* Se você ainda não assistiu 500 Dias com Ela e não gosta de spoiler, melhor não ler esse post.

Fui na sessão da meia-noite e cinco assistir (500) Days of Summer. Quando cheguei no shopping estava tocando Just Like Heaven, na voz da Katie Melua, trilha do filme E se fosse verdade*. Apesar da hora e do feriadão, tinha uma fila grande no cinema, pra tudo: comprar ingresso, comprar pipoca e entrar no cinema. Menos para ver 500 Dias com Ela, claro. Éramos seis pessoas na sala e amei o filme. Tá na categoria Amélie Poulain pra mim, bem como E se fosse Verdade. Só que esse é bem mais verossímel, mas não deixa de ser cute, cute, cute.

Primeiro me identifiquei muito com a Summer. Pais separados, medo de relacionamentos. Só que ao contrário dela nunca admiti daquela forma, negando que o amor existisse. Primeiro demorei muito para me envolver com alguém. Meu primeiro beijo foi aos 17 anos, o segundo quase um ano depois. Só tive um relacionamento mesmo aos 19 anos, quase 20, e daí em diante me entreguei completamente, sofri e continuei me entregando porque acreditava que tudo de ruim que eu temia já tinha acontecido, então porque ter medo da próxima vez?

Em vez de admitir como ela, sempre afastei caras como o Tom, que quisessem de verdade ficar ao meu lado. Preferia aqueles que estavam mas não estavam… E ter medo da próxima vez seria prudente, porque o raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Primeiro admirei a atitude dela, como diria o Marcos, “não se comprometer é bem mais difícil”. Pior são as pessoas que assumem namoro, dizem todas as coisas lindas que a gente quer ouvir e caem fora. Em relacionamentos não há consistência, como ele queria. Assumindo ou não, rotulando ou não, todo mundo pode acordar um dia e não sentir mais. Assumir isso é mais cruel, porém mais realista.

Mas como nessa área tudo é muito mais complicado, como as pessoas mudam de ideia e se o amor existe mesmo e a chega uma hora que realmente a gente sabe, e precisa de uma coincidência para isso (o outro sentir a mesma coisa), a pior coisa que pode acontecer é pessoas que não queriam compromisso se casarem depois de terminar contigo. Foi isso que aconteceu comigo duas vezes. Hoje sei que eu é que não sentia que elas eram “a pessoa com quem eu queria passar o resto da vida” e que nem estava preparada para algo sério. Mas a visão míope da paixão confunde um pouco. Depois veio uma pessoa que pela primeira vez eu achei ter certeza, era “ele”, mas eu não era. Faltou a coincidência e hoje estou meio como a Summer. Isso depois de me sentir como o Tom, quando tudo que a gente acredita não existe. Mas sei que foi mais uma pessoa que passou e que só me desviou de perceber o que estava na minha volta, como  a Autumn.

E se ele tivesse pedido? E se ao tentar não pressionar e fazer o que ela queria ele tivesse perdido a mulher da sua vida? Acho que quando “é” não há esse tipo de complicação e contradição – pelo menos ainda tenho fé que o amor seja assim, tranquilo. Primeiro preciso dar a chance a alguém de passar 500 dias comigo, de verdade.

Há muitas coisas incertas nessa vida, o amor é uma delas. Mas tem muitas coisas das quais a gente tem certeza. Uma delas é que depois do verão sempre vem o outono.

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E acredito, que por mais especial e importante que tu tenha sido na vida de alguém, você será esquecido e perderá esse status. Pois aquela pessoa com quem você vai viver a louca experiência de acreditar que é para sempre na forma de um casamento, ou com quem você terá filhos, será a mais marcante de todas. Para o bem ou para o mal.

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Adorei o visual retrô da Summer, a trilha sonora e Carla Bruni, nossa quando tocou Quelqu’ un m’ a dit (escrevi esse post ouvindo) eu viajei. Lembrei do fim do ano retrasado quando as canções dela embalavam um sonho que abandonei por alguém. Mas o sonho voltou, diferente, mas voltou.

Queria descobrir em que ano se passa o filme (ah depois de escrever isso li o texto que indico no pé do post e lembrei que eles jogam wii, então deve ser bem recente), e é em Los Angeles? Sei lá, pelas referências que tenho do cinema não parece ser Los Angeles. E deve ser legal trabalhar escrevendo mensagens em cartões. Embora o que ele diz sobre isso é bem verdade. Também adorei a expressão “abdome de Jesus” usada pela irmã do Tom, uma pré-adolescente que dá ótimos conselhos para ele. Vou adotar! Não me perguntem mais se gosto de lavar roupa, por favor. Um dos ótimos conselhos dela é que ele só está se concentrando nas coisas boas, por isso a dificuldade em esquecê-la. Sabe que quando passa a paixão, o suposto amor, a gente lembra das coisas boas e elas não machucam mais. Mas antes disso, se concentrar nas ruins como um mantra ajuda muito.

Na saída a Nessa comentou sobre a quantidade de gente que tinha no cinema, eu disse que provavelmente era para assistir Avatar. Aí ela disse que não gosta de filmes que viajam muito. Eu disse que também não, por isso que gostei de 500 Dias com Ela, tão real que termina daquele jeito.

E a verdade é que quando alguém está a fim de você, faz acontecer. É por isso que nem pego mais telefone ou ligo no dia seguinte.

Eu quero o DVD desse filme, e aí lendo sobre o que escrevi sobre E se fosse verdade*, também disse isso e até hoje não tenho…

Ah e quem nunca se sentiu assim como o Tom na cena abaixo (mais ou menos como na música Telegrama, do Zeca Baleiro)? Ele estava apaixonado e , depois de passou a primeira noite com ela. Apesar de estar adorando esse meu espírito de liberdade, desprendimento e casualidade, quero sentir isso muitas outras vezes na vida, ou pelo menos mais uma, se eu encontrar “o cara”.

Aqui tem um texto legal e com várias curiosidades sobre o filme