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claudia degliuomini

Voltei a morar em mim.

Hoje foi dia de limpar tudo, colocar as coisas no lugar, trocar as cortinas, espantar as lembranças. Dar uma cara um pouco diferente para a minha casa e o novo ser que aqui  habita, enquanto a mudança de casa está só nos planos… depois de outros.

Para voltar a rotina tive que sacrificar o sono um dia. Fui dormir às 4h e acordei às 9h. E agora são mais de 3h e ainda estou acordada.

Na volta para casa, no rádio The Long Day Is Over, da Norah Jones

Feeling tired
By the fire
The long day is over

The wind is gone
Asleep at dawn
The embers burn on

With no reprise
The sun will rise
The long day is over

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Quinta quando estava dando Curtindo a vida Adoidado nós ficamos comentando que o Matthew Broderick já devia estar velho e tal. Afinal, tem mocinho de filmes da nossa época da Sessão da Tarde até com Parkinson, como é o caso do ator do filme De volta para o Futuro.

Daí fui fazer as unhas, e olhando a Caras na estética, descobri que o Matthew Broderick é casado e tem um filho com a Sarah Jessica Parker!

Como assim? O Ferris Bueller e Carrie Bradshaw?

Entrei em conflito! Cada um marcou e marca uma fase muito diferente da minha vida e os tenho quase como pessoas reias! Nem agora vendo uma fotinho dos dois juntos numa pesquisa que fiz para o post me convence. E Carrie mãe?! Vou ver se acho fotos dela com o filho, num estilo mais maternal para me convencer!

Hoje um colega com quem tenho muito pouco contato disse que estou “magrinha”.

Que mulher não gosta de ouvir isso?

É o novo regime de trabalho-spa!

Um amigo disse que se sentia usado pelas mulheres. Tudo porque as coisas só acontecem, segundo ele, se as mulheres estão a fim. Mas depois concluiu: “eu não me importo de ser usado”. E é aí que reside a diferença entre homens e mulheres.

Uma das amigas na mesa disse que ela já passou desta fase. Também já passei e desisti dessa condição, mas é possível não se sentir usada mesmo que seja só por uma noite. O problema é que nós mulheres, nos importamos muito mais. Como no primeiro episódio de Sex and the City, em que a Carrie resolve fazer uma experiência e “transar como homem”. Daí ela encontra um cara que a magoou três vezes, vai para cama com ele e logo depois da transa vai embora, dizendo que tem que trabalhar. Ela se sente poderosa por ter conseguido. Dias depois ela o encontra e ele diz que ficou chateado com o jeito que ela saiu. Mas em seguida diz que ficou feliz porque finalmente ela entendeu que tipo de relação ele quer ter. E ela se sente péssima.

E aí, na mesa de bar em que conversávamos, me surgiu a teoria de número redondo:

A gente sempre é usado, tanto faz se é por uma noite ou um ano.

A sensação de uso vem quando nos sentimos descartados. Porque só coisas usadas são descartadas. E pessoas merecem mais. Mas quem se importa?antes-do-por-do-sol-poster01.jpg

É por isso que me sinto com a Celine, de Antes do Pôr-do-Sol na cena da foto ao lado:

“Sinto que sou anormal e não consigo seguir em frente.
As pessoas têm um caso, ou até relacionamentos. Terminam e esquecem tudo. Muda como trocam de marca de cereal.
Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive… porque cada um tem qualidades específicas. Não dá para substituir ninguém. O que foi perdido está perdido.
Cada relacionamento que termina me magoa. Nunca me recupero. Por isso, tenho cuidado quando me envolvo com alguém, porque dói demais.
(…)
Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é a soma de pequenos e belos detalhes.”

E no fundo, nós duas sabemos que nós não vamos seguir em frente, só que a gente não descarta. Até hoje não encontrei ninguém que pense como eu e a Celine. Nem o Jesse, a gente sabe se foi legal com ela.

Até então, tudo não passou de uma série de desencontros.

Hoje passou Curtindo a Vida Adoidado na Sessão da Tarde.

Nossa! Me caiu uma ficha: deve fazer uns 14 anos que eu não vejo o filme pela milionésima vez!

Kelmurphy

Na estrada, atrasada para trabalhar, o ponteiro apontava 100 km/h.

Lá fora chovia e nos meus olhos também. Essa TPM que me mata e ainda inventei de baixar o álbum Andando do Diego Torres e de vez em quando ele aparece perdido entre outras tantas músicas (mas é melhor do que olhar para o CD que tenho).

Escutei a única canção que ainda faz sentido para mim Hasta Cuándo:

Mi cabeza da vueltas
De tanto pensar
Y yo sigo parado
En el mismo lugar

Detrás de ti un abismo
Del que no puedo salir
Ya no quiero más seguir viviendo así
No, no, no!!!!!!!!!

Quando me dei conta, estava em cima de um carro.
TPM e diração pode ser uma combinação letal! Ainda mais em dia de “chuvas”.

Além de todas as coisas que me deixam feliz no meu novo trabalho tem também o fato de eu não ter tempo para comer. Saio de casa correndo e não tenho comida porque não dá tempo de ir no súper. Chego lá e como um sanduíche no meio do expediente e só.

No dia seguinte, tudo de novo, e sexta eu consegui entrar na minha calça medida! Aquela calça que não serve mais, mas que a gente guarda porque adora e tem esperança de um dia entrar nela novamente. A minha é uma tamanho 36, cheia de bolsos e zípers. Nem está muito na moda, mas acho ela despojada. Então fiquei bem feliz! Ainda estava um pouco apertada, soltando umas gordurinhas do lado, mas ela já era assim quando a comprei. E só fui sentir mesmo depois que comi alguma coisa. Eu a comprei logo que comecei a trabalhar com internet há 4 anos, quando comecei a ganhar quase sete quilos que agora já perdi uns quatro. Difícil é ter que descartar todas as outras calças.

Nem precisei ter um filho como a Miranda do Sex and the City que naquele episódio do post-it consegue entrar na sua calça por ser mãe e trabalhar 14h por dia. Eu só precisei voltar a trabalhar com web. A minha noite só não terminou como a delas porque novamente fiquei trabalhando até muito tarde.

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claudia degliuomini 

Música boa para mim são aquelas que descobri sozinha há anos e outras que tenho descoberto agora. Músicas que não me trazem lembranças.

Lembranças são como os pecados, de nada adianta se arrepender, de nada adianta ter lembranças. Eu penso nelas e vivo as intensamente quando estão acontecendo. Depois ou trazem indiferença ou trazem tristeza. E ocupo meus pensamentos com as lembranças que virão, sonhando com o que quero realizar.

Tem letras de músicas que escutei querendo que não acontecesse comigo, me garantiram que não aconteceria, mas aconteceu… essas não me servem mais.

Desde que comecei a baixar músicas, um mundo novo se abriu. Encontrei muitas coisas legais e outras que há anos eu queria. Uma delas é Saudade de Você (abaixo), do Leoni, que descobri agorinha. Tem também Quem, além de você.  São poucas dele que ainda posso escutar. Eu canto ela para mim:

Me diz pra onde vai você
E o que você não vê
Quando você corre atrás de quê?

Onde isso vai parar?
Se é que você pensou
Em chegar a algum lugar

Espera o sol desabar no mar
Mergulhar no silêncio

E agora onde está você
Será que já percebeu
Os sonhos que você perdeu. Por quê?

É cedo pra desistir
É cedo pra não lembrar
Que o plano era ser feliz

Então me diz pra onde vai você
Tropeçando em si mesmo

Me diz então
Quando você vai ter
Saudade de você

Eu andei pensando muito nele. Alguém que em tão pouco tempo conseguiu ser o mais sincero e delicado que já conheci. Alguém que transformou uma manhã em noite só para nós e me abraçou como se tivesse dormido comigo a vida toda. E fiquei sabendo, meio que por acaso, juntando algumas coisas, parece que ele deixou alguém para ficar comigo, ainda que de passagem, porque ele é um passageiro do mundo.

Hoje somos amigos e se tudo isso aconteceu para que essa amizade existisse, não poderia ser diferente.

E para fazer poesia, é necessário desprendimento. Eu aprendo a tê-lo de volta.

Às vezes a gente trilha o caminho torto e não tropeça nele.

No meu playlist só músicas francesas: desde a Julie Delpy (a atriz do Before Sunsete cantando a trilha do filme), algumas da Madeleine Peyroux, até Carla Bruni, que descobri através do blog da Camila.

Outro dos defuntos mandou uma mensagem para mim hoje. Até falei com ele.

Se o tempo é capaz de acabar com o amor, também é capaz de acabar com a dor.

Se o amor nem sempre resiste ao tempo, o contrário também não.

O dia 19 de setembro foi um grande dia e um dia grande!

Na terça fui para a redação ao meio-dia e saí de lá às 6h do dia seguinte. O tempo correu e a pressão de todos os lados: anúncios no jornal, jingle na rádio, o programa Brasil na Madrugada da Gaúcha acompanhou e entrevistou a gente. O site zerohora.com entrou no ar às 4h e quando o contador do site antigo marcou zero eu ainda estava publicando algumas coisas. Foi emocionante!

Quando voltei ao jornal de tarde, o site estava bombando, um sucesso! Tanto que novamente saí de lá só no dia seguinte, ou seja hoje.

O sucesso foi tanto que os mortos ressucitaram. Nesse mesmo dia recebi mensagens do meus três ex namorados. A do mais antigo, de seis anos atrás, veio endereçada pessoalmente para mim, dos outros foram indiretamente, mas ter que ler os três num dia só não foi nada agradável. Os três morreram para mim quando terminamos. Terminar nunca é uma coisa fácil, mas nenhum deles foi sincero ou homem suficiente para admitir o real motivo da separação. Eles me tornaram Carrie Bradshaw e Celine. Portanto, são todos páginas rasgadas, que hoje, amassadas e amareladas foram trazidas pelo vento.

Mas isso não abalou o meu dia. Meu chefe me perguntou se eu estava arrependida (afinal está sendo puxado) e eu disse que pelo contrário, estava feliz! Como disse no outro post, tenho feito coisas que nem eu imaginava ser capaz de fazer. Hoje meu nome tá lá na página três e quem quiser pode conferir minhas peripécias fazendo entrevista em áudio (pior que escutei agora e tem aquele típico erro de concordância no tu). Tem muito o que melhorar… mas quando nosso estúdio estiver completo faço com mais calma. Hoje tive que paroveitar uma folga no estúdio da rádio e fazer correndo.

Acho que ficando sozinha, e é preciso coragem para isso, que a gente consegue olhar de verdade para si mesmo. E cada vez estou me aperfeiçoando mais. Pois só quem consegue ficar consigo mesmo por um tempo é que consegue ficar com os outros. No mais, é só fuga. E quem foge de si mesmo não cresce nunca.

Agora que já não é mais segredo, a mudança anunciada aqui e o que venho me dedicando desde 1° de agosto é ao projeto que está saindo do papel, ops, que está entrando no ar, o novo portal da Zero Hora: o Zero Hora.com 

Sou uma das editoras de interatividades (que tem a missão de ajudar na integração online-offline) e de Leitor-Repórter (esse lance web 2.0. saca?). Um desafio! O medinho até foi passando com o monte de trabalho que estamos tendo. No Congresso de Jornalismo que tivemos sábado passado, os palestrantes da Innovation colocaram a web 2.0 como o top da comunicação e eu já apelidei a ilha que estamos trabalhando de ilha do futuro! Acho que me encontrei no jornalismo. Pelo menos o retorno que tenho tido me mostra que estou no caminho certo.

Prova disso é que coisas que eu não gostava na faculdade, agora me motivam. Até entrevista na rádio eu andei fazendo para o site. Ainda tenho muito o que melhor, por supuesto, mas eu estou fazendo, e adorando! Já me perguntaram sobre a possibilidade fazer tv, ué, vamos nessa, tô me sentindo total multimída, vejo nossa equipe quase como um RoboCop, cheia de equipamentos. Não vou trabalhar diretamente com os blogs, mas eles estão ali do lado e dou meus pitacos, graças ao exquisio.

O coletiva.net falou da gente hoje, colocou até um expediente da nossa equipe.

E a hora tá chegando! O relógio está em contagem regressiva!

O fim de semana de folga perfeito é como este: calor na sexta, bom para uma ceva. Friozinho no domingo, bom para um vinho!

No mesmo lugar que derrubei as primeiras lágrimas da última era, eu brindei uma sexta-feira que não precisei trabalhar até de madrugada depois de dois anos e a nova oportunidade que a vida me deu, quase uma sacudida: “ei, acorda, tenho coisa melhor pra ti”. Dessa vez eu sabia que era isso, que ia passar, mas na hora a gente nunca consegue entender esses caminhos tortos. E curtir uma dor faz parte, faz parte de entender que nem tudo foi tão em vão assim. Pode não ter sido tão diferente como eu achava que era, mas é bem diferente o que fez comigo agora. Me fez enxergar que tá tudo aí, é só aproveitar. E o que eu perdi não era bem o que eu achava que tinha. Eu tenho amigos, que abandonei mas não me abandonaram, liberdade, independência, a trancos e (subidas de) barrancos eu tenho como ir e vir com meu carrinho, eu estou numa fase ótima da minha profissão, enfim… tô no lucro de tudo.

Resolvemos esticar depois do chopp e fui pela primeira vez parada numa blitz! Na frente do Opinião. Mandaram eu parar quando já tinha passado da barreira, fiquei torta na esquina. Saquei os documentos e dentro da carteirinha um kit lanche da empresa. A habilitação estava junto e descobri que tinha que entregar separado: ok! Enrolando a língua (eu estava bem minutos antes) fui me desculpando, que não estava acostumada, nunca tinha parado numa blitz antes… aí ele me diz que são as normas e que eu tenho que tirar o documento do carro de dentro da carteira também. Ele vai verificar e quando volta me pergunta se não sou de Porto Alegre (a minha placa é de Esteio). Digo que sim, mas que minha família é de lá. Daí o brigadiano começa me dizer que tem gente que é corrupto, que cada um tem um jeito de trabalhar (ih, papo estranho). Eu penso: mal tô com uns trocos para o estacionamento (o segundo da noite). Daí ele diz: mas está tudo certo e me libera! Ufa! Quando chego na João Alfredo para encontrar o restante do grupo, a demora foi tanta que a minha amiga estava na sarjeta e parecia ter fumado algo que ela encontrou por ali mesmo…

Foi a sexta-feira mais despretensiosa da minha vida. Me senti a Carrie naquele episódio do Sex and the City, Solteira e Fabulosa… E aí na prática, refutei uma teoria: sempre confiei em homens que bebem umas cervejinhas e dirigem, mas não nas mulheres. E yes! Depois de tantas batidas, eu confio em mim!

Seis dias depois e passou a dor no peito. Não é preciso ir ao cardiologista. Não foi antibiótico, nem antiinflamatório. Acho que me adptei.

Como nesse texto do Lutti:

Volta e meia, me pego ainda admirado com a capacidade que a gente tem de se adaptar. O ser humano é um bichinho ruim mesmo, até no bom sentido. Oh força que vem não sei da onde e muito menos para onde vai, mas que sempre vem.

Tem também, é certo, o tal decurso do tempo. Pois é, o tempo realmente passa e não raro voa, levando e trazendo. E a gente se adapta até a esse ritmo, o tempo. É que tem isso, sabe? O tempo não melhora muito as coisas, a gente é que se adapta a elas. Ou será que o certo seria dizer que a gente se acomoda?

Não, eu não. Eu não me acomodo. Nem me conformo. Eu só me adapto. Me adapto a dor, à saudade e à imensidão da ausência. Me adaptei à falta. Me adaptei ao espaço. Me adaptei até ao tempo passar.

Ou aprendi. Aprendi que não tem nada de errado em se adaptar. Isso é, inclusive, bem inteligente. A gente se adapta desde as priscas eras darwinistas, e se não o fizéssemos, não sobreviveríamos.

Me adaptei.

Me adaptei principalmente as minhas escolhas. E já nem sei se minha coerência está em escolher conforme meus princípios ou em adaptá-los a elas. Enfim, tanto faz. Importa é que dentre as várias escolhas que me eram possíveis, optei por mim mesmo. E a isso me adaptei. Escolhi ser feliz.

Engraçado isso, até para ser feliz a gente precisa se adaptar. E a gente consegue.

Felicidade é um escolha, senão um hábito.Felicidade requer adaptação. Enxergar o lado das coisas, de si mesmo, dos outros. Ou enxergar o lado ruim e não optar por ele.

Hoje, não tenho o que dizer se não mais uma vez obrigado.

Obrigado à vida. Obrigado a quem quer que seja o tal grande senhor do Universo, ou a tal mola-mestra ou qualquer coisa que o valha. Obrigado, porque não, a mim mesmo. Obrigado a cada pessoa que passou por minha vida e me deixou algo. Obrigado a cada pessoa que passou pela minha vida e levou algo. Obrigado, sobretudo, a cada pessoa que passou por minha vida e não saiu mais dela. Obrigado, sempre, ao amor primeiro que tudo de amar me ensinou. Obrigado, todos os dias, ao amor último que me ensinou que eu pouco sabia. E que me ensinará ainda mais. Por toda a minha vida.

imagem-037.jpgSábado rolou a festa dos 50 anos da RBS. Um festão. Foi muito legal.

Celebrei com os novos colegas, revi outros, até do tempo da faculdade. E não falei com todo mundo tanto quanto gostaria. Dos 5721, até que conheço um bocadinho de gente. Cantei não sei quantas vezes “Vida! É mentira é verdade…” E quase chorei com os vários telões dessa trajetória de 50 anos, da qual faço parte há quatro.

Mas depois que a bebida foi liberada, a festa rolou solta. Eu não me divertia tanto assim há uns dois anos. E nem bebi tanto, já que tinha que dirigir. Alegria por alegria!

Teve show do Jota Quest e eu e as gurias resolvemos nos aventurar e tentar chegar perto do palco. E conseguimos! Nos divertimos à beça. De sacanagem estipulamos o objetivo de tocar na mão do Rogério Flausino. Só uma de nós conseguiu… E de sacanagem a gente dizia: canta “Vida! É um grito de gol…” e não é que ele cantou?

Depois disso foi uma farra com todo pessoal da redação. As fotos estão aqui

E foi muito legal quando o Jota cantou Perfeição, do Legião Urbana (num trecho que tem a ver com esse momento):

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão

De volta às rodas, em papo de bebum sempre me surgem as teorias.

Uma amiga estava meio envergonhada de há pouco tempo ter tomado um porre daqueles, de passar mal e dar vexame. Eis que surgiu minha teoria:

Quando a gente é muito novo, toma um porre e passa mal por inexperiência. Quando é mais velho, por falta de hábito. 

Fui ao Baile do Baleiro na quarta. Saí do trabalho correndo e achei que seria fácil encontrar os amigos, mas que nada, o Opinião estava lotado! Não sei se foi o baile ou o baleiro, mas tinha muita gente.

Decepção e alívio, ele cantou umas cinco músicas suas: entre elas, Telegrama e Alma Nova (Calma alma minha, calminha! Você tem muito que aprender). O ponto alto do show foi quando o Frank Jorge, que era um dos convidados, ía saindo do palco e a galera pediu Amigo Punk. Ele tocou e a gente cantou. E o Zeca abriu um sorrisão lindo, lindo! E depois quis saudar e largou um “amigo funk”.

O Zeca é um cara que não ocupa o centro do palco e ontem tava lá, animando a galera não com suas poesias. Pelo menos foi divertido, até um Wando rolou. Só não joguei a calcinha porque estava longe do palco.

E levei o recado da música de abertura do show:

Nada como um tempo após um contratempo
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando, até quando, não, não

(da música Jorge Maravilha)

Não deu para gravar as poesias que ele falou, mas lembro de ter dito que inteligência não é para qualquer um, ignorância se encontra na feira.

Depois de morto, agora enterrado.

Achei que desta vez a página seria só virada. Mas tive que rasgar, como das outras vezes. Eu juro que tentei para que não fosse assim, mas isso porque achei que dessa vez era diferente. No final, foi tudo igual.

Descobri que minha vida é cheia de prefácios. Eu não preciso nem trocar o nome do protagonista. Eu nem preciso de palavras novas para escrever o parágrafo final deles:

Melhor é viver de começos, afinal eles são a melhor parte. Tive coragem de me entregar e amar, mas não fui correspondida na mesma medida, vamos nós dois então, colecionar começos, amores mais ou menos, ilusões, passatempo (do post sábado a noite)

E tudo que foi dito nestes posts: brilho eterno, madrugada, amor, entender x aceitar, verdades, ausência, inatural, teoria do olhar, coisas, releituras

Mas como algumas coisas que eu achava que não iam acontecer de novo, aconteceram até melhor, se é que quando o desfecho é igual dá para dizer assim.

As vezes eu não queria ser tão forte, porque aí essas coisas não aconteceriam comigo. Mas até agora, tudo não passou de introduções rascunhadas. Essa história ainda chega ao epílogo e nem vai ter espaço para o felizes para sempre, pois a página vai ser preenchida até o último ponto de momentos verdadeiros.

E agora, vamos ao próximo capítulo! Essas regras que elaborei vão me ajudar. De novo, eu não sou eu…

O luto é a sombra do objeto perdido que se projeta sobre o coração ferido.

Foram mais ou menos essas palavras do meu psicólogo sobre luto, segundo Freud. E me disse que luto não precisa ser só pela perde de morte. Todas as perdas exigem um período de luto.

Eu só uso algumas coisas que ganhei e ainda olho com carinho para alguns objetos porque são lembranças de uma pessoa que não existe mais. Ela está viva e sem luto. Mas ela não existe mais. Para mim, ela não tem mais o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma dedicação e muito menos o mesmo amor, se é que ainda restou algum. Sendo assim, não preciso rasgar as fotos ou deletá-las. São lembranças de momentos que se perderão no tempo.

Já chorei essa perda, de vez em quando os olhos ainda se enchem de lágrimas, um soluço aqui, outro ali. Mas como em qualquer perda, a vida continua, não é mesmo? E acho que a gente também ajuda no processo, tirando essa pessoa da sua vida. A filhadaputagem do ser humano, como falei nessa teoria.

E falei sobre perdas uma vez nesse post: Nunca perdi para a morte alguém muito próximo. Não sei o que é esta dor. Mas ela me parece ser mais fácil de lidar pois traz um consolo: a morte é involuntária. Já as outras perdas, ah estas sim já experimentei, e são bem amargas, pois se tem plena consciência que se perdeu alguém simplesmente porque ela não deseja mais estar ao seu lado, ela escolheu isto e tenho que conviver com a escolha alheia sem que a minha possa sequer ter alguma chance.

Mas eu acho que uma das maiores alegrias que se pode ter é descobrir vivo alguém que se julgava morto. Mas isso é coisa muito rara. Se a vida dificilmente dá uma segunda chance, a morte menos ainda.

No mais, me conforta saber que eu continuo íntegra, senhora dos meus sentimentos (mesmo pagando um preço alto e sofrido), e sei quem eu sou e nada do que eu digo ou faço é incoerente. Eu me comprometo com o que eu digo, eu me comprometo com o que eu faço. Não que eu seja imutável, mas eu tenho a minha essência.

Não sei se foram as mudanças ou as ausências, mas agosto foi o ano mais longo da minha vida.

Quando lembro de algumas coisas, a saudade que eu tenho de alguns momentos, parecem que ficaram num passado tão distante que é difícil mensurar. E ao mesmo tempo marcam meu presente e deixam uma sombra sobre meu futuro.

Lembro do dia 11 de abril de 2006 quando em um post particular, entre outras palavras escrevi: “O tempo é coisa da razão. Eu conto os dias de forma diferente agora.”

Eu voltei à razão, mesmo que meu coração me diga que não. Talvez nessa transição entre razão, coração e recordação eu tenha perdido a noção dos dias e das horas, que passaram a ser eternamente lentas.

Acho que caí num erro que no texto eu dizia não cometer mais: usar o tempo para planejar o que eu deveria estar vivendo.

Mas a cada dia, uma hora vale menos do que já valeu outrora. Com o tempo, deve voltar a ter 60 minutos. E algumas datas ficarão esquecidas. Passarão a ser um dia, como outro qualquer.

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