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É o quarto ano que acompanho a Feira desde a montagem das primeiras coberturas sob os jacarandás. Não que eu trabalhe na Feira, mas é o quarto ano que ela é, inevitavelmente o caominho por onde tenho que passar para ir trabalhar. Antes, era porque trabalhava no Correio do Povo, agora porque é o caminho casa-trabalho.

Este ano a cobertura das alas centrais não são as pirâmides dos outros anos, é uma cobertura reta e as folhas vão caindo e não escoam, já formaram um teto de natureza, muito bonito.

Sei que daqui mais uns dias vou me estressar de me atrasar porque as pessoas estão passeando pela feira e eu não consigo passar, mas respirar aquele ar cultural é muito bom. É legal saber que um evento de tanta expressão cultural chegou a 50º edição e que atraia tantas pessoas e popularize, de certa forma, um hábito tã saudável, que é a leitura.

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“Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia”

E. L. Doctorow, escritor americano

Longe de me comparar ao filósofo Jacques Derrida, mas a frase que ele usou para se descrever, bem serve a mim:

“Nunca conheci um homem capaz de tamanha alegria e intensidade. Nunca conheci, tampouco, ninguém tão irremediavelmente triste, abatido e melancólico.”

Se o cúmulo da solidão é dar boa noite para o Cid Moreira, e olha que ele nem mais apresenta o Jornal Nacional, cúmulo é assisitir duas vezes o Rock Gol de domingo, num mesmo domingo.

Não botei o pé para fora no final de semana, no máximo saí no corredor para colocar o lixo fora. Mas valeu a pena, a mono está na finaleira.

Vinha do trabalho na madrugada de sexta para sábado e enquanto passava em frente ao Guaíba no rádio tocava:

Foi pouco tempo

mas valeu

vivi cada segundo

Quero tempo que passou

Véspera de meu final de semana de folga, porém, esta sexta já como muitas outras, não tem mais a mesma expectativa que outrora tivera.

Depois de duas semanas, trabalhando no mesmo local todos os dias, hoje nos falamos. Ou melhor, recebi respostas de coisas que perguntei e trocamos um olhar, sem querer. Mas isto não é nada. Nada mais será o que já foi. Como diz Camões, num soneto que tenho lido quase todos os dias “onde esperança falta, lá me esconde”.

O amor é lindo? P. nenhuma. Ser amado que é lindo. Espero encontrar alguém que me ame DE VERDADE algum dia. E pode ser só metade do amor que eu sou capaz de dedicar pois sou muito intensa. Mas tenho que parar de querer pouco. Preciso de muito, muito amor.

Estou aqui na Universidade, daqui a pouco falo com meu orientador. Espero ter respostas definitivas e acabar logo com essa monografia de Trabalho de Conclusão de Curso. O coisinha chata…

Pois é, dia 14 está ai. Jurava que já estaria trabalhando durante o dia e poderia ir no show do Village People sem ter que trocar folgas com os colegas da noite. Não vou ir no show por falta de companhia, mas o que mais me deixa triste é realmente estar trabalhando de noite ainda. Por um lado joguei tudo tão para o alto que nada faz muita diferença. Mas tenho a faculdade… e apesar de não fazer muita diferença acho que será melhor para esquecer… Pelo menos não será tão dolorido sentir a indiferença.

Fui assistir a seqüência da saga da Noiva. Na verdade não é uma seqüência, é o Volume 2. Um filme com duração de quatro horas que foi dividido em duas partes porque este tempo não é aceito comercialmente. Isto fica claro, porque os créditos só aparecem no final deste. Bom, quem não assistiu e quer assistir, talvez seja melhor não ler a partir do próximo parágrafo, pois vou comentar livremente. Mas depois de assistir se quiser ler e comentar… pois quando saio do cinema tenho uma ânsia de falar sobre o filme e todas as coisas que ele me suscitou. O cinema é um dos poucos lugares que consigo ir sozinha, mas fico frustrada por não ter com quem conversar sobre o filme. E como eu queria que a mesma pessoa que estava ao meu lado quando assisti a primeira parte, terminasse de ver esta “dilogia” ao meu lado. Não seria mais do mesmo jeito, mas ainda assim poderia comentar todas as relações de sentido que encontrei e que agora que sento para escrever já nem lembro mais. E tenho certeza, que ele em sua mente semiótica teria tantas outras a acrescentar. Também somos da mesma natureza, como A Noiva e Bill. Quando olhamos a primeira parte, éramos capazes de jurarmos que ainda estaríamos juntos quando fosse lançada esta segunda. É, não sabíamos que o “pra sempre, sempre acaba”. Portanto, leia depois e se quiser comente alguma coisa comigo. Não será em tempo real como eu gostaria, mas já é alguma coisa.

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Quem gostou do esguicho de sangue da primeira parte e das muitas lutas vai se decepcionar. Tem sangue no V. 2 na medida certa, mas não sobrou lugar para o escracho e são menores as cenas de humor. Mas também não é isso que interessa, a gente quer saber se a “Mamba Negra” consegue kill Bill. A trilha sonora não é tão boa, ela faz referência às do V. 1, você acha que vai tocar aquela música, mas ela não se concretiza. E aquele som ensurdecedor do jingle de seriados de kung fu só toca uma vez nesta parte. Também descobri o quanto é feio o umbigo da Uma Thurman. Mas o filme não deixa de ter menos brilho, até porque você quer saber como vai terminar a matança desencadeada pela Noiva, e se pensarmos nele como um único filme dá para entender, e Tarantino o fez para ser um só.

No V. 1 o que permeava a trama era a filosofia das espadas samurais, desta vez é o treinamento de Pai Mei, o responsável por ter deixado Elle caolha. Fica-se sabendo o porque disso. E o treinamento que A Noiva realiza com este mestre a mim lembra Karate Kid. Mas foi uma homenagem de Tarantino a seus heróis de infância dos filmes de artes marciais de Hong Kong, da década de 70. E é interessante ver como esta personagem conquistou os seus mestres por sua determinação. Encanta também a taciturnidade da Noiva nos momentos certos, sem frases feitas e mostrando a grande coragem da mulher que busca comer seu prato frio da vingança. Já gostei do filme por causa disso. Ele começa dizendo que a vingança é um prato que se come frio e não tem verdade maior que esta. Depois disso aparece a cena da Noiva sendo baleada e Bill dizendo que se ela o considerava sádico, agora ele estava sendo masoquista. Se não me engano é isto, pois faz tempo que vi a primeira parte. E a segunda inicia exatamente do mesmo jeito, porém sem repetir o provérbio klingon.

A Noiva é enterrada viva, uma cena curiosa que com certeza mexe com a fobia de todo mundo. Uma cobra mamba aparece no filme e Elle descreve como ela é mortal, ou seja, quem é a personagem de Uma Thurman, o codinome não lhe foi dado a toa, e por isso também foi motivo de inveja, pois sua segunda vítima, a primeira a ser morta no V. 1 o queria para si. Mas a cena final e o modo como ela mata Bill é perfeito, sublime e ali se vê que ela ainda amava aquele homem. Afinal, os dois são da mesma natureza. Quando ela chega na casa dele e descobre sua filha e os três brincam como uma família feliz, uma mulher de coração mole como eu teria desistido da vingança e ficado com uma família completa. Mas Beatrix, sim este é seu nome, é determinada e corajosa. Ela mata o homem que ainda ama, mas ela tinha que fazer, afinal ele lhe deu um tiro na cabeça. Ato também cometido por amor. E a admiro por isso. Liquidou com quem a fez sofrer, embora ela também tenha provocado sofrimento.

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Devo adaptar isto para a minha realidade, matar seria esquecer, sim, devo esquecer e eliminar da minha vida aquele que amo, para então poder chorar, em seguida rir e dizer obrigada, obrigada e passar a viver uma nova vida, como faz Beatrix, num final não menos clichê.

“Vocês não fazem idéia de como eu agradeço essa vidinha idiota, mas um dia irão entender”. Assim termina o filme Beleza Americana, que acabo de assistir novamente. O personagem de Kevin Space narra o filme após sua morte, tipo Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis. Pois é sobre a minha vidinha idiota que vou falar. Na falta de quem ter com quem compartilhar estas baboseiras do cotidiano, então escrevo.

Sábado, meu único dia de folga na semana. E neste, que resolvi sair e ir ao cinema, a televisão estava cheia de filmes bons. Na Sessão de Sábado, que passa a tarde na Globo, sempre tem muita porcaria. Hoje, era O Show de Truman. Assisti uma parte enquanto me vestia para sair. Fui ver Kill Bill V.2 (depois falo sobre ele).

Cheguei em casa e a novela já tinha acabado, estava dando o jogo do Brasil x Venezuela, pelas eliminatórias da Copa. Pois bem, precisava jantar e na solidão, a TV é a minha única companhia. Na MTV estava reprisando mais uma vez o VMB e justamente da parte onde tinha parado de ver na sexta a tarde, mas não estava com saco para ver. Na Band, comercial, na TVE uma entrevista com o Ibsen Pinheiro, até queria ver para conhecer sua história que só sei de ouvir aqui e ali. Mas também não estava com saco. Coloquei então o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, que tenho gravado num CD, para me fazer companhia enquanto eu comia mais uma vez uma pizza. Como a minha realidade anda muito ruim, não é difícil que um filme ou programa de televisão me prenda… e assim assisti pela quarta vez esta obra do cinema francês, enquanto devorava uma barra de milka com avelãs… Terminado o filme, chorei é claro. Estou na idade da Amélie, encontrei o meu Nino, mas ele se foi. Não sei como foi com ela, porque o filme termina no início do romance, a parte boa, o que aconteceu depois, quem pode prever? E é por isso que gosto dos filmes. Se pudesse assistia uma atrás do outro, para viver num outro mundo, outra realidade. Este choro me levou ao que eu posso chamar de crise de abstinência, não de drogas, porque nunca tive coragem de usá-las. Teimosamente eu tento preservar a minha vida, embora ela nem sempre me de motivos para isso. Mas como bem disse o personagem de Beleza Americana, quando a gente morre acaba dando valor, então prefiro valorizá-la enquanto a tenho, embora isso seja um grande desafio. Tive abstinência de uma pessoa, que está bem viva e a dor não é menos pior por isso. Vontade de dar um abraço, sentir seu cheiro… Pois bem, passada a crise fiquei num estado de paralisação por um tempo. Quando saí deste transe, ligue a televisão. A não, antes disso ela desligou sozinha, não sei como. É certo que o cabo estava conectado no computador, mas o monitor já tinha entrado em stand by e a TV tinha ficado então com uma tela azul. Liguei então para ver se havia, por engano, mudado o horário programado para ela desligar. Mas não, lá estava 20h, e eram mais de 1h. Também quando saí a tinha desligado no botão e como isto o relógio fica zerado. Pois bem, eu sei que ela misteriosamente desligou sozinha e foi isso que me acordou. Então a liguei e estava dando Beleza Americana na TV, fiquei surpresa e comecei assistir. Mais um filme bom hoje e eu tinha perdido metade… Entrei novamente naquele mundo, e isso me faz bem, esqueço da realidade. Pois é, essa é a minha vidinha idiota. Espero poder agradecê-la por ela algum dia.

Somos impelidos a fazer o que os outros fazem



Todo mundo já notou que quando alguém boceja também sente vontade de bocejar, certo? Mesmo que seja alguém na televisão ou num filme fazendo isto. Risada também é algo contagiante. Eu mesmo já dei gargalhadas de ver os outros rirem sem nem saber o motivo.

Mas você já notou que quando tem alguém na escada rolante que começa a subir ou descer como se estivesse numa escada normal, as outras pessoas seguem e fazem o mesmo? Notei isto numa loja estes dias, e depois numa estação de trem. Eu não queria subir, afinal, escada rolante é para levar a gente, mas tive que fazer muita força para não seguir a pessoa que estava na minha frente e subir os degraus.

Será mesmo que temos impulso de fazer o que os outros fazem? Será que isto está ligado ao existencialismo? Só sei que os publicitários e quem dita moda entende muito bem disso.

Estava olhando posts antigos e nem tinha me dado conta que havia comentários neles… Olhava sempre pelos últimos e não nos arquivos. Gi, tem mais alguém que lê o blog além de vc. Químico duBar, valeu pelos elogios.

Existe uma diferença, não muito sutil, entre entender e aceitar. Já entendi. Mas não sou obrigada a aceitar. Ninguém tem o direito de pedir isto ao meu coração.

Perigo é ter você perto dos olhos

mas longe do coração.

“Ando tão a flor da pele

que qualquer beijo de

novela me faz chorar”.

Achei legal isto que o filósofo francês Jean-Paul Sartre pensa sobre o amor: “a união amorosa é um conflito incurável, já que assimilar a própria individualidade e a do outro em uma mesma transcendência implica o desaparecimento do caráter de um dos dois”. Mas não concordo. Embora assumimos um pouco o jeito e o gosto do outro, que geralmente já é parecido por causa das afinidades que unem as pessoas, o que ocorre é uma fusão de horizontes, como defende Gadamer na sua filosofia de hermenêutica. Porém, isto permite a expansão do meu horizonte, acrescento coisas novas, mas não me torno o outro. Se conseguíssemos compreender as pessoas a partir de seu ponto de vista e não apenas do nosso, as relações seriam bem mais fáceis.

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