mas também em Edimburgo e outras cidades da Inglaterra e uma passagem por Paris – que coincidência comecei a ler quando estava no trem quase chegando a Paris também (em trânsito para a Normandia). Mas o fato de ler uma história em francês originalmente escrita em inglês algumas vezes confundiu minha cabeça. Não sei explicar, tinha que parar e pensar que aquilo não era na França, coisa que nunca acontece quando leio um livro traduzido em português. E mesmo sem conhecer os lugares exatos citados no livro em Londres e Edimburgo, como já estive nas duas cidades, consegui me transportar para o clima da história. E apesar da minha decepção, recomendo a leitura. Já estou com saudades de Em e Dex, me apeguei. Sabe aqueles livros que mesmo que você está ocupada ou tem outras coisas para fazer tem vontade de largar tudo para ler?

Sobre a Alcazar

A Biblioteca Pública de Marseille é um paraíso de livros, DVDs, CDs e BDs. Por apenas 5 euros por ano (para estudantes) e 21 euros para o público em geral você pode pegar emprestado por 3 semanas (renováveis) até 15 itens, pode ser 15 livros por exemplo ou 10 livros, 2 CDs, 2 DVDs de filmes e um DVD de documentário (tem limites para alguns materiais, como DVD que é 2 por pessoa). A sede fica no centro, perto da minha casa, onde tem muitas atividades e exposições. Mas existem unidades espalhadas por bairros e estações do metrô.

Recentemente comecei a utilizar uma das unidades do metrô numa estação que passo quase todos os dias. Lá posso pegar livros e mesmo devolver aqueles que peguei em outra unidade. Quando quero algum livro que está emprestado, reservo pela internet e quando ele está disponível me ligam e me mandam e-mail para avisar e tenho uma margem de vários dias para passar e buscá-lo.

O sistema é parecido em bibliotecas de várias cidades da França, por isso não é raro encontrar muitos CDs de música copiados nas estantes da galera da nossa geração – tudo pego emprestado nas bibliotecas na época de estudante. No meu tempo eu alugava CDs numa locadora e gravava em K7, depois fazia cópia no computador. Apesar da era do mp3 ainda vejo muita gente, principalmente mais velha, saindo da biblioteca com pilhas de CDs. Além de livros de literatura é possível levar para casa livros de gramática e guias de viagem, por exemplo. Quando fui à Barcelona usei um guia emprestado da Alcazar. A biblioteca tem também um espaço para leitura de jornais e revistas e a carta de sócio dá direito a usar a internet também, se não me engano é 45 min por dia.

A façada em estilo Art Nouveau

Estou devendo aqui centenas de posts, eu sei, mas retomei o blog e além de mostras as paisagens naturais do Sul da França, de pequenas cidadezinhas em Charrente, também quero escrever sobre os roteiros na cola de pintores. Já estive em Arles, a cidade do Van Gogh, em Amsterdam onde está o seu museu, em Aix-en-Provence, a cidade de Cézanne, onde já visitei praticamente todos os locais consagrados pelo artista. Os dois que faltam ainda farei, pois é a cidade onde vou estudar.

Nesta terça-feira, o canal France 2, através do programa Secrets d’Histoire apresentou os jardins de Giverny, onde Claude Monet viveu e pintou muito de suas obras. “Il a vécu la lumière” (Ele viveu a luz, diz um de seus historiadores).

Além de mostrar paisagens encantadoras, entrevistar historiadores, familiares e até uma psicanalista, o documentário faz reconstituições minunciosas, como se estivéssemos assistindo a um filme sobre a vida e obra do pintor impressionista. O lugar, onde hoje é a Fundação Monet, totalmente restaurado pelos mesmos mecenas de Versailles, fica há uma hora de Paris. Mesmo as fotos dos jardins evocam às obras de Monet, imaginem visitar a casa, o atelier, os jardins por onde Monet criou e deixou suas impressões… A próxima vez que eu for à cidade luz vou ter que encaixar uma visita no meu roteiro. Para quem não pode ir até lá por enquanto e entende um pouco francês pode se maravilhar com o documentário, clicando aqui (não sei se fica disponível por tempo indeterminado ou só na semana da emissão). Quem não entende francês e ama artes, vale dar uma espiadinha mesmo assim.

Férias a gente sempre come mais do que o habitual, certo? No Interior, sempre se come mais do que na cidade, certo? Agora imagine férias no interior, só que na França, onde bien manger faz parte da cultura! Aqui o ritual de apéro, entrada, prato principal, salada, queijo, sobremesa e café com chocolate é seguido à risca todos os dias, no almoço e no jantar. Porém na última sexta-feira deu-se o acaso de haver um almoço com os tios da minha família francesa e sermos convidados para jantar na casa de uma das primas. Encontro de família no interior pede refeição especial e eis a minha maratona à mesa:

Tudo começou com um café da manhã normal em Poitiers: baguete de cereais, brioche, manteiga, geléia de morango feita na fazenda, um bolo tradicional de queijo da região de Vienne que sobrou do apéro da noite anterior, café e suco de laranja. Chegamos na casa da família perto das 13h onde os tios já esperavam e começamos o apéro: salgadinhos, amendoim, frutas secas, cubos de queijo ao sabor de frutos do mar, tudo regado a pineau, bebida típica de Charentes, bem como o cognac, pastis (a bebida típica de Marseille) e outras bebidas não alcóolicas como Schweppes e sucos. Cada um faz sua escolha. Eu optei pelo pineau para variar.

Após os aperitivos, melão de entrada. O primeiro prato principal (sim, teve dois, pois era uma ocasião especial) uma folha de alface com um pedaço de peixe e tomates, regado a maionese feita em casa, como para a salada de batata no Brasil. As porções francesas tem tradição de serem pequenas, mas ainda bem! Mesmo quando alguma comida é muito boa eu não repito, pois sei que se eu o fizer, não vou aguentar chegar até o fim da refeição. E muitas vezes já é servido empratado, então tem que comer até o fim. Para acompanhar a carne branca, vinho rosé. E o pão, claro, que acompanha toda a refeição, mas mesmo amando pão, tenho deixado somente para limpar o prato a cada tipo de comida diferente, pois se não fico ainda mais empanturrada.

O segundo prato, carne de vitela com abobrinhas refogadas e feijão verde, uma espécie de vagem mais fininha. Nem tinha terminado minha taça de rosé e para acompanhar a carne vermelha, vinho tinto. Um Bordeaux de 1995. Há 16 anos na minha vida eu nem pensava em beber…

Hora da salada verde. Alface acompanhada de uma travessa com quatro tipos de queijos diferentes (isso é normal todos os dias). Não sou muito fã de queijo, mas uma vez na França, estou tentando abrir um pouco meu paladar, então provei os de vaca, tirei a casca que normalmente é a parte onde tem os fungos e sei lá o quê que deixam famosos aquele tipo de queijo. Já queijo de cabra não descem de jeito nenhum. E aí a hora mais esperada: sobremesa! Uma porção bem generosa de compota de pêssego vermelho com um biscoito ou cookie para acompanhar, já que a compota é um pouco ácida. Para beber? Champagne, bien sûre.

Terminado o almoço, quase 3h após ter sentado à mesa, hora do café acompanhado de barras de chocolate meio-amargo.

Saí pesada da mesa e preocupada se o jantar naquele mesmo dia também seria assim. Já eram 16h, não teria tempo para a digestão! Mas no final da tarde, um lanchinho, sorvete (cornetto e magnum) e bebidas (cerveja, ice tea, sucos).

Depois das 20h seguimos para o jantar. De aperitivo, amendoins e fatias de baguete com patê de coelho. Dessa vez bebi meu tradicional pastis, pois o pineau é adocicado e o cognac um pouco forte para mim.

Começa o jantar, de entrada melão com presunto defumado. O verão é a época da fruta e eles são tão docinhos que às vezes como na entrada e na sobremesa. Com o presunto, que vale lembrar que aqui não é como os fatiados no Brasil que parecem de plástico, o sabor adocicado do melão com o salgado do presunto tem um gosto particular e muito bom. O prato principal (ufa dessa vez era só um!): fatias de pato assado, bem mal passado, ao natural e marinados em mel e figo (delícia), suflê de cenoura e batata refogada/frita. Para beber, vinho tinto de 2004. De sobremesa Torta Charlotte, que é feita com a tradicional bolacha champagne, de morango e chocolate. A noite pulamos a parte do café para bem dormir, mas depois de toda essa comilança a noite não foi tão plácida.

E agora me pergunto: como os franceses são tão magros???

Não tem mais delícias. Fato. Desacostumei a ficar sozinha.

Vou ficar 10 dias sozinhas aqui na França e se passou só um dia e a liberdade de fazer o que se quer – dormir tarde, almoçar na hora do jantar ou ir no banheiro de porta aberta – perdeu um pouco a graça. Mas acho que todos os anos vivendo sozinha me ensinaram muito. Depois que a gente convive com nossas angústias e ais, se encara para valer, pode conviver com qualquer pessoa. E olha que em Londres foram com seis.

A maior evolução que tive na vida foi a que cheguei a conclusão no início do ano: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar. E como previsto lá, eu não precisava mesmo de agenda. Tudo muito imprevisível nesse meu ano ( e coincidência, botei Jorge Drexler para escutar enquanto escrevo. E a música que combina com a imagem ao lado: Nada es más simple, no hay otra norma: nada se pierde,
todo se transforma
).

Desde 2007, quando comecei a bolar um plano de vir para a França, eu tinha colocado no meu orkut como meu país de moradia. Aquele plano fracassou, mas hoje estou aqui! Por breve ou longo tempo, não sei, imprevisível, lembra? Mas sentindo a real vida francesa e não correndo com uma mochila nas costas para ver todos os lugares apontados como importantes num guia de viagem.

Ainda não fui aos lugares da Amélie, mas irei. Essa semana voltando para casa na madrugada após assistir show do Festival Mimi nas îles du Frioul, foi um velhote tocando acordeon na praça que me fez sentir na França da Amélie. Não era uma valsa, não era da Amélie, mas nós deveríamos ter dançando. Tem momentos que não se repetem na vida.

Há uma semana de ir para França e descubro enfim a data do Music Fest que perguntei nesse post aqui

… foi ontem!

É sempre no primeiro dia do verão.

Eu comecei a escrever um post e antão me dei conta que eu deveria escrever esse primeiro para explicar um pouquinho. Na última segunda voltei de uma viagem de 12 dias pelo sul da França. Esse é um dos principais motivos do blog ter ficado tão abandonado. Mas foi de lá que atualizei o texto do meu perfil no blog. Além da idade estar ultrapassada, relembrei que tinha essa frase: “Quero e vou conhecer o mundo”. Bem, eu comecei…

Vi paisagens incríveis em lugares que precisei caminhar e subir montanhas até perder o folêgo. Quando eu avistava aquele azul esverdeado do Mediterrâneo eu precisava de ajuda para olhar, que nem naquela historinha do Galeano. E então eu descobri porque essa é a minha cor preferida.

Além de tanta beleza natural em Marseille, L’Estaque e  Cassis, curti o clima de cidades onde viveram Van Gogh e Cézanne, o luxo de Cannes em pleno Festival de Cinema e visitei cidadezinhas pequenas, de interior, que devem ficar de fora da maioria dos roteiros turísticos mas que me levaram ao real estilo de vida francês com apéros, almoços, jantares e churrascos entre amigos franceses… Não foi dessa vez que fui para Paris, porque daqui de Londres acaba sendo mais perto, mas vi tanta coisa linda que minha única ansiedade agora para conhecer a cidade luz é poder curtir um pouco mais os ares da França e suas comidas maravilhosas.

Marseille

L'Estaque

Cassis

Îles du Frioul

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