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“Atravessamos o presente de olhos vendados, mal podemos pressentir ou adivinhar aquilo que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que foi vivido, compreendendo o sentido do que passou.”

Do conto Ninguém vai rir, de Milan Kundera.

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Começa sexta-feira, dia 30, a 5ª Bienal do Mercosul que tem como proposta discutir o espaço ou melhor “A (re)invenção do espaço”. Estou empolgadíssima com esta edição, pois hoje no curso de História da Arte estudamos os construtivistas e neo-construtivistas Amilcar de Castro e Franz Weissmann afim de estarmos preparados para a visita guiada que faremos no Santander Cultural e no Margs na próxima terça. Hoje mesmo já vi em frente ao Mercado Público uma obra de Amilcar instalada no passeio público. Tinha uns itens a mais, acredito que para não cair devido ao vento.

Fiquei fascinada por estes dois escultores. Ambos trabalham com esculturas em ferro a partir de formas geométricas, criando dobras e cortes. Com isso o trabalho passa da bidimensionalidade para a tridimensionalidade, ocupando um espaço. A diferença entre os dois é que Weissmann utiliza solda e parafusos para agregar elementos em suas obras e Amilcar não, apenas dobra ou corta um peça única. E o primeiro utiliza cor, o segundo em sua maioria não.

Mas o que mais me empolgou nisto tudo foi reconhecer e estabelecer relações destas obras com a diagramação. Amilcar de Castro criou o primeiro projeto gráfico do Jornal do Brasil com elementos de layout usados até hoje em todos os jornais. Antes disso, nem sequer haviam máquinas de escrever nas redações, e os jornais tinham a aparência de classificados. As obras de Amilcar partem todas de formas geométricas básicas, como quadrado, retângulo e círculo. Observem quando visitarem a Bienal. Dessas formas surgem triângulos e outras “formas” com as dobras que ele faz no espaço. E as páginas de jornal, que também considero arte, nada mais utilizam além destas formas. As cores usadas por Weissmann são influênciadas por Mondrian, outro artista que com suas pinturas evoca o desenho das páginas de jornal.

Dizia Amilcar no documentário que assisti que não se considera um desenhista e sim um gráfico (tem obras dele em pintura também). Mais uma identificação com a produção de jornal impresso e nestas pinturas ele usa as cores básicas da impressão.

Pesquisando para ver se encontrava a frase original aí está: “A cor me fascina. O problema é que eu não domino bem a cor, não sou pintor. O pintor interpreta o mundo por meio da cor, é o caso de Matisse, Guignard, Volpi, pintores geniais. Eu, como escultor, o interpreto por meio da estrutura. E, para dar força à estrutura, uso uma cor, o vermelho, o azul, o amarelo. Eu sou um gráfico, como o Mondrian, e prefiro fazer só o que eu sei fazer. No caso das esculturas de ferro, o ferro adquire a ferrugem e a ferrugem é a sua cor.”

Espero ver esta Bienal com outros olhos e isto tudo me motiva cada vez mais a cortejar estas áreas afins com a diagramação. Pretendo continuar estudando cada vez mais a arte que é o berço da comunicação e da linguagem visual tal aplico no trabalho que farei em breve.

Amilcar de Castro

Franz Weissmann

“Ela se censurava por não saber conciliar a seriedade com a leveza”.

A frase é do conto “O jogo da carona” do livro Risíveis Amores, do Milan Kundera que estou relendo. O tal conto foi recomendado certa vez pela Martha Medeiros, em uma de suas colunas. Segui o conselho, li e gostei. Final do ano passado achei o livro num daqueles balaios de 3 por R$ 10 na Feira do Livro, comprei e estou relendo. Recomendo.

Um casal que está saíndo de férias, quando pára para abastecer num posto de gasolina, resolvem passar-se por estranhos. A moça finge pedir uma carona para o “desconhecido” motorista. E assim, ele descobre coisas nelas que jamais poderia imaginar.

Engraçado como uma mesma história ganha sentidos diferentes em momentos distintos. Engraçado como a gente pode se ver num personagem do qual não se identificava depois de algumas experiências. E engraçado como a gente joga esse mesmo jogo sem nem precisar pegar carona.

“Já tive a sensação de que no Brasil o homem ainda categoriza as mulheres em pra casar e pra transar. E a mulher pra casar é aquela recatadinha, bonitinha, já a mulher pra transar é só pra transar. Eu falo alto, tenho peitão, bumbum grande, mas imponho respeito, daí o cara fala, essa não é nem pra casar, nem pra transar”.

Maria Rita

Eu amo trilhas sonoras, embora não empregue muito meu tempo ($) nelas. Vivo pedindo aqui e ali CDs e mp3 para fazer cópias.

Hoje consegui as trilhas de A Vida Como Ela é e Engraçadinha. Até ontem, nem havia me ocorrido que elas pudessem existir.

Tão logo tive os CDs em mão fui dar uma escutadinha, passando rapidamente pelas faixas. Mas impossível não parar para escutar o tango estonteante da abertura de Engraçadinha Adios nonino, de Ubirajara Silva e This Gun for Hire, de Jazz at The Movie Band, abertura de A Vida… onde rememorei a máquina, lembrei do Nelson fumando… E tive que dar aquela batidinha com os pés quando escutei Hit the Road Jack, de Ray Charles.

Valeu Ana!

Me diz por onde você me prende?
Por onde foge?
E o que pretende de mim?

Eu espero acontecimentos…

(Marina Lima)

Como é bom poder dar risadas hoje de tudo aquilo que já me fez chorar, esbravejar, indignar.

Mas são processos que dependem um do outro.

Não se ri à toa do passado sem um presente de lástimas e com descrença no futuro.

E não perder a capacidade de indgnação é o que nos mantém íntegros.

Foi de doer nos ouvidos.

Passando no Centrão ontem, um vendedor de CDs do “chãpping” divulgava seu lançamento: As Quatro Estações, de Vivaldi, ao som de dance, remixado.

Estou precisando tomar um guaraná Kuat

De vem em quando é bom escutar velhos discos…

Leve pensamento diz
Por muito tempo não consigo esperar
Quase sempre ser feliz
É um alento ou uma falta de ar
Capaz de me fazer
Um pouco acreditar
Que o sonho mais perfeito
Pode se realizar
Quando passeio nas nuvens
Tudo parece igual
As sombras são as medidas
De tantas chances perdidas
Sem demora então
É só acreditar
Que o sonho mais perfeito
Pode se realizar

(Nuvens – Pato Fu)

Na verdade continuo
Sobre a mesma condição
Distraíndo a verdade
Eganando o coração.

(Pato Fu)

Ainda espero
Resposta
Sem mais
Eu fico onde estou

Por que mensalão e não mesada?
Porque protocolizei e não protocolei?

Da série “Mentiras que nos contam por aí”

Alta absorção
Use apenas duas folhas

Este último semestre da faculdade está me surpreendendo.

Na quarta, quando estava saindo da aula, ao dar tchau para o professor ele respondeu:

– Obrigada, Fernanda.

Em 18 anos de vida estudantil nunca nenhum professor agradeceu a minha presença na aula. E como aprendi com outro professor, obrigado não é apenas uma palavra, mas um gesto. No dia seguinte o mesmo professor que me agradeceu pediu minha opinião sobre a aula. Mas isso não foi a primeira vez. Tá certo que ele é considerado meio louco pela maioria dos alunos, e até por mim também, num certo ponto, mas tenho vocação para professores viajantes e embarco na viagem deles.

A outra coisa que me surpreendeu e só não fiquei puta porque fiquei realmente surpresa, foi ir até a Unisinos ontem e não ter aula. Isso não me acontecia desde que saí do ensino público (não preciso explicar mais, né?)

Ontem contei para minha mãe sobre mais uma peça que o destino me pregou. Com isto, também lhe falei que o raio caiu duas vezes na minha cabeça. Ela emudeceu. Sem nos olharmos no olho, ouvi o suspiro interno e inaudível. Ela então resolveu dizer para mim não tomar isso como sina e que só ia crescer e amadurecer com estas experiências. As palavras lhe faltaram. Sei que em outra situação ela teria coisas melhores para dizer. Mas não poderia me deixar sem uma palavra e a admiro por isso.

Mãe, já está tudo bem. Apesar de eu também não ter palavras para o feito de quebrar um ditado, eu acho que a vida é boa para mim, na maior parte do tempo.

Toda regra tem exceção. Sendo assim, eu havia descoberto uma exceção para esta regra, que era a das proparoxítonas. Toda vez que alguém vinha com essa frase, eu saía dizendo: Menos a regra das proparoxítonas, pois todas as proparoxítonas são acentuadas.

Mas pesquisando para postar aqui, descobri que já inventaram para a única regra sem exceção que eu conhecia uma exceção. Para quem estava desatualizado como eu: Todas as proparoxítonas são acentuadas, salvo a expressão per capita, por não pertencer à Língua Portuguesa.

É duro passar seis anos numa Universidade e descobrir que a formatura tão sonhada, mais até que o casamento, não terá nada, nada como você queria. Nem a data, nem o horário, o que já implica em não ter agradecimentos ao vivo e muito menos baile. Ter um convite “tradicional”, sem criatividade nenhuma e nada original, sendo que já babei por alguns tão legais e me puxei para dar idéias… Ter como um dos homenageados um professor que só descobri que existe na Universidade no último semestre e nem sei se me ensinará alguma coisa que preste. Não ter como paraninfo o único professor que me ensinou alguma coisa, e sabe lá que outras juquices e jequices vão inventar até janeiro. Pelo menos me esforçarei para fazer com que a minha recepção + baile particular seja tudo de bom.

E o que define bem este momento, como bem lembrou outra colega descontente é a frase do mestre Nelson Rodrigues:

“Toda unanimidade é burra.
Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”.

E a imagem dele reflete como me sinto:

Vou esperar comportadinho no quintal
roendo as unhas devagar
Agoniado atrás das roupas do varal
Você então, os olhos a me procurar,
deixe esse céu azul queimar
qualquer restinho de espera e solidão.

Segure minha mão,
é assim que vai ser
sempre estar com você…

Video Hits – (vo)c

O programa com o Nenhum de Nós foi muito bom. Foram apenas o Carlão e o João Vicente, que tive a oportunidade de bater um papo de Porto Alegre a São Leopoldo e são gente boníssima.

Parace mentira, mas mais um programa e eu teria no rádio uma nova paixão!

Nenhum de Nós lança novo CD na Rádio Unisinos

A banda Nenhum de Nós estará fazendo o lançamento do seu novo disco Pequeno Universo, nesta quinta-feira, dia 8 de setembro, no Programa do Aluno, na Rádio Unisinos FM 103.3.

Durante o programa, que vai ao ar das 20h às 21h, os integrantes da banda irão tocar músicas ao vivo e responder as perguntas dos ouvintes que podem participar através do telefone (51) 590-8100 ou pelo e-mail programadoouvinte@fm.unisinos.br.

O Programa do Aluno é uma produção dos alunos de Estágio Integrado em Jornalismo da Unisinos. Apresentação de Fabiano Baldasso e Carolina Rocha, roteiro de Fernanda Souza e Débora Rabelo e produção de Fernanda Souza com a coordenação do professor Sérgio Endler.

Ouça a Rádio Unisinos na internet

O novo CD está bem legal. Gostei da música Igual a Você:

Eu sei que nós dois éramos bons amigos
Você conhecia meus medos escondidos
Eu guardava segredos proibidos
Estávamos ligados, comprometidos
Algumas vezes menti
Para te proteger
Você me fez fugir
Quando o melhor era mesmo correr
Eu fazia você sorrir
Na hora exata de chorar
Você me ensinou a pedir
Quando eu ainda insistia em mandar
Agora você tem
Novos amigos
Normal que um dia
Isso fosse acontecer
Só não me faça te odiar
Não me peça para esquecer
Não espere que eu seja
Igual a você
Algumas vezes menti
Para te fazer correr
Você me fez fugir
Só para me preteger
Eu fazia você sorrir
Quando insistia em mandar
Você me ensinou a pedir
Na hora exata de chorar

Ganhei facas Ginsu disfarçada de faca de cozinha com simpáticos cabos laranjas no meu chá de casa nova. Fui cortar laranjas com uma delas ontem e quase que tenho mais uma semelhança com o presidente Lula além do sobrenome. Teria um dedo a menos, porém o indicador, que é muito mais útil.

Tá certo que eu não sou uma boa dona-de-casa, que a cozinha tem vontade de me expulsar de lá, mas essa faca vai ser afiada assim lá na casa do $%+º@#. Fui dormir com o dedo enfaixado e com medo de acordar (ou não acordar) e ter esvaído em sangue. Até pensei que poderia ser hemofílica, mas se ainda não tivesse descoberto isso não estaria mais aqui… E lá pelas 3h30min da manhã acordei com o coração latejante na ponta do dedo. Tive que afrouxar o curativo… e mais sangue! Eu me lembrava de um horrível vídeo que vi na internet de terroristas cortando a cabeça de um refém com uma faca dessas.

Amanheci sem o estanque, já estava me aprontando para ir ao hospital fazer um topinho no dedo quando de repente parou… Por via das dúvidas saí com um esparadrapo enrolado… tá #&$@!+ digitar assim. Bem o dedo do ctrl+c, ctrl+v.


… um amor que entenda que eu não gosto de cachorros, embora possa conviver perfeitamente com eles há uma distância conveniente. Importante: eu pelo menos consigo impor respeito e os cães não ficam me enchendo.

Assisti Procura-se um Amor que Goste de Cachorros. Eu tinha um pré-conceito com o filme, pois eu não seria uma boa candidata para quem estivesse a procura deste tipo de amor. Embora, por este sentimento, até já me aproximei um pouco mais dos cães. E por incentivo de um amigo, me superei e abracei um pitbull.

Mas por incrível que pareça este não é o tema central do filme, e apesar de alguns clichês próprios das comédias românticas, o filme é tão engraçado que supera tudo isso. Além de dar o que pensar. Quem ainda não assistiu, não leia agora, quem me conhece sabe que entrego os filmes, a não ser que você goste de saber antes.

Apesar de cômico e inconveniente o fato da família ficar se metendo na vida amorosa da personagem principal, é bem melhor do que coisas que ouvi da minha irmã há dias atrás… embora eu acho que ela está se comportando mais como solteirona do que eu… Há algumas décadas atrás, alguém que namora e noiva por cinco anos, essa sim seria encalhada. E isto tudo, por favor, é um estado de espírito. Eu escolhi não esperar o casamento para ter minha própria vida, minha própria casa e uma coisa não anula a outra…

Voltando ao filme, o fato dela responder a um anúncio e marcar um encontro às escuras com o próprio pai, mostra o quanto as mulheres procuram o perfil do seu progenitor nos homens por quem se interessam. E o fato do mocinho do filme ter atributos sobre os quais o pai se identifica é mais uma prova disso.

Mas o filme é leve, fofo e muito engraçado. Recomendo!

Depois de sete anos tive a oportunidade de abraçar ontem pela primeira vez o meu primeiro amor. Nos reencontramos no início da semana através do orkut e estabelecemos contato pelo messenger.

Engraçado isso, eu tinha 16 anos e ele foi minha primeira paixão, durante um ano. Além das cartinhas e bilhetes que eu lhe enviava declarando meu amor adolescente não havia nenhuma outra forma de comunicação entre nós, além das poucas palavras que trocávamos. E também não era uma comunicação muito efetiva, pois eu escrevia e não recebia respostas. Foi, com certeza, um amor platônico. Mas mesmo assim, eu sabia muitas coisas da sua vida. A mãe dele era minha chefe e uma amigona. Eu conhecia o pai, os irmãos, a tia, os avós…

Hoje, minha atitude parece não condizer com a idade que eu tinha na época. Mas eu fui uma retardatária nisso. Demorei muito a abrir o coração e admitir uma paixão por alguém. Na época, não ser correspondida foi um sofrimento, o fim do mundo. Hoje depois de alguns percalços vejo tudo isso como uma bonita história. A única que eu tenho da minha adolescência.

E sete anos mais velhos nos reencontramos. Que experiências bacanas a vida pode nos proporcionar. Parecia que esta lacuna feita em número de perfeição não existiu entre nós, e nem mesmo o silêncio daqueles tempos. Falamos tanto, colocamos os anos em dia como velhos amigos. Nisto eu o vi diferente. Nos outros aspectos pareceu que minhas idealizações de paixonite platônica tinham até razão de ser. Mas sei que se descobre muitas coisas mais convivendo melhor com as pessoas. E eu espero, agora não perdê-lo de vista e conhecer o que os anos fizeram com este menino. Saber de suas alegrias dores e ais. Descobrir o que fez com que eu lhe dedicasse um sentimento tão especial e o que também não me daria motivos para isto.

Enfim, achei muito saudável e estou feliz por ver novamente alguém que me foi tão querido, bem como reencontrar sua família. Ver como é possível que passado os anos a gente passa a ver as experiências com olhos mais positivos. E que melhoramos com o tempo, como alguns vinhos. E principalmente, ver que a vida nos reserva e proporciona gratas surpresas.

Na boa a pessoa que espalhou o boato que havia um terrorista suicida no meio da multidão de fiéis em Bagdá era o próprio terrorista! Provocou a morte de mais de mil pessoas…

Me impressiona como esses terroristas são espertos. Não gastam nada com essas operaçãos. Assim foi com as torres gêmeas, já que usaram aviões dos próprios americanos para aquela tragédia.

Não deixem de visitar o XIII Salão Internacional de Desenho para Imprensa ali no Centro Municipal de Cultura, na Av. Erico Verissimo.

Dei uma olhada rapidinha no intervalo do curso que estou fazendo ali e está muito legal.

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