Eu ainda não cheguei no marco zero, estou na linha negativa. Mas acho que pela primeira vez serei forçada a tomar uma decisão por minhas próprias escolhas. Tenho vindo a reboque das influências daqueles que passaram pela minha vida, ainda que por breves momentos e de marcas doloridas. Preciso saber o que eu quero, o que eu gosto e como conseguir chegar lá. Não é fácil quando não se tem mais 18 anos. Ao mesmo tempo que não tem a pressão daquele tempo, existem outras que eu mesma me imponho que são tão ou mais pesadas.

Dá vontade de voar alto, viajar, mas como se desprender de uma vida arraigada e de certa forma confortável? Tem dias que vejo tudo como um novo começo, em outros parece que perdi tudo. E essa contradição é mais um fato para me desfocar da minha real condição, eu que já tenho tanto problema em achar foco para as coisas que quero.

E bate uma preguiça, um desânimo… eu corri tanto para chegar lá que cansei. E agora? Olho para todos os lados e está visto, não há um lugar para onde eu queira ir nesse caminho. Voltar? Tomar outro? Mudar? São perguntas que me doem e que ainda não consigo responder, não consigo agir. Alguém me disse hoje que os ventos da dúvida são bons. É verdade, porque acomodação dá tédio e eu estou sempre querendo me mover. Até agora eu tinha para onde ir. Hoje não sei mais. Acho que pela primeira vez na vida estou enfrentando a mim mesma de uma maneira que só eu posso resolver e eu ainda não tenho muito ideia por onde começar. Estou jogando para todos os lados, mas nem sei se essa é a direção certa.

Meu centro de equilíbrio sempre foi apenas eu, mas eu sempre gostei de fingir a importância maior que os outros tiveram nas minhas escolhas e decisões, embora eles nunca tenham se envolvido na minha vida e nunca estiveram lá nos momentos-chaves. Acho que era eu que me envolvia demais nas suas e me apaixonava pelas escolhas dos outros.

Eu preciso fazer tudo sozinha, mas adoraria que alguém me resgatasse desse momento e me deixasse viver um conto (uma história breve) até que eu soubesse que rumo tomar. Um hiato no tempo amaparada pelo cuidado descompromissado da paixão e do desejo. Descompromissado mesmo, para que eu não caísse no erro novamente de minhas escolhas serem influenciadas por outra pessoa.

Uma fuga, me perder com alguém para talvez poder me encontrar.