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Estou devendo aqui centenas de posts, eu sei, mas retomei o blog e além de mostras as paisagens naturais do Sul da França, de pequenas cidadezinhas em Charrente, também quero escrever sobre os roteiros na cola de pintores. Já estive em Arles, a cidade do Van Gogh, em Amsterdam onde está o seu museu, em Aix-en-Provence, a cidade de Cézanne, onde já visitei praticamente todos os locais consagrados pelo artista. Os dois que faltam ainda farei, pois é a cidade onde vou estudar.

Nesta terça-feira, o canal France 2, através do programa Secrets d’Histoire apresentou os jardins de Giverny, onde Claude Monet viveu e pintou muito de suas obras. “Il a vécu la lumière” (Ele viveu a luz, diz um de seus historiadores).

Além de mostrar paisagens encantadoras, entrevistar historiadores, familiares e até uma psicanalista, o documentário faz reconstituições minunciosas, como se estivéssemos assistindo a um filme sobre a vida e obra do pintor impressionista. O lugar, onde hoje é a Fundação Monet, totalmente restaurado pelos mesmos mecenas de Versailles, fica há uma hora de Paris. Mesmo as fotos dos jardins evocam às obras de Monet, imaginem visitar a casa, o atelier, os jardins por onde Monet criou e deixou suas impressões… A próxima vez que eu for à cidade luz vou ter que encaixar uma visita no meu roteiro. Para quem não pode ir até lá por enquanto e entende um pouco francês pode se maravilhar com o documentário, clicando aqui (não sei se fica disponível por tempo indeterminado ou só na semana da emissão). Quem não entende francês e ama artes, vale dar uma espiadinha mesmo assim.

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Não basta compartilhar o mesmo teto, a mesma cama, a pasta de dente. Mesmo que cada um tenha seu computador, neste mundo de gigas, em que espaço nunca é suficiente, é preciso também compartilhar HD externo.

Outra teoria sobre a vida a dois

Férias a gente sempre come mais do que o habitual, certo? No Interior, sempre se come mais do que na cidade, certo? Agora imagine férias no interior, só que na França, onde bien manger faz parte da cultura! Aqui o ritual de apéro, entrada, prato principal, salada, queijo, sobremesa e café com chocolate é seguido à risca todos os dias, no almoço e no jantar. Porém na última sexta-feira deu-se o acaso de haver um almoço com os tios da minha família francesa e sermos convidados para jantar na casa de uma das primas. Encontro de família no interior pede refeição especial e eis a minha maratona à mesa:

Tudo começou com um café da manhã normal em Poitiers: baguete de cereais, brioche, manteiga, geléia de morango feita na fazenda, um bolo tradicional de queijo da região de Vienne que sobrou do apéro da noite anterior, café e suco de laranja. Chegamos na casa da família perto das 13h onde os tios já esperavam e começamos o apéro: salgadinhos, amendoim, frutas secas, cubos de queijo ao sabor de frutos do mar, tudo regado a pineau, bebida típica de Charentes, bem como o cognac, pastis (a bebida típica de Marseille) e outras bebidas não alcóolicas como Schweppes e sucos. Cada um faz sua escolha. Eu optei pelo pineau para variar.

Após os aperitivos, melão de entrada. O primeiro prato principal (sim, teve dois, pois era uma ocasião especial) uma folha de alface com um pedaço de peixe e tomates, regado a maionese feita em casa, como para a salada de batata no Brasil. As porções francesas tem tradição de serem pequenas, mas ainda bem! Mesmo quando alguma comida é muito boa eu não repito, pois sei que se eu o fizer, não vou aguentar chegar até o fim da refeição. E muitas vezes já é servido empratado, então tem que comer até o fim. Para acompanhar a carne branca, vinho rosé. E o pão, claro, que acompanha toda a refeição, mas mesmo amando pão, tenho deixado somente para limpar o prato a cada tipo de comida diferente, pois se não fico ainda mais empanturrada.

O segundo prato, carne de vitela com abobrinhas refogadas e feijão verde, uma espécie de vagem mais fininha. Nem tinha terminado minha taça de rosé e para acompanhar a carne vermelha, vinho tinto. Um Bordeaux de 1995. Há 16 anos na minha vida eu nem pensava em beber…

Hora da salada verde. Alface acompanhada de uma travessa com quatro tipos de queijos diferentes (isso é normal todos os dias). Não sou muito fã de queijo, mas uma vez na França, estou tentando abrir um pouco meu paladar, então provei os de vaca, tirei a casca que normalmente é a parte onde tem os fungos e sei lá o quê que deixam famosos aquele tipo de queijo. Já queijo de cabra não descem de jeito nenhum. E aí a hora mais esperada: sobremesa! Uma porção bem generosa de compota de pêssego vermelho com um biscoito ou cookie para acompanhar, já que a compota é um pouco ácida. Para beber? Champagne, bien sûre.

Terminado o almoço, quase 3h após ter sentado à mesa, hora do café acompanhado de barras de chocolate meio-amargo.

Saí pesada da mesa e preocupada se o jantar naquele mesmo dia também seria assim. Já eram 16h, não teria tempo para a digestão! Mas no final da tarde, um lanchinho, sorvete (cornetto e magnum) e bebidas (cerveja, ice tea, sucos).

Depois das 20h seguimos para o jantar. De aperitivo, amendoins e fatias de baguete com patê de coelho. Dessa vez bebi meu tradicional pastis, pois o pineau é adocicado e o cognac um pouco forte para mim.

Começa o jantar, de entrada melão com presunto defumado. O verão é a época da fruta e eles são tão docinhos que às vezes como na entrada e na sobremesa. Com o presunto, que vale lembrar que aqui não é como os fatiados no Brasil que parecem de plástico, o sabor adocicado do melão com o salgado do presunto tem um gosto particular e muito bom. O prato principal (ufa dessa vez era só um!): fatias de pato assado, bem mal passado, ao natural e marinados em mel e figo (delícia), suflê de cenoura e batata refogada/frita. Para beber, vinho tinto de 2004. De sobremesa Torta Charlotte, que é feita com a tradicional bolacha champagne, de morango e chocolate. A noite pulamos a parte do café para bem dormir, mas depois de toda essa comilança a noite não foi tão plácida.

E agora me pergunto: como os franceses são tão magros???

Quase 4 anos depois que escrevi esse post aqui o ciclo se fechou. Cheguei a Poitiers na noite de 24 de agosto último, passei todo o dia 25 lá e voltei no dia seguinte pela manhã. O suficiente para conhecer essa cidade universitária que é muito calma, praticamente vazia no verão. No roteiro: igrejas, igrejas. O Museu de Belas Artes vale a pena somente pela sala de Camille Claudel (uh la la, se encontra de tudo na internet, alguém colocou aqui fotos de todas as obras, eu respeitei e não fotografei).

Como são lindas e delicadas suas esculturas! O carro-chefe é a obra La Valse (ao lado), onde um casal dança num delicado movimento do bronze esculpido. Mas a escultura L’abandon me impressionou um pouco, pois retrata a dor profunda dessa mulher abondonada por Rodin, seu grande amor e mestre que a levou à loucura, no sentido mais literal.

Mas os caminhos que me levaram a essa ville são totalmente diferentes do que eu planejei. Naquela época eu tinha um amigo que morava em Poitiers, jogava na liga de vôlei da cidade. Como eu queria realizar o sonho de conhecer a Europa, iria para Espanha estudar espanhol e depois obviamente conhecer Paris e dar uma esticadinha até Poitiers já que teria hospedagem gratuita. Acabei não juntando grana suficiente, deixando outros acontecimentos da vida adiarem esses planos e enfim, vim para a Europa pela primeira vez no ano passado num roteiro completamente diferente: Londres para aprender inglês, Holanda e Escócia de visita, Marseille na França para aprender francês e acabei conhecendo muitos outros cantos da França, tanto no Sul como na região de Charente. Estive perto de Poitiers, mas somente este ano fomos visitar son frère que lá habita. E foram por caminhos completamentes diferentes que o meu fabuloso destino me trouxe à França. Na época do post um comentário se eu estava pensando em morar na França. Não, na época a ideia era só visitar. E vejam só no que deu.

 

Ano passado eu fiquei três meses na França e não aprendi francês. Fiz um mês de curso intensivo numa pequena associação que tinha como objetivo nos colocar a falar a língua, que é a parte mais difícil do francês. Mas naquela época até entender era complicado para mim, quando estávamos entre amigos, aquela conversação toda parecia uma massa só de palavras, sem pausas, sem emendas e minha cabeça desligava ou eu ficava numa conversa paralela em inglês.

Aprendi o básico, mas insisti no inglês, até porque teve uma vez que fui comprar crédito para meu celular e tentei pedir em francês e ouvi: Do you speak english? (ninguém acredita quando conto essa história, já que os franceses tem fama de não gostarem de falar outra língua). Derrota total! Sem contar que todos os dias eu ia na boulangerie, pedia “une baguette” e lá vinha a pessoa com três! Como se une é bem dieferente de trois??! Acontece que pronunciar esse “u” com biquinho e tem o “u” sem biquinho, não é tão fácil quanto parece. Ah e claro que teve mais de uma vez que eu perguntei se a pessoa falava inglês, ela respondeu yes e depois continuou falando tudo em francês.

Resumindo, meu inglês que desenvolveu pouco em Londres em 3 meses morando com brasileiros, desenvolveu mesmo na França, onde eu acordava e dormia falando inglês. Que aliás, pode se tornar uma língua maldita quando você está em qualquer outro país tentando aprender outra língua, pois afinal, tem sempre algo a recorrer.

Ao voltar para o Brasil parece que então minha cabeça estava pronta para aprender français, não sei explicar como, mas comecei a fazer exercícios mentais pensando em francês (coisa que eu fazia quando comecei o inglês), assisti a todos os filmes em francês que tive acesso e quando o semestre começou, entrei num curso regular, com aula uma vez por semana, mas já no teste oral me saí bem, consegui entender tudo, tudo mesmo que a professora falou e consegui falar também. Fui para o segundo nível do básico porque tinha muitos tempos verbais para aprender além do presente, mas a professora sempre me incentivava a falar bastante na classe porque os outros colegas falavam pouco, já que não tinham tido uma experiência em países francofônicos.

Neste verão europeu, retornei a Marseille e parece mágica eu poder entender quando as pessoas se dirigem a mim, poder falar, mesmo ainda com dificuldade ou pronunciação incorreta, manter uma conversação com meus amigos (mesmo que eu não entenda 100% das palavras), falar ao telefone, ainda que um pouco nervosa. Mesmo até pedir um sorvete, uma informação na rua, ou melhor, até já dei informação na rua!

E recebi uma amiga brasileira aqui e entre franceses não conseguia mais falar muito em inglês, preferia falar em português com ela e traduzir para o francês, porque minha cabeça agora quando pensa numa outra língua escolhe primeiro o francês. Mas no começo não era bem assim, pois a primeira referência de língua estrangeira que eu tinha era o inglês e um dia na aula eu disse “Je can”! E o engraçado que após aprender uma segunda língua, não faço mais aquele exercício de pensar em português, traduzir e depois falar. Com o inglês era assim, depois ele saía direto. Com o francês já saiu fluindo. Já o espanhol, ah esse se foi. Não consigo mais articular nada além dum hola, que tal…

Sabe aquela cena do filme Amélie Poulain em que ela atravessa o ceguinho e vai narrando tudo que acontece ao redor? Quando ela o deixa ele está iluminado, como se pudesse enxergar. É assim que me sinto desta vez. Claro que não sou ingênua, como o cego que não voltou a ver, também sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Aprender a gramática, pronunciar bem as palavras, desenvolver bem as frases, aumentar o vocabulário… Mas saí do Brasil no nível básico e cheguei aqui num nível já intermediário. E o melhor foi o “bravo” de meus amigos.

E revendo essa cena, outros detalhes que ficaram de fora no post Na França de Amélie: as provas de melão na feira, o poulet rôti (frango assado), as charcuterie, espécie de açougue que só vende produtos a base de carne de porco. Ainda preciso descobrir le Pierrot Gourmand.

*Ver, ouvir e falar

Em homenagem a todos estudantes de francês! En l’honneur de tous les étudiants de français!

*

Foto tirada no ” Le Panier”, vieux Quartier de Marseille, o bairro mais antigo de Marseille

* Fale mais alto

Estava conversando com um amigo sobre as metas da vida. Temos uma ex-colega dos tempos que éramos estudantes de jornalismo e trabalhavámos num grupo de comunicação importante em Porto Alegre. Ela tinha sonhos bem ousados e quase ninguém lhe dava crédito, muito menos os chefes. Mas o mais importante, ela nunca deixou de acreditar em si própria. Hoje ela* é uma repórter especialista em operações especiais e acaba de publicar um livro.

Aí comentei com meu amigo que fiz metas mais modestas, fui alcançando as coisas aos poucos, com os pés no chão e nunca teve um “chegar lá” e talvez por isso até hoje não vislumbrei um topo. Ou vislumbrei vários, menos altos, ou foram altos o suficiente para mim, sei lá. Daí ele disse que eu ter vindo para cá pode não ser considerando bem pés no chão por alguns. Aí lhe disse que o mais importante nessa vida é no regrets! E abaixo a transcrição do que enviei para ele:

Sei que Paulo Coelho não é lá bom exemplo, mas um dia, eu devia ter uns 15 anos, e eu li uma frase dele que dizia que o
maior pecado é o arrependimento. Demorei um pouco para entender, mas depois que entendi virou um lema. O que tá feito, tá feito e não consigo viver com o “e se?”, sou mais de pagar pra ver.

Essa sou eu, o golpe pode ser duro às vezes, mas depois que passa sempre olho o lado bom e me encontro num lugar melhor agradecendo pelas coisas que aconteceram e me permitiram estar onde estou. Já cresci tanto nessa jornada e conheci e vi tantas coisas que ninguém pode tirar de mim e sei que são as únicas coisas que vou levar comigo no fim do caminho. Talvez esse seja o melhor e maior topo do mundo, não é o do sucesso profissional nem da da montanha de bens que poderia adquirir, mas o topo de mim mesmo, de estar em paz com meu passado, de tirar o melhor das piores situações e de ter todas essas pessoas queridas que continuam comigo nessa escalada.

*Enquanto escrevia o post aproveitei para retomar o contato com essa ex-colega e amiga. O tempo passa e algumas pessoas vão ficando, na correria não retomamos os contatos…

Na aula de hoje descobri que exquis en francês significa requintado, excelente, algo notável em seu genro, delicioso, muito saboroso, distinto, delicado, charmoso, amável, de um charme particular!

O nome do blog e as minhas exquisitices e esquizofrenias que vêm por trás aqui na França tem um sentido todo novo, antônimo, um sinal, um refresh, uma inversão, uma radicalidade, um mudança para essa nova vida.

Voilà! Nunca sonhei com uma vie en rose, mas talvez essa seja minha vida em azul. Minha cor favorita. Le bleu, pode mudar como o azul do céu muda de anil de um dia lindo ensolarado para um azul grisé quando a chuva se aproxima, bleu noir quando vem tempestade, azul escuro intenso quando cai a noite. Como a vida, em seus diversos tons que podem mudar todos num mesmo dia ou no passar dos anos. As tonalidades de cada dia é que constroem os celestes anos de nossas juventudes e vão continuar mantendo nosso céu azul mesmo quando o blue dark cair na noite de nossa existência.
exquis

 adjectif masculin singulier 

1 délicieux, très savoureux (un gâteau exquis)
2 distingué, délicat (politesse exquise)
3 charmant, aimable (un enfant exquis)
4 d’un charme particulier (une promenade exquise)
  expressions 
♦  douleur exquise  (médecine) douleur vive et nettement localisée
Dictionnaire Français Définition  
exquis, e 
  adjectif masculin singulier délicieux, savoureux, agréable, délectable, charmant, délicat, bon, adorable
[antonyme] amer, aigre
2 agréable, charmant, plaisant, piquant, captivant, désirable, séduisant, adorable, aimable, ensorcelant, ravissant, attirant, intéressant, gentil, attachant, baisable
[antonyme] désagréable, rebutant, assommant, repoussant, abasourdissant, déplaisant, dégoûtant, répugnant

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