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Baixei o Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain sem legendas que é para treinar o ouvido para o francês e também porque fazia muito tempo que eu não revia o filme e meu DVD ficou no Brasil…

Ainda não fui a Paris, mas depois de estar vivendo há algumas semanas na França, reparei em outros detalhes que antes passaram desapercebidos. Não é só a delicada épicerie do monsieur Collignon, que só realizei agora, porque elas estão por todos os cantos de Marseille, com suas endives e melons (preparei um hoje e deixou um perfume por toda a casa…) Mas é também as cerises, compradas num cestinho, que a pequena Amélie usa como brincos…. e os fraises colocados nos dedos que adoro comer com chantilly fresco comprado na boulangerie.

É  também o letreiro luminoso indicando uma pharmacie, que aparece na cena em que Amélie senta na Gare de l’Est para ver o álbum do Nino pela primeira vez. Ah, a estação, bem parecida com a Saint-Charles aqui de Marseille onde se pega trem para todas as partes da Europa e também para pontos mais distantes da cidade, como quando Amélie vai visitar seu pai. As tabacarias nos cafés e bares. As velas acesas na igreja. O frango assado dos domingos. Le petit vélo encontrada na caixa de Dominique Bretodeau e o cavalo que corre… em meio ao Tour de France!

O Afeganistão, os marchés, as campainhas com os nomes das pessoas e os prédios antigos. O formato dos interruptores dos prédios, os vasinhos nas janelas, o prazer de quebrar um crème brûlée, os cinemas antigos, as escadas, as palavras pelas paredes…

Os carrosséis por toda a parte como se fosse um antigo sonho dourado no meio da frenética cidade para nos lembrar que um dia fomos crianças e tudo na vida girava lentamente ao som de uma música delicada.

E toda vez que passo por uma máquina de fotos eu dou uma olhadinha em volta para ver se não tem nenhuma fotinho rasgada aos pedaços…

Et cet amour muet…

P.S: Tentei com minhas fotos fazer um pequeno comparativo. Mas confesso que não me dediquei muito a ele, tirei uma ou outra no caminho que uso normalmente, outras do meu arquivo… Poderia exaustivamente explicar cada coisa nas imagens do filme. Mas só estando aqui, só conhecendo a França, e, acho que olhando o filme um zilhão de vezes, é que você se dá conta de cada detalhe. E claro, sendo alguém super observador como eu.
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Vi Sex and the City 2 e não gostei do filme. Eu sei que sequência de filmes costuma decepcionar, ainda mais originário de uma série. Mas gosto tanto da série que qualquer momento a mais com essas meninas me alegra, depois de ver tantas reprises.

Não sei se realmente é o filme que é ruim ou fui eu quem mudou. Passei a dar valor a outras coisas na minha vida… Achei a casa da Carrie e do Big fria, sem personalidade. Decoração de revista, tudo perfeito e caro, mas sem alma. E o figurino foi mesmo exagerado. Ela anda de salto alto dentro de casa! A série sempre foi conhecida pelo jeito fashion das protagonistas, mas era um fashion do dia a dia, uma coisa mais de acordo com a realidade. O que são aquelas roupas luxuosas para uma viagem ao deserto? Aliás, tudo nessa viagem é meio surreal. E quando fiquei sabendo que teria uma viagem pensei: mesma fórmula repetida do primeiro filme. Mas nesse, além de não ter muito propósito, praticamente todo o filme se passa durante a viagem e vira uma comédia de sessão da tarde, comprovado até pela trilha ao fundo.

O Big sacaneou muito a Carrie, mas teve algumas situações que achei ela bem chatinha. E nesse segundo filme ela está mesmo chata. E resolver os problemas com uma joia?

Para mim, virou tudo muito superficial e sem alma. Uma pena, preferia ter ficado sem essa.

A série sempre foi conhecida pelo jeito fashion das protagonistas, mas era um fashion do dia a dia, uma coisa mais de acordo com a realidade.

Depois de seis dias sozinha naquele modus operandi: dorme tarde, acorda tarde, hoje acordei mais cedo, fiquei lendo um pouco na cama com a janela aberta (adoro), tomei meu café da manhã tranquilamente e fiz várias coisas que rendem vários posts. Era feriado na França, 14 juillet, comemoração pela Queda da Bastilha, eu não tinha aula.

Assisti ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain com um outro olhar, fui à praia, assisti Sex and the City 2 e assisti ao fogos de artíficio no Vieux-Port  em Marseille pela importante data nacional na França (comentei no meu twitter).

Hoje lembrei de levar meu mp3 para praia e a trilha não poderia ser melhor e mais mulherzinha: começou com Beatles e a música que disparou na minha cabeça quando cheguei a Liverpool e ficou comigo todo tempo lá: I need you (e não é à toa que era a primeira do play list). Depois veio U2 com All I want is youEverlasting Love. Julie Delpy com An Ocean ApartJe T’aime Tant. Jason Mraz & Colbie Caillate e a fofa Lucky. Michael Bublé com Everything. The Temper Trap e a doce Sweet DispositionHere comes your man, cantada pela Meaghan Smith, There is a light that never goes out, do The Smiths. As francesas Camille com Ta douleur e Anaïs com Mon Coeur, Mon Amour.

E por fim a música que me fez esquecer todo resto, era só eu, o sol,  o mar, e meus pezinhos remexendo a areia numa leve dança, porque eu não consigo ficar parada:

Essa música entrou para a lista daquelas que ouço mil vezes, como as citadas acima. Em Londres eu dançava nas escadas do tube, aqui danço na praia. A companhia da música foi bem melhor que da outra vez em que dormi no sol escaldante da Provence e quando acordei era um falatório em francês que bateu aquela sensação: quem sou? onde estou? onde está wally?

Não tem mais delícias. Fato. Desacostumei a ficar sozinha.

Vou ficar 10 dias sozinhas aqui na França e se passou só um dia e a liberdade de fazer o que se quer – dormir tarde, almoçar na hora do jantar ou ir no banheiro de porta aberta – perdeu um pouco a graça. Mas acho que todos os anos vivendo sozinha me ensinaram muito. Depois que a gente convive com nossas angústias e ais, se encara para valer, pode conviver com qualquer pessoa. E olha que em Londres foram com seis.

A maior evolução que tive na vida foi a que cheguei a conclusão no início do ano: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar. E como previsto lá, eu não precisava mesmo de agenda. Tudo muito imprevisível nesse meu ano ( e coincidência, botei Jorge Drexler para escutar enquanto escrevo. E a música que combina com a imagem ao lado: Nada es más simple, no hay otra norma: nada se pierde,
todo se transforma
).

Desde 2007, quando comecei a bolar um plano de vir para a França, eu tinha colocado no meu orkut como meu país de moradia. Aquele plano fracassou, mas hoje estou aqui! Por breve ou longo tempo, não sei, imprevisível, lembra? Mas sentindo a real vida francesa e não correndo com uma mochila nas costas para ver todos os lugares apontados como importantes num guia de viagem.

Ainda não fui aos lugares da Amélie, mas irei. Essa semana voltando para casa na madrugada após assistir show do Festival Mimi nas îles du Frioul, foi um velhote tocando acordeon na praça que me fez sentir na França da Amélie. Não era uma valsa, não era da Amélie, mas nós deveríamos ter dançando. Tem momentos que não se repetem na vida.

Tanto tempo sem entrar aqui que o wordpress até me pediu a senha. Então me senti na obrigação de fazer pelo menos um post do tipo “há quanto tempo não venho aqui”.

Passaram-se meus três meses em Londres, sendo que no último viajei quase todos os finais de semana. Fui para Oxford e Escócia. E depois, nos últimos dias antes de vir para a França, foram de uma correria só, mas de ótimos momentos. Eu fui para Liverpool numa sexta-feira e voltei no sábado bem tarde. No domingo bem cedo fui para Amsterdam e voltei na terça no final da tarde. Menos de 24h depois eu já estava rumo à Marseille, na França.

Tenho tantas coisas para escrever dessas viagens, tantas impressões… mas papel e fotos não traduzem tudo. Sim, descobri isso com os europeus. Eles têm razão. Mas aproveitei muito os momentos. E agora, nouveau vie! De um jeito que nem sei dizer se era o que eu esperava há muito tempo ou é tudo muito diferente. Só sinto que é do jeito que eu mereço. E não sei o que será do amanhã. Em fato, a gente nunca sabe, mas a gente sempre acha que pode controlar. Eu desisti. Estou indo na direção do vento e tenho encontrado boas surpresas. Dificuldades? Certamente haverá, mas já passei por tantas que tudo parece fácil.

Cheguei a conclusão que muitas pessoas vão para Londres quando não sabem o que fazer da sua vida. Eu era uma delas. Mudei de país. Mas ainda não sei se me encontrei ou me perdi de vez. Mas eu e uma das grandes amigas que fiz em Londres passamos a usar um motto: the life is just one!

E a minha é essa aí, sem caminho certo ou errado. Só caminho e quem vier comigo na mesma direção. Il est…

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