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Quase 4 anos depois que escrevi esse post aqui o ciclo se fechou. Cheguei a Poitiers na noite de 24 de agosto último, passei todo o dia 25 lá e voltei no dia seguinte pela manhã. O suficiente para conhecer essa cidade universitária que é muito calma, praticamente vazia no verão. No roteiro: igrejas, igrejas. O Museu de Belas Artes vale a pena somente pela sala de Camille Claudel (uh la la, se encontra de tudo na internet, alguém colocou aqui fotos de todas as obras, eu respeitei e não fotografei).

Como são lindas e delicadas suas esculturas! O carro-chefe é a obra La Valse (ao lado), onde um casal dança num delicado movimento do bronze esculpido. Mas a escultura L’abandon me impressionou um pouco, pois retrata a dor profunda dessa mulher abondonada por Rodin, seu grande amor e mestre que a levou à loucura, no sentido mais literal.

Mas os caminhos que me levaram a essa ville são totalmente diferentes do que eu planejei. Naquela época eu tinha um amigo que morava em Poitiers, jogava na liga de vôlei da cidade. Como eu queria realizar o sonho de conhecer a Europa, iria para Espanha estudar espanhol e depois obviamente conhecer Paris e dar uma esticadinha até Poitiers já que teria hospedagem gratuita. Acabei não juntando grana suficiente, deixando outros acontecimentos da vida adiarem esses planos e enfim, vim para a Europa pela primeira vez no ano passado num roteiro completamente diferente: Londres para aprender inglês, Holanda e Escócia de visita, Marseille na França para aprender francês e acabei conhecendo muitos outros cantos da França, tanto no Sul como na região de Charente. Estive perto de Poitiers, mas somente este ano fomos visitar son frère que lá habita. E foram por caminhos completamentes diferentes que o meu fabuloso destino me trouxe à França. Na época do post um comentário se eu estava pensando em morar na França. Não, na época a ideia era só visitar. E vejam só no que deu.

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Antes eu dormia para esquecer.
Agora eu durmo para sonhar.

Avant, j’ai dormi pour oublier
Maintenant, je dors pour rêver

A vida é muito curta para jogar xadrez e ter hesitações.

Je suis revenu comme un étranger au chez moi. J’ai trouvé ma place et a dû quitter. Je n’habite pas en moi plus.

Quand vais-je pouvoir vivre avec mes propres choix?

Baixei o Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain sem legendas que é para treinar o ouvido para o francês e também porque fazia muito tempo que eu não revia o filme e meu DVD ficou no Brasil…

Ainda não fui a Paris, mas depois de estar vivendo há algumas semanas na França, reparei em outros detalhes que antes passaram desapercebidos. Não é só a delicada épicerie do monsieur Collignon, que só realizei agora, porque elas estão por todos os cantos de Marseille, com suas endives e melons (preparei um hoje e deixou um perfume por toda a casa…) Mas é também as cerises, compradas num cestinho, que a pequena Amélie usa como brincos…. e os fraises colocados nos dedos que adoro comer com chantilly fresco comprado na boulangerie.

É  também o letreiro luminoso indicando uma pharmacie, que aparece na cena em que Amélie senta na Gare de l’Est para ver o álbum do Nino pela primeira vez. Ah, a estação, bem parecida com a Saint-Charles aqui de Marseille onde se pega trem para todas as partes da Europa e também para pontos mais distantes da cidade, como quando Amélie vai visitar seu pai. As tabacarias nos cafés e bares. As velas acesas na igreja. O frango assado dos domingos. Le petit vélo encontrada na caixa de Dominique Bretodeau e o cavalo que corre… em meio ao Tour de France!

O Afeganistão, os marchés, as campainhas com os nomes das pessoas e os prédios antigos. O formato dos interruptores dos prédios, os vasinhos nas janelas, o prazer de quebrar um crème brûlée, os cinemas antigos, as escadas, as palavras pelas paredes…

Os carrosséis por toda a parte como se fosse um antigo sonho dourado no meio da frenética cidade para nos lembrar que um dia fomos crianças e tudo na vida girava lentamente ao som de uma música delicada.

E toda vez que passo por uma máquina de fotos eu dou uma olhadinha em volta para ver se não tem nenhuma fotinho rasgada aos pedaços…

Et cet amour muet…

P.S: Tentei com minhas fotos fazer um pequeno comparativo. Mas confesso que não me dediquei muito a ele, tirei uma ou outra no caminho que uso normalmente, outras do meu arquivo… Poderia exaustivamente explicar cada coisa nas imagens do filme. Mas só estando aqui, só conhecendo a França, e, acho que olhando o filme um zilhão de vezes, é que você se dá conta de cada detalhe. E claro, sendo alguém super observador como eu.

Não tem mais delícias. Fato. Desacostumei a ficar sozinha.

Vou ficar 10 dias sozinhas aqui na França e se passou só um dia e a liberdade de fazer o que se quer – dormir tarde, almoçar na hora do jantar ou ir no banheiro de porta aberta – perdeu um pouco a graça. Mas acho que todos os anos vivendo sozinha me ensinaram muito. Depois que a gente convive com nossas angústias e ais, se encara para valer, pode conviver com qualquer pessoa. E olha que em Londres foram com seis.

A maior evolução que tive na vida foi a que cheguei a conclusão no início do ano: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar. E como previsto lá, eu não precisava mesmo de agenda. Tudo muito imprevisível nesse meu ano ( e coincidência, botei Jorge Drexler para escutar enquanto escrevo. E a música que combina com a imagem ao lado: Nada es más simple, no hay otra norma: nada se pierde,
todo se transforma
).

Desde 2007, quando comecei a bolar um plano de vir para a França, eu tinha colocado no meu orkut como meu país de moradia. Aquele plano fracassou, mas hoje estou aqui! Por breve ou longo tempo, não sei, imprevisível, lembra? Mas sentindo a real vida francesa e não correndo com uma mochila nas costas para ver todos os lugares apontados como importantes num guia de viagem.

Ainda não fui aos lugares da Amélie, mas irei. Essa semana voltando para casa na madrugada após assistir show do Festival Mimi nas îles du Frioul, foi um velhote tocando acordeon na praça que me fez sentir na França da Amélie. Não era uma valsa, não era da Amélie, mas nós deveríamos ter dançando. Tem momentos que não se repetem na vida.

Eu ganhei a trilha do filme Le Fabuleux Destin D’Amelie Poulain e o DivX  com o filme de um ex-colega de trabalho. Ouvi muito aquele cdzinho gravado especialmente para esta fã que não parava de cantarolar as valsas do Yann Tiersen durante as madrugadas no offline. Depois com tantos mp3s e para não arranhar o CD no carro, acabou que as músicas ficaram esquecidas na trilha dos meus dias.

Aí agora, ouvindo algumas coisas em francês e comentando no twitter, minha amiga Gi baixou várias músicas da França e mais outras que seus colegas franceses de ONG compartilharam com ela. Como eu não tinha baixado ainda o que andava descobrindo, antes dela partir carreguei meu pen drive com essas canções e mais uma pastinha com a trilha do filme em mp3. E essa semana voltei a ouvir, no fone de ouvido, antes de dormir, porque eu não estava na minha casa para colocar em alto e bom som. Tentei achar no blog se tinha algum motivo para eu ter desistido de querer dançar a Valse d’Amelie, que para mim significa isso aqui. Não encontrei uma razão aparente, mas fiquei feliz com alguns enganos. Como ter achado que meu fabuloso destino já estava completo porque eu tinha encontrado meu Nino Quincampoix. Não era, e nem deveria ser se era para ser daquele jeito. Eu ainda não dancei a Valse d’Amelie. J’espère que merveilleux.

Les projets que je fais
Presque sans trêve
Les beaux soirs ou l’espoir
Berce mon rêve

(trecho de Si Tu N’étais Pas La, da trilha do filme. A música que o ceguinho escuta em uma vitrola na estação de trem)

Os sonhos que criei
Quase sem dar trégua
A bela noite ou esperança
Balança o meu sonho


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