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Imagem do BD Châteaux Bordeaux, de Cobeyran / Espé

“Regardez autour de vous, c’est bien connu: le vin parle! (…)
Il crie, le vin, il vocifère, il vous chuchote à l’orreille.

Il fait de vous le confident des choses admirables et des projets magnifiques, de tragiques histoires d’amour et de trahisons terribles. (…)

Chaque bouteille vous découvre le parfum d’autres temps et d’autres pays. Et chacune vous offre son bouquet de souvenirs.”

Joanne Harris (j’ai trouvé la citation dans le BD Châteaux Bordeaux – 1. Le Domaine)

Olhe ao seu redor, é bem conhecido: o vinho fala! Ele grita, ele vocifera, ele te sussura ao ouvido. Ele faz de você seu confidente de coisas admiráveis e de projetos magníficos, de trágicas histórias de amor e de traições terríveis. Em cada garrafa você descobre o sabor de outros tempos e de outros países. E cada uma te oferece seu bouquet de lembranças.”

Joanne Harris (encontrei a citação na Bande dessinée Châteaux Bordeaux – 1. Le Domaine  – ver leituras)

Minha teoria sobre o vinho: Teoria nº 43 

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O primeiro turno das eleições na França será no próximo domingo. Não vou me atrever falar de política, pois os franceses discutem política todo o tempo, entre amigos, com quem quer que seja e com propriedade. Nem o presidente escapa. Em situações públicas as pessoas não o tratam como uma estrela de cinema, mas fazem questionamentos, reivindicações, discutem, conversam sobre seu país com aquele que o comanda. Eles se informam, tem argumentos. E nós que no Brasil preferíamos dizer que é um “assunto que não se discute” mergulhamos no desconhecimento e ignorância. E aqui nem é o espaço. Mas vou dividir algumas observações do que vejo que é diferente no processo do que acontece no Brasil e uma contextualização para quem não sabe nada sobre o cenário político francês.

A sociedade francesa ainda é uma sociedade dividida entre esquerda e direita, embora como quase em todo os países democratas ocidentais, os candidatos principais são quase centristas, moderados, eu diria, caso do atual presidente Nicolas Sarkozy (direita) e François Hollande (esquerda socialista). Os mais radicais são Marine Le Pen (direita) e Jean-Luc Mélenchon (esquerda). Como em todas eleições há outros candidatos menos expressivos. Neste pleito são 10 ao total.

Escutei o horário político na rádio, ao contrário do Brasil, ele não passa em todas as estações ao mesmo tempo e não consegui identificar uma regularidade de horários. Todos os candidatos tem um curto e mesmo tempo para sua propaganda.

Para ter uma ideia do radicalismo, Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen, que comandou até então o partido Front National, disse em seu horário político que a França é para os franceses e que os estrangeiros têm o seus países. Contra imigrantes, homossexuais prega um nacionalismo ultrapassado e conservador. E mesmo assim é dela o terceiro lugar nas pesquisas. É por causa das barbaridades do Front National que você jamais vai encontrar camisetas ou qualquer outra coisa com a bandeira da França, nem em souvenirs para turistas. Portar a bandeira é sinônimo de extrema-direita.

Por outro lado,  Jean-Luc Mélenchon, que nasceu no Marrocos, em seu discurso em Marseille, uma das cidades onde há muitos imigrantes e que ainda ocupam um lugar no centro da cidade mas que aos poucos estão sendo enviados para as cités, citou uma história da criação da cidade. Segundo a lenda, a cidade nasceu de uma história de amor. Como costume, a filha do rei deveria escolher seu futuro marido durante uma festa. Na ocasião, a cidade hospedava alguns gregos e ela escolheu justamente um dos estrangeiros. Em seu programa político na rádio falou sobre o meio-ambiente.

François Hollande é o candidato do partido socialista escolhido pela população em uma prévia organizada ano passado. A ideia de ser o mais democrático possível.

Aqui as pessoas recebem uma espécie de titulo de eleitor mais ou menos um mês antes das eleições. Hoje chegaram as cédulas, os eleitores recebem o nome de cada candidato em papéis separados. No dia das eleições, para agilizar eles já podem levar seu voto pronto, basta passar pelos procedimentos habituais, colocar o nome escolhido num envelope e depositá-lo na urna. Além das cédulas, o programa de cada candidato, assim o eleitor pode se preparar comparar os candidatos e suas propostas. Achei bem organizado. O jornal Le Monde também fez um infográfico comparativo de programas. Veja aqui.

No Brasil para ter todos os programas é preciso ir no comitê de cada candidato, e duvido se encontramos o material conciso.  Para nós brasileiros com urnas eletrônicas, o sistema pareça um pouco ultrapassado. Ah, o voto não é obrigatório.

Como gosto de comunicação visual, achei bem interessante um artigo no site do Liberation em que analisa os cartazes e folhetos de campanha dos candidatosde uma forma até semiótica.

De um modo geral as pesquisas mostram Sarkozy e Hollande muito próximos, mas não conheço nenhum francês que queira que o atual presidente e sua Carla Bruni continuem ocupando o Palais de l’Élysée. Veremos.

Sempre tive a sensação que nasci na época errada. Houve um tempo em que eram os Beatles, depois a má época da profissão de jornalista (como descrevi nesse post), depois quando li Paris é uma Festa, de Hemingway, a sensação era de  época e lugar errado.

E então hoje finalmente assisti Minuit à Paris e lá eu me encontro com um personagem que tem essa mesma sensação! Não sei onde andei que jamais li a sinopse do filme. Estava na lista para ver há tempos pois sempre vejo os filmes atuais do Woody Allen. Não priorizei muito porque pensei que seria algo meio clichê, Paríííí, ah Paríííí, o lance da Carla Bruni. Depois saiu do cinema, depois tentei baixar e vários tinham problemas e finalmente consegui uma versão original em inglês com legendas em francês. Enfim, as horas passaram voando enquanto vi o filme e invejei muito o personagem Gil, como eu queria flanar na Paris de “cette époque là”.

Adoro a moda, os vestidos, as bandanas na cabeça, o brilho e o charme de uma época plena, onde tudo ainda era original, uma geração inteira que podia explorar a arte, a literatura, a música, sem a sensação do “já foi feito”, onde qualquer coisa ordinária se tornava arte, pois foram os primeiros a ter essa ideia. Uma época onde o idealismo e a paixão eram maiores que as coisas cotidianas da vida, mesmo que essas coisas fosse o essencial para sobreviver.

E em falando desta época, assunto para o próximo post é a bande dessinée Pablo, sobre Picasso antes de se tornar Picasso. Estou encantada com o livro e não vejo a hora de sair o próximo volume.

Na França, além da advertência de beber com moderação em propagandas de bebidas alcóolicas, as propagandas de alimentos vêm acompanhadas da mensagem: “Por sua saúde, mexa-se mais”.

Hoje numa propaganda de Ferrero Rocher notei que tem uma nova campanha: “Evite beliscar entre as refeições”.

Tudo que não fiz nesse Natal de muita, muita comida e em todas às mesas ainda estão à disposição doces, chocolates finos, macarons e frutas secas.

A comemoração mais importante foi o almoço do dia 25 que começou às 13h e terminou às 17h30. Aperitivo com salgadinhos, pistache e cake de azeitona e diversas bebidas: pastis, conhaque, pinot. Sopa de peixe de entrada com croutons e queijo emmental ralado. Depois um prato de ostras e camarão regado a vinho branco de Alsace. No meio para dar uma equilibrada: foie gras com geléia de cebola e de tomate verde (que nós fizemos).

E enfim o prato principal: peru recheado, batatas duchesse (uma batata em flor frita) e champignons. Para acompanhar um vinho tinto de Bordeaux 12 anos. Para terminar salada de alface e queijos. De sobremesa duas tortas: de café e de mousse com cerejas e nougatine e também frutas frescas. Champagne para beber. E enfim o café com “água da vida” de pêra e chocolates finos. A água da vida é uma bebida à partir de uma fruta. Dentro da garrafa tinha uma pêra inteira que cresceu lá dentro e a bebida alcóolica misturada no café perfuma e dá um sabor especial.

Na véspera, a ceia, digamos, foi mais leve, pois não comemoramos o Natal neste dia. Meio estranho para mim, confesso. Começamos com uma sopa de legumes seguido de crepe de salmão selvagem. O prato principal um salsichão branco (à base de leite e não de sangue), tradicional no Natal, acompanhado de maçã assada e marrons. Sobremesa um bolo de chocolate flutuante em uma calda de chocolate. A comilança conseguiu bater essa jornada gastronômica aqui.Para mim só ficou faltando a neve. Como em Marseille é muito raro nevar e aqui em Charente acontece todos os anos tinha esperança. Mas o dia amanheceu gelado com tudo branquinho de granizo e depois veio um sol e o Natal na campanha foi de um dia esplêndido.

A manhã de Natal foi gelada

Saí hoje para ir num evento que eu não estava muito a fim, mas como estava entediada em casa, resolvi ir. Passando pela Praça de La Plaine vi que tinha um “vide grenier” (esvaziar o sótão), uma feira de coisas usadas e antiguidades, como os bazares de garagem dos americanos.  Desisti do evento e resolvi garimpar o lugar pois é preciso tempo e eu tinha de sobra neste final de domingo de sol tímido.

Acredito que eles acontecem uma vez por mês, no primeiro fim de semana, pois mês passado teve um. Tem em outros pontos da cidade e em Aix-en-Provence também.

Fazer compras assim além de gastar menos tem outra utilidade fundamental: reaproveitar, recuperar coisas e não consumir mais e mais. Assim ajudamos ao desenvolvimento ambiental. E se encontra de tudo: roupas, calçados, bolsas, acessórios, utensílios para casa, objetos de decoração, é um paraíso para quem gosta de coisas retrôs como eu, tem caixas, quadros, propagandas antigas…

Como boa brasileira, até que sou bem consumista (comparada com minha irmã até que nem tanto) e enfim, que mulher não gosta de fazer compras? E além do mais adoro como as europeias se vestem e a maioria desse tipo de moda não se encontra no Brasil. Por exemplo, aqui se encontra calça sknny, boca larga, corte reto… Minhas calças são todas justas no tornozelo, porque nos últimos anos essa era a moda no Brasil e não se encontra outra coisa e se você anda diferente te olham torto. Ando bem afim de uma calça com a boca mais larga que fica muito melhor com tênis e sapatilha, sem que o corpo pareça em formato de coração.  Saias mais compridas no Brasil é só para crente, aqui tem de todos os tamanhos e comprimentos. E sem falar nas tentações, lojas como H&M onde se encontra muita coisa barata, sites que vendem roupas de marca com descontos de 50 a 80%, os marchés de rua, que tem três vezes por semana nesta mesma praça que é como estar no Brás em São Paulo. Claro que a maioria das coisas é made in China, como uma saia que comprei a 1 euro. Mas também encontrei meias Dim, uma marca bem conhecida aqui e de qualidade, por 2 euros (nas lojas custam em torno de 6 euros).

Mas voltando ao vide grenier. Comecei olhando os objetos meio de longe, vasculhando as araras de roupas, dei uma procurada nos talheres pois estamos precisando e encontrei parecidos com os que vi no Emaús (uma associação que recupera móveis, roupas e objetos e vende a preços módicos). Eram talheres como os do rei, enormes, pesados, precisando de um polimento que não sei se funcionaria, então hesitei.

O casaco e a echarpe que comprei. Custo total: 1,50 euros

Passei por uma arara que tinha duas echarpes no meio de mais um monte de coisas. Como estou precisando de uma mais quentinha (só trouxe uma por falta de espaço na mala e as outras várias que trouxe são fininhas, de meia-estaçã0) perguntei quanto custava: “50 centimes” – 0,50 centavos de euro!  Bom com esse preço não tinha como não levar!!! Saí com ela enrolada na bolsa já que a outra estava no pescoço.

Foi então que aos poucos fui deixando as araras de roupas, pois em alguns estandes os preços estavam em torno de 2o euros – são brechós profissionais que expõem nesse tipo de feira – e comecei a fazer como todo mundo e vasculhar as roupas espalhadas pelo chão dos estandes também. Muitos já começavam a recolher os objetos para fechar, pena, pensei pois devo ter perdido muita coisa boa, mas nesta hora começam a torrar mais ainda os produtos. Num outro estande, numa rápida olhada numa pilha de roupas descobri um casaquinho tipo blazer de lã, tamanho 40. Resolvi experimentar, serviu! Olhei no espelho: Feito para mim. Quanto custa? 1 euro! Perfeito! Enquanto pegava a moeda, o companheiro da vendedora quis me vender o espelho também! Disse que não, mas ele insistiu, para mim colocar na parede, disse que já tinha um, pena, nem cheguei a ver quanto seria a pechincha.

Vestido de 10 euros da Coiffeur Vintage, Paris

Bom, chegando em casa resolvi olhar a etiqueta da peça. Não era chinês, marca Mexx, endereço de Madri, Espanha, made in Macedonia. Vou olhar na internet e descubro que um casaco dessa marca com material parecido custa 139,95 euros! Além de perder o preconceito com roupa usada, tô com bom olho também!

Não é a primeira vez que compro em brechó, a primeira vez foi em Paris. Encontrei uma loja de ocasião sem querer pelo Marais, na Rue des Rosiers, onde tem vários restaurantes de falafel – que se soubesse que ia parar por lá tinha trocado a baguete por um, que dizem são dos melhores. Fiquei quase louca na Coiffeur Vintage, tinha batas e camisas brancas por 3 euros! Não tinha muito espaço na mala e estava voltando para o Brasil já bem carregada, então comprei uma dessas com detalhes em broderie, adoro essa blusa e na etiqueta: made in France. Encontrei também esse vestido acima por 10 euros.

Casaquinho de 8 euros da Roba Amiga, Barcelona

Na viagem que fiz recentemente a Barcelona descobri a Roba Amiga ao lado do meu hostel. Comprei uma saia jeans por 3 euros, uma blusa por 6 euros (que me lembra um pouco a moda de Desigual, mas como lá uma blusinha custa em torno de 80 euros…) e esse casaquinho bem colorido, (ao lado) a cara da Espanha por 8 euros. Em Londres como não tinha o hábito não explorei brechós e tem muitos também. Em Marseille conheço só uma loja perto da Cours Julien, de vez em quando dou uma garimpada e fiquei sabendo que tem uma outra perto dessa mesma praça do vide garnier. Tenho que ir dar uma conferida, afinal, não tem mulher que não fique feliz fazendo compras e pode acreditar que a felicidade é maior quando se gasta quase nada, afinal o prazer do shopping não vem acompanhado de consciência pesada e fatura de cartão de crédito. E sempre me pergunto: que história tem por trás daquela roupa e além do mais é uma peça única. No final, gastei 1,50 euros no vide granier. O preço da passagem (só de ida) do metrô para o evento que me fez sair de casa.

Coiffeur Vintage, Paris

Conheça um pouco da cooperativa Roba Amiga (vídeo em espanhol)

As bande dessinées (BD ou bédé) são uma paixão na França. Livros em quadrinhos ocupam boa parte das livrarias e da estante aqui de casa. É possível encontrar BDs sobre tudo: ficção, história, biografias e claro, as clássicas HQs de super-heróis, V de Vingança (V pour Vendetta), Mafalda e “Calvin et Hobbes”. A maioria são em edições de grande formato, com capa dura e papel de ótima qualidade, em cores. Há histórias em vários volumes, formando grandes coleções. Não é um passatempo de guri ou de adolescente mas literatura mesmo. Para mim é uma leitura mais fácil, embora claro, muitas vezes é cheio de expressões cotidianas que não estão no dicionário.

A minha paixão por bédés começou com Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet & Clément Oubrerie (ilustrações). Li o primeiro volume na casa de uma amiga, numa noite que a conversa dos homens invadiu a madrugada.  É a história de Aya e suas vizinhas no bairro popular  de Abidjan, en Côte d’Ivoire, nos anos 70. Aya, muito séria, só pensa em estudar para se formar em medicina, enquanto suas amigas só querem sair e namorar no hotel de mil estrelas (um motel improvisado nas mesas da feira ao ar livre), uma delas fica grávida e muitas situações engraçadas são retradas. É um pouco adolescente, mas quem não tem histórias dessa época? A escritora é originária de lá e a gente conhece uma África cotidiana e vivante, longe de guerras e misérias. Vire e mexe tem referência às novelas brasileiras. Além de aprender francês, também aprendo algumas expressões africanas num pequeno glossário que há em cada volume . Tem até uma expressão para criticar os “brancos” que falam com o “rrr” puxado, os franceses no caso. Li até o volume 4, mas são 6 volumes até agora. Quem quiser conhecer, vi na Feira do Livro de Porto Alegre em 2010 que a LP&M publicou o primeiro volume em português.

Journal d’un journal, de Mathieu Sapin é um BD mais sério, mas sempre com humor, ainda mais que retrata o cotidiano de uma redação de jornal, neste caso, o Libération. Mídia de esquerda, Libé tem fama de ser “aberto” e a prova é este livro onde o desenhista teve acesso à todos os setores e reuniões, acompanhou jornalistas em reportagens e entrevistas durante seis ricos meses – ele estava lá durante o tsunami de Fukushima, a morte de Ben Laden e o caso DSK. É a visão de um leigo para quem é jornalista, mas a gente conhece bem o funcionamento do jornal e do site, como as editorias são divididas e essa ideia de liberdade e abertura. Uma vez por ano, por exemplo, escritores são convidados a fazer uma edição do jornal.  Um verdadeiro documentário do tradicional jornalismo francês!

E algo que pode parecer super normal me chamou atenção: os jornalistas vão de metrô para suas pautas. Claro! Em Paris ir de metrô é muito mais prático! Mas nunca tinha pensado nisso. Como no Brasil as empresas de comunicação tem carros com motoristas à disposição dos repórteres e fotógrafos, o que dá um certo status também, nunca imaginei que em grandes jornais da Europa os jornalistas saíam em transporte em comum. Mas aqui funciona e é bem melhor que carro… Já fiz muita reportagem de ônibus e metrô no pequeno jornal que fiz meu primeiro estágio, mas depois na RBS, claro, todo mundo ia de “carro da firma”.
OS BDs, a 9ª arte, também invadem a 7ª arte, o cinema (alguém sabe qual é a 8ª?). Um dos mais célebres é Persepolis, de Marjane Satrapi. Não li o livro ainda, mas vi o filme, biografia da escritora e desenhista no Irã dos anos 80, onde através da história de sua vida, a gente conhece o cotidiano de Teerã em preto e branco e como a revolução leva ao exílio e consequentemente a uma crise de identidade. O filme ganhou o prêmio do juri do Festival de Cannes em 2007. Da mesma escritora, Poulet aux Prunes, chegou ao cinema no início de novembro na França (veja o trailer). No site do IMDb o título aparece em português (Frango com Ameixas), talvez esteja em cartaz no Brasil. Li o livro antes de ir ver o filme. Doce, triste e engraçado é a história de um músico que tem seu instrumento quebrado por sua esposa, com quem vive um relacionamento conturbado. Sem sua paixão ele decide pôr fim à sua vida. Também se passa no Irã, mas aqui o que importa é uma história de amor que no cinema ganhou vida em uma alegoria sensível. O único ponto negativo é que o instrumento, um Tar, no filme é transformado em violino. Mas não tira o brilho da história.

O último BD que li também foi de Marjane: Broderies. Enquanto os maridos fazem a siesta, as mulheres de sua família se reúnem para o samovar, um chá onde elas podem “tricotar” à vontade. Mesmo sendo de uma cultura mais conservadora, elas falam abertamente sobre  homens, sexo, casamento… de como os ocidentais veem o sexo, de simpatias para pegar homem, de como uma mulher que não era mais virgem tentou enganar o marido e acabou cortando o pobre na noite de núpcias. Muito engraçado e não há mulher que não se identifique. De extra aprendi as palavras digamos, popular, para o órgão sexual masculino.

Para os homens há Pascal Brutal, A nova virilidade. O personagem é um cara fortão, de vida de excessos, mas que pensa de vez em quando. Rodeado de mulheres, ele também é bissexual (ops, mas isso não se pode dizer).

São centenas e centenas de BDs, o próximo da minha lista é a série Le Photographe. Através de desenhos de Guibert e Lemercier e fotos do fotógrafo Didier Lefèvre podemos acompanhar a jornada a de uma missão de Médicos sem Fronteira nas montanhas do Afeganistão durante a invasão russa. Vi o vídeo que acompanha o livro e são imagens fortes de crianças, homens e mulheres feridos pela guerra, as extremas dificuldades para embalar medicamentos e acomodar no lombo de mulas que muitas vezes caíam montanha abaixo com toda a carga valiosa em cenas chocantes. Mas se vê o trabalho recompensado no rosto de um adolescente que teve sua face estraçalhada por uma bomba e alguns meses após o atendimento que ele recebeu, mesmo precário, teve seu lindo rosto recuperado.

Outras das minhas leituras aqui

Minha versão preferida da série minimalista de Vahram Muratyan:

Repara que as legendas são trocadas, em francês na imagem de New York, em inglês na imagem de Paris, para quem não conhece a referência poder identificar…

Veja a séria Paris vs New York – a tally of two cities completa  aqui

Post em tempo real, acaba de acontecer e estou surpresa! Meu interfone tocou, antes de eu atender ouvi o barulho da porta do prédio se abrindo, um outro vizinho abriu a porta: “é propaganda”, pensei. Mas abri a minha porta para ver o que era. Um, dois, três policiais entram no prédio. Primeira coisa que se passa na minha cabeça: bom tá tudo certo comigo, sou legal aqui.

Aí vejo que eles começam a conversar com os vizinhos do térreo e entendo o motivo da “visita”. Desde o fim de semana, quando o vizinho comprou uma lixeira de compostagem, ele vem fazendo “churrasco de folhas”. Queimando as folhas das árvores que caem no jardim. Estamos no outono aqui, apesar do calor de verão que ainda faz durante o dia. Algum outro vizinho ao ver ou sentir a fumaça, chamou a polícia, bem e eles vieram atender o chamado.

No Brasil quantas vezes sua casa foi assaltada e a polícia esteve lá?

Algumas coisas que venho observando e descobrindo sobre o modo de vida e a sociedade francesa me mostram o quanto o Brasil precisa evoluir. Tá certo que somos um país jovem, muitos anos a menos de experiência, mas se essa coisa de mundo globalizado não serve para a gente cortar caminho e usar as experiências de quem já caiu e levantou para aprender, serve pra quê, então?

Imprensa e formação de opinião

O curso de línguas que começou hoje na Université de Provence não é apenas um curso para aprender français. Por aí já se tem uma ideia de como as coisas funcionam por aqui. Fiquei até um pouco desapontada que por estar num nível mais avançado terei aula só três vezes por semana, 3h por dia, começando às 10h! (ritmo da Provence, mas o fato é que a professora mora em Marseille, como eu, aliás, e como o curso tinha flexibilidade de começar entre 9h e 9h30min ela resolveu logo meter às 10h que é pra não precisarmos acordamos cedo). Mas durante o curso de verão a coisa era bem mais puxada, das 8h30min às 12h30min, tá certo que não tinha trânsito na estrada, bem menos gente no ônibus e que ninguém aguentaria nesse ritmo o ano todo. Mas enfim, retomando, além do curso regular tem ateliers temáticos. Eu pensava que isso era um bônus, até mesmo para justificar as horas do visto, já que as aulas não compreendem todo tempo exigido. Mas não, tem que fazer pelo menos quatro ateliers, com avaliações e tudo. Eu já tinha logo escolhido uns 8, ia fazer no oba-oba, ia preencher todo meu tempo enquanto não tivesse trabalho (e largaria a oficina se fosse necessário) e para não ficar de bobeira esperando entre um atelier e outro que me interessa, já que voltar para casa não vale a pena.

Hoje fui no atelier Europa-Estados Unidos: pontos comuns e divergentes. Tem um grande grupo de americanos num programa de estudo de francês, mas minha ideia era desenvolver melhor o discurso pois é preciso saber se exprimir para passar num exame de proficiência em francês. Mas fui surpreendida com este atelier que vais nos fazer refletir sobre a sociedade que queremos para nós no futuro, visto que a primeira e principal divergência entre a França e os Estados Unidos é o socialismo e o capitalismo. Vamos ver através da história como esse comportamento da sociedade francesa surgiu, como é na Europa, a origem da Comunidade Europeia, como a entrada da Turquia no bloco pode mudar tudo. E a impressa, como a diferença entre a imprensa americana e francesa se traduz na sociedade. E aí o professor disse: jornalistas escrevem artigos e isso é o que fazem estudantes universitários, um bom artigo pode ser publicado na imprensa. Aqui não é necessário ter diploma de jornalista para ser um. E aí me dei conta em como nossos cursos de jornalismo no Brasil sequer nos preparam para escrever um artigo acadêmico, que dirá um artigo com opinião, de posição, num jornal. É um curso técnico para servir empresas privadas que nos enquadram de tal forma no conceito editorial que eu perdi minha opinião. Sério, não sei mais opinar, eu que entrei na faculdade cheia de vontade de escrever editoriais. Não, meti a cela de cavalo da neutralidade, da isenção e tudo que fiz foi escrever sobre acidentes de carros, pequenos assaltos, o famoso buraco de rua. E o professor pincelou um pouco a lógica da imprensa americana, como a CNN com seus ao vivo, direto do lugar, mas sem reflexão, sem o depois. Isso custa dinheiro. “Mostrar o Afeganistão na tevê não são três dias de reportagem, são pelo menos 15 dias subindo montanha para chegar num vilarejo, isso sim é reportagem”, exemplificou. Os franceses não, todos, todos eles têm opiniões, sobre tudo, fundamentadas, bem embasadas. Hoje o professor disse, nunca digam: “je ne sais pas (eu não sei), ninguém diz isso aqui, isso mostra que você não tem personalidade”. E me dei conta que a nossa imprensa no Brasil cada vez reforça mais ao povo – que já tem uma educação precária – ao je ne sais pas!

Educação

E aí entra a educação. Aqui as crianças aprendem a ler aos cinco anos de idade. Aula não é só 4h por dia, é o dia todo. A criança entra de manhã e sai pelas 17h. Em compensação tem a quarta-feira de folga (que deve ter um monte de tema de casa). E a maioria segue esse ritmo de estudo até o mestrado, pois universidade é de graça, classe média tem direito a bolsa para financiar os estudos, para morar onde os estudos que você deseja estão. Trabalhar só depois de concluído o mestrado que vai te dar uma especialização da área escolhida (se não me engano são três anos de faculdade, um pouco menos que no Brasil).

Socialismo

A diferença entre essa sociedade socialista posso exemplificar não com o seguro social, que funciona perfeitamente e é pago pelo governo, ainda que muita gente pague um plano a mais, privado, descontado no salário que te rembolsa quando você faz um óculos de grau por exemplo. Somente para ter essas vantagens extras, não para diminuir a fila no hospital. A diferença que vejo, por exemplo, no comércio. As lojas fecham 19h e se você está lá dentro, ainda em dúvida sobre o que levar, ninguém faz questão de te agradar e diz para ficar a vontade, não, a loja fecha às 19h, você tem que ir, é o direito do trabalhador (ou o chefe que não quer pagar horas extras). Mas como todo mundo faz assim, ninguém vai sair falando mal da loja. O shopping fecha depois, às 20h!!! Nada abre aos domingos, exceto as padarias (que os franceses não vivem sem suas baguetes), mas fecham num outro dia durante a semana para compensar. O mercado fecha para o almoço às 12h45min e só abre às 15h. Isso no centro de Marseille. No verão, açougue, mercearias, padarias, lojas tiram férias e fecham as portas por 15 dias, um mês. Os trabalhadores aqui tem direito a férias de cinco semanas. Os encargos de um funcionário saem bem caros para um empregador, é um outro salário completo, como se o trabalhador aceitasse ganhar a metade, mas ele sabe que seu dinheiro será empregado e ele terá em retorno segurança, saúde e se já tem sua formação universitária, está garantindo que seus filhos vão ter também.

Eu que vivi de trabalhar em uma redação de jornal ou no comércio da família tinha um modelo de vida americano, de correria, de engolir café, de mostrar trabalho às custas de descanso, saúde, estudo. De ficar na loja até a hora que convir ao cliente que chegou na hora de fechar… e acho que esse modelo de sociedade aqui permite muito mais de aproveitar a vida, estar com os amigos, o tal bon vivant dos franceses. E se todo mundo faz assim, não vai pegar mal eu fechar minha lojinha e tirar uns dias de folga no verão. E sobretudo, sobra tempo para a família e talvez faça diferença em aqui não ter o mesmo problema das drogas que tem no Brasil, que cada vez mais invade lares de todas as classes sociais.

Comunismo e transporte

Esses dias descobri que tem algumas cidades na França que tem um modelo “comunista”. Não sei bem a real extensão disso, mas não é pejorativo, são cidades que tem mais planos sociais para seus moradores. Por exemplo, em Aubagne, aqui do lado de Marseille, o transporte público é gratuito. Isso mesmo, ônibus de graça. Aqui, não em Marseille, falo na Europa em geral, o transporte funciona. Bom, estou sendo um pouco injusta, é que Marseille não tem metrô que cobre toda a cidade, mas funciona no horário, ônibus é pontual e tem informações em todas as paradas de ônibus. Sério, não sei como a gente anda de ônibus no Brasil, é na base do cobrador me mostra onde descer porque muitos pontos nem tem nem a cobertura de parada. Mas o transporte é gerado pelo estado, se não é mais, pelo menos um dia foi. As linhas de trem de Paris, por exemplo, estão para ser privatizadas, infelizmente. Mas é ela que paga as linhas pequenas… não sei como será, enfim. Mas foi feito um estudo em Marseille, se parassem de cobrar o transporte da população, sairia mais barata a manutenção dos sistema todo, pois seriam menos funcionários para cobrar bilhetes, fiscalização… para ter uma ideia, nos ônibus que levam à praia, chega a ter cinco fiscais para garantir que a gurizada em férias não vai pegar ônibus de graça. Mas para estudar, seja de trem, metrô, sai praticamente de graça o transporte.

Sequestro de crianças

Nesse fim de semana duas crianças foram raptadas. Elas saíram para um passeio com um casal de vizinhos que habitava há pouco tempo o bairro e não voltaram. Os pais foram até a polícia e a cada cinco minutos tinha um alerta no rádio, na tv. O estado tem um dispositivo para isso, são colocados anúncios insistentemente, mas muito insistentemente. Se você viu alguma coisa não deve interferir e sim comunicar as autoridades. Poucas horas depois as duas irmãs foram deixadas num estacionamento, sã e salvas, provavelmente pelos sequestradores, que com os alertas na mídia ficaram sem saída.

Enfim, não é tudo perfeito, não sou uma conhecedora de causa, estou começando a melhorar na língua para ler mais artigos, me inteirar da situação política, mas são pequenas observações do cotidiano que mostram alguma coisa desse velho mundo que é de primeira, não à toa. E acho que um país naturalmente rico como o Brasil podia dar muito mais a sua sociedade.

UPDATE: Faltou um ponto negativo, a universidade está com problemas de falta de salas de aula. Hoje, 20/9 não tive aula. Até propuseram uma sala em outro ponto da cidade mas complicava a vida da professora então iremos recuperar em outro momento. Não sei se tem mais estudantes que o previsto ou é só questão de organizar bem os horários e locais. Mas seja qual for o problema, em breve vai acabar pois um prédio novinho tá sendo construído ao lado…

Quase 4 anos depois que escrevi esse post aqui o ciclo se fechou. Cheguei a Poitiers na noite de 24 de agosto último, passei todo o dia 25 lá e voltei no dia seguinte pela manhã. O suficiente para conhecer essa cidade universitária que é muito calma, praticamente vazia no verão. No roteiro: igrejas, igrejas. O Museu de Belas Artes vale a pena somente pela sala de Camille Claudel (uh la la, se encontra de tudo na internet, alguém colocou aqui fotos de todas as obras, eu respeitei e não fotografei).

Como são lindas e delicadas suas esculturas! O carro-chefe é a obra La Valse (ao lado), onde um casal dança num delicado movimento do bronze esculpido. Mas a escultura L’abandon me impressionou um pouco, pois retrata a dor profunda dessa mulher abondonada por Rodin, seu grande amor e mestre que a levou à loucura, no sentido mais literal.

Mas os caminhos que me levaram a essa ville são totalmente diferentes do que eu planejei. Naquela época eu tinha um amigo que morava em Poitiers, jogava na liga de vôlei da cidade. Como eu queria realizar o sonho de conhecer a Europa, iria para Espanha estudar espanhol e depois obviamente conhecer Paris e dar uma esticadinha até Poitiers já que teria hospedagem gratuita. Acabei não juntando grana suficiente, deixando outros acontecimentos da vida adiarem esses planos e enfim, vim para a Europa pela primeira vez no ano passado num roteiro completamente diferente: Londres para aprender inglês, Holanda e Escócia de visita, Marseille na França para aprender francês e acabei conhecendo muitos outros cantos da França, tanto no Sul como na região de Charente. Estive perto de Poitiers, mas somente este ano fomos visitar son frère que lá habita. E foram por caminhos completamentes diferentes que o meu fabuloso destino me trouxe à França. Na época do post um comentário se eu estava pensando em morar na França. Não, na época a ideia era só visitar. E vejam só no que deu.

Em homenagem a todos estudantes de francês! En l’honneur de tous les étudiants de français!

*

Foto tirada no ” Le Panier”, vieux Quartier de Marseille, o bairro mais antigo de Marseille

* Fale mais alto

O primeiro amor não é importante.

Importante mesmo é o último.

Est celle qui restera toujours avec nous…

A inspiração desta teoria, que não deve ser nada original, veio enquanto escutava Berry no show que assisti hoje em Porto Alegre… Acho que foi durante La Chanson D’Hélène.

Quase desisti de ir pois não consegui companhia. Ainda bem que fui, adorei o show, ela é très sympathique. E muito engraçado, no final, enquanto aplaudiamos de pé, um dos músicos sacou uma câmera fotográfica e começou a nos filmar. Não sei se fiquei mais surpresa por ser alguém do palco filmando a platéia e não o contrário, ou se por ser um francês fazendo isso. Que coisa, pas français, tava mais para coisa de brasileiro!

Melodias doces, uma voz linda na língua mais linda do mundo e dois violões. Fui longe com suas canções, mais precisamente para a França, rencontre avec mon coeur est toujours là…

http://www.dailymotion.com/swf/video/x6xjnu?theme=none
Berry & Daniel Darc – la chanson d’hélène por zecharlieez

http://mediaservices.myspace.com/services/media/embed.aspx/m=9171852,t=1,mt=video

Pourrais-je vous croire un moment
Mon ami, mon amant
Serais-je vous laisser le temps
De dompter mes tourments
De temps que je me souvienne
Premier pas, première peine
J’ai surement connu d’autres joies
D’autre toi dont je ne me rappelle pas

Nous nous reverrons je crois
Peut être une autre fois
Nous nous reverrons j’espère
Mais ce soir nous en resterons là

(Inutile)

Eu ganhei um box de filmes do cineasta francês Christophe Honoré que chegou da França no fim do ano passado. Dans Paris eu já tinha assistido, encontrei por acaso em uma locadora. Romain Duris (o eterno carinha de Albergue Espanhol e Bonecas Russas) interpreta um cara que sofre visceralmente pelo fim de seu relacionamento. Gostei bastante do filme, da profunda dor do personagem principal e da leveza do seu irmão, interpretado por Louis Garrel. O primeiro filme que vi com este jovem e excelente ator, pelo jeito, preferido de Honoré, pois está nos três filmes que tenho.

Agora acabo de assistir Ma Mère. Embora tenha visto na língua original e sem legendas e sou uma iniciante no idioma, a qualidade e o peso desses atores para dar vida a esse Édipo consciente deixa claro a tensão sexual entre mãe e filho desde o começo do filme. Baseado no livro de Georges Bataille, Isabelle Huppert dá vida nas telas a essa mãe amoral e depravada. Digamos que não assisto nada tão chocante desde Irreversível, mas se antecipar aos fatos do filme torna a experiência menos escandalosa. No caso de Ma mère, acabei esperando por esse desfecho já que não acompanhei as críticas (o filme é de 2004) e Irreversível é um filme para qual se chega ao cinema com o estômago já preparado ou nem se vai até lá.

Encontrei informações sobre o filme nesse blog aqui, fala bastante de filmes deste diretor e franceses em geral. E quem escreve o blog já se encontrou com Garrel em Paris! Vou ver se acompanho para encontrar mais coisas nas locadoras que apenas clássicos.

Quando vejo as notícias do que está acontecendo no Egito eu me lembro de um colega egípcio que tive no curso de francês que fiz no último verão europeu. O único egípcio que conheci até hoje. Um garoto de olhos verdes esmeralda. Não sabia falar inglês e a timidez de adolescente no auge dos 17 anos o impedia de tentar se expressar em francês. Será que ele ainda está em Marseille? Ou voltou para o Egito e faz parte desses protestos? Ou foi ferido em alguma manifestação? Acredito que, provavelmente, sua ilegalidade na cidade francesa o tenha mantido longe dessa guerra.

Ele não foi à França atrás de democracia. Como todo jovem tem um sonho: quer ser médico e parecia ignorar todos os percalços que iria enfrentar. Todos sabemos que medicina é um curso difícil e ele ainda teria que vencer a barreira da língua. Sua imaturidade e talvez ele seja realmente tímido, o impediam de se agarrar aquelas aulas como o primeiro e grande passo para conquistar sua profissão. Era o mais quieto dos meus jovens colegas. Os garotos afegãos não conseguiam disfarçar o entusiamo de dividir uma sala de aula com três garotas de cultura mais aberta, incluindo uma brasileira. Para mim era curioso o marido que levava a colega marroquina, que usava véu, até a sala de aula todos os dias.

E nunca vou esquecer da primeira vez que estando lá fora, senti que o Brasil é um país maravilhoso. Toda vez que pediam para falar dos problemas do país eu relatava a insegurança que vivemos aqui e isso impressionava os estrangeiros. Naquele dia fiquei até com vergonha de ter relatado isso, já que no Afeganistão eles não tinham escolha: ou trabalhavam para os americanos ou para os Talebãs e em ambos os casos isso poderia ser uma sentença de morte. O garoto egípcio e o argelino não conseguiam expressar que tipo de problemas os levaram a deixar os seus países, se limitaram a dizer que era por causa de problemas. Mas podemos fazer ideia, uma vaga ideia, na verdade.

Garotos, na certa um antigo ideal ainda os motivava: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Só não contavam que Solidariedade é palavra riscada do vocabulário capitalista. Nesses países em conflito, por mais problemas que tenham, as pessoas ainda dividem um prato de comida. E ainda lutam por liberdade. Um direito que, em pleno século 21, ainda precisa ser conquistado com certas barbáries.

When the soundtrack of the movie became the soundtrack of your life. And Paris is also the scenario…

The music is perfect except about promises. Jesse also made no promises. Us, Celines, we use the moments as promises.

More about Before Sunset

 

L’amour toujours nous suit
L’amour toujours nous fuit
L’amour toujours nous détruit
Comme la pluie et l’oubli,
Comme des cris dans la nuit

Recebi hoje do wordpress essas estatísticas. Bem legal. Vendo os posts mais lidos, todos falam sobre meus planos de viajar e escrever sobre isso. Tenho que parar um momento e reviver um pouco dos meus seis meses na Europa e escrever minhas impressões aqui. Deixei para fazer depois para aproveitar muito os momentos e poder viver tudo isso de novo ao escrever.  E muito do que tenho que escrever é sobre Paris e arte. Ou seja, as estatísticas parecem que irão bombar de novo. Continuem visitando o meu Taj Mahal!

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Cerca de 3 milhões de pessoas visitam o Taj Mahal todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 39,000 vezes em 2010. Se este blog fosse o Taj Mahal, eram precisos 5 dias para que essas pessoas o visitassem.

Em 2010, escreveu 63 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 1276 artigos. Fez upload de 46 imagens, ocupando um total de 44mb. Isso equivale a cerca de 4 imagens por mês.

O seu dia mais activo do ano foi 9 de fevereiro com 405 visitas. O artigo mais popular desse dia foi Paris, eu também te amo.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, pt-br.wordpress.com, facebook.com, google.com.br e casamentomariepi.blogspot.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por arte moderna, paris, semana da arte moderna, shiva e fovismo

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Paris, eu também te amo agosto, 2007
6 comentários

2

Trauma de infância março, 2007
8 comentários

3

Buenos Aires – Capítulos a parte VII novembro, 2007
5 comentários

4

Cine no findi julho, 2007
7 comentários

5

Perfil do blog janeiro, 2007
9 comentários

Sweet, sweet forever
I’ll comfort myself in my next life…

Foto que tirei em Saint-Germain-des-Prés, Paris, setembro de 2010

Paris, Regina Spektor

I could’ve settled down in Paris
But the man who came for me
Took me by the hand
And said it was time to leave
Margaret atwood, she could not stop him
Virginia woolf, she could not stop him
The truth is I wanted to go
He is all I know, he is all I know…

I got back home from Paris
And he told me what I’d done was wrong
And though his speech was rather long
I listened like an obedient child
The light was coming in through the windows
It was a most familiar type of night
How I loved every streetlight
And I wanted him to kiss me

Margaret atwood, she could not stop me
Virginia woolf, she could not stop me
The truth is I wanted to go
He is all I know, he is all I know…

Sweet, sweet forever
I’ll comfort myself in my next life…

He told me that he couldn’t live without me
And I told him the same thing too
And though we knew it wasn’t true
We both knew it wasn’t a lie
The light was coming in through the window
It was a most familiar type of night
How I loved every streetlight
And I wanted him to kiss me

Margaret atwood, she could not stop me
Virginia woolf, she could not stop me
The truth is I wanted to go
He is all I know, he is all I know…

Sweet, sweet forever

I’ll comfort myself in my next life…


Eu assisti ao filme Il y a Longtemps que Jet’aime e me identifiquei muito com Juliette. Recomeçando a vida, sem se importar muito com ela ou tendo que ser muito paciente para suportar cada minuto, cada desafio, sem reclamar, tendo que aceitar o que é independente do que se quer. Mas o pior, não se quer nada, ou o que se quer não se pode ter de volta. E sobretudo, introspectiva, pois ninguém sabe o que se passa dentro de mim e eu não tenho nem vontade de extravasar. Coisas do tipo que não se podem explicar com palavras. Quero guardar em mim, pois essa é a única maneira de manter vivo algo que já foi. Et de souffrir pour ce qui est perdu.

E a música do filme, que dit tout!

Dis quand reviendras-tu?
(Jean-Louis Aubert)

Voilà combien de jours, voilà combien de nuits,
Voilà combien de temps que tu es reparti
Tu m’as dit: “Cette fois, c’est le dernier voyage”
Pour nos coeurs déchirés, c’est le dernier naufrage

Tu m’as dit : Au printemps, je serai de retour
Le printemps, c’est joli pour se parler d’amour
Nous irons voir ensemble les jardins refleuris
Et déambulerons dans les rues de Paris!”

Dis, quand reviendras-tu?
Dis, au moins le sais-tu
Que tout le temps qui passe
Ne se rattrape guère…
Que tout le temps perdu
Ne se rattrape plus!

Le printemps s’est enfui depuis longtemps déjà
Craquent les feuilles mortes, brûlent les feux de bois
À voir Paris si beau en cette fin d’automne
Soudain je m’alanguis, je rêve, je frissonne
Je tangue, je chavire, et comme la rengaine
Je vais, je viens, je vire, je tourne, je me traîne
Ton image me hante, je te parle tout bas
Et j’ai le mal d’amour, et j’ai le mal de toi

J’ai beau t’aimer encore, j’ai beau t’aimer toujours
J’ai beau n’aimer que toi, j’ai beau t’aimer d’amour

Si tu ne comprends pas qu’il te faut revenir
Je ferai de nous deux mes plus beaux souvenirs
Je reprendrai la route, le monde m’émerveille
J’irai me réchauffer à un autre soleil
Je ne suis pas de ceux qui meurent de chagrin
Je n’ai pas la vertu des femmes de marins

Baixei o Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain sem legendas que é para treinar o ouvido para o francês e também porque fazia muito tempo que eu não revia o filme e meu DVD ficou no Brasil…

Ainda não fui a Paris, mas depois de estar vivendo há algumas semanas na França, reparei em outros detalhes que antes passaram desapercebidos. Não é só a delicada épicerie do monsieur Collignon, que só realizei agora, porque elas estão por todos os cantos de Marseille, com suas endives e melons (preparei um hoje e deixou um perfume por toda a casa…) Mas é também as cerises, compradas num cestinho, que a pequena Amélie usa como brincos…. e os fraises colocados nos dedos que adoro comer com chantilly fresco comprado na boulangerie.

É  também o letreiro luminoso indicando uma pharmacie, que aparece na cena em que Amélie senta na Gare de l’Est para ver o álbum do Nino pela primeira vez. Ah, a estação, bem parecida com a Saint-Charles aqui de Marseille onde se pega trem para todas as partes da Europa e também para pontos mais distantes da cidade, como quando Amélie vai visitar seu pai. As tabacarias nos cafés e bares. As velas acesas na igreja. O frango assado dos domingos. Le petit vélo encontrada na caixa de Dominique Bretodeau e o cavalo que corre… em meio ao Tour de France!

O Afeganistão, os marchés, as campainhas com os nomes das pessoas e os prédios antigos. O formato dos interruptores dos prédios, os vasinhos nas janelas, o prazer de quebrar um crème brûlée, os cinemas antigos, as escadas, as palavras pelas paredes…

Os carrosséis por toda a parte como se fosse um antigo sonho dourado no meio da frenética cidade para nos lembrar que um dia fomos crianças e tudo na vida girava lentamente ao som de uma música delicada.

E toda vez que passo por uma máquina de fotos eu dou uma olhadinha em volta para ver se não tem nenhuma fotinho rasgada aos pedaços…

Et cet amour muet…

P.S: Tentei com minhas fotos fazer um pequeno comparativo. Mas confesso que não me dediquei muito a ele, tirei uma ou outra no caminho que uso normalmente, outras do meu arquivo… Poderia exaustivamente explicar cada coisa nas imagens do filme. Mas só estando aqui, só conhecendo a França, e, acho que olhando o filme um zilhão de vezes, é que você se dá conta de cada detalhe. E claro, sendo alguém super observador como eu.

Depois de seis dias sozinha naquele modus operandi: dorme tarde, acorda tarde, hoje acordei mais cedo, fiquei lendo um pouco na cama com a janela aberta (adoro), tomei meu café da manhã tranquilamente e fiz várias coisas que rendem vários posts. Era feriado na França, 14 juillet, comemoração pela Queda da Bastilha, eu não tinha aula.

Assisti ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain com um outro olhar, fui à praia, assisti Sex and the City 2 e assisti ao fogos de artíficio no Vieux-Port  em Marseille pela importante data nacional na França (comentei no meu twitter).

Hoje lembrei de levar meu mp3 para praia e a trilha não poderia ser melhor e mais mulherzinha: começou com Beatles e a música que disparou na minha cabeça quando cheguei a Liverpool e ficou comigo todo tempo lá: I need you (e não é à toa que era a primeira do play list). Depois veio U2 com All I want is youEverlasting Love. Julie Delpy com An Ocean ApartJe T’aime Tant. Jason Mraz & Colbie Caillate e a fofa Lucky. Michael Bublé com Everything. The Temper Trap e a doce Sweet DispositionHere comes your man, cantada pela Meaghan Smith, There is a light that never goes out, do The Smiths. As francesas Camille com Ta douleur e Anaïs com Mon Coeur, Mon Amour.

E por fim a música que me fez esquecer todo resto, era só eu, o sol,  o mar, e meus pezinhos remexendo a areia numa leve dança, porque eu não consigo ficar parada:

Essa música entrou para a lista daquelas que ouço mil vezes, como as citadas acima. Em Londres eu dançava nas escadas do tube, aqui danço na praia. A companhia da música foi bem melhor que da outra vez em que dormi no sol escaldante da Provence e quando acordei era um falatório em francês que bateu aquela sensação: quem sou? onde estou? onde está wally?

Não tem mais delícias. Fato. Desacostumei a ficar sozinha.

Vou ficar 10 dias sozinhas aqui na França e se passou só um dia e a liberdade de fazer o que se quer – dormir tarde, almoçar na hora do jantar ou ir no banheiro de porta aberta – perdeu um pouco a graça. Mas acho que todos os anos vivendo sozinha me ensinaram muito. Depois que a gente convive com nossas angústias e ais, se encara para valer, pode conviver com qualquer pessoa. E olha que em Londres foram com seis.

A maior evolução que tive na vida foi a que cheguei a conclusão no início do ano: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar. E como previsto lá, eu não precisava mesmo de agenda. Tudo muito imprevisível nesse meu ano ( e coincidência, botei Jorge Drexler para escutar enquanto escrevo. E a música que combina com a imagem ao lado: Nada es más simple, no hay otra norma: nada se pierde,
todo se transforma
).

Desde 2007, quando comecei a bolar um plano de vir para a França, eu tinha colocado no meu orkut como meu país de moradia. Aquele plano fracassou, mas hoje estou aqui! Por breve ou longo tempo, não sei, imprevisível, lembra? Mas sentindo a real vida francesa e não correndo com uma mochila nas costas para ver todos os lugares apontados como importantes num guia de viagem.

Ainda não fui aos lugares da Amélie, mas irei. Essa semana voltando para casa na madrugada após assistir show do Festival Mimi nas îles du Frioul, foi um velhote tocando acordeon na praça que me fez sentir na França da Amélie. Não era uma valsa, não era da Amélie, mas nós deveríamos ter dançando. Tem momentos que não se repetem na vida.

Tanto tempo sem entrar aqui que o wordpress até me pediu a senha. Então me senti na obrigação de fazer pelo menos um post do tipo “há quanto tempo não venho aqui”.

Passaram-se meus três meses em Londres, sendo que no último viajei quase todos os finais de semana. Fui para Oxford e Escócia. E depois, nos últimos dias antes de vir para a França, foram de uma correria só, mas de ótimos momentos. Eu fui para Liverpool numa sexta-feira e voltei no sábado bem tarde. No domingo bem cedo fui para Amsterdam e voltei na terça no final da tarde. Menos de 24h depois eu já estava rumo à Marseille, na França.

Tenho tantas coisas para escrever dessas viagens, tantas impressões… mas papel e fotos não traduzem tudo. Sim, descobri isso com os europeus. Eles têm razão. Mas aproveitei muito os momentos. E agora, nouveau vie! De um jeito que nem sei dizer se era o que eu esperava há muito tempo ou é tudo muito diferente. Só sinto que é do jeito que eu mereço. E não sei o que será do amanhã. Em fato, a gente nunca sabe, mas a gente sempre acha que pode controlar. Eu desisti. Estou indo na direção do vento e tenho encontrado boas surpresas. Dificuldades? Certamente haverá, mas já passei por tantas que tudo parece fácil.

Cheguei a conclusão que muitas pessoas vão para Londres quando não sabem o que fazer da sua vida. Eu era uma delas. Mudei de país. Mas ainda não sei se me encontrei ou me perdi de vez. Mas eu e uma das grandes amigas que fiz em Londres passamos a usar um motto: the life is just one!

E a minha é essa aí, sem caminho certo ou errado. Só caminho e quem vier comigo na mesma direção. Il est…

Uma vez escrevi sobre o que seria um domingo perfeito para mim. Mas no dia 16 de maio tive um domingo tão gostoso que me fez relembrar o que escrevi e ver que eu podia ter um outro tipo de domingo perfeito, e dessa vez não idealizado, mas sim realizado!

Ele começa igualzinho ao outro, a diferença é que é um café da manhã francês com baguetes e várias misturas deliciosas além de croissants, brioches…

Depois fui para uma feira em Gardanne onde compramos comidas frescas para  almoço e doces como macarons. O almoço foi num sítio de plantação de uvas. Em frente da casa (foto abaixo), com uma toalha xadrez verde na mesa coberta de delícias para o apéro como baguetes, pastas de oliva, azeitonas, legumes frescos, pastis, vinhos e mais vinhos… e a vista, para nada mais nada menos que a Montagne Sainte-Victoire, imortalizada em diversas obras de Paul Cézanne.

Depois do almoço e dessert (claro, porque isso não pode faltar), uma caminhada pelo campo até ficar de frente para a montanha. Subi num morro menor a frente, ventava muito, mas deu para fazer uma bela panorâmica da principal inspiração de Cézanne.

O dia foi tão bom, que nem lembro o que fiz depois. No retorno do sítio deixamos uma amiga na estação para retornar para Paris, depois não lembro mais. Mas uma coisa eu lembro, de ter passado o dia curtindo cada momento e pensando: agora estou vivendo um domingo perfeito.

fafffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff

ffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff fajfajfçajfçaçfaçlfçalfçaç

gaglkajgkajkjgklajgajlgjakjg

Eu comecei a escrever um post e antão me dei conta que eu deveria escrever esse primeiro para explicar um pouquinho. Na última segunda voltei de uma viagem de 12 dias pelo sul da França. Esse é um dos principais motivos do blog ter ficado tão abandonado. Mas foi de lá que atualizei o texto do meu perfil no blog. Além da idade estar ultrapassada, relembrei que tinha essa frase: “Quero e vou conhecer o mundo”. Bem, eu comecei…

Vi paisagens incríveis em lugares que precisei caminhar e subir montanhas até perder o folêgo. Quando eu avistava aquele azul esverdeado do Mediterrâneo eu precisava de ajuda para olhar, que nem naquela historinha do Galeano. E então eu descobri porque essa é a minha cor preferida.

Além de tanta beleza natural em Marseille, L’Estaque e  Cassis, curti o clima de cidades onde viveram Van Gogh e Cézanne, o luxo de Cannes em pleno Festival de Cinema e visitei cidadezinhas pequenas, de interior, que devem ficar de fora da maioria dos roteiros turísticos mas que me levaram ao real estilo de vida francês com apéros, almoços, jantares e churrascos entre amigos franceses… Não foi dessa vez que fui para Paris, porque daqui de Londres acaba sendo mais perto, mas vi tanta coisa linda que minha única ansiedade agora para conhecer a cidade luz é poder curtir um pouco mais os ares da França e suas comidas maravilhosas.

Marseille

L'Estaque

Cassis

Îles du Frioul

There is a light that never goes out

… mine is lit!

Essa imagem me lembrou aquilo que o Paulo Coelho escreveu em Brida:

“As pessoas dão flores de presente porque nas flores está o verdadeiro sentido do amor: quem tentar possuir uma flor, verá a sua beleza murchar. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Porque ela combina com a tarde, com o pôr do Sol, com o cheiro da terra molhada e com as nuvens do horizonte”.

Is possible feel miss of somebody what you no lives together?

I don’t know, but I feel…

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