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Depois dessa matéria do Fantástico mostrando um candidato vendendo seu horário eleitoral gratuito, cada vez me convenço mais em votar nulo.

Já estão fazendo falcatruas antes mesmo de se eleger, com poder nas mãos serão mais capítulos das novelas que já conhecemos: mensalão, máfia das sanguessugas e CPIs que não acabam mais.

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Depois do ocorrido ontem (relato no post abaixo), hoje fui acordada com a notícia de que meu carro havia sido arrombado em frente do meu condomínio. No horário que chego do trabalho o estacionamento rotativo está sempre lotado, e eu só tenho carro porque trabalho à noite. Enfim, ontem estava difícil de conseguir lugar até na rua. Deixei um pouco pra lá do portão, embaixo de uma árvore. É um canto mais escurinho da calçada, mas onde já deixei outras vezes.

Amassaram a porta para abrir e como dentro do meu carro não tem nada, nem rádio, nem nada além da sombrinha
velha, levaram o estepe, que adivinhem, era o pneu rasgado de ontem (estava consertado, mas só servia para um quebra-galho mesmo e perdi a roda). Pelo menos pude rir da cara do bandido. Embora tenha chorado de raiva pela puta sensação de insegurança e lamentado o estrago desnecessário. Nessas horas é que dá vontade de deixar o carro aberto, se tiverem que levar alguma coisa, pelo menos não estragam.

Mas daí fui até o mecânico, pedi uma forcinha e do mesmo jeito que a porta foi estragada, também foi consertada.

Bom, nem tão trágico assim, porque já passei cada uma desde que resolvi ser motorista em tempo integral que o que contei por aqui não é nem metade das histórias que já acumulei em apenas 4 meses.

Meus êxitos sempre vêm acompanhados de uma desagradável surpresa: hoje finalmente consegui estacionar numa vaga na rua onde outro dia não consegui alinhar o carro. E então o que aconteceu? Rasguei o pneu de tão próximo que estava da calçada…

Fui no borracheiro mais próximo e o que menos me cobrou para trocar o pneu furado (era o que eu pensava até então) pelo estepe. O cara é uma figura lendária. Para chegar até meu carro, há umas três quadras, embarquei com ele num jipe velho. O homem de calça camuflada, cabelos grisalhos pulando para fora de uma boina e barba, saiu estourando o motor da caminhonete 1900 e antigamente Menido Deus a fora. Passando pelas ruas onde já sacolejo com meu Uninho, parecia que saltaria para fora do jipe a qualquer momento, que inclusive, está à venda, se alguém se interessar.

Pneu trocado, fui para casa e ele levou o rasgado para tentar salvar. Quando retornei para buscar, o meu pneu que era sem câmera ganhou uma usada e foi parar no lugar do estepe, pois não ficou grandes coisas. Para sair da borracharia (que nem precisava ter entrado, já que não troquei o pneu), me atravessei toda na rua, tive que voltar porque passei perto de bater na relíquia e lá veio o borracheiro. Se postou no meio da rua para os carros pararem e eu manobrar à vontade.

Bona gente, gosto das pessoas despachadas.

Sábado. Começa o horário político e meu irmão, de dez anos, logo se mostra avesso a Heloísa Helena e a Yeda Crusius, mas diz que o seu partido é o PSDB. Digo que é o partido de seu segundo desafeto. Então ele dispara:

– Então vou ser do PCC!

Aí ele resolve perguntar: “PCC é partido?” Digo que é uma facção de bandidos. Diz ele: melhor ainda!

Pensando bem, ladrão por ladrão…

Aliás, bem legal a mensagem que aparece no Google (Brasil) quando a gente escreve “político honesto” e clica em Estou com sorte. Já viu? Não? Então vai lá.

Eu tenho acordado cedo nos últimos fins de semana, nem tanto para aproveitar mais, mas também para poder ficar com a família distante quase 40km. Ainda mais tendo que trabalhar no domingo.

Mas até que eu não posso reclamar da vida. Para mim que adoro dormir de manhã, enquanto a maioria dos mortais passa a semana toda acordando cedo e aproveitando o findi para esticar o sono, eu posso fazer o contrário.

Já estou acostumada a trabalhar aos domingos e finais-de-semana, já se vão seis anos nessa vida. Mas, às vezes, seria bom não ter que escolher entre cinema ou dvd, sair para jantar ou dançar, lagartear no sol ou ir ao shopping. E claro, que fazer análise combinatório de mais de um dos itens, nem pensar! Do contrário não sobra tempo para fazer as unhas ou cabelo, ir no súper ou dar uma ajeitadinha na casa.

Sem contar que vou trabalhar na sexta-feira e só chego em casa no sábado.
Mas como reclamar faz parte: Ê, vida dura!

Pior que ouvir os caminhões de som com os jingles enjoados dos candidatos, é ouvir eles tocando insistentemente o hino colorado.


Aos 25 anos, pela primeira vez, eu comprei um guarda-chuva.

Antes, sempre dava um jeito de pegar na loja do pai. Às vezes, com menos cara-de-pau, eu pedia um que estivesse com algum defeitinho, coisas assim. Fato é que foram muitos, pois guarda-chuva se autodestrói nas minhas mãos.

Agora que uso menos esse objeto, já que ando motorizada, e depois daquela chuva, resolvi investir numa sombrinha decente. E deixar de estepe no carro os restos de guarda-chuva que ainda me serviam.

Quinta-feira comprei uma dessas impermeáveis, que custam quase R$ 30 (logo eu que não dava R$ 5 por uma de camelô) e desde então choveu, várias vezes, mas em nenhuma dessas precisei sacar a minha sombrinha nova, pois não estava na rua. E hoje, saí na chuva para pegar um ônibus, mas havia deixado a sombrianha nova dentro do carro, na garagem da empresa, ontem. Por sorte o estepe ainda estava lá em casa.

Eu que não gosto muito de chuva, se soubesse que um guarda-chuva comprado por mim viraria espanta-chuva, já teria adquirido há muito mais tempo.

Idade para comprar as coisas

Essa história toda me fez pensar que tem coisas bobas, do dia-a-dia, que a gente tem idade para começar a comprar. Lembro que quando era criança, o único prazer de acompanhar meus pais no súper, além de olhar os brinquedos (que sabia não ganharia sem motivo especial), era ganhar escova de dentes nova. Lá pelos 13, 14 anos, com a mesada ou a grana do meu trabalho, isso passou a ser responsabilidade minha.

Até eu morar sozinha, eu não gastava R$1 com uma aspirina. Ah não, remédio era responsabilidade dos meus pais. Agora tenho minha própria farmacinha. E assim foi indo, até eu me sustentar de vez. Mas só agora, aos 25 anos e fazendo três anos que moro sozinha neste mês, é que comprei minha primeira sombrinha!

(Esta imagem acima é mais uma do Goeldi: A morte do guarda-chuva, xilogravura de 1937)

Mais um semestre de curso de História da Arte Brasileira. Na aula sempre tem os tradicionais slides, que ainda bem, a professora mostra depois do intervalo onde tomamos um café para não dormir com aquela luz apagada. Contraditoriamente, é também a parte mais interessante da aula, quando conhecemos as obras do artista estudado.

Hoje foi Oswaldo Goeldi, desenhista e ilustrador que se destacou na xilogravura. Entre temas sombrios como morte, personagens marginais, cenas noturnas, paisagens solitárias e recantos abandonados, este carioca, que viveu por 18 anos na Suíça, também produziu a obra Chuva (acima), xilogravura de 1957. Seus desenhos, que na maioria são negros, tem cor em alguns para pontuar algum detalhe. Adorei esta obra. Sempre na aula escolho a que acho mais bonita, num pensamento: esta eu queria ter em casa.

Poderia resuir o post abaixo parodiando uma música:

A minha alegria atravessou o mar…
… e morreu na praia!

Minha alegria durou pouco.

Esqueci que vídeo cassete trancava e mastigava as fitas. E, na tentativa de que ele não as engula, a nossa forcinha acaba arrebentando com elas.

Agora novela só acompanhando os resumos e assistindo as fotonovelas na internet.

Desde ontem sou a feliz proprietária do DVD do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

Desde que começamos a namorar, o meu Nino Quincampoix queria me presentear com esta maravilha da sétima arte. Porém, na sua busca, descobrimos que o título estava esgotado.

Então neste sábado, estávamos procurando presente para o Dia dos Pais na Saraiva Mega Store, e entre os demais DVDS vejo reluzir, ela, a eterna Amélie:

Sabe aquela chuva torrencial que banhou a Capital dos gaúchos ontem? Pois foi só para me lembrar que quem está na chuva é para se molhar.

Além do banho que tomei para chegar até o estacionamento na saída do trabalho, pelas 22h30min, quando parei no sinal no cruzamento da Erico Verissimo com a José de Alencar, o carro apagou e não arrancou mais.

Liguei para um mecânico que atendia 24h, para o namorado e para Deus, para que eu não fosse assaltada. Enquanto isso, os carros paravam atrás de mim e quando o sinal abria ficavam buzinando, e eu não podia fazer mais nada. O pisca-alerta já estava ligado.

O mecânico demorou mais que o námor. Fiquei sozinha uns 20 minutos. E aí veio o assalto: R$ 60,00 com desconto de 40% (porque estava próximo da oficina) para desafogar o carro que parou por causa da chuva! E mais banho de chuva até resolver tudo.

Hoje acordo, o dia está ensolarado, lindo como sempre esteve nos últimos dias, exceto pela noite de ontem. Daí chego a conclusão que esta chuva foi só para fuder comigo. E a certeza eu tenho agora, quando começo a sentir uma dorzinha na garganta pelos banhos que tomei ontem.

Para completar a noite, a gente deu uma volta enorme na Zona Sul para não pegar a Pe. Cacique que poderia estar alagada.

Passei numa poça maior e o carro não apagou.

Não pude colocar a culpa no carro e solicitar um paipréstimo para trocar a lata velha.

E o Inter ganhou.

Deu no jornal que Fidel Castro é o homem das sete vidas. Sabe que meu pai também?

Desde que me conheço por gente, ele tem uma cicatriz na testa que vai até o meio da cabeça. Adquiriu num acidente no Horto Florestal, mais conhecido como mato de São Leopoldo que divide Sapucaia do Sul e São Léo. Isso antes de eu nascer.

Depois vieram outros incidentes.

• Uma vez ele chegou em casa com uma das pernas toda enfaixada, acho que foi os ligamentos do joelho. Mas ele estava viajando a trabalho. Não sei se não foi um acidente. Eu era muito pequena.

• O tanque do caminhão de piche em que ele trabalhava explodiu e ele estava na cabine. Conseguiu saltar fora a tempo.

• Quando os pedreiros estavam construíndo o prédio do meu avô, a viga de sustentação do teto ficou torta. Meu pai que é um homem cheio de idéias, resolveu aproveitar que o cimento estava fresco para endireitar com um macaco (esses de trocar pneu de carro). O teto veio abaixo, na cabeça dele e dos operários que conseguiram correr e escapar.

Sem contar que já vi várias coisas caírem na cabeça dele, inclusive um tijolo. Na loja dele, tem uma porta baixinha nos fundos. Vire e mexe ele passa rápido, não se abaixa o suficiente e bate a cabeça.

Se continuar assim, espero que ele tenha muito mais que sete vidas.

Beatiful day!!!!!!!

Nas últimas semanas troquei, de vez, o dia pela noite. Além de eu ter sido criada dormindo mais tarde e boa parte da minha vida como trabalhadora sempre foi a noite, virei notívaga. Mas no horário que trabalho agora não precisava ser tanto. Chego em casa por volta de 23h e ontem bati o recorde: fui dormir às 5h.

Acho que no fundo, é uma forma de não me sentir só. Porque se eu morasse numa casa com dez pessoas, elas estariam dormindo na madrugada. Quando se mora sozinha, é estranho você acordar e não ouvir a própria voz, no meu caso, até chegar no trabalho(a não ser que dê telefonemas ou cante).

Ontem assisti as duas novelas que eu gravo. Depois deveria assistir um seriado. Mas passei. Coloquei o DVD do U2 e fiquei lendo o jornal. Nas músicas mais lentas eu parava para ficar escutando. Queria descobrir exatamente uma que me toca mais, Running To Stand Still:

Step on a fast train
Step out of the driving rain, maybe
Run from the darkness in the night.
Singing ah, ah la la la de day
Ah la la la de day.

Ouvi mais de uma vez.

Depois fui ver nos extras do DVD uma montagem muito legal que tem dos fãs cantando Vertigo:

Hello hello (Hola!)

Feito isso, fui arrumar a cama para só então deitar. Já eram quase 4h. Li mais um capítulo de Quase Tudo, da Danuza Leão, livro que estou devorando. E quando resolvi dormir não tinha sono…

Mas eu também gosto do sol, do dia. A refeição que tem as coisas que eu mais gosto é a matinal. Acho que no dia que tiver alguém que busque um pão fresquinho para mim eu comece a pular da cama ainda de manhã.

Porque mais cedo, às vezes eu levanto, cedo da tarde.

Os dias opacos estavam chegando ao fim.
Mas foram substituídos por adiamentos.
E as expectativas que antes oscilavam
Agoram escorrem no meu rosto.

O passar das horas no pêndulo de um relógio.
Um segundo para frente, outro para trás.
O tempo não passa.
E se passa, é em vão.

Fiquei sabendo hoje que a matéria que eu fiz para o Viagem foi vendida para a edição 10 do jornal TuriNews.

Um dinheirinho extra é sempre bem-vindo!

Ontem, voltando do trabalho, quase 23h, o frio era tanto que não conseguia segurar na direção do carro que meus dedos congelavam. Prefiro isso aqui

E vim cuidando os termômetros. Do trabalho até a minha casa, que são apenas 6km, diminuem 3º. Se Porto Alegre está uma geladeira, eu moro no congelador.

Quando é que o contrário disto vai acontecer, hein?

Acho que é meio difícil, já que a temperatura cai sempre durante a noite e aumenta durante o dia …

Eu não sou da turma que queria o inverno de volta, estava adorando aquele veranico de julho. Até porque com o frio, o meu sonho de consumo volta a ser um carro com injeção eletrônica.

Assisti domingo ao filme Paradise Now. Enquanto os créditos finais subiam, em silêncio, com sua escrita em árabe e inglês, eu fiquei pensando em tudo que havia escutado dos personagens. E cheguei a conclusão que tanto os israelenses quanto os palestinos têm suas razões. Mas a perderam, quando resolveram partir para a violência. Mas desde que o mundo é mundo não é assim? Desde que Caim matou Abel não é com mortes que as coisas se resolvem?

Nada justifica o terrorismo. Mas o terror praticado através de uma instituição militar é aceitável? Desde sempre, as matanças cometidas em guerra não são considerados assassinatos.

Neste conflito que assola o Oriente Médio, tanto Israel quanto Líbano têm seus motivos e ninguém têm razão nesta guerra desproporcional. Se de um lado Israel ataca querendo acabar com o grupo terrorista do Hezbollah (o que, dependendo do ponto de vista, seria algo bom), por outro lado, a milícia xiita só existe porque tropas israelenses ocuparam a sua área no final da década de 70. Pensando fria e militarmente, pessoas precisam ser sacrificadas para que mudanças ocorram. Mas com toda a tecnologia, não dá para desviar dos inocentes? Gente que só tem a ver com a história porque está na hora e no lugar errado?

Para mim, nada justifica a guerra. Começo a desconfiar que Deus é apenas um argumento inventado pelo homem para justificar as atrocidades que comete contra seus semelhantes.

A conclusão que eu cheguei é que o mundo não tem jeito. Aqui, na minha realidade, também acho que o Brasil não tem jeito. Não tenho mais nenhuma esperança com a política e isso afeta quase tudo que precisa mudar por aqui. Sinceramente, cruzei os braços. Há muito perdi a ilusão de que fazendo minha parte eu posso fazer diferença. Será que isso é ser adulto, isso é amadurecer? Porque quando eu era mais jovem, eu era muito mais idealista.

Eu vivo a minha vidinha, sou feliz e não faço nada para mudar o mudo. Como a maioria, aliás. Só não sei o que vai ser do futuro… ah esqueça. As crianças de hoje serão os adultos de amanhã. E também vão pensar como eu.

O mundo sempre foi doente. E nem por isso ele deixa de girar.

É um pensamento bem pessimista, eu sei. Mas para isso, faço minhas as palavras do Saramago:

“Os pessimistas são pessoas insatisfeitas com o mundo. Em princípio, seriam as únicas interessadas em alterar a rotina, uma vez que, para os otimistas, é razoável como está. Mas gosto de dizer outra coisa: não sou pessimista, o mundo é que é péssimo (risos)”.

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