Teoria nº 6

Os velhos sempre chegam antes.

Idoso tem mania de chegar antes. Talvez por isso sempre tenha filas no INSS, porque muito antes de começar o atendimento, lá estão eles. Talvez seja o medo de não saber mais quanto tempo se tem, de chegar tarde demais… Quem sabe eu mesma não farei isso no futuro.

Mas percebi isso hoje, quando estava na aula de natação. Faltavam uns 15 minutos para terminar minha aula, da qual eu era a única aluna hoje, quando a turma da terceira idade que faz hidroginástica começou a chegar e ficar na borda da piscina, já prontos, com seus pesos agarrados ao corpo. Me senti pressionada, como se tivesse que acabar minha aula. Mas ainda faltava um bom tempo. Quando estava na penúltima chegada, ouvi o professor gritar: “Cuidado com a nadadora”. Viro para o lado e a minha raia, que já eram duas, estava sendo invadida pelos anciãos do Men Sana in Corpore Sano. Nem pude fazer os últimos 50 metros, pois do outro lado, as crianças já inauguravam seu horário no dia.

Teoria nº 7

Esta não é minha. Ouvi, numa entrevista do Jô Soares. Acho que foi uma médica que falou e faz todo o sentido.

Dizia ela que as mulheres quando são jovens sentem mais frio que os homens. Estes por sinal estão sempre com calorão. Mas com o passar dos anos, a chegada da menopausa, as mulheres é que passam a sentir calor. E os homens quando vão ficando velhos é que sentem mais frio. Por isso que ambos sem completam!

Teoria nº 8

Tenho uma teoria de que o ser humano é filha da puta por natureza. Já reparou como nos acostumamos com todas as situações. Suportamos a distância de pessoas queridas, da família e até mesmo de quem amamos.

Conseguimos sobreviver às ausências, suportamos a perda definitiva ou não. A vida sempre continua depois da morte, de uma separação. Apesar de muito consolador, acho tudo isso uma filhadaputice sem tamanho, pois vai contra tudo o que a gente deseja, luta e sonha.

Estamos sempre em função de conviver bem com as pessoas, de ter quem amar, de manter-se no seio da família apesar das dificuldades de convivência que temos pelo simples fato de habitar a mesma casa ou viver com pessoas que não temos afinidades, mas que nos acostumamos com elas pois fazem parte da nossa vida desde que nascemos. E até mesmo pelo excesso de intimidade.

Falei para um amigo de algumas coisas que meu psicólogo me falou e ele achou o profissional um pouco mau. Pois falei desta minha teoria para ele, procurando um embasamento, e ele me disse que isto acontece quando estamos saudáveis. Realmente, no bom sentido, meu psicólogo é mau. Mas aí está, a psicologia tem razão, o que mostra mais ainda o quanto somos cretinos e de certa forma auto-suficientes. Mas a verdade é que vivemos de substituições. Trocamos as pessoas por outra, para que a gente não se sinta sozinho. E aí mais um defeito inerente à condição humana: o egoísmo. Mas eu sou assim, você é assim. Somos todos assim, e nos alivíamos com isto, pois também é típico da gente não ter peso na consciência quando outros agem como nós.

Teoria nº 9

Exquizofrenia na Internet

Meu blog surgiu com a proposta de mostrar toda a minha normal esquizofrenia, aquela que todo ser tem. Mas tenho notado que isso é um fenômeno comum na internet. E não é só no mundo dos diários virtuais.

Até há bem pouco tempo atrás, Amélie Poulain servia como meu alter ego. Sua imagem substituía a minha no orkut e no msn. O Einstein me empresta a sua imagem aqui. E não sou a única nessa prática.

Logo que comecei a usar o messenger eu eu não trocava meu nome. Hoje invento, quase que diariamente, um novo nick. Seja uma música que está na minha cabeça, um jeito novo de ser, um pensamento. E digo que tudo isso é esquizofrênico porque simplesmente não entendo algumas “máscaras” que as pessoas usam. Só tenho contatos de pessoas que conheço no meu msn e todo dia vejo a janelinha saltar com um sujeito estranho. Preciso abrir e ver de quem se trata. São pessoas que conheço, mas que não compreendo. Assim como eu devo ser incompreendida também.

Estes dias lia no blog do Cardoso que ele criou outros blogs, assumindo identidades diferentes. Um amigo meu criou há pouco tempo um blog onde ele acha esquisito escrever coisas que só ele entende.

Até elaborei um termo para isso: transtorno de e-personalidades múltiplas. Uma teoria totalmente empirica.

Percebo que eu acabo também fragmentando os assuntos que converso com os amigos, colegas… Algumas coisas só falo por e-mail, outras só questiono através do msn. Tem coisas que a gente só fala pessoalmente, outras que por telefone é mais fácil. Como se eu fosse outra pessoa, estabeleço uma linguagem diferente para cada meio. E como toda comunicação tem ruídos, a da internet acaba sendo a campeã neste quesito. Quantas vezes a gente não faz uma pergunta no msn e a pessoa entende algo bem diferente do que a gente queria dizer? Sem contar que a conversa não é linear.

Uma vez fiz uma análise sobre hermenêutica e as teorias de incapacidade para o diálogo de Gadamer usando o orkut como estudo de caso. Os fóruns que existem internet a fora não servem para comunicação. É um monte de gente falando, e falando sozinho. A gente tem necessidade de dar o nosso grito, mas sequer temos paciência para ouvir o dos outros.

Por enquanto o transtorno de e-personalidades múltiplas é benéfico, porque pelo menos não transportamos este comportamento para as conversas de bar com os amigos, ou aquele papinho durante o chimarrão, ele fica limitado a web. Ainda bem que nas situações cotidianas assumimos a personalidade que nos faz ser capaz de ouvir o outro. Mas até quando?

Fato é que cada vez mais a gente se comunica. Com quem está longe e com quem está perto. Mas será que a gente se relaciona? Bom, na verdade não estou muito procupada com isso. Tenho feito muitos contatos e a internet tem sido muito útil para isso. Com certeza novos fenômenos de comportamento social estão surgindo, mas isso eu deixo para os sociólogos e os psicólogos pesquisarem. Mas se constatarem que o meu transtorno procede, me avisem, que daí eu vou patentear!

Teoria n° 10

Acho que nosso corpo se adapta ao meio. Uma só vez tive tendinite. Trabalhava como repórter, digitava muito. Depois fiz trabalhos que a dependência do micro era muito maior, como diagramação e tratamento de imagem. Passava todo tempo em frente a ele e com o braço direito pendurado no mouse e o esquerdo a postos para os atalhos. E nunca mais tive tal lesão nos tendões.

Pois ontem fiz uma prova, toda escrita a mão. Preenchi uma folha A4 pautada dos dois lados e saí com uma dor horrível no braço. Durante o exame tinha que parar e massagear a mão para poder continuar escrevendo. Só que uma folha frente e verso preenchida a mão não é nada se comparado a tudo que escrevia durante uma aula do ensino médio ou fundamental. Eram praticamente 4h dando uma de copista. Mas depois vieram os xeroxs da vida e, adeus quadro negro! Os trabalhos digitados em computador… fato é que hoje meu corpo aceita muito mais a atividade da informática do que a escrita manual. Acho que nosso corpo vai mesmo se adaptando. Dos Australopithecus até o Homo sapiens, passando pelo Homem de Neanderthal e Homo erectus muito houve de evolução; A condição física foi se transformando para a sobrevivência, devido a fatores climáticos, geográficos e para ter condições de catar o próprio alimento.

Eu nasci no meio da revolução da informática. Peguei tanto a fase em que ela não existia no meu cotidiano, quanto agora que é a minha realidade, meu trabalho, mesmo tendo uma profissão anterior a isso. Será que as próximas gerações já vão nascer com uma alteração genética para estarem aptos a digitar com mais facilidade, usar o mouse com precisão e ler no monitor sem que tenha que enrugar os olhos. Tudo isso sem prejudicar a saúde?