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Na semana passada eu me lembrei de um personagem de filme ou livro que colecionava cartas de baralho que ele encontrava na rua. Pensei comigo, agora que estou em Paris, uma das maiores cidades do mundo, devo observar. Olha que na primeira vez que visitei a cidade até dei uma olhada para ver se não encontrava fotos rasgadas em volta das máquinas, como em Amélie Poulain. Em seguida mudei de ideia: “não, isso é história de filme, quem vai sair com um baralho no bolso e perder algumas cartas por ai?”

Porém hoje, quando saio do metro e estou subindo as escadas correndo, olhando para o chão, voilà! Paro um instante no meio da multidão para pegar uma carta de baralho! Eu viro: um coringa!

Todas as lembranças da semana passada voltam ao meu espírito. Não era em Amélie Poulain que eles colecionavam cartas. Talvez no livro O Dia do Coringa, de Jostein Gaarder? E bom, google me ajudou a lembrar: foi em Sex and the City, uma das minhas séries preferidas. Carrie conhece Jack Berger, um escritor charmoso que colecionava cartas encontradas pelas ruas de Nova York. No final do episodio ela encontra um valet, um príncipe, e pensa que é bom saber que eles estão por aí.

Eu encontrei um coringa, tenho todas as possibilidades pela frente!

La semaine dernière une pensée m’avait traversé l’esprit. Je me suis rappelé d’un personnage de  film ou livre que collectionnait des cartes de jeu qu’il trouvait dans la rue. Je me suis dit, « c’est marron ça, maintenant que je suis à Paris,  une des plus grandes villes dans le monde, il faut que j’observe ». Ensuite, j’ai pensé, « nan, c’est truc de film, qui va sortir avec un je des cartes dans la poche et perdre ses cartes dans la rue ?».

Aujourd’hui quand je descends du métro et je monte vite les escaliers en regardant le sol, voilà ! Je m’arrête un petit instant dans la foule pour ramasser une carte de jeu ! Je la tourne: un Joker !

Tous les souvenirs remontent dans mon esprit. Ce n’était pas en Amélie Poulain qu’ils collectionnaient des cartes. Peut-être dans le livre  Le Mystère de la Patience, de Jostein Gaarder, où l’histoire se déroule  autour d’un jeu de 52 cartes ? Et non, Google m’aidé : c’était en Sex and the City, une de mes séries préfères. Carrie connaît Jack Berger, un écrivain charmant que collectionnit des cartes de jeu qu’il trouvait dans les rues en New York. Dans la fin de l’épisode elle trouve la carte du Jack, qu’il a le sens du prince et pense qu’est bon savoir que les good guys sont là…

Bon, moi j’ai trouvé un Joker : j’ai tous les possibilités devant moi !

Acabo de falar com meu amigo, o amigo com quem há 5 anos tive essa conversa aqui, uma conversa bouleversante. A parada séria: um transplante de rins. Ele já tinha a mãe como doadora, mas precisava ultrapassar um outro obstáculo: físico e também psicológico. E  no último dia 14 ele fez a cirurgia. E daqui do meu plano, que tomou um rumo completamente diferente e muito melhor, falo com ele e tudo está bem. Tudo virá para melhor para ele também, uma nova vida se abre depois de tantas etapas, hora de fazer novos planos, Fábio!

Amadurecer é cozinhar todos os dias com o que tem na geladeira sabendo dosar para que tudo dure toda a semana.

Outros posts da série:

 

Post em tempo real, acaba de acontecer e estou surpresa! Meu interfone tocou, antes de eu atender ouvi o barulho da porta do prédio se abrindo, um outro vizinho abriu a porta: “é propaganda”, pensei. Mas abri a minha porta para ver o que era. Um, dois, três policiais entram no prédio. Primeira coisa que se passa na minha cabeça: bom tá tudo certo comigo, sou legal aqui.

Aí vejo que eles começam a conversar com os vizinhos do térreo e entendo o motivo da “visita”. Desde o fim de semana, quando o vizinho comprou uma lixeira de compostagem, ele vem fazendo “churrasco de folhas”. Queimando as folhas das árvores que caem no jardim. Estamos no outono aqui, apesar do calor de verão que ainda faz durante o dia. Algum outro vizinho ao ver ou sentir a fumaça, chamou a polícia, bem e eles vieram atender o chamado.

No Brasil quantas vezes sua casa foi assaltada e a polícia esteve lá?

 

Ano passado eu fiquei três meses na França e não aprendi francês. Fiz um mês de curso intensivo numa pequena associação que tinha como objetivo nos colocar a falar a língua, que é a parte mais difícil do francês. Mas naquela época até entender era complicado para mim, quando estávamos entre amigos, aquela conversação toda parecia uma massa só de palavras, sem pausas, sem emendas e minha cabeça desligava ou eu ficava numa conversa paralela em inglês.

Aprendi o básico, mas insisti no inglês, até porque teve uma vez que fui comprar crédito para meu celular e tentei pedir em francês e ouvi: Do you speak english? (ninguém acredita quando conto essa história, já que os franceses tem fama de não gostarem de falar outra língua). Derrota total! Sem contar que todos os dias eu ia na boulangerie, pedia “une baguette” e lá vinha a pessoa com três! Como se une é bem dieferente de trois??! Acontece que pronunciar esse “u” com biquinho e tem o “u” sem biquinho, não é tão fácil quanto parece. Ah e claro que teve mais de uma vez que eu perguntei se a pessoa falava inglês, ela respondeu yes e depois continuou falando tudo em francês.

Resumindo, meu inglês que desenvolveu pouco em Londres em 3 meses morando com brasileiros, desenvolveu mesmo na França, onde eu acordava e dormia falando inglês. Que aliás, pode se tornar uma língua maldita quando você está em qualquer outro país tentando aprender outra língua, pois afinal, tem sempre algo a recorrer.

Ao voltar para o Brasil parece que então minha cabeça estava pronta para aprender français, não sei explicar como, mas comecei a fazer exercícios mentais pensando em francês (coisa que eu fazia quando comecei o inglês), assisti a todos os filmes em francês que tive acesso e quando o semestre começou, entrei num curso regular, com aula uma vez por semana, mas já no teste oral me saí bem, consegui entender tudo, tudo mesmo que a professora falou e consegui falar também. Fui para o segundo nível do básico porque tinha muitos tempos verbais para aprender além do presente, mas a professora sempre me incentivava a falar bastante na classe porque os outros colegas falavam pouco, já que não tinham tido uma experiência em países francofônicos.

Neste verão europeu, retornei a Marseille e parece mágica eu poder entender quando as pessoas se dirigem a mim, poder falar, mesmo ainda com dificuldade ou pronunciação incorreta, manter uma conversação com meus amigos (mesmo que eu não entenda 100% das palavras), falar ao telefone, ainda que um pouco nervosa. Mesmo até pedir um sorvete, uma informação na rua, ou melhor, até já dei informação na rua!

E recebi uma amiga brasileira aqui e entre franceses não conseguia mais falar muito em inglês, preferia falar em português com ela e traduzir para o francês, porque minha cabeça agora quando pensa numa outra língua escolhe primeiro o francês. Mas no começo não era bem assim, pois a primeira referência de língua estrangeira que eu tinha era o inglês e um dia na aula eu disse “Je can”! E o engraçado que após aprender uma segunda língua, não faço mais aquele exercício de pensar em português, traduzir e depois falar. Com o inglês era assim, depois ele saía direto. Com o francês já saiu fluindo. Já o espanhol, ah esse se foi. Não consigo mais articular nada além dum hola, que tal…

Sabe aquela cena do filme Amélie Poulain em que ela atravessa o ceguinho e vai narrando tudo que acontece ao redor? Quando ela o deixa ele está iluminado, como se pudesse enxergar. É assim que me sinto desta vez. Claro que não sou ingênua, como o cego que não voltou a ver, também sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Aprender a gramática, pronunciar bem as palavras, desenvolver bem as frases, aumentar o vocabulário… Mas saí do Brasil no nível básico e cheguei aqui num nível já intermediário. E o melhor foi o “bravo” de meus amigos.

E revendo essa cena, outros detalhes que ficaram de fora no post Na França de Amélie: as provas de melão na feira, o poulet rôti (frango assado), as charcuterie, espécie de açougue que só vende produtos a base de carne de porco. Ainda preciso descobrir le Pierrot Gourmand.

*Ver, ouvir e falar

Em homenagem a todos estudantes de francês! En l’honneur de tous les étudiants de français!

*

Foto tirada no ” Le Panier”, vieux Quartier de Marseille, o bairro mais antigo de Marseille

* Fale mais alto

Depois de seis dias sozinha naquele modus operandi: dorme tarde, acorda tarde, hoje acordei mais cedo, fiquei lendo um pouco na cama com a janela aberta (adoro), tomei meu café da manhã tranquilamente e fiz várias coisas que rendem vários posts. Era feriado na França, 14 juillet, comemoração pela Queda da Bastilha, eu não tinha aula.

Assisti ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain com um outro olhar, fui à praia, assisti Sex and the City 2 e assisti ao fogos de artíficio no Vieux-Port  em Marseille pela importante data nacional na França (comentei no meu twitter).

Hoje lembrei de levar meu mp3 para praia e a trilha não poderia ser melhor e mais mulherzinha: começou com Beatles e a música que disparou na minha cabeça quando cheguei a Liverpool e ficou comigo todo tempo lá: I need you (e não é à toa que era a primeira do play list). Depois veio U2 com All I want is youEverlasting Love. Julie Delpy com An Ocean ApartJe T’aime Tant. Jason Mraz & Colbie Caillate e a fofa Lucky. Michael Bublé com Everything. The Temper Trap e a doce Sweet DispositionHere comes your man, cantada pela Meaghan Smith, There is a light that never goes out, do The Smiths. As francesas Camille com Ta douleur e Anaïs com Mon Coeur, Mon Amour.

E por fim a música que me fez esquecer todo resto, era só eu, o sol,  o mar, e meus pezinhos remexendo a areia numa leve dança, porque eu não consigo ficar parada:

Essa música entrou para a lista daquelas que ouço mil vezes, como as citadas acima. Em Londres eu dançava nas escadas do tube, aqui danço na praia. A companhia da música foi bem melhor que da outra vez em que dormi no sol escaldante da Provence e quando acordei era um falatório em francês que bateu aquela sensação: quem sou? onde estou? onde está wally?

Uma vez escrevi sobre o que seria um domingo perfeito para mim. Mas no dia 16 de maio tive um domingo tão gostoso que me fez relembrar o que escrevi e ver que eu podia ter um outro tipo de domingo perfeito, e dessa vez não idealizado, mas sim realizado!

Ele começa igualzinho ao outro, a diferença é que é um café da manhã francês com baguetes e várias misturas deliciosas além de croissants, brioches…

Depois fui para uma feira em Gardanne onde compramos comidas frescas para  almoço e doces como macarons. O almoço foi num sítio de plantação de uvas. Em frente da casa (foto abaixo), com uma toalha xadrez verde na mesa coberta de delícias para o apéro como baguetes, pastas de oliva, azeitonas, legumes frescos, pastis, vinhos e mais vinhos… e a vista, para nada mais nada menos que a Montagne Sainte-Victoire, imortalizada em diversas obras de Paul Cézanne.

Depois do almoço e dessert (claro, porque isso não pode faltar), uma caminhada pelo campo até ficar de frente para a montanha. Subi num morro menor a frente, ventava muito, mas deu para fazer uma bela panorâmica da principal inspiração de Cézanne.

O dia foi tão bom, que nem lembro o que fiz depois. No retorno do sítio deixamos uma amiga na estação para retornar para Paris, depois não lembro mais. Mas uma coisa eu lembro, de ter passado o dia curtindo cada momento e pensando: agora estou vivendo um domingo perfeito.

fafffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff

ffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff fajfajfçajfçaçfaçlfçalfçaç

gaglkajgkajkjgklajgajlgjakjg

Depois de começar a falar sozinha, hoje me peguei falando comigo em voz alta em inglês…

Sempre fui de empreitadas, na escola participei de mutirão de pintura das salas de aula, da criação do conselho escolar. Ajudei, junto com mais três amigas, a erguer todinha de novo a biblioteca da nossa escola do ensino médio, desde separar e catalogar os livros, pintar móveis, fazer fichas até atender os alunos. No meu último emprego participei do nascimento de um novo e importante site de notícias. Nos últimos meses no Brasil trabalhei com meu pai e fizemos a reforma na loja matriz, empreitada grande desmontar e montar tudo de novo. Agora aqui em Londres me candidatei para um trabalho voluntário numa galeria de arte. Chegando para a entrevista, o espaço ainda estava fechado. Lá fui eu ajudar na montagem. Desde o letreiro da fachada, mailing, arrumação das máquinas do café, design de posters… e hoje, quando só eu de voluntária estava lá, o espaço finalmente foi inaugurado! É legal fazer parte de alguma coisa desde o começo, a gente se envolve mais. E trabalhar em Brick Lane é muito legal! Hoje acho que foi o dia que mais vi gente de todos os tipos…

Pois é, há dois dias fez um mês que cheguei nessa terra onde as pessoas não se vestem, se fantasiam. Hoje cozinhei pela segunda vez. Na semana passada fiz uma lasanha para uma visita, hoje fiz carne moída para montar wraps, ficou tri bom. Fora a minha inconfundível receita de miojo com molho de atum que rola de vez em quando. No mais é o bom e velho café, breakfast no jantar com minhas duas novas manias: pancake e coleslaw.

Hoje consegui entender uma mensagem inteirinha pela primeira vez dos alto falantes da estação do tube… E Londres tem me ensinado a ser paciente e moderada. Em outras épocas eu compraria tudo que visse pela frente e tenho evitado de ir até na Primark. Prova da minha moderação é que tenho uma garrafa de champagne, champagne mesmo, da França, na minha geladeira e ainda não abri!

Antes a minha visão do mundo era estreita e meu mundo particular se resumia em um apartamento.

Hoje ampliei os horizontes e meu mundo particular se resume em uma cama de solteiro.

A temperatura subiu hoje um pouco mais, não sei quanto foi exatamente, cerca de 16ºC. Eu saí de manga comprida fininha e de noite até de vestido com meia-calça. Mas tinha gente já de manga curta, bermuda, sandália… para quem mora aqui, os primeiros sinas de primavera já é quase como se fosse verão, ainda mais depois de um inverno bem rigoroso. Olha como ficaram os pubs em Covent Garden:

Pessoas nas calçadas, dentro dos pubs só os casacos… a caixa de correio virou mesa de bar.

Falando em bebidas, hoje pela primeira vez procurei bebidinhas no super. Achei garrafinhas de espumante por um pound e pouco, garrafinhas de vinho fáceis de abrir e o melhor, tem Jack Daniel’s com coca-cola e rum com coca-cola em latinhas!

Ontem eu cheguei em casa e sentei com o laptop na sala. Liguei o rádio, fiz um lanche. Igualzinho quando eu morava sozinha em Porto Alegre. A diferença é que lá eu ligava a televisão e aqui eu não moro sozinha, mas sim com mais seis pessoas. Três são gaúchos, então no meu primeiro findi teve churrasco e chimarrão. E nessa semana temos mais dois moradores, os pais de uma colega. Aos poucos o pessoal foi chegando e ficamos batendo papo. Nem sempre isso acontece, tem dias que nem vejo as pessoas. A convivência é bem pacífica e nem tem fila para tomar banho. Já me sinto bem adaptada à casa e aos poucos à cidade, essa big city que parece tão pequena com suas clássicas casinhas. Não andei muito ainda pelo meu bairro, que mais parece a Indía, tem mais lojas de saris do que de roupas ocidentais. Vou mais até a avenida principal e me limito a chegar a estação do tube ou o supermercado. Mas saio todos os dias e tirando as diferenças do Brasil, de resto é como se eu estivesse em casa. Nunca pensei que eu pudesse me adaptar tão facilmente a uma mudança tão grande. Claro que estar rodeada de brasileiros facilita e ao mesmo tempo atrapalha. E como tem brasileiro em Londres! Sempre se encontra por tudo que é lugar.

Nos primeiros dias tudo é novidade, eu mandava e-mails para a família e amigos contando detalhes de como são as coisas aqui, como os caixas eletrônicos serem na calçada, os carros poderem estacionar de ambos os lados se a rua é de mão dupla, o transporte é o que há de mais caro, mas muito eficiente, bem mais que o trânsito, por isso não sinto falta nenhuma do meu carro. No meu primeiro dia no tube era aquela tensão, em pé em frente a porta cuidando cada estação. Depois eu comecei a sentar e ler o jornal free que tem no metrô. Hoje até voltei cochilando. Eu saio bem cedo de casa para ir para aula e a central line é muito lotada, mas muito lotada, mas aqui funciona o esquema das pessoas esperarem quem está dentro sair do vagão para entrar, ficam do lado direito da escada rolante e o que mais digo é sorry, porque se alguém mal encosta em ti se desculpa. Coisas pequenas, mas é nelas que sinto grande diferença e gosto de viver aqui. Sem contar a segurança. Tem coisa melhor que poder sair de noite e voltar para casa sem se preocupar? E voltar de metrô ou ônibus…

Uma das coisas que eu achei que me deixaria muito de mau-humor é o clima. Eu não gosto do inverno e sempre odiei chuva. Pois aqui chove todos os dias, sem exceção. Já acostumei a nem usar guarda-chuva, coloco uma boina por causa do óculos e pronto. Em caso de chuva forte até uso, mas preciso logo de um casaco impermeável com capuz que daí não carrego mais o guarda-chuva mesmo. E tem lugares de roupas muito baratas aqui, comida no super também é barata e tem muita variedade de comida congelada e boa, coisas que a gente não encontra aí.

Nesses 10 dias eu vi um russinho e um chinezinho muito fofinhos no trem que me fizeram sorrir. Já vi gente vestida de tudo que é jeito e ninguém repara nos outros. Isso é outra coisa boa daqui. Nenhum inglês foi mal educado comigo, sempre tive ajuda quando precisei, coisa de até me acompanharem até a esquina para me mostrar onde fica o que eu estava procurando porque eu não entendia bem o que eles diziam. Vi no metrô umas meninas fantasiadas de animais indo para uma festa e ninguém dava bola. Até que um cara entrou e pego de surpresa começou a rir e logo pediu desculpa, mas todo mundo se divertiu com a situação. Aliás, o tube na sexta-feira é muito animado porque todo mundo está indo para a festa. Fiz amizades que ainda parece que estou lá em Poa com as gurias. Eu vi um pai puxando a filha por uma coleira, um mendingo atirado num dos corredores das estações do metrô com duas latas de cerveja em volta e rindo à toa e já consegui fazer piadinha com os ingleses.

Ainda não visitei todos os pontos principais, mas estou fazendo com calma. E no Big Ben e na Tower Bridge quero voltar de noite. O Palácio de Buckingham achei bem chinfrinho. Ainda não vi a troca da guarda. Já fui na The National Gallery e vi muitos, mas muitos dos quadros que estudava em slide na aula de História da Arte, inclusive os girassóis de Van Gogh, obra do do Degas, Cézanne, Monet, Renoir, Klimt. Tem muita obra acadêmica, que não gosto muito, mas não posso deixar de dizer que fiquei impressionada em como a pintura parece real de um jeito que a fotografia nunca vai conseguir traduzir. Também fui na exposição The Real Van Gogh, The Artist and His Letters, na Royal Academy of Arts. Impressionante! Tem obras de museus do mundo todo, inclusive do Museu Van Gogh, de Amsterdã, e algumas obras de coleção particular. Tem desenhos e mesmo neles tem uma luz que na pintura é incrível de um jeito que só Van Gogh fazia. Sem contar as pinceladas e nos tons dos azuis apaixonantes. A exposição é paga, não é muito barata, e todo dia tem filas enormes. Não sei se são só turistas ou se realmente as pessoas se importam. Mas fica todo mundo calmamente andandando praticamente em fila para ver as obras e não dá confusão. E vi algumas esculturas com os belos movimentos de Rodin no museu Victoria and Albert Museum. Ainda tenho que voltar nesses lugares porque é impossível ver tudo num dia só, sem contar outros mil lugares para visitar ainda.

Londres é multicultural e por isso é um pouco difícil ter contato com a cultura inglesa, ainda não me sinto em completa imersão. Mas passado o perído de adaptação, esse é meu próximo objetivo.

Ainda não deu tempo de escrever aqui, mas só posso dizer uma coisa: minha primeira semana em Londres foi muito intensa e ao mesmo tempo easy.

Parece que já moro aqui há um tempão, já fiz muitas amizades e estou amando viver aqui. Eu volto pra contar com mais calma.

Na primeira vez que fiz vestibular na UFRGS eu tinha 18 anos. Agora aos 28 anos fiz de novo. Não estudei nadinha e fiz festa, muita festa, nos meses que antecederam as provas. O resultado foi o mesmo: não passei.

Da primeira vez foi para Letras, agora História da Arte. Na outra vez eu fiz 6 meses de cursinho, pois fiz magistério e fiquei sem ver quase tudo que se aprende no ensino médio: não tive história e nem geografia e muito pouco das exatas.

Passados 11 anos, muitas diferenças. Desta vez não li nem as leituras obrigatórias (e ainda acertei 15 questões de literatura)… Lá em 1999 eu morava em Sapucaia e meu pai me levou todos os dias para Porto Alegre. Como eu fiquei em uma escola no Partenon, no primeiro dia, com medo de não encontrarmos o local a tempo ou ficar presa em engarrafamentos na BR-116 e nas proximidades da escola, fiz meu pai sair tão cedo que chegamos antes de todo mundo, até das provas. Não tinha monitor, nem candidato, ninguém. Era para chegar às 8h e chegamos pelas 6h… Dessa vez eu moro na Capital e tenho carro e me colocaram numa escola há uns 6 quilômetros da minha casa, bem perto. 

Da outra vez tinha cerca de 5 por vaga, nessa 8. Só que para Letras, tinha gente na minha sala que estava tentando há anos em outros cursos mais concorridos e estavam super preparados. Desta vez, fiquei numa sala com muita gente mais velha, até uma senhora de 60 anos que achava que tudo era coisa do governo, até o tema da redação. Tinha pessoas legais, seriam bons colegas. E como o curso de História da Arte é novo e no RS serve mais para hobby do que profissão, tinha gente de várias áreas, inclusive da História, para nos dar um banho na prova.

O clima de vestibular é muito legal. Eu chegava e me sentava na calçada com a galerinha, na sala de aula todo mundo parecia colegas de colégio, daqueles de anos. Porém no quadro tinha o link para consultar o gabarito. Da outra vez eu acompanhava no rádio mesmo: A, de Argentina, B de Brasil… E de Equador…

Quando adolescente, eu era acostumada a não tomar café da manhã. No primeiro dia fiz isso e chegou uma hora que eu só pensava em comida durante a prova. E ainda fiquei sem água porque levei uma garrafinha que não era transparente.

Dessa vez também não sentei bem na frente, como quando eu era CDF. Na prova da Unisinos (onde passei para Jornalismo na primeira vez) os monitores ficaram conversando e me atrapalharam. Aprendi a lição.

Neste ano tinha duas línguas estrangeiras: espanhol e grego, sim, a prova de física era grego para mim. Não hesitei em chutar tudo numa letra só, o problema é que tentei resolver algumas questões e justo essas tinha como resposta a letra que eu escolhi e por pouco não zerei a maldita. As outras exatas também foi um suplício. Não sei se com um ano de cursinho eu conseguiria resolver na boa aquelas questões… Acho que é mais fácil passar na seleção do mestrado.

E apesar de tudo isso, mesmo não tendo virado bixo, acho que não foi tão mal assim. Tinha 258 candidatos. Pensei que eu ficaria com a 257º posição. Mas não, fiquei em 81º lugar. Eram apenas 20 vagas no acesso universal…

Da primeira vez eu ter passado para Jornalismo na Unisinos e não ter entrado para Letras na UFRGS decidiu meu destino. Tem mão dele de novo aí…

Ah! Exatamente hoje, no dia que saiu o listão, faz 4 nos que me formei!

Ando com vontade de relatar coisas do meu cotidiano aqui. Desacostumei mesmo a morar sozinha, ou o mais provável é que estou passando muito tempo em casa, e nem é que esteja me sentindo sozinha, mas estou de novo na fase do “Socorro não estou sentindo nada”, sabe, como na poesia de Alice Ruiz. E isso, invariavelmente, me afasta de pessoas com quem eu poderia estar dividindo meus dias.

Pois bem, hoje começou o vestibular da UFRGS que estou prestando para História da Arte. Fazer vestibular 11 anos depois da primeira vez merece um post com várias observações que deixarei para o final, embora algumas tenha colocado no meu twitter.

Na terça eu vou encontro Orientação Dharma – O Culto a Lost acompanhando uma amiga. Nem estava muito ligada nesse tipo de evento e olho Lost sem fazer divagações ou análises, mas acho que vai ser interessante. Se alguém que me ler for, se apresente por favor!

Nunca pensei que eu gostasse tanto de praia! Não sei se é o calor que parece sempre pior a cada ano, o fato de estar quase todo mundo lá, de familiares a amigos e até as melhores festas, mas queria não ter voltado. Me arrependi de não ter escolhido prestar o vestibular lá. Mas pelo menos a noitada de sexta, na Porto vazia, rendeu. Estava cheia e boa como sempre. O pilequinho meu e de uma amiga nos garantiu muita diversão dançando e conheci pessoas. Só não pude usar meu status de vip porque não tinha fila… aí já era pedir demais. Mas isso já foi o suficiente para me aquietar no sábado de noite. Até quarta, é vestibular. Embora não tenha estudado, pelo menos dormir cedo para não perder o horário é meu compromisso.

E passei a ouvir Lady Gaga. Sei que é faísca atrasada, mas gente, o que é esse clipe de Paparazzi?

Na estrada retornando da praia e pensando no que escrevi aqui sobre não estar com saudades da minha casa, me dei conta de uma coisa: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar.

Quando cheguei em casa e pensei nos compromissos da semana, percebi que ainda estou carregando a agenda do ano passado na bolsa. E então me dei conta de outra coisa: minha vida este ano não tem planos pré-estabelecidos. Minha vida está imprevisível.

E gostei das duas constatações, pois ambas são benéficas para o planejamento maior que está regendo o meu momento e a palavra do ano para mim: desprendimento.

Sempre fui de raízes, de ter o meu cantinho bem definido, com minhas coisas bem separadas, mesmo quando dividia o quarto com minha irmã. Depois que passei a ter minha própria casa então!

Sempre adorei comprar agenda e eu mesma é que tinha que escolher, nunca gostei de ganhar de presente. Todo fim de ano era o mesmo ritual: olhava várias até escolher a perfeita, comprava uma caneta nova, preenchia os dados e os primeiros compromissos do ano.

Agora tudo está diferente. Eu já nem sei muito que valores e regras eu sigo. Está tudo mutável, dependendo do momento, do que está por vir. Cada dia uma surpresa e mesmo assim não tenho ansiedade ou expectativas. Só sei que tudo pode ser diferente e eu sigo a correnteza. Me sinto de alma leve e espírito livre, mas  ao mesmo tempo cuidando de mim. E apesar de toda essa aparente confusão, pela primeira vez eu tenho foco.

E enquanto desfazia as malas fiquei escutando Jorge Drexler. Fazia tempo que não ouvia, foi a trilha dessa mesma época de janeiro em 2008. E então veio:

Esto que estás oyendo
ya no soy yo,
es el eco, del eco, del eco
de un sentimiento;
su luz fugaz
alumbrando desde otro tiempo,
una hoja lejana que lleva y que trae el viento.

2009 termina de um jeito bem especial para mim, pois o novo ano que começa será diferente, não só porque é um ano novo. É o primeiro fim de ano com expectativas de grandes mudanças. E em 2009 já foi o ano em que tudo mudou.

Minha vida começou de um jeito e terminou diferente em todos os setores: amor, trabalho… e um  novo e importante capítulo se abriu: amigos. Não que eu não os tivesse antes e esses continuam na minha vida, porém conquistei novas e importantes amizades responsáveis pelos momentos mais divertidos desse ano. As gurias foram fundamentais para a minha “virada”.

Eu achava que sabia viver bem comigo mesma, mas só agora me sinto assim. Porque não é só sozinha em casa se aturando que a gente percebe isso. Mas também na diversão e se ocupando com as “tuas coisas”, como diria meu psicólogo. Depois de cinco anos na terapia, finalmente aprendi a me ocupar com as “minhas coisas” e não ficar em função do outro. Acho que por isso que posso dizer que vivi bastante coisas nesse 2009. Eu achava que ter alguém do meu lado e amar já era o suficiente para estar vivendo. Não é.

Foi o ano em que fui na academia com regularidade, passei a encarar a terapia com regularidade, voltei a me divertir dançando, tomei meu primeiro cosmopolitan e o ano em que cheguei a conclusão de que eu sofri muito nos relacionamentos, mas o que veio nesses intervalos… ahhhh ainda que fugazes valeram muito a pena, que o digam os franceses!

Foi o ano em que o twitter passou a fazer parte do meu cotidiano e com isso eu também me divirto e conto não só o que estou fazendo, mas agora, o que está acontecendo na minha vida. Meu apê ganhou cara nova e durante a reforma eu voltei a morar com o meu pai, VINTE ANOS depois. E minha mãe perdeu o pai dela e eu vi que não devo repetir o mesmo erro com o meu. Passei um feriadão na praia, minha melhor amiga se casou, derramei menos lágrimas, o blog sofreu uma ameaça de processo. Meu irmão teve uma convulsão e foi internado, negligência que nem relatei por aqui, mas o pior foi o susto de viver o pavor de estar com ele em hospitais novamente. Mas melhor nem falar do que é ruim.

A bicicleta, o presente que me dei no Natal passado, só estou aproveitando agora quando estou tendo o melhor fim de ano em anos!

Desde que sei onde ficou o passado, não vejo problemas em olhar para trás. Afinal é isso que nos faz não repetir erros no futuro. E em um ano repleto de coisas boas, tenho mais é que brindar não só o novo ano que começa, mas também agradecer por tudo que aconteceu em 2009 que me trouxe até aqui!

Não vou fazer listas e resoluções de ano novo. Como adoro boas surpresas, meu único objetivo é ir e deixar a vida me surpreender em 2010.

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Uma grande jornada se encerra na minha vida. Agradeço muito aos amigos que fiz e que levo comigo, as oportunidades, as portas que se abriram, o aprendizado e a experiência.

Com certeza tudo que vivi e aprendi nesses seis anos serão de grande valia para o novo caminho que se abre para mim. E como diz uma das 79 teorias que tenho no meu blog, não importa o final, o que conta é a história. O importante é o percurso, o meio, o recheio, a trajetória… Não é por falta de contatos que vocês não vão me convidar para um chopp.

Foi com essas palavras que me despedi de uma vida. Não sei se escolhas certas ou erradas me levaram até elas, mas é certo que se eu não tivesse arriscado eu não saberia e poderia estar frustrada, como eu estava agora, em que nos últimos dois anos minha vida estava parada. E eu estava numa função para qual fiquei sabendo que seria a minha durante uma reunião coletiva. Sequer fui avisada antes ou consultada e deu no que deu.

Nesses últimos meses eu pensava que era melhor ter ficado nas minhas origens, mas se lá tivesse ficado não teria chegado a um lugar que sempre quis e depois deixei em nome de voos maiores. O fato é que todos que disseram que as portas estariam abertas, me fecharam quando eu quis retornar. Mas tudo bem, ainda acredito nos desígnios de Deus e do destino e tenho certeza que se abrirá um caminho maior agora.

Foi muito bom receber o carinho dos amigos, nessas horas a gente vê quem são. As pessoas que prometeram as portas, sequer tiveram coragem de mandar um “boa sorte”, mas talvez seja menos hipócrita assim… E também sou capaz de entender seus motivos.

E eu tinha deixado de ser a pessoa querida e simpática que eu era nesse ambiente, tinha virado ranzinza, com um certo “ranço”. E quando via algumas injustiças, me sentia cúmplice. Pode parecer bobagem, mas é como eu me sinto. Podia nem ser comigo, mas mesmo assim eu não conseguia deixar de me espantar. Graças a Deus não perdi essa capacidade!

E a opinião de um pequeno grupo de pessoas não é a verdade. Como disse um amigo, eu que estava precisando demitir essas pessoas da minha vida.

Eu sei que estou num momento tão bom da minha vida que isso não me abalou, pelo contrário, estou bem entusiasmada com as possibilidades. Acho que é hora de parar de ter medo dos sonhos e finalmente ir vivê-los. O mundo me espera!

Abaixo uma mensagem do Fernando Pessoa que recebi da minha querida amiga Mônica. Linda, foi a única coisa que me fez arrancar umas lágrimas, mas mais de alívio do que tristeza. Há tempos elas deixaram de ser minhas companheiras.

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final… Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu…. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora… Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida .Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”

Eu aprendi a me desprender de pequenas coisas que me faziam sofrer caso perdesse. Também aprendi a parar de entender porque as coisas acontecem, principalmente em relação aos relacionamentos. Acho que essas duas lições é que me permitem ser feliz agora.

Notei que tenho aproveitado ao máximo as madrugadas dos meus findis, não só porque já trabalhei em muitas, mas também porque o príncipe não vira mais abóbora a meia-noite.

O que esperar quando não se tem nada para esperar?

Eu queria ser a Meredith só para encontrar meu McDreamy no dia seguinte no mesmo local de trabalho…

Semana agitada. Cansaço acumulado desde a noitada de quarta-feira (maravilhosa). A sexta era para ser de programinha mais ligth. Cheguei em casa relativamente cedo, mas me diverti muito.

Fui assistir Clandestinos, do João Falcão, no Theatro São Pedro. Ganhei os ingressos e deu uma volta enorme na cidade para buscá-los, naquele trânsito das 18h e com chuva na capital gaúcha. Até chegar ao São Pedro foram quase duas horas, e eu achando que ia dar uma banda na Feira do Livro… Mas a peça é muito engraçada. Vale a pena, cheia de atores jovens, bonitos e talentosos. A plateia era meio vergonhosa. Só na baixa e ainda não lotou… Espero que no findi melhore, porque a gurizada é boa e isso envergonha nossa capital.

Depois uma pequena saga para tomar uma ceva na Lima e Silva. Num surto de otimismo achei mesmo que ia chegar depois das 23h30 e sentar na rua no Pinguim. Tentei o Pedrini, fiquei na fila até começar a chover. Voltamos para pegar uma mesa dentro do Pinguim e além de cheio tinha o pessoal da calçada debandando pra lá por causa da chuva. Então fomos para um lugar que nunca tinha reparado na existência: Vídeo Bar. Um bar todo com a temática de filmes, muito simpático e tinha uma das mesas (que consegui sentar depois) com a luminária da Amelie Poulain! Quero uma. Só que o nome do diretor escrito nessa mesa não combinava muito: Hector Babenco.

Enfim, lugar agradável e um papo ótimo regado a ceva bem gelada. Depois um banho de chuva para lavar a alma e fui dançando e cantando dentro do carro que nem vi um cara fazendo ontem no Moinhos. Ele dançava Frank Sinatra e cantava bem alto no engarrafamento do fim da tarde e com as janelas abertas. Eu passei por lugares menos movimentados e com o vidro fechado por causa da chuva enquanto gritava canções e dançava dentro do carro.

Aí peguei engarrafamento na Pe. Cacique mais de meia-noite e meia, no meio daquela fuzarca da lapa baguaceira que se instalou ali com aquele monte de escola de samba e pagodeiras. E tinha uma kombi parada no meio da rua…

Cheguei em casa cansada, mas feliz. E cedo para uma sexta, basta ver os míseros contatos (ausentes) que estão no meu msn. Mas sempre temos o sábado à noite.

Passar um feriadão na praia… há quanto tempo não faço isso! Tô me sentindo uma pessoa tri normal e que consegue fazer as coisas que gosta e que planeja. E isso não é porque trabalho na maioria dos feriados. Até que andei tendo umas folgas em alguns, mas eu estava aprisionada.

Engraçado, só eu podia me livrar das amarras, mas cada vez me prendia mais a elas e esperava que elas me libertassem, que elas me ajudassem a realizar tudo que eu estava já tão cansada de sonhar porque sabia que eram só sonhos. E o mais engraçado é que eram coisas bobas como essa: passar um final de semana ou um feriadão na praia.

Por que será que eu achava que aquilo tudo podia ser maior que as coisas mais simples e banais da vida? Eu achava que o inalcançável é que traria felicidade, mas o que nos deixam felizes são as coisas comezinhas do dia a dia. É no dia a dia que se constrói a tal felicidade, assim como uma entidade. Percebendo aos poucos para no fim se dar conta e olhar para trás e enxergá-la como algo grande, porque esteve presente todos os dias, ainda que disfarçada de um abraço, de um colo numa noite de tempestade, de ficar protegida a noite toda sentindo outra respiração na nuca, de um arrepio, uma dança, uma ajuda para levar o lixo para fora, de um ombro que fica molhado pelas lágrimas, de apenas deixar-se ficar, permanecer, estar…

Que sonhar acordada me faz perder o sono.

De tanto sonhar acordada, acabei pegando no sono…

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O bom de ser adulto:

  • Poder comer doce antes do almoço.
  • Passar com o carro pelas poças d’água e fazer chuáááá (quando eu era criança eu pedia para o meu pai e ele nunca ia no cantinho da rua para mim ver a água bater no vidro da janela. Vai ver porque os carros que ele tinha naquela época não tinha protetor de cárter e acontecia isso que aconteceu com meu primeiro carro, e essa não foi a única).

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