Ele queria ver Julie & Julia porque é sobre culinária. Eu não sabia muito sobre o filme, mas daí ouvi falar que era mais sobre blogs que gastronomia. Então pensei: ou vai agradar os dois ou pelo menos um sai satisfeito. Na verdade fala sobre os dois e nos divertimos muito.

O filme é adorável, cute, engraçadíssimo e falar do talento da Meryl Streep é chover no molhado tanto quanto esta expressão, mas ela se superou. E não é todo dia que a gente vê um filme baseado em DUAS históriais reais.

Me identifiquei muito com a Julie. Perto dos 30, sem muita perspectiva em alguns aspectos da vida, com o sonho de ser escritora. Ela se propõe ao desafio de cozinhar as 524 receitas do livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking” durante um ano, 365 dias. A experiência é toda relatada em um blog, isso lá em 2002, quando a coisa tava começando. E tem todas as coisas que qualquer blogueiro já passou, como a mãe tirando conclusões a partir das coisas que você escreve, essa exposição que não se sabe bem para quem, mas quando menos se espera é para alguém que está bem perto de ti e tu nem tem muito contato. A alegria de receber comentários, a dúvida de quem são as pessoa por trás dos números das estatísticas.

Enquanto prepara as receitas, ela tem Julia como sua interlocutora. (Para quem lê meu blog há mais tempo já deve ter percebido que minhas interlocutoras são a Amélie Poulain, Celine e Carrie Bradshaw). E aí o filme conta a história dela, que foi viver com o marido na Paris dos anos 50 e aprendeu a cozinhar para ter uma ocupação, já que gostava de comer e como tinha casado aos 40 anos não teve filhos. Não sei se Julia Child era assim na vida real, mas sua personagem é uma pessoa incrível, a única pessoa que realmente não era chata nesse mundo e que encontrou na maturidade um amor tranquilo, mas não menos caliente, com um furor adolescente até. Bonito de se ver. E a declaração de amor: você é meu pão com manteiga. Adoro. Tem coisa mais gostosa e simples? É o tipo de coisa que eu penso quando estou estressada: vontade de estar em casa comento um pão com manteiga.

Enfim, eu escrevo, ainda não sei para quê. A Julie demorou para descobrir e isso veio junto com a culinária. Ela queria se tornar escritora, mas ela era uma boa cozinheira. Isso é um talento, uma arte. Encontrei alguém que tem esse dom, quem sabe a gente não faz uma ótima parceria?