Hoje faz um ano que fui para Buenos Aires. Este post estava escrito e guardado. Acho que é um bom dia para encerrar os capítulos a parte de Buenos Aires. Logo virão capítulos de outros lugares do mundo. O projeto segue em andamento. Mais um passo.

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Uma das minhas grandes expectativas em ir a Buenos Aires era para ver “o homem que come”.

Não se assustem, estou falando de Abaporu, uma das obras mais conhecidas da artista brasileira Tarsila do Amaral, que está no Malba – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. O nome do quadro, que em tupi-guarani significa homem que come, foi um presente de Tarsila para seu marido Oswald de Andrade, que o batizou.

Logo que entrei na sala da coleção permanente já dei de cara com a obra, mas duas pessoas estavam paradas na frente. Para não ver “metade” da pintura, desviei o olhar correndo para um Rivera que estava a minha esquerda.

Quando os intrusos saíram pude contemplar toda a beleza e a grandiosidade de Abaporu. Fiquei muito tempo na frente dele. Daí fui perguntar para a monitora se eu podia “sacar una foto”, sem flash, só para recordação (como eu tinha feito no outro museu). Mas fui terminantemente proibida. Olhei mais um pouco e segui pela exposição, controlando a ansiedade de olhar logo para outra obra máxima do Malba, o quadro Autoretrato  con chango y loro (em espanhlo) de Frida Kahlo.

Quando estava perto de chegar nesse, vi um grupinho de turistas tirando uma máquina fotográfica da bolsa. Sinalizei que era proibido e alertei a monitora. Ah, se eu não poderia tirar uma foto, ninguém poderia! E sabe-se lá se ao menos teriam o cuidado de tirar o flash.

Flutuei por toda a exposição, maravilhada. Interagi com as obras cinéticas, inclusive uma do artista brasileiro Abraham Palatnik. Vi muitas obras de brasileiros que já tinha estudado, conheci um pouco mais da arte latinoamericana de períodos que adoro. Acho que olhei tudo umas três vezes e depois dei uma olhada rápida nas exposições que estavam por lá na época. Dos brasileiros tem Di Cavalcanti, Portinari, Hélio Oiticica, Lygia Clark (trepante e bichos!), Nelson Leirner, Antônio Dias e Mira Schendel.

A exposição é muito bem organizada, por perídos, desde o moderno ao concretismo e obras mais contemporâneas. Por lá, a visita é mais tranqüila, afinal é preciso pagar 12 pesos. Plata que não gastei, pois consegui entrada livre com minha carteira de jornalista. Mas teria sido um dinheiro bem empregado. A parte de trás da fachada é toda envidraçada, então quando se entra e sobe-se as escadas rolantes até o andar das obras há uma luminosidade incrível.

Depois, a obrigatória visita a lojinha do Museu. Tem produtos bem diferenciados feito por artistas e numa outra parte muitos livros. Me contentei com uma caneta, dois postais (um de Abaporu e outro do Metaesquema de Helio Oiticica) e o catálago do Malba, que é bem carinho, 65 pesos, mas vale muito a pena. Tem duas páginas para cada obra, uma com explicação e outra com reprodução, que dá para ver bem os quadros e esculturas, além de biografias e linha do tempo da arte latinoamericana (um ano e ainda não terminei de ler, mas não me canso de olhar para ele).

E aí está: Abaporu, Tarsila do Amaral, óleo sobre tela, 1928
A obra é importante porque marca o início do movimento antropofágico, manifestação artista da década de 20. E ah! Tarsila não participou da Semana de Arte Moderna. Vi a própria falando, em um vídeo, claro.

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Buenos Aires – Capítulos a parte VI
Buenos Aires – Capítulos a parte V
Buenos Aires – Capítulos a parte IV
Buenos Aires – Capítulos a parte III
Buenos Aires – Capítulos a parte II
Buenos Aires – Capítulos a parte I
Surpresa da viagem

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