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Algumas coisas que venho observando e descobrindo sobre o modo de vida e a sociedade francesa me mostram o quanto o Brasil precisa evoluir. Tá certo que somos um país jovem, muitos anos a menos de experiência, mas se essa coisa de mundo globalizado não serve para a gente cortar caminho e usar as experiências de quem já caiu e levantou para aprender, serve pra quê, então?

Imprensa e formação de opinião

O curso de línguas que começou hoje na Université de Provence não é apenas um curso para aprender français. Por aí já se tem uma ideia de como as coisas funcionam por aqui. Fiquei até um pouco desapontada que por estar num nível mais avançado terei aula só três vezes por semana, 3h por dia, começando às 10h! (ritmo da Provence, mas o fato é que a professora mora em Marseille, como eu, aliás, e como o curso tinha flexibilidade de começar entre 9h e 9h30min ela resolveu logo meter às 10h que é pra não precisarmos acordamos cedo). Mas durante o curso de verão a coisa era bem mais puxada, das 8h30min às 12h30min, tá certo que não tinha trânsito na estrada, bem menos gente no ônibus e que ninguém aguentaria nesse ritmo o ano todo. Mas enfim, retomando, além do curso regular tem ateliers temáticos. Eu pensava que isso era um bônus, até mesmo para justificar as horas do visto, já que as aulas não compreendem todo tempo exigido. Mas não, tem que fazer pelo menos quatro ateliers, com avaliações e tudo. Eu já tinha logo escolhido uns 8, ia fazer no oba-oba, ia preencher todo meu tempo enquanto não tivesse trabalho (e largaria a oficina se fosse necessário) e para não ficar de bobeira esperando entre um atelier e outro que me interessa, já que voltar para casa não vale a pena.

Hoje fui no atelier Europa-Estados Unidos: pontos comuns e divergentes. Tem um grande grupo de americanos num programa de estudo de francês, mas minha ideia era desenvolver melhor o discurso pois é preciso saber se exprimir para passar num exame de proficiência em francês. Mas fui surpreendida com este atelier que vais nos fazer refletir sobre a sociedade que queremos para nós no futuro, visto que a primeira e principal divergência entre a França e os Estados Unidos é o socialismo e o capitalismo. Vamos ver através da história como esse comportamento da sociedade francesa surgiu, como é na Europa, a origem da Comunidade Europeia, como a entrada da Turquia no bloco pode mudar tudo. E a impressa, como a diferença entre a imprensa americana e francesa se traduz na sociedade. E aí o professor disse: jornalistas escrevem artigos e isso é o que fazem estudantes universitários, um bom artigo pode ser publicado na imprensa. Aqui não é necessário ter diploma de jornalista para ser um. E aí me dei conta em como nossos cursos de jornalismo no Brasil sequer nos preparam para escrever um artigo acadêmico, que dirá um artigo com opinião, de posição, num jornal. É um curso técnico para servir empresas privadas que nos enquadram de tal forma no conceito editorial que eu perdi minha opinião. Sério, não sei mais opinar, eu que entrei na faculdade cheia de vontade de escrever editoriais. Não, meti a cela de cavalo da neutralidade, da isenção e tudo que fiz foi escrever sobre acidentes de carros, pequenos assaltos, o famoso buraco de rua. E o professor pincelou um pouco a lógica da imprensa americana, como a CNN com seus ao vivo, direto do lugar, mas sem reflexão, sem o depois. Isso custa dinheiro. “Mostrar o Afeganistão na tevê não são três dias de reportagem, são pelo menos 15 dias subindo montanha para chegar num vilarejo, isso sim é reportagem”, exemplificou. Os franceses não, todos, todos eles têm opiniões, sobre tudo, fundamentadas, bem embasadas. Hoje o professor disse, nunca digam: “je ne sais pas (eu não sei), ninguém diz isso aqui, isso mostra que você não tem personalidade”. E me dei conta que a nossa imprensa no Brasil cada vez reforça mais ao povo – que já tem uma educação precária – ao je ne sais pas!

Educação

E aí entra a educação. Aqui as crianças aprendem a ler aos cinco anos de idade. Aula não é só 4h por dia, é o dia todo. A criança entra de manhã e sai pelas 17h. Em compensação tem a quarta-feira de folga (que deve ter um monte de tema de casa). E a maioria segue esse ritmo de estudo até o mestrado, pois universidade é de graça, classe média tem direito a bolsa para financiar os estudos, para morar onde os estudos que você deseja estão. Trabalhar só depois de concluído o mestrado que vai te dar uma especialização da área escolhida (se não me engano são três anos de faculdade, um pouco menos que no Brasil).

Socialismo

A diferença entre essa sociedade socialista posso exemplificar não com o seguro social, que funciona perfeitamente e é pago pelo governo, ainda que muita gente pague um plano a mais, privado, descontado no salário que te rembolsa quando você faz um óculos de grau por exemplo. Somente para ter essas vantagens extras, não para diminuir a fila no hospital. A diferença que vejo, por exemplo, no comércio. As lojas fecham 19h e se você está lá dentro, ainda em dúvida sobre o que levar, ninguém faz questão de te agradar e diz para ficar a vontade, não, a loja fecha às 19h, você tem que ir, é o direito do trabalhador (ou o chefe que não quer pagar horas extras). Mas como todo mundo faz assim, ninguém vai sair falando mal da loja. O shopping fecha depois, às 20h!!! Nada abre aos domingos, exceto as padarias (que os franceses não vivem sem suas baguetes), mas fecham num outro dia durante a semana para compensar. O mercado fecha para o almoço às 12h45min e só abre às 15h. Isso no centro de Marseille. No verão, açougue, mercearias, padarias, lojas tiram férias e fecham as portas por 15 dias, um mês. Os trabalhadores aqui tem direito a férias de cinco semanas. Os encargos de um funcionário saem bem caros para um empregador, é um outro salário completo, como se o trabalhador aceitasse ganhar a metade, mas ele sabe que seu dinheiro será empregado e ele terá em retorno segurança, saúde e se já tem sua formação universitária, está garantindo que seus filhos vão ter também.

Eu que vivi de trabalhar em uma redação de jornal ou no comércio da família tinha um modelo de vida americano, de correria, de engolir café, de mostrar trabalho às custas de descanso, saúde, estudo. De ficar na loja até a hora que convir ao cliente que chegou na hora de fechar… e acho que esse modelo de sociedade aqui permite muito mais de aproveitar a vida, estar com os amigos, o tal bon vivant dos franceses. E se todo mundo faz assim, não vai pegar mal eu fechar minha lojinha e tirar uns dias de folga no verão. E sobretudo, sobra tempo para a família e talvez faça diferença em aqui não ter o mesmo problema das drogas que tem no Brasil, que cada vez mais invade lares de todas as classes sociais.

Comunismo e transporte

Esses dias descobri que tem algumas cidades na França que tem um modelo “comunista”. Não sei bem a real extensão disso, mas não é pejorativo, são cidades que tem mais planos sociais para seus moradores. Por exemplo, em Aubagne, aqui do lado de Marseille, o transporte público é gratuito. Isso mesmo, ônibus de graça. Aqui, não em Marseille, falo na Europa em geral, o transporte funciona. Bom, estou sendo um pouco injusta, é que Marseille não tem metrô que cobre toda a cidade, mas funciona no horário, ônibus é pontual e tem informações em todas as paradas de ônibus. Sério, não sei como a gente anda de ônibus no Brasil, é na base do cobrador me mostra onde descer porque muitos pontos nem tem nem a cobertura de parada. Mas o transporte é gerado pelo estado, se não é mais, pelo menos um dia foi. As linhas de trem de Paris, por exemplo, estão para ser privatizadas, infelizmente. Mas é ela que paga as linhas pequenas… não sei como será, enfim. Mas foi feito um estudo em Marseille, se parassem de cobrar o transporte da população, sairia mais barata a manutenção dos sistema todo, pois seriam menos funcionários para cobrar bilhetes, fiscalização… para ter uma ideia, nos ônibus que levam à praia, chega a ter cinco fiscais para garantir que a gurizada em férias não vai pegar ônibus de graça. Mas para estudar, seja de trem, metrô, sai praticamente de graça o transporte.

Sequestro de crianças

Nesse fim de semana duas crianças foram raptadas. Elas saíram para um passeio com um casal de vizinhos que habitava há pouco tempo o bairro e não voltaram. Os pais foram até a polícia e a cada cinco minutos tinha um alerta no rádio, na tv. O estado tem um dispositivo para isso, são colocados anúncios insistentemente, mas muito insistentemente. Se você viu alguma coisa não deve interferir e sim comunicar as autoridades. Poucas horas depois as duas irmãs foram deixadas num estacionamento, sã e salvas, provavelmente pelos sequestradores, que com os alertas na mídia ficaram sem saída.

Enfim, não é tudo perfeito, não sou uma conhecedora de causa, estou começando a melhorar na língua para ler mais artigos, me inteirar da situação política, mas são pequenas observações do cotidiano que mostram alguma coisa desse velho mundo que é de primeira, não à toa. E acho que um país naturalmente rico como o Brasil podia dar muito mais a sua sociedade.

UPDATE: Faltou um ponto negativo, a universidade está com problemas de falta de salas de aula. Hoje, 20/9 não tive aula. Até propuseram uma sala em outro ponto da cidade mas complicava a vida da professora então iremos recuperar em outro momento. Não sei se tem mais estudantes que o previsto ou é só questão de organizar bem os horários e locais. Mas seja qual for o problema, em breve vai acabar pois um prédio novinho tá sendo construído ao lado…

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Uma grande jornada se encerra na minha vida. Agradeço muito aos amigos que fiz e que levo comigo, as oportunidades, as portas que se abriram, o aprendizado e a experiência.

Com certeza tudo que vivi e aprendi nesses seis anos serão de grande valia para o novo caminho que se abre para mim. E como diz uma das 79 teorias que tenho no meu blog, não importa o final, o que conta é a história. O importante é o percurso, o meio, o recheio, a trajetória… Não é por falta de contatos que vocês não vão me convidar para um chopp.

Foi com essas palavras que me despedi de uma vida. Não sei se escolhas certas ou erradas me levaram até elas, mas é certo que se eu não tivesse arriscado eu não saberia e poderia estar frustrada, como eu estava agora, em que nos últimos dois anos minha vida estava parada. E eu estava numa função para qual fiquei sabendo que seria a minha durante uma reunião coletiva. Sequer fui avisada antes ou consultada e deu no que deu.

Nesses últimos meses eu pensava que era melhor ter ficado nas minhas origens, mas se lá tivesse ficado não teria chegado a um lugar que sempre quis e depois deixei em nome de voos maiores. O fato é que todos que disseram que as portas estariam abertas, me fecharam quando eu quis retornar. Mas tudo bem, ainda acredito nos desígnios de Deus e do destino e tenho certeza que se abrirá um caminho maior agora.

Foi muito bom receber o carinho dos amigos, nessas horas a gente vê quem são. As pessoas que prometeram as portas, sequer tiveram coragem de mandar um “boa sorte”, mas talvez seja menos hipócrita assim… E também sou capaz de entender seus motivos.

E eu tinha deixado de ser a pessoa querida e simpática que eu era nesse ambiente, tinha virado ranzinza, com um certo “ranço”. E quando via algumas injustiças, me sentia cúmplice. Pode parecer bobagem, mas é como eu me sinto. Podia nem ser comigo, mas mesmo assim eu não conseguia deixar de me espantar. Graças a Deus não perdi essa capacidade!

E a opinião de um pequeno grupo de pessoas não é a verdade. Como disse um amigo, eu que estava precisando demitir essas pessoas da minha vida.

Eu sei que estou num momento tão bom da minha vida que isso não me abalou, pelo contrário, estou bem entusiasmada com as possibilidades. Acho que é hora de parar de ter medo dos sonhos e finalmente ir vivê-los. O mundo me espera!

Abaixo uma mensagem do Fernando Pessoa que recebi da minha querida amiga Mônica. Linda, foi a única coisa que me fez arrancar umas lágrimas, mas mais de alívio do que tristeza. Há tempos elas deixaram de ser minhas companheiras.

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final… Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu…. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora… Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida .Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”

Eu aprendi a me desprender de pequenas coisas que me faziam sofrer caso perdesse. Também aprendi a parar de entender porque as coisas acontecem, principalmente em relação aos relacionamentos. Acho que essas duas lições é que me permitem ser feliz agora.

O exquisioTeorias virou objeto de estudo do mestrado de Comunicação da UFRGS. Uma das meninas do PPGCOM que divide apartamento com minhas amigas Gi e Mônica está fazendo sua dissertação sobre blogs. Ela teve que fazer um mini projeto e através de uma lista do professor Alex Primo, que mapeou os blogueiros de Porto Alegre, escolheu este blog.

Após fazer uma extensa pesquisa nos posts e comentários e estar com o trabalho finalizado ela encontrou essa foto aqui e pensou: acho que eu conheço essa menina. E chegou para a Gi (que também tinha várias referências nos posts) e perguntou: “A Fernanda é a Guria das Teorias?”.

Acho que nos conhecemos no meio do processo, a professora aceitou o trabalho dela mesma assim e descobri a história num almoço na casa dessas meninas que me acolhem de vez em quando.

Adorei saber que minhas exquisio teorias e ideias estão inseridas dentro de um contexto acadêmico e que faço parte do “censo” do professor Alex Primo. Só falta saber quem é você que me lê por trás das estatísticas…

Notei que tenho aproveitado ao máximo as madrugadas dos meus findis, não só porque já trabalhei em muitas, mas também porque o príncipe não vira mais abóbora a meia-noite.

Não dá nem vontade de comentar, mas desde que estava na faculdade eu convivi com esse fantasma da não obirgatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista, a profissão que escolhi para mim.

Na época em que várias liminares saíram o motivo era que o diploma foi instituído na época da ditadura, mas agora um argumento mais ridículo ainda: a liberdade de expressão. Em tempos de internet, blogs e afins, quem é que não consegue se expressar. Pelo contrário, as pessoas chegam até estar saturadas de tanta opinião. E o pior é que não é para especialistas em economia, política e diversas áreas que isso vai abrir portas, mas para pampaquetes da vida, modelo, manequim e jornalista…

Eu cheguei a fazer o registro precário, quando estava valendo uma das liminares, mas claro, porque eu não iria abandonar a faculdade de jornalismo e poderia fazer algum freela de diagramação. Na verdade nunca cheguei a usar, mas o mais espantoso é que na época, se quer precisei provar que era alfabetizada, nada. Não foi pedido nenhum comprovante de escolaridade, nada. Eu podia ser uma jornalista e analfabeta. Espero que pelo menos isso tenha mudado. Isso é o mais ridículo e claro, as empresas que contratam profissionais sem formação. E olha que tem, das grandes. Normalmente são estudantes de comunicação (pelo menos isso).

Mas eu já andava desanimada e ontem quando acordei e vi a notícia na tevê eu senti que tinha colocado dinheiro e anos no lixo. Sim, porque eu fiz uma faculdade que não é preciso fazer! Já pensei várias vezes em fazer outra graduação e estava achando que era perda de tempo, que era melhor fazer uma pós, mas em comunicação? Agora acho que voltar para a faculdade não é mais andar para trás. Os ministros do STF me mostraram que andei para trás no dia que saí da faculdade!

E se não consideram nossa profissão como risco à vida, por exemplo, esperem para ver a catástrofe mundial que pode gerar uma notícia falsa… o mercado financeiro sabe bem o que especulações provoca… e as coisas podem ganhar sim proporções mais graves.

Não dá para dizer que Obama é do tipo que não mata nem uma mosca…

Barack Obama é eleito o novo presidente dos EUA. Estou aqui acompanhando na CNN, Globo News e Rádio Gaúcha. Espero que ele seja mesmo a mudança, é quase que uma esperança de renovação política não só para um país, mas para o mundo.

No meio da multidão no Grant Park em Chicago procuro um rosto… e não é o do novo presidente americano.

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Aí vai o vídeo:

São 3h37min e estou esperando exportar o vídeo que fiz como trabalho final do curso de Jornalismo 2.0 para então ser publicado. Não dormi nas últimas noites num embate para conseguir editar o vídeo. Produzir e editar foi relativamente fácil, no meio disso é que complica. A novela, ou melhor, minha saga, está descrita aqui.

E nisso, mais uma para a série “Eu estou ficando velha“: eu já sou um dinossauro da informática! Sabe quando a gente vê que as pessoas mais velhas não entendem algumas coisas ou não tem manha? Pois eu estou assim para a era multimídia! E já fui referência, quando era estudante como os colegas que pentelhei para conseguir ir até o fim com o trabalho, eu sabia várias coisas! No Correio do Povo, além de tratar fotos (no Photoshop 4.0!!) eu dava suporte técnico para a redação de vez em quando! Mas também, eu sou do tempo do Dos, dos cursos de IPD – Dos, do Windows 3.11.

Bem, como tinha dito aqui, uma das tarefas do curso online que estou fazendo era criar um blog. E então, meu segundo blog é o Jornalismo 2.0. Ainda não postei por lá, nem personalizei a barra, mas quem se interessa pelo assunto, pode acompanhar nossas discussões do curso. Quero ver se depois continuo mantendo para colocar o que encontrar de interessante por aí sobre o assunto.

Esses dias, conversando com meus colegas de trabalhos que são estudandes ainda, me diziam que tinham pensando em colocar a música do TV Colosso nesse vídeo. Aí começamos a cantar: “ele é um colosso, eu não largo o osso…” e um deles dispara:

– Fernanda, tu era criança nessa época?

Não contente em me sentir uma velha com essa, outras meninas estavam comentando sobre modas passadas e aqueles absurdos que usamos na adolescência, perguntei se elas pegaram a época do redley com fita taipe, me olharam incrédulas. Nem sabiam o que era isso!!!!

O tempo passa… logo, logo os 30 batem a porta… já tá batendo nas pessoas a minha volta.

(Resolvi pesquisar agora e descobri que eu tinha 12 anos quando começou o TV Colosso e 15 quando terminou… é eu não era mais criança, estava entrando na adolescência e já trabalhava quando ainda o programa se passava!)

Eu estou ficando velha 1

Uma das coisas boas é que neste domingo, comecinho da semana, fiquei sabendo que fui selecionada para o curso à distância Jornalismo 2.0 do Knigth Center for Journalism, da University Of Texas At Austin. Dos 180 inscritos, estou entre os 30 que cursarão. Comigo, alguns colegas e ex-colegas de trabalho que durante um mês vamos aprender e compartilhar sobre esse novo jeito de fazer jornalismo. Ops, vi que a primeira aula já foi disponibilizada… Talvez isso me deixe ausente aqui por mais um tempinho… Mas devo produzir em outro blog para o curso. Enfim, espero não me afastar mais tanto aqui do exquisio…

Passou batido, talvez porque eu ande caindo pelas tabelas… Estou trabalhando de manhã agora, quer dizer, de madrugada. Entro às 7h. Quando eu chego na redação ainda está dando o Bom Dia Rio Grande… em compensação, se saio no horário, chego em casa e ainda está dando a Sessão da Tarde.

Trabalhei durante sete anos na tarde/noite/madrugada. No segundo grau fiz magistério e estudava de tarde. Tirando as aulas de manhã da facul que eu chegava hiper atrasada por trabalhar na madruga, faz muito tempo que não preciso acordar tão cedo. Ainda não consigo ir para cama antes das 23h e não durmo antes da meia-noite, rolo na cama. Mas tenho aproveitado muito melhor os dias.

Fiz minha estréia no blog coletivo da mulherada de Zero Hora: Toda Mulher

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Espraiarei minhas teorias em textos sobre o universo exquisio das mulheres por lá também. Visite, comente!

Saiu hoje no ZH Zona Sul um texto que fiz para a seção Eu e Meu Bairro:

Um vizinho especial

O Cristal é o segundo bairro que me acolheu em Porto Alegre. Quando vim de Sapucaia do Sul, morei no Centro, na Bento Martins com a Andradas. Dois anos depois, eu deixava a segurança dos quartéis, as facilidades do Centro, a torta de morango da padaria Andradas – difícil de encontrar em fevereiro, quando faço aniversário – , a Casa de Cultura, onde voltava a pé mesmo das sessões à noite, e o quarto do poeta, onde me refugiava em momentos de tristeza, para vir ao Cristal, onde vi o sol brilhar mais forte na primeira visita que fiz.

Mas trouxe um companheiro: o Guaíba continuaria sendo meu vizinho e parecia mais perto, já que o vislumbro do condomínio e só não tenho sua vista na janela porque moro no térreo.

No começo, foi difícil. Antes eu tinha tudo na porta de casa: bancos, farmácias, supermercado, padaria, shopping e praça. No Cristal, há contradições: ao mesmo tempo em que chego a pé num hipermercado, também convivo com armazéns, padaria de pão quentinho, locadora, o que lembra minha cidade. Na praça em frente às paradas de ônibus, um campinho embala o sonho dos moleques que querem jogar futebol e acolhe jovens que matam aula para namorar.

Se antes eu abria a janela e dava de cara com um estacionamento, hoje a paisagem são os gatos nas janelas e as árvores que dão medo em dias de temporal. E o único som que rompe a madrugada é do galo da casa ao lado.

Não há mais as exposições e o cinema da Casa de Cultura, mas logo teremos a Fundação Iberê Camargo, que para mim será uma segunda casa. Não tem o terraço da Usina do Gasômetro, mas um lugarzinho ali onde alguém fez uma passarela rio adentro onde sento de vez em quando para pensar na vida.

O Guaíba por essas bandas de cá é emoldurado por árvores, e não prédios. E quando a gente desce com o Icaraí pela rua, dá até poesia feita no ônibus: “Descendo a Pinheiro Borda / Gosto de ver o rio pela janela / inundado / como se não tivesse / rua do outro lado”.

Foi nesse bairro que vivi felicidades, obtive conquistas, montei pela primeira vez a minha árvore de Natal e passei a considerar que eu não moro sozinha, mas de fato tenho um lar. E foi aqui que o Guaíba passou a fazer parte do meu cotidiano. No Centro, eu estava mais perto dele, mas separada por um muro. Aqui ele é caminho, passagem e paisagem.

Agora fica explicado porque eu queria comer tal torta no meu aniversário!

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O meu aniversário foi ótimo, comemorei no Punta del Diablo. Adoro o lugar, mas o atendimento não é lá essas coisas e me aprontaram uma que na hora não reclamei para não estragar o clima da festa, mas emplaquei essa notinha no Informe Especial da Zero Hora de hoje. Boicotem as sobremesas do Punta del Diablo!

Bolo superfaturado
Aniversariante levou sua torta preferida para servir aos amigos na comemoração que fez em uma pizzaria no bairro Petrópolis. Como a casa tem sobremesas, aceitou servir o doce desde que se pagassem R$ 6,90, valor cobrado pelas tortas da casa. Resultado: a turma de seis pessoas gastou R$ 41,40 por algo que não consumiu. E o bolo de morangos da aniversariante tinha custado só R$ 29.

http://cosasminimas.blogspot.comPorto Alegre está completamente vazia. Todo mundo foi aproveitar o feriadão na praia, tomando banho de chuva e olhando para o mar cor de chocolate depois do baita engarrafamento para chegar lá.

Mas eu digo lugares onde você, se é que tem mais alguém além de mim nesta cidade, encontra pessoas. Fui no cinema no Guion Center e a sala estava cheia, tanto que cheguei na hora do filme, já estavam passando os trailers e foi difícil achar uma poltrona (peguei o final do trailer de O amor nos tempos do cólera, a tempo de descobrir que a música que eu gostara tanto na propaganda é da Shakira. Tudo bem, já fui fã dela. Mas porque diabos o filme é inglês?! )

Outro lugar em que se encontram mortais é na balança para pesar frutas e verduras no Zaffari da Lima e Silva. Sério, eu enfrentei uma fila! E até ajudei uma senhora a descobrir o que é aipo. Eu que não entendo nada de vegetais.

Voltei para casa antes da chuva. Aqui também está chovendo, só que o único jogo de cartas que conheço para uma pessoa jogar sozinha é paciência. Então melhor é ir ver os seriados na tv a cabo e os DVDs que aluguei no home. Pelo menos casa na cidade tem mais conforto que casa de praia.

Vi o exôdo inteiro da minha família. Pelo menos ele me manda mensagens de consolo, me dizendo que lá tá um saco também. Nunca mais digo que gosto de ficar sozinha ou peço para todo mundo sumir e me deixar em paz! Essa mágica, que muita gente já quis ver realizada, nunca aconteceu, mas já sei como é.

Lembro dos primeiros anos de faculdade quando via os jornalistas entrando ao vivo na Globo para mostrar o réveillon em diversas partes do Brasil eu pensava que um dia chegaria meu dia. Pois é. Por isso nem vou reclamar (muito). E pensar que estudei para isso! Se ainda pudesse dizer “quem mandou não estudar”…

Meu único consolo é que trabalhando na madrugada posso aproveitar o dia, porque ficar vagando na noite seria muito mais fantasmagórico e bruxuleante.

Ah, terminando de escrever esse post, abriu sol! Aí na praia não tem? Ah, que pena para você!

bruni.jpgAdoro a Carla Bruni. Faz pouco tempo que descobri a cantora, sim, cantora. Curto as músicas, sobretudo as em francês. Não sabia nada dela até então. Mas hoje, estampado em todos os noticiários o romance dela com o presidente da França, Nicolas Sarkozy!

E todos enfatizaram sua carreira de modelo, e assim ela será conhecida por acá. Mesmo sendo uma mulher bonita, ela se supera como cantora, mas muita gente nem vai saber disso, afinal só se veio a conhecer por aqui por causa de fofoca.

Para fazer justiça, ouçam Carla Bruni! Ela é muito mais que um rostinho bonito e um affair de alguém famoso. 

  

http://artistamuvek.blogspot.com/Já me queixei aqui dos meus natais e réveillons. Menos do que os finais de ano ruins que tive. Desse aqui eu nem contei o desfecho, mas faltou água, entrei o ano sem tomar banho e não fui na casa do meu primeiro amor (ainda bem, né?! porque isso era uma cilada total). Ano passado eu achei que seria o melhor réveillon da minha vida. Agora posso admitir para mim mesma que foi uma merda e que me senti muito mais sozinha do que todas as vezes que estive sozinha, além de que para isso acontecer, sequer tive um almoço de Ano Novo, pois eu estava num ônibus, voltando de Capão para Porto Alegre para trabalhar, porque ano passado trabalhei no dia 25 e no dia 1°. Achei que nada poderia ser pior, mas sempre pode.

Este ano passarei a virada de 2007 para 2008 dentro da redação, sozinha. Eu sabia! Estava com tanto temor que isso acontecesse que algo dentro de mim me dizia que seria eu. Acho que acabei atraindo, juntando as circustâncias de que nos finais de semana que trabalho sempre é na madruga…

Engraçado que nesses finais de anos chatos que tive, muitas vezes tive vontade de estar trabalhando, para ficar alheia a todas as felicidades fingidas e que de certa forma, invejava, a capacidade de fingir. E já que eu não podia estar na Times Square ou na Champs Elysées… enfim! Este ano eu não estava nesse espírito. Mesmo sem nada programado, estava vivendo a paz de não criar expectativas e mesmo que eu ficasse vendo o show da virada, não me decepcionaria.

A vantagem? Tem uma: não trabalherei no final de semana do Ano-Novo (metade da equipe vai se matar nos quatro dias para folgar nos outros quatro). Então farei três pré-réveillons: na sexta, no sábado e no domingo! Tin, tin!

E o Natal deste ano vai ser o melhor dos últimos, sei lá, desde quando eu acreditava em Papai Noel. Mas eu creio em compensação. Com certeza, 2008 tem tudo para ser um grande ano!

maquina.jpg

Mercè López  

Num domingo desses, uma das assistentes que trabalha comigo comentou: “como tu digita rápido!”.

Aí contei que eu fiz curso de datilografia (eu sou do tempo da datilografia!), que no curso que fiz, as teclas (eram teclas?) da máquina de escrever ficavam tapadas e um desenho do teclado ficava num grande quadro na nossa frente, por isso consigo digitar rápido e olhando para a tela. Preenchi muita folha com asdfg, o método usado nos cursinhos para usar os cinco dedos. Essa foi a parte que não aprendi bem, porque como meu dedo mindinho é torto, ele escorregava e trancava no meio dos ferros do teclado.

Nossa! Eu já tenho histórias para contar para estudantes de jornalismo que trabalham comigo. Eu era uma estudante de jornalismo até ontem, ops acho que já é anteontem. Eu trabalho com pessoas que nasceram depois de 1986! Eu, definitivamente, estou ficando velha!

media.jpgDepois de quase dois meses, finalmente chegou a tradução que encomendei de We the media, do Dan Gillmor.

Como o livro em português só tinha de uma editora de Portugal, tive que esperar ele ser importado e demorou mais que as seis semanas prometidas. Mas é a bíblia do jornalista de web 2.0. Com certeza vai valer a pena.

Sábado busquei ele na Cultura. Agora é arranjar tempo para devorá-lo. 

O dia 19 de setembro foi um grande dia e um dia grande!

Na terça fui para a redação ao meio-dia e saí de lá às 6h do dia seguinte. O tempo correu e a pressão de todos os lados: anúncios no jornal, jingle na rádio, o programa Brasil na Madrugada da Gaúcha acompanhou e entrevistou a gente. O site zerohora.com entrou no ar às 4h e quando o contador do site antigo marcou zero eu ainda estava publicando algumas coisas. Foi emocionante!

Quando voltei ao jornal de tarde, o site estava bombando, um sucesso! Tanto que novamente saí de lá só no dia seguinte, ou seja hoje.

O sucesso foi tanto que os mortos ressucitaram. Nesse mesmo dia recebi mensagens do meus três ex namorados. A do mais antigo, de seis anos atrás, veio endereçada pessoalmente para mim, dos outros foram indiretamente, mas ter que ler os três num dia só não foi nada agradável. Os três morreram para mim quando terminamos. Terminar nunca é uma coisa fácil, mas nenhum deles foi sincero ou homem suficiente para admitir o real motivo da separação. Eles me tornaram Carrie Bradshaw e Celine. Portanto, são todos páginas rasgadas, que hoje, amassadas e amareladas foram trazidas pelo vento.

Mas isso não abalou o meu dia. Meu chefe me perguntou se eu estava arrependida (afinal está sendo puxado) e eu disse que pelo contrário, estava feliz! Como disse no outro post, tenho feito coisas que nem eu imaginava ser capaz de fazer. Hoje meu nome tá lá na página três e quem quiser pode conferir minhas peripécias fazendo entrevista em áudio (pior que escutei agora e tem aquele típico erro de concordância no tu). Tem muito o que melhorar… mas quando nosso estúdio estiver completo faço com mais calma. Hoje tive que paroveitar uma folga no estúdio da rádio e fazer correndo.

Acho que ficando sozinha, e é preciso coragem para isso, que a gente consegue olhar de verdade para si mesmo. E cada vez estou me aperfeiçoando mais. Pois só quem consegue ficar consigo mesmo por um tempo é que consegue ficar com os outros. No mais, é só fuga. E quem foge de si mesmo não cresce nunca.

Agora que já não é mais segredo, a mudança anunciada aqui e o que venho me dedicando desde 1° de agosto é ao projeto que está saindo do papel, ops, que está entrando no ar, o novo portal da Zero Hora: o Zero Hora.com 

Sou uma das editoras de interatividades (que tem a missão de ajudar na integração online-offline) e de Leitor-Repórter (esse lance web 2.0. saca?). Um desafio! O medinho até foi passando com o monte de trabalho que estamos tendo. No Congresso de Jornalismo que tivemos sábado passado, os palestrantes da Innovation colocaram a web 2.0 como o top da comunicação e eu já apelidei a ilha que estamos trabalhando de ilha do futuro! Acho que me encontrei no jornalismo. Pelo menos o retorno que tenho tido me mostra que estou no caminho certo.

Prova disso é que coisas que eu não gostava na faculdade, agora me motivam. Até entrevista na rádio eu andei fazendo para o site. Ainda tenho muito o que melhor, por supuesto, mas eu estou fazendo, e adorando! Já me perguntaram sobre a possibilidade fazer tv, ué, vamos nessa, tô me sentindo total multimída, vejo nossa equipe quase como um RoboCop, cheia de equipamentos. Não vou trabalhar diretamente com os blogs, mas eles estão ali do lado e dou meus pitacos, graças ao exquisio.

O coletiva.net falou da gente hoje, colocou até um expediente da nossa equipe.

E a hora tá chegando! O relógio está em contagem regressiva!

imagem-037.jpgSábado rolou a festa dos 50 anos da RBS. Um festão. Foi muito legal.

Celebrei com os novos colegas, revi outros, até do tempo da faculdade. E não falei com todo mundo tanto quanto gostaria. Dos 5721, até que conheço um bocadinho de gente. Cantei não sei quantas vezes “Vida! É mentira é verdade…” E quase chorei com os vários telões dessa trajetória de 50 anos, da qual faço parte há quatro.

Mas depois que a bebida foi liberada, a festa rolou solta. Eu não me divertia tanto assim há uns dois anos. E nem bebi tanto, já que tinha que dirigir. Alegria por alegria!

Teve show do Jota Quest e eu e as gurias resolvemos nos aventurar e tentar chegar perto do palco. E conseguimos! Nos divertimos à beça. De sacanagem estipulamos o objetivo de tocar na mão do Rogério Flausino. Só uma de nós conseguiu… E de sacanagem a gente dizia: canta “Vida! É um grito de gol…” e não é que ele cantou?

Depois disso foi uma farra com todo pessoal da redação. As fotos estão aqui

E foi muito legal quando o Jota cantou Perfeição, do Legião Urbana (num trecho que tem a ver com esse momento):

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão

22h10min. Meu celular toca. Um número estranho. Atendo. Do outro lado minha amigona Gi. Essa gaúcha corajosa que se aventurou lá para Alta Floresta e agora está na capital do Mato Grosso. O sotaque é de longe o da nossa Porto Alegre. A Gi virou uma mulher da mata!

O motivo da ligação, uma proposta que mudaria minha vida radicalmente, tanto quanto mudou a dela. Ir trabalhar com comunicação na área ambiental láaaa onde ela está. Fiquei surpresa, disse não logo de cara, mas fiquei feliz por ela ter lembrado de mim. A Gi é dessas pessoas que em pouco tempo se torna família, e tenho certeza que me sentiria muito acolhida lá. Ela já sabia o que eu responderia, mas ligou mesmo assim, porque como eu acredita naquilo que sente e vai que… se fosse há um tempinho atrás, acho até que eu era capaz de considerar a proposta. A gente sempre tem aquelas vontades de fugir, fugir, largar tudo e fugir. Mas diante disso fiquei pensando o quanto sou urbana, corporativa, blergh! Espero um dia na vida largar tudo isso para cima e enfiar o pé na mata. E lá não tem inverno, foi o argumento dela.

Comovente a Cartas do Editor deste domingo em Zero Hora. Ainda na sexta-feira, quando meu chefe nos repassou o texto, chorei com as palavras do nosso diretor de redação sobre a jornaleira que morreu atropelada durante o seu ofício. Deixou para trás uma filhinha de quatro anos e fez vir à tona sua competência, o orgulho que tinha de seu humilde e importante trabalho e o carinho que adquiriu nas sinaleiras vendendo o jornal que ajudo a produzir e que como tantos aqui dentro, seguros, com ar-condicionado, muitas vezes reclamamos de ter de fazê-lo.

O texto fala também da função do jornaleiro, mais antiga que do jornalismo e lembrei da minha infância, quando minha mãe alimentava o sonho de comprar uma estátua de jornaleiro que vendiam no armazém da esquina. Lembro que ela fez um pacote (uma espécie de crediário ou consórcio), ela foi pagando aos poucos, e quando finalmente completou o valor, levou o garboso menino com uma pilha de jornais embaixo do braço para adornar a sala.

Acho que a estátua acabou sendo quebrada pelos meus primos, que estragavam tudo o que viam pela frente. Se não me engano, minha tia até deu uma outra, mas já não tinha o mesmo valor para minha mãe.

 Mais uma da série Vivendo no cativeiro:

É aqui que assistimos aos jogos de futebol, e é bem melhor do que estar em casa sozinha, porque não consigo gritar para as paredes. Aqui vibramos juntos, como hoje, com a vitória que levou o Grêmio a semifinal da Libertadores.

Mas o estádio está ali pertinho, dá até para ouvir os gritos da torcida tricolor…

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