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“Eh petite fille on est jamais deux a partir”…

Da música Au Port, de Camille.

Depois de ter revisto Before Sunrise, hoje revi Before Sunset… Outras inversões: eu sou a escritora (pretensa, bien sûr) e o lado francês é que é ativista ambiental, tanto ou mais que Celine. O fato de escrever me mantém mais ligada no romance, me faz mais otimista… Tem um pouco de Jesse dentre de mim também.

Eu ganhei um box de filmes do cineasta francês Christophe Honoré que chegou da França no fim do ano passado. Dans Paris eu já tinha assistido, encontrei por acaso em uma locadora. Romain Duris (o eterno carinha de Albergue Espanhol e Bonecas Russas) interpreta um cara que sofre visceralmente pelo fim de seu relacionamento. Gostei bastante do filme, da profunda dor do personagem principal e da leveza do seu irmão, interpretado por Louis Garrel. O primeiro filme que vi com este jovem e excelente ator, pelo jeito, preferido de Honoré, pois está nos três filmes que tenho.

Agora acabo de assistir Ma Mère. Embora tenha visto na língua original e sem legendas e sou uma iniciante no idioma, a qualidade e o peso desses atores para dar vida a esse Édipo consciente deixa claro a tensão sexual entre mãe e filho desde o começo do filme. Baseado no livro de Georges Bataille, Isabelle Huppert dá vida nas telas a essa mãe amoral e depravada. Digamos que não assisto nada tão chocante desde Irreversível, mas se antecipar aos fatos do filme torna a experiência menos escandalosa. No caso de Ma mère, acabei esperando por esse desfecho já que não acompanhei as críticas (o filme é de 2004) e Irreversível é um filme para qual se chega ao cinema com o estômago já preparado ou nem se vai até lá.

Encontrei informações sobre o filme nesse blog aqui, fala bastante de filmes deste diretor e franceses em geral. E quem escreve o blog já se encontrou com Garrel em Paris! Vou ver se acompanho para encontrar mais coisas nas locadoras que apenas clássicos.

Por que mulheres que não querem relacionamentos sempre são diagnosticadas, na vida real ou na ficção como pessoas que tem problemas com o pai, por causa do divórcio dos pais ou algo assim? Já a maioria dos homens não quer se envolver e isso é considerado uma coisa normal?

Após descobrir um filme francês na tv educativa, coisa que tem acontecido com certa frequência aos finais de semana, assisti ao documentário Love Interrupted (é possível ver online), sobre a história de dois casais que se separaram na juventude e se reencontraram décadas depois. Muito interessante e dá um certo aperto no coração saber que mesmo com amor duas pessoas podem não ficar juntas pelas circunstâncias ou pela distância.

Uma psicóloga entrevistada disse que quando alguém perde um amor ela nunca mais se reconecta com outra pessoa da mesma forma e até mesmo durante um casamento ela fica contida. Faz sentido para mim. Sempre pode haver o reencontro, como aconteceu aqui e nas histórias contada pelo documentário canadense.  Mas sempre fico com a sensação de que a gente tem que viver o amor agora, enquanto ele está acontecendo, embora tudo ao redor pareça impedi-lo. Por que décadas depois é mais fácil mesmo que ainda existam mais obstáculos, como estar casado e ter filhos? Será a urgência da velhice? Mas então os rompantes da juventude devem servir para nos fazer perder a razão, não? A diferença é que quanto mais velhos, mais donos somos dos nossos próprios narizes. Só pode ser isso. Ou com o tempo seguir seu coração parece mais racional que seguir sua cabeça. Je ne sais pas.

E  fica a música de um dos casais de Love Interrupted:

Quando vejo as notícias do que está acontecendo no Egito eu me lembro de um colega egípcio que tive no curso de francês que fiz no último verão europeu. O único egípcio que conheci até hoje. Um garoto de olhos verdes esmeralda. Não sabia falar inglês e a timidez de adolescente no auge dos 17 anos o impedia de tentar se expressar em francês. Será que ele ainda está em Marseille? Ou voltou para o Egito e faz parte desses protestos? Ou foi ferido em alguma manifestação? Acredito que, provavelmente, sua ilegalidade na cidade francesa o tenha mantido longe dessa guerra.

Ele não foi à França atrás de democracia. Como todo jovem tem um sonho: quer ser médico e parecia ignorar todos os percalços que iria enfrentar. Todos sabemos que medicina é um curso difícil e ele ainda teria que vencer a barreira da língua. Sua imaturidade e talvez ele seja realmente tímido, o impediam de se agarrar aquelas aulas como o primeiro e grande passo para conquistar sua profissão. Era o mais quieto dos meus jovens colegas. Os garotos afegãos não conseguiam disfarçar o entusiamo de dividir uma sala de aula com três garotas de cultura mais aberta, incluindo uma brasileira. Para mim era curioso o marido que levava a colega marroquina, que usava véu, até a sala de aula todos os dias.

E nunca vou esquecer da primeira vez que estando lá fora, senti que o Brasil é um país maravilhoso. Toda vez que pediam para falar dos problemas do país eu relatava a insegurança que vivemos aqui e isso impressionava os estrangeiros. Naquele dia fiquei até com vergonha de ter relatado isso, já que no Afeganistão eles não tinham escolha: ou trabalhavam para os americanos ou para os Talebãs e em ambos os casos isso poderia ser uma sentença de morte. O garoto egípcio e o argelino não conseguiam expressar que tipo de problemas os levaram a deixar os seus países, se limitaram a dizer que era por causa de problemas. Mas podemos fazer ideia, uma vaga ideia, na verdade.

Garotos, na certa um antigo ideal ainda os motivava: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Só não contavam que Solidariedade é palavra riscada do vocabulário capitalista. Nesses países em conflito, por mais problemas que tenham, as pessoas ainda dividem um prato de comida. E ainda lutam por liberdade. Um direito que, em pleno século 21, ainda precisa ser conquistado com certas barbáries.

“Mesmo nos piores momentos de minha vida nunca desejei deixar de ser eu mesma. Amo a minha história. Não me trocaria por ninguém. Gosto dos laços que fiz e desfiz ao longo da vida…”

Frase da psicóloga de uma amiga. Resume como me sinto. Embora muitas vezes sofra por ser eu mesma, por ser incompreendida, é isso, mesmo assim, não me trocaria por ninguém!

E amanhã volto para meu psicólogo, não sei nem por onde começar a tentar entender toda essa bagunça.

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