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Escrevi na página de ontem do meu Livro da Tribo em letras garrafais:

Eu estou me sentindo muito só, sozinha, solidão…

E abaixo: Socorro alguém me empreste um coração…
Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa que se sinta
– solidão!

Virei então a página para colocar o marcador no dia de hoje e eis o que é o tema do dia:

Interligados
Não podemos viver só para nós mesmos. Há uma rede de milhares e milhares de fios, que nos liga a todos os homens. E em meio a todos esses fios, feito fios humanos e solidários, nossos atos agem como causas, e a nós retornam como efeitos. (Herman Melville)

Coincidência?

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“Não busca no olhar de hoje a mesma saudação do olhar de ontem, quando eram outros os que encetavam a marcha da vida, da alma alegre e pé veloz”.
Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Antes de sair, a mulher me perguntou que faculdade eu fazia. Colegas, para nosso bem ou para nosso mal respondi: JORNALISMO.

Não pego o trem sem empunhar um livro debaixo do braço. Pois nesse domingo estava voltando da casa materna, lendo durante a viagem o livro Amestrando Orgasmos, de Ruy Castro (taradinho desde a infância, como se define). De repente uma mulher com uma bolsa rosa (logo me lembrou a Pink, do BBB5) me pergunta:

– Como se chama mesmo o livro que você está lendo? Amestrando Orgasmos? – em alto e bom som…

Não tive como negar, empunhando a publicação diante dos inquisidores olhares do vagão. Ela me pediu para ver, exitei no primeiro momento. Vai que a louca sai correndo com o meu livro, pensei (tenho trauma, pois quando era criança e recém tinha ganhado o Meu bebê, uma criança louca quis levá-lo de minhas mãos, a minha resistência, acabou puxando os sapatinhos e levando para sempre o item de fábrica). Mas ela queria ver “ao menos uma palavra, um trechinho”, então deixei que ela pegasse a obra na mão.

Tentei lhe explicar que o livro tratava sobre observações do autor sobre pesquisas científicas que haviam saído em jornais e que nem tudo estava relacionado ao sexo (afinal eu estava constrangida, depois de um olhar fuzilador que um casal do banco da frente me lançou). Ao que a mulher comenta mais alto ainda:

– E olha o que fizeram na capa, uma vagina e um chicotinho!!!!

Bah, já não tinha mais jeito…

– E o que tem dentro? Uma bunda????

Abri o livro e lhe mostrei outra “vagina”… Me perguntou uma vez mais ainda quem era o autor. Ainda lhe expliquei que se tratava do biógrafo do Nelson Rodrigues, para piorar a situação. Mas acho que ninguém entendeu…

A mulher se afastou, não sei se desembarcou ou o quê. Não tive coragem de sequer olhar para o lado. Só me restou enfiar novamente a cara no livro. Porém desta vez, fiquei constrangida com os risinhos sacanas e de canto de boca que estava dando enquanto lia o livro. Agora eu era observada… meu prazer orgástico na leitura havia sido descoberto. Mas não consegui me conter… Quem não iria largar um sorrisinho ao ler tal coisa sobre a amnésia coital (nome dado a uma pesquisa que os inglês fizeram donde constataram que durante o ato se esquece até o próprio nome):

“Segundo as estatísticas dos cientistas, metade desses casos de amnésia suspeita acontece com pessoas na faixa dos 44 anos – a idade do lobo, nos dois sexos. Isso significa que, se você tem por volta de 20 ou 30 anos e vive se gabando de ter uma memória perfeita e que é capaz de decorar até catálogo telefônico, é porque não deve estar transando direito. Mas, por que estou dizendo isto? Esqueci”.

Tentei recobrar a seriedade. Mas a próxima crônica era sobre “seios emborrachados” ao que ele revela, embora alguns médicos neguem, é que alguns seios de silicone apitam. Veja o trecho:

“Naquele momento, os únicos ruídos permitidos são as respirações mornas ou ofegantes e aquelas palavras definitivas de um para o outro, da boca para o ouvido, como “Gostosa!” ou “Tesão!”. Pois bem: no melhor da festa, ouvem-se silvos ou assovios, vindos do fundo do peito de um deles – como se um dos parceiros fosse asmático ou estivesse vaiando o outro. Mas não. É apenas um dos seios silvando: “Fzzzzzz. Fzzzzzz”.”

Daí não me agüentei. Levei a mão a boca para esconder os movimentos involuntários provocados pelo riso e a gargalhada interna que ecoava na minha mente.

Parei de ler o livro. Faltava umas duas estações, não gosto de interromper a leitura no meio do texto. Então comecei a me lembrar da cena da mulher descrevendo a capa da publicação. Horas antes mostrei a minha irmã e ao meu cunhado, mas nunca tive coragem de verbalizar: “uma vagina!!!” Nem mentalmente. Ao que a estranha fez em alto e bom som dentro do vagão lotado do trem! E comecei a pensar numa cena insólita onde estavam relacionados vagina, chicotinho e o título do livro. Não, definitivamente o chicotinho em ação não amestraria um orgasmo, como se faz com um animal. Pelo contrário, atiçaria a dita cuja. Confesso que nunca experimentei, mas acho que não se proporia a isso. E ficou comprovado: a capa do livro não quer fazer essa relação, ela quer sim é provocar mais, nada de amestrar, e foi exatamente isso que fez a mulher se manifestar em público.

Pedir uma pizza inteira só para mim a uma da manhã e devorá-la com uma coca ligth.

En un mundo descomunal
siento mi fragilidad.

Se a vida segue fácil para mim na maior parte do tempo, tem um momento em que ela não é tão fácil assim e cuidar para que não se caia nessa fração dolorosa de tempo é o que mais tenho feito. Mas como sempre dependemos dos outros… Já dizia o poeta “é impossível ser feliz sozinho”. Pois bem, feriadão de folga e sábado à noite me encontro sozinha depois de vários nãos, impossibilidades e por novamente acreditar em pessoas que prometi que não ia mais esperar… Entre elas inclui-se a tratante da minha irmã.

Mas tem alguém muito especial que conseguiu levantar meu astral. Alguém que está mostrando ser um amigo de verdade e que apareceu num momento em que outros estão indo para longe. Se amizade também tem uma fase de paixão, acho que é isso que está acontecendo com a nossa, e que este estado de pureza de sentimentos dure muito tempo.

Outro fator importante num sábado à noite em que fiquei assistindo sozinha um filme idiota no Supercine, é o fato de ser véspera de Páscoa. E como ser adulto tem algumas vantagens, como ganhar o ninho de Páscoa num dia antes, pude me fartar do chocolate e do bem estar que ele proporciona.

O fato de querer viver plenamente e aproveitar a vida em todos os seus sentidos gera tanta angústia quanto não desejar vivê-la. E o tombo só é grande quando se está muito alto. Pois bem, momentos de tristezas sempre existem. E pode parecer bobagem, mas fiquei muito deprimida hoje, não só pelo fato de não sair, mas de saber que em algum momento pode se estar sozinha, pela fragilidade da felicidade que vinha vivendo nos últimos dias, curtindo ser uma pessoa sozinha mas que procurava estar sempre rodeada das pessoas. E estava mesmo muito feliz e portanto o muro de onde caí foi alto, portanto uma bobagenzinha ganhou grande dimensão. Mas por trás disso tudo, está o fato de faltar comprometimento. De não ter ninguém que se sente responsável por mim. Também sei que tudo que tenho vivido ultimamente é um castelinho de areia, sujeito ao vento e ao mar. Mas sempre é assim. Ta deu, já chega de tristeza…

A minha sorte foi que o programa Altas Horas foi ao vivo, direto do Big Brother Brasil 5, a melhor edição na minha opinião. E acho que vou sentir tanta falta quanto os participantes que deixarão a casa.

Fiz uma chapinha hoje. Larguei as madeixas nas mãos da minha irmã que empunhava o aparelho de cerâmica (pelo menos não escutei aquele barulhinho de cabelo queimando). Vamos ver se meus lisos fios continuam assim até amanhã e se eu agüento não lavá-lo assim que acordar e acabar com todo o trabalho que durou o tempo de escutar até a faixa 9 da trilha sonora do filme Kill Bill V. 1.

Estou precisando de uma…

Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce. (Eduardo Galeano)

Pouco sabia sobre este país da Ásia até bem pouco tempo. Agora, por conta de um amigo muito querido que está jogando vôlei por lá, descobri várias coisas. E também pelas notícias que nos últimos dias tem saído na imprensa, sobre os brasileiros presos por tráfico de drogas que estão condenados à morte naquele país.

Este lugar, separado por dois oceanos do nosso, é todo desintegrado, com várias ilhas navegando “pelos mares do mundo”, assim como a Sbórnia. A maioria do povo é mulçulmano e portanto, bem conservadores. Apesar desta postura não parecer combinar com o cenário local, praias maravilhosas que dão uma sensação de liberdade total, lá nem tudo é assim. E foi por isso que os dois brasileiros acabaram sendo condenados à morte pelo tráfico de drogas. Mas dinheiro parece que compra tudo, e eles estão tendo várias regalias na prisão, que mais parece uma “pousada”, como eles próprios definiram o sistema carcerário onde estão. Leiam a reportagem que o Jornal Já, aqui de Porto Alegre fez. Apesar de um pouco tendenciosa revela algumas coisas importantes. Não sou a favor da pena de morte pela coerência de que não pode se dar uma punição cometendo também um crime. Mas já que eles foram pegos num país que pune com severidade o tráfico (o que é muito correto, já que a impunidade é o maior facilitador às drogas) devem pagar pelo o que fizeram no rigor da Indonésia. Minha opinião se reforçou depois que li a matéria.

Recomendo a leitura, já que o os jornais tem feito uma cobertura isenta e que na minha opinião nos faz mais sentir pena de nossos conterrâneos do que qualquer outra coisa. Mas eles fazem tráfico, assim como Beira-mar. E é triste ver que o dinheiro compra muitas coisas e para quem achava que isso só acontecia no Brasil, está aí a prova. Lendo a matéria e os valores que a mãe de um deles sorteou lá como se fosse o Silvio Santos, entendi agora porque o meu amigo compra DVD a R$ 1,50!

Vou ter que adiar minha vontade de ter uma espada samurai, igual a da Mamba Negra, a Noiva do Kill Bill.

Estive olhando numa lojinha no centro e a maior custa R$ 240,00. As menores custam um pouco menos, mas nada menos que R$ 150,00. É uma graninha alta para ficar pendurada na parede de casa…

Dançar música árabe pela sala usando uma manta como lenço da dança do ventre.

“Não há amor possível sem a oportunidade dos sujeitos.”

Só agora estou lendo Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. E achei essa frase interessante.

Este Nedstat é maravilhoso. Estive olhando com mais atenção as informações que o meu contador de visitas oferece. Posso saber quantos visitantes a página já teve no total, quantas por dia, de que servidor, de que país, qual o windows e se usa Internet Explorer 5.x ou Mozilla Firefox 1.x 5.8 %, entre outros dados estatísticos. Ficou curiso? Clica ali em número de visitantes que você também tem acesso às informações.

Entre meus leitores estão estadunidenses, portugueses, iranianos e como se chama quem mora em Singapura? Primeiramente achei que a ferramenta não fosse muito confiável. Mas descobri que na seção “Cómo” aparecem os links de procedência de acessos e os vínculos. E acabei entrando em blogs de outras pessoas que me acessam em inglês e um que estava escrito num alfabeto que acredito ser árabe. Aquele mesmo da TV Aljazira, que se escreve da direita para a esquerda.

Mas o mais curioso foi descobrir que expressões de busca foram usadas por alguns leitores que chegaram ao meu blog. Por exemplo, alguém entrou na busca do yahoo e colocou a seguinte expressão “Fernanda Souza toda nua”. A segunda página encontrada é a do meu blog! Claro que a Fernanda que estavam procurando não era eu, e sim a atriz Fernanda Souza, aquela que fez Malhação e começou a carreira como Chiquitita. Na página da Technorati, também é possível encontrar meu blog através da busca por Marisa Monte. Não sei como funcionam estas páginas, mas alguma destas palavras que escrevo agora pode ser indexada para as buscas de internautas. No Google, que é o maior templo da internet, ainda não encontrei nada relacionado ao meu blogue, a não ser que se escreva exquisioTeorias, que é o nome do blogue e como eu o cadastrei no Google. Usei outras palavras também, mas experimente encontrá-lo no meio dos 215.000 resultados para a palavra esquizofrenia. Para a mesma expressão no plural já reduz para 6.850, mas de qualquer forma esta página não está entre as dez primeiras. Pelo meu nome eu nem tento. Um nome comum como este tem 229.000 resultados. Se eu adiciono o sobrenome de nosso presidente ao meu, pois também sou da grande família Silva, a busca reduz para nada menos que 178.000. Me encontrar neste mar de gente com o mesmo nome que eu seria um teste de paciência…

Mas falando neste assunto, aproveito para confessar que sou uma voyer da internet. E essa contador de visita me satisfaz a curiosidade de saber quantas pessoas acessam meu blogue, já que poucas comentam. Gostaria de saber um tantinho mais sobre aqueles que ficam sabendo tantas coisas de mim. Você, estranho que me lê, poste um comentário se apresentando. Mataria boa parte da minha curiosidade e aí eu teria certeza que o Nedstat é mesmo verdadeiro.

Estive lendo antigos posts e vejo que estou conseguindo cumprir coisas que escrevi sem acreditar muito que seria possível. Coisas como “Melhor é viver de começos, afinal eles são a melhor parte.” Estou colecionando começos, amores mais ou menos, ilusões, passatempo… Mas voltei a acreditar que eu possa me apaixonar e amar novamente, com a diferença que agora não tenho pressa que isto aconteça, estou deixando o barco seguir seu curso e ver onde chega.

Continuo perdendo alguns anos da minha vida em noites mal dormidas e de bebedeiras, mas por opção, não para disfarçar a tristeza e estou me divertindo com isso. Curtindo a vida, mas com a mesma responsabilidade de sempre. Um pouquinho menos talvez, já que bebo um tantinho mais agora…

Como tinha cansado das promessas iniciais, vejo que da maneira como levo a vida agora, simplesmente não há promessas. E esse é talvez um desafio maior do que cumprir as promessas que a gente faz. Mas é menos dolorido.

Descobri que tudo tem o seu tempo, e este tempo está sendo muito bom para mim. Estou me redescobrindo. Sem precisar ser radical dizendo “abaixo o amor”, estou apenas não tornando ele uma prioridade na vida e descorindo o amor que pode ter numa amizade, por exemplo.

Esses dias retirei um fragmento de um texto do blog do escritor Fabrício Carpinejar: “Unicamente o amor é indispensável, o resto é apoio para se chegar até ele.” Pois estou tratando dos apoios, ao invés de seguir cega e obstinada ao indispensável.

and so it is
Então é assim
just like you said it would be
do jeito que você disse que seria
life goes easy on me
a vida segue fácil pra mim
most of the time
na maior parte do tempo

(Damien Rice – The blower’s daughter)

Já reparou quantas músicas fazem esta pergunta? Talvez porque seja o questionamento mais latente do coração quando está apaixonado.

“Onde você anda, onde está você?”
Não é fácil, Marisa Monte

“Onde está você agora”?
Sozinho, Peninha

“Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?”
Vento no Litoral, Legião Urbana

“Onde será que você está
Agora?”
Metade, Adriana Calcanhoto

Se alguém lembrar de mais alguma, mande aí…

Bom, vou esclarecer a história do homem de quatro. E realmente não tem nada de engraçado.

Estes tempos, desci do ônibus próximo a rua Salgado Filho e vi um homem que andava de quatro, pedido esmolas. Como um animal quadrúpede, ele ia avançando nas filas das paradas de coletivo pedindo uns trocados. Fiquei um pouco impressionada, olhei para ele e vi que a estrutura do seu corpo realmente não tinha condições de ficar ereta. Alguma deformação, agravado talvez por falta de cuidados, fisioterapias, este tipo de coisa.

Fui andando e aquela imagem não saia da minha mente. Logo senti um arrepio e lembrei de uma cena do meu irmão. Quando ele tinha uns seis meses de vida, tentou sentar sozinho pela primeira vez. Uma tarefa relativamente fácil para os bebês nessa idade, mas não para ele. Ele se desequilibrava e caía ora para a direita, ora para a esquerda. E desde então já tinha uma obstinação, e continuou tentando. Enquanto eu, minha irmã e minha mãe assistíamos seu esforço com lágrimas nos olhos. Foi a sua primeira conquista. E ela foi muito importante, pois hoje ele tem muitas liberdades de movimentos devido sua vontade de alcançar sempre mais. Conhecemos outras crianças que tem o mesmo problema dele, e por falta de estímulos, mesmo com idade avançada, ainda não conseguem sequer ficar sentados.

Foi só o status marcar 100%, eu efetuar o Sign Out e lembrei sobre o que é o post. E já adianto que não tem nada de engraçado…

Tenho uma pauta de assuntos que quero escrever aqui e ainda não tive tempo. Pois configura no topo da lista o seguinte item: “Falar sobre homem de quatro”.

Cruzes!!! O que pode ser isso?! Não consigo me lembrar… Acho que este assunto não ganhará outro post além desse!

Fui ver Mar Adentro e chorei muito durante o filme. Não simplesmente por ele ser triste, mas porque me identifiquei. Tudo que cria identificação com a gente nos marca mais. Tenho um irmão paraplégico. Isso é bem pouca coisa, pois ele faz tudo, inclusive anda, anda de cadeira de rodas, ele só não caminha. Movimenta o corpo com uma agilidade e uma força que eu e qualquer outra pessoa não tem. Com nove anos, sem nunca ter feito musculação, seu peito já é definido, tal a força que faz com seus braços. Gostei muito da resposta que Sampedro deu ao lhe perguntarem porque ele sorria tanto. Ele disse que quando se precisa dos outros, se aprende atá a chorar sorrindo. E lembrei do Gabriel, que apesar de tudo, é uma criança muito feliz. Já tem altos e baixos de adulto, mas na maior parte parece ser feliz. Minha mãe estava me contando no telefone que ele andou meio revoltado estes dias, dizendo que ele não era normal. A gente tenta deixar a vida dele o mais normal possível e dizer que ele o é e mostrar que existem outras pessoas com problemas. Mas ele tem necessidades especiais, não dá para negar. A minha vontade é de me revoltar com ele também. Afinal, porque ele não nasceu como eu e minha irmã e como a maioria das pessoas? É uma droga andar naquela cadeira sim, não passa em todos os lugares, há sempre obstáculos a enfrentar. As pessoas o olham com curiosidade, dá vontade de mandar elas irem a pu! Mas a gente acaba se apegando em coisas como “Se Deus permite nascer uma criança diferente é porque ainda acredita na humanidade”. Às vezes questiono tais decisões divinas, se é que elas existem. O único remédio para isso é lhe dar muito amor e isso ele sente da gente, tanto que consegue ser ou parecer feliz na maior parte do tempo. Mas não sei até quando as coisas vão ser assim. Se nós que temos tudo perfeito acabamos nos desiludindo com a vida com o passar dos anos! E ele, no fundo de seu coração de menino, alimenta que um dia ele vai se livrar da cadeira. E o que tudo indica, é que cada vez ele vai usá-la mais. Pois agora, enquanto é criança ele vive no chão, se arrastando, mas quanto maior ele ficar, pior vai ser. Já está sendo muito difícil para nós erguê-lo do chão, tem que se fazer uma força tremenda. Minha mãe tem 45 anos e faz musculação todos os dias para poder manter a forma. É uma guerreira. Como meu irmão também é, pois levantar-se para ele todos os dias é um desafio, tal é o cansaço que ele sente em seu corpo, seja nos seus braços por carregar todo seu corpo com eles, seja pelo dolorido da gente pegar ele de mau jeito devido ao seu peso. E essas dores não são as piores. Seu desafio diário maior é mostrar as pessoas que ele não é diferente, que ele quer ser olhado como se olha um estranho, com indiferença. Porque ninguém vira o pescoço para olhar quem quer que seja na rua. Seu desafio é conseguir ter força para subir uma rampa, quando não tem que pedir que alguém tire seu carro de cima dela. É torcer para que não tenha uma escada, ou uma pedra no seu caminho. É poder jogar futebol na escola, sendo goleiro. É torcer para que onde ele for, as pessoas se adaptem a sua condição e o deixem ser o que ele é: uma criança.

Deve ser castigo. Estou tendo que escutar pagode o dia inteiro hoje. Eu sou bem eclética, gosto de tudo. Mas pagode e sertanejo ninguém merece. Deve ser castigo por eu dizer que gosto de funck… Mas são ossos do ofício… dos males o menor!

Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
Eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um canastrão na hora que cai o pano
(que um vilão de filme mexicano)
Tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do Circo Vostok

Mas ontem eu recebi um telegrama
era você de Aracaju ou do Alabama…

(Telegrama – Composição Érico Theobaldo e Zeca Baleiro)

O problema é que eu continuo tristinha… Minha melhor amiga também está indo embora mês que vem. Outro amigo em junho. Eu também Vou-me embora pra Pasárgada!

O ser que mora sozinho, por menos comida que compre, sempre tem alguma coisa estragada na geladeira. Já vi esquisitos fenômenos acontecer com frios, verduras e frutas. Sem contar o leite, que sempre dura mais que três dias. Eu que quase não tomo, nem compro mais. Infelizmente as caixinhas de meio litro não vingaram. Mas ainda tenho dois ovos, que comprei logo que me mudei, há mais de um ano e meio, que ainda estão na minha geladeira. Não tenho coragem de mexer neles, nem colocar no lixo. Vai que eles se quebram… O que será que pode ter lá dentro? Não tenho a mínima vontade de descobrir.

Outra coisa é a louça. Como não tenho mais a minha mãe no meu pé, deixo os pratos acumularem na pia… E às vezes os detritos que ficam grudados nos objetos, adquirem organismos estranhos.

Mas não pensem que minha casa é uma zona. É limpa e bem organizada. Minha mãe nunca acreditou que eu seria capaz, pois em casa não gostava de fazer nada, deixava tudo para ela. Mas morando sozinha a gente se obriga a fazer. E o pior é que é natural e espontâneo… Talvez porque na minha casa materna tudo era sempre organizado e limpo, e eu não vou viver na bagunça agora, né. Nos últimos nove anos nem tão organizado assim, já que criança tem capacidade de bagunçar pela sua simples presença. Mas passou a ser mais limpo, já que meu irmão não caminha e o chão é o seu universo. Legal que tudo que se perde lá em casa, agora é encontrado: brincos, tarrachinas, essas coisas pequeninas, ele sempre acha.

Não escrevi nada sobre o Dia Internacional da Mulher porque no fundo acho isso hipocrisia. Não sou feminista, pois elas não são coerentes. Querem ter seus direitos iguais aos dos homens, mas não querem que os homens tenham alguns direitos que elas já consquistaram, ou serem damas (feminino de cavalheiro). Seria muito melhor que tivesse o Dia da Igualdade, e que este dia fosse todos os dias. Do contrário, criem o Dia Internacional dos Homens.

A diferença de tratamento legal e profissional deveria existir apenas para contemplar as diferenças orgânicas entre os sexos, porque tem coisas que não pode ser igual para ambos, visto as necessidades físicas entre os seres masculinos e femininos.

O código civil já permitiu algumas mudanças para que exista mais igualdade entre ambos os sexos. Mas quantas mulheres não acham absurdo ter que pagar pensão para o ex-marido? Quantos homens vão querer adicionar ao seu sobrenome o de sua esposa? E no final das contas, é como na segunda teoria que coloquei aqui: as mulheres que são machistas, afinal são elas que criam os homens.

Mas um texto que gostei muito publicado no Dia da Mulher, foi o Oito, publicado no blog do Cardoso.

Não deixem de ler o post MANDRAKE!, do blog do escritor Fabrício Carpinejar. Gosto muito do jeito que ele escreve.

Continuei lendo o livro, e Nelson Rodrigues continuou insistindo:

“O amor que acaba não era amor. Todo amor é eterno. Eu diria que a nossa tragédia começa quando separamos o sexo do amor. Vejam as doenças da carne e da alma, do câncer no seio às angústias sem consolo. Os nossos males têm quase sempre esta origem fatal: – o sexo sem amor.”

Eu também insistira nisso, querido Nelson, eu também insistiria… Mas como em A Mulher sem Pecado do seu teatro, também às vezes somos levados a fazer coisas que a princípio não faríamos. Se as circustâncias não mudassem, a gente também não mudaria e aí seria fácil insistir.

“Ouçam: – Marilyn Monroe morreu porque se despiu sem amor. E aí está a palavra: – amor, amor. Foi o remorso, foi a humilhação da nudez sem amor. Só o ser amado tem o direito de olhar um simples decote. É apenas um decote, mas só o ser amado pode olhar a linha nítida, tão nítida que separa os seios.”

Este trecho faz parte do livro de memórias do Nelson Rodrigues, A Menina sem Estrela, que li recentemente. Lendo isto e lembrando um poema de Alice Ruiz que gosto muito:“Depois que um corpo comporta outro corpo, nenhum coração suporta o pouco”, vejo que traí dois dos meus autores preferidos. Ou eles estão errados ou eu os traí mesmo. É claro que tem que se levar em conta o contexto, a época em que Nelson Rodrigues escreveu isto. Não era aquele tempo que se a mulher deixasse o calcanhar a mostra já era considerada vulgar, mas também não tinha a liberação sexual e os costumes para se vestir que temos hoje.

Tudo isto me leva a fazer divagações sobre o sexo sem amor. Estas duas coisas que os homens já entendem como distintas há muito tempo e as mulheres estão aprendendo a diferenciar. Sexo é bom de qualquer forma. Mas ainda acho que com amor tem mais emoção, mais entrega, mais carinho. Mas sem sentimento tem vantagens muito boas também. Isso significa que não vou me suicidar como fez Marilyn Monroe. Mas com isso acabo de matar duas idéias, a do “anjo pornográfico” e a de Alice, que esta para mim era quase um lema de vida. E ver uma poesia morrer, perder seu sentido é algo triste, pois a poesia devia ser absoluta, reinar como verdade. E para mim só não foi mais triste mudar de idéia, porque tudo isso está me fazendo muito bem e como diz uma frase de Novalis:

“Pois nenhuma pessoa se conhece enquanto só for ela mesma e não simultaneamente também uma outra.”

Com isso consigo entender como as pessoas conseguem se desprender daqueles que dizem amar com mais facilidade. Já sofri muito por não entender isso. Se fosse amor, como diz Nelson Rodrigues, seria eterno. É bom eu ter consciência disso tudo. Mas da maneira como estou levando a vida atualmente, não estou parando para pensar, não estou fazendo planos, sou como um balão ao vento, voando sem direção.

Esta não é minha. Ouvi, numa entrevista do Jô Soares. Acho que foi uma médica que falou e faz todo o sentido.

Dizia ela que as mulheres quando são jovens sentem mais frio que os homens. Estes por sinal estão sempre com calorão. Mas com o passar dos anos, a chegada da menopausa, as mulheres é que passam a sentir calor. E os homens quando vão ficando velhos é que sentem mais frio. Por isso que ambos sem completam!

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