Não tem mais delícias. Fato. Desacostumei a ficar sozinha.

Vou ficar 10 dias sozinhas aqui na França e se passou só um dia e a liberdade de fazer o que se quer – dormir tarde, almoçar na hora do jantar ou ir no banheiro de porta aberta – perdeu um pouco a graça. Mas acho que todos os anos vivendo sozinha me ensinaram muito. Depois que a gente convive com nossas angústias e ais, se encara para valer, pode conviver com qualquer pessoa. E olha que em Londres foram com seis.

A maior evolução que tive na vida foi a que cheguei a conclusão no início do ano: eu moro em mim mesma, não pertenço a nenhum lugar. E como previsto lá, eu não precisava mesmo de agenda. Tudo muito imprevisível nesse meu ano ( e coincidência, botei Jorge Drexler para escutar enquanto escrevo. E a música que combina com a imagem ao lado: Nada es más simple, no hay otra norma: nada se pierde,
todo se transforma
).

Desde 2007, quando comecei a bolar um plano de vir para a França, eu tinha colocado no meu orkut como meu país de moradia. Aquele plano fracassou, mas hoje estou aqui! Por breve ou longo tempo, não sei, imprevisível, lembra? Mas sentindo a real vida francesa e não correndo com uma mochila nas costas para ver todos os lugares apontados como importantes num guia de viagem.

Ainda não fui aos lugares da Amélie, mas irei. Essa semana voltando para casa na madrugada após assistir show do Festival Mimi nas îles du Frioul, foi um velhote tocando acordeon na praça que me fez sentir na França da Amélie. Não era uma valsa, não era da Amélie, mas nós deveríamos ter dançando. Tem momentos que não se repetem na vida.