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Como minha alma faceira e meu espírito livre se deixou aprisionar tantas vezes.

É como diz a frase do Jacques Derrida que gosto de usar para me definir:

“Nunca conheci um homem capaz de tamanha alegria e intensidade. Nunca conheci, tampouco, ninguém tão irremediavelmente triste, abatido e melancólico.

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O mundo me exige demais às vezes. Sempre tenho que seguir em frente com fantasmas a minha volta. No mundo virtual a gente pode descobrir e fuçar em tudo que quer, mas até mesmo quando se deixa pra lá, o presente do passado bate a minha porta, do correio eletrônico.

Não dói, mas também não precisa lembrar. Era só isso que eu queria do destino, o brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Hoje lembrei das minhas conversas com o Nelson Rodrigues em 2005… sempre atual, as minhas palavras e as dele.

Isso porque li no twitter do @rodriguesnelson:

A pior forma de ódio é o ex-amor. Ninguém perdoa aquele ou aquela que deixou de ser amado.

Ai, isso tudo é tão complicado que prefiro nem pensar.  É tão boa a vida com só o que ela tem de bom. É passageira, efêmera, instável, mas pulsa mais em minhas veias.

É como estar numa montanha russa, o frio na barriga é mais constante, mas também passa rápido. Não há a sensação do fim, estou sempre em loopings e com a eterna expectativa dos começos.

Estou olhando Um Lugar Chamado Notting Hill, acho que é a primeira vez que assisto desde o começo e somente a segunda vez que vejo este filme. A música She, da abertura, me lembra  um domingo de março de 2006, quando alguém acordou, viu o sol lá fora de um dia lindo, lembrou de mim e me escreveu um e-mail com a letra dessa música.

Naquele dia eu não sabia que isso seria o começo de algo que mudaria minha vida, mas não para sempre.

Lembrar de um momento como esse com carinho é a prova de que o que nasceu ali  já morreu.

E já que estou nostálgica, vou postar parte de um texto que escrevi um mês depois para postar aqui e nunca foi postado… São conceitos que tenho que relembrar, pois eu deveria sentir isso sempre, principalmente agora que não tenho a mínima ideia do meu futuro. Acho que até quem eu sou é algo que está meio confuso na minha psiquê. E também porque tudo nessa vida é volátil até que a gente encontre aquele lugar onde queremos ficar para sempre. Até lá, o jeito é viver muitas vidas.

Nas últimas 720 horas da minha existência o tempo ganhou um significado novo para mim. Eu não sei se ele esteve desde sempre comigo, se chegou agorinha e nem quanto tempo vai ficar. Eu não faço mais distinção entre presente e futuro. Eu vivo os momentos, os instantes, o dia, a semana e o mês. E neste curto e longo período de tempo já vivi uma vida!

Finalmente consegui compreender que o presente e o futuro são hoje. Agora, já foi e já é. E dentro de cada dia cabem planos e sonhos do mesmo jeito, mas de uma forma leve. Sem a velha preocupação que me tomava o tempo que eu deveria estar vivendo o que eu estava planejando para amanhã.

Faz um mês que eu sou eu. Até um eu que nem eu mesmo conhecia. Eu faço as coisas que sempre quis fazer, eu ajo da maneira que eu sempre achei que deveria ser. Eu não represento papéis, eu não estou tentando agradar ninguém. E ele está ali do meu lado, do mesmo jeito.

*Agora que o filme terminou consegui concluir o post… fiquei lembrando de onde conhecia a trilha, ela embalou o tal mês. A gente pode não fazer distinção entre presente e futuro, mas sabe muito bem onde fica o passado.

Chegar em casa de madrugada e não precisar andar na ponta dos pés.

Notei que tenho aproveitado ao máximo as madrugadas dos meus findis, não só porque já trabalhei em muitas, mas também porque o príncipe não vira mais abóbora a meia-noite.

O ruim de morar sozinha é que tu só se dá conta de que está introspectiva quando entra em contato com outras pessoas.

O que esperar quando não se tem nada para esperar?

Já que eu decidi pela bicicleta, agora me falta alguém com quem compartilhar pedaladas.

Quando a comprei eu tinha, mas veja que coisa, nunca pedalamos juntos.

Aquela minha antiga teoria* de que estar solteira não significa estar sozinha, está valendo mais do que nunca.

E o inverso também pode ser proporcionalmente verdadeiro: estar namorando não significa não estar solitária.

* não sei porque não postei por aqui, pelo menos não achei pela busca

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Escrevi também no blog Toda Mulher, um post que confessei que queria casar, desde que fosse com alguém que preenchesse certos requisitos (confere lá).

Terminei o post assim:

“Depois de admitir isso e ainda publicamente, só falta eu me livrar de uma coisa: minhas reflexões. Não dizem que quem pensa não casa? E eu ando doidinha para comprar uma bicicleta.”

Na época eu achava que tinha reencontrado essa pessoa, mas como ainda não encontrei, pedalar sentindo o vento fresco que vem do Guaíba percorrendo todo meu corpo, emoldurada pelo pôr-do-sol é tudo que quero agora. Com sorte, com uma boa companhia, nem que seja a dos meus pensamentos.

Muitas vezes é melhor mesmo pensar e comprar uma bicicleta, até ter alguém que se encaixe na tua carona, porque por mais amor que possa existir, duas pessoas só ficam juntas quando se quer pedalar para a mesma direção.

Bicicletas na minha vida

Ter total poder sobre o controle remoto da televisão.

A não ser que ele seja da Net versão analógica e tenha vida própria, como o meu.

Também é bom ter o controle do DVD só para mim. Sou do tipo chatinha, se perco uma palavra, volto o filme.

Esquecer a toalha molhada em cima da cama e não ter de quem reclamar, afinal foi você mesma que deixou.

Esquecer um cartão em casa e só lembrar na hora de fazer uma compra e não ter ninguém para ligar para pedir o número.

Outras dores e delícias

Comecei a ver hoje a 6ª temporada de Grey’s Anatomy e uma frase me mercou no final do segundo episódio:

Quando dói até mesmo para respirar, aí você sobrevive.

Nossa, já senti isso. Tanta dor que parecia que não ia suportar… e hoje estou aqui, consciente de que tudo nessa vida passa, que a gente sempre consegue superar tudo e que a esperança sempre volta.
E aí falaram outra frase, que complementa a outra:
O pior de tudo que quando você acha que já passou, começa tudo de novo…

Mas quando a gente está disposto a querer que comece tudo, para então ver no que vai dar, acho que já passamos do estágio de sobreviver. É então que novamente queremos viver a vida, com o peito carregado do otimismo de que o pior já passou e ainda não chegamos aquilo que nos espera.

Eu queria ser a Meredith só para encontrar meu McDreamy no dia seguinte no mesmo local de trabalho…

Semana agitada. Cansaço acumulado desde a noitada de quarta-feira (maravilhosa). A sexta era para ser de programinha mais ligth. Cheguei em casa relativamente cedo, mas me diverti muito.

Fui assistir Clandestinos, do João Falcão, no Theatro São Pedro. Ganhei os ingressos e deu uma volta enorme na cidade para buscá-los, naquele trânsito das 18h e com chuva na capital gaúcha. Até chegar ao São Pedro foram quase duas horas, e eu achando que ia dar uma banda na Feira do Livro… Mas a peça é muito engraçada. Vale a pena, cheia de atores jovens, bonitos e talentosos. A plateia era meio vergonhosa. Só na baixa e ainda não lotou… Espero que no findi melhore, porque a gurizada é boa e isso envergonha nossa capital.

Depois uma pequena saga para tomar uma ceva na Lima e Silva. Num surto de otimismo achei mesmo que ia chegar depois das 23h30 e sentar na rua no Pinguim. Tentei o Pedrini, fiquei na fila até começar a chover. Voltamos para pegar uma mesa dentro do Pinguim e além de cheio tinha o pessoal da calçada debandando pra lá por causa da chuva. Então fomos para um lugar que nunca tinha reparado na existência: Vídeo Bar. Um bar todo com a temática de filmes, muito simpático e tinha uma das mesas (que consegui sentar depois) com a luminária da Amelie Poulain! Quero uma. Só que o nome do diretor escrito nessa mesa não combinava muito: Hector Babenco.

Enfim, lugar agradável e um papo ótimo regado a ceva bem gelada. Depois um banho de chuva para lavar a alma e fui dançando e cantando dentro do carro que nem vi um cara fazendo ontem no Moinhos. Ele dançava Frank Sinatra e cantava bem alto no engarrafamento do fim da tarde e com as janelas abertas. Eu passei por lugares menos movimentados e com o vidro fechado por causa da chuva enquanto gritava canções e dançava dentro do carro.

Aí peguei engarrafamento na Pe. Cacique mais de meia-noite e meia, no meio daquela fuzarca da lapa baguaceira que se instalou ali com aquele monte de escola de samba e pagodeiras. E tinha uma kombi parada no meio da rua…

Cheguei em casa cansada, mas feliz. E cedo para uma sexta, basta ver os míseros contatos (ausentes) que estão no meu msn. Mas sempre temos o sábado à noite.

Foi uma pessoa que vem de uma cidade que nem está no mapa que me fez refutar uma das minhas teorias.

E quebrei uma das minhas regras.

Mas eu sei da minha história e o quanto foi bom se deixar levar pelo momento, pelo menos uma vezinha. Portanto não estou me importando com julgamentos.

Saber quem eu sou: muito tempo e $$ de terapia.

As justificativas para essa pequena loucura: muita dor e sofrimento já passado.

Sentir o que estou sentindo hoje: não tem preço!

Eu ainda não cheguei no marco zero, estou na linha negativa. Mas acho que pela primeira vez serei forçada a tomar uma decisão por minhas próprias escolhas. Tenho vindo a reboque das influências daqueles que passaram pela minha vida, ainda que por breves momentos e de marcas doloridas. Preciso saber o que eu quero, o que eu gosto e como conseguir chegar lá. Não é fácil quando não se tem mais 18 anos. Ao mesmo tempo que não tem a pressão daquele tempo, existem outras que eu mesma me imponho que são tão ou mais pesadas.

Dá vontade de voar alto, viajar, mas como se desprender de uma vida arraigada e de certa forma confortável? Tem dias que vejo tudo como um novo começo, em outros parece que perdi tudo. E essa contradição é mais um fato para me desfocar da minha real condição, eu que já tenho tanto problema em achar foco para as coisas que quero.

E bate uma preguiça, um desânimo… eu corri tanto para chegar lá que cansei. E agora? Olho para todos os lados e está visto, não há um lugar para onde eu queira ir nesse caminho. Voltar? Tomar outro? Mudar? São perguntas que me doem e que ainda não consigo responder, não consigo agir. Alguém me disse hoje que os ventos da dúvida são bons. É verdade, porque acomodação dá tédio e eu estou sempre querendo me mover. Até agora eu tinha para onde ir. Hoje não sei mais. Acho que pela primeira vez na vida estou enfrentando a mim mesma de uma maneira que só eu posso resolver e eu ainda não tenho muito ideia por onde começar. Estou jogando para todos os lados, mas nem sei se essa é a direção certa.

Meu centro de equilíbrio sempre foi apenas eu, mas eu sempre gostei de fingir a importância maior que os outros tiveram nas minhas escolhas e decisões, embora eles nunca tenham se envolvido na minha vida e nunca estiveram lá nos momentos-chaves. Acho que era eu que me envolvia demais nas suas e me apaixonava pelas escolhas dos outros.

Eu preciso fazer tudo sozinha, mas adoraria que alguém me resgatasse desse momento e me deixasse viver um conto (uma história breve) até que eu soubesse que rumo tomar. Um hiato no tempo amaparada pelo cuidado descompromissado da paixão e do desejo. Descompromissado mesmo, para que eu não caísse no erro novamente de minhas escolhas serem influenciadas por outra pessoa.

Uma fuga, me perder com alguém para talvez poder me encontrar.

Amores só são diferentes enquanto existem.
Quando acabam, são todos iguais.

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