Tive o fim de semana mais astral da minha vida. Mesmo tendo que trabalhar, me diverti muito. Dei uma de Carrie Bradshaw (com direito a Cosmpolitan e tudo) e fiz um intensivo de nigth para pesquisar como anda a balada e a cidade, e também o sexo e a cidade, por que não?

Algumas observações:

:: Ninguém mais dança. Fato! Só ouvi música boa, seja por DJ, dance ou as bandas que tocaram, mas todo mundo contido, no máximo batendo o pezinho, um leve movimento com o corpo ou com a cabeça. Sair dançando ao estilo Mamma Mia, nem pensar! Eu arrisquei levantar os braços algumas vezes, mas não tive seguidores. Rebolar? Só mesmo no funk. Sério, soltar a franga de uma maneira normal, dançar mesmo está em extinção. Tanto que os bares nem se importam de colocar mesas na pista.

:: Como o povo não dança, um pouco que acabou as “correntes migratórias”. Sabe quando a banda para de tocar ou a música está chata e todo mundo começa a circular, procurando para ver se acha pessoas interessantes? Se bem que ninguém parece querer encontrar pessoas interessantes. Está todo mundo meio blasé. E olha, conversar, puxar assunto e fazer amizades deveria ser obrigatório, tipo couvert. Sem ser chato, claro.

:: Os gaúchos são cada vez mais um povo fechado. Já as gaúchas estão precisando ir à luta. Os caras começam escolhendo já quando passam de carro pela fila do local. Agora os cariocas, ah esses sabem viver. Esses descem as escadas para alcançar seus objetivos sem medo de ser feliz ou levar um não.

:: Se animar com algumas músicas “das antigas”, daquelas que nem é do teu tempo, mas que tu conhece porque teus pais ouviam, isso entrega a idade.

:: Caipirinha de morango em dose dupla é roubada se as amigas não bebem. E homem não toma essas bebidinhas de mulherzinha. Vai sobrar pra ti.

:: Não adianta, em todo o lugar, no final da festa, chega uma hora que a constelação de losers se destaca. E olha, alguns estão bem disfarçadinhos de mauricinhos (ainda existe esse termo?) e também não andam assim mais tão corajosos.

:: Banheiros são sempre um capítulo a parte (já escrevi sobre eles uma, duas, três vezes). Em um deles, a área da pia era coletiva, para homens e mulheres. Tem o baita inconveniente de ter que sair sem antes se olhar no espelho. Mas o mais inacreditável, o cúmulo do metrossexualismo, foi um cara me pedir base emprestada para disfaçar as espinhas! Como eu não tinha, pediu então meu batom, e pelo termo correto: isso é um gloss, me disse ele! Ah não, meu gloss importando não!

:: Vi fila no banheiro dos homens e não tinha no das mulheres.

:: Em dois locais diferentes tocou A Fuego Lento.

:: Eu vi dois homens dançando A Fuego Lento juntos! Juro por Deus. Espero que eles sejam um casal. Sério, não posso acreditar que eles também estão fazendo aquela coisa ridícula que as mulheres fazem em festas de dançar juntas quando nenhum homem as tira. Já dizia Tim Maia: “só não pode dançar homem com homem, e nem mulher com mulher. O resto vale”.

:: Em três locais diferentes tocou Amigo Punk. Festa mais que garantida. Nessa hora até teve alguns braços que sacudiram no ar em punhos. Mas poucos, e confesso que o fiz, ainda que timidamente devido às circunstâncias.

:: Cheguei a uma idade em que coisas que eu achava ridículas antes, agora penso: se a pessoa está se divertindo, vai fundo. Vi uma figura peculiar de idade avançada dançando a valer (como eu gostaria de ter dançando a noite toda, como as pessoas dançavam a noite toda antigamente). Poderia parecer ridículo, espalhafatoso. Mas ele tava aproveitando, se divertindo e é isso que vale.

:: Poucos momentos na pista de música eletrônica e tocou Loves is in the Air (remixado, é claro) e Gala. Isso sim é dance! Não esses psy trance. Me empolguei e senti olhares meio que reprovadores pela minha saliência (mas eu só estava dançando normal!). E claro, até tinha gente dançando um pouco mais nessa pista, que era completamente escura ou com aquela luz piscante e estonteante.

: Bom e no final das contas o caneco (de chopp) vai para…

… um cara que às 4h, em frente a um bar que tem uns 3m de comprimento, me diz que chegou agora e me pergunta se é ali que se pega a cerveja!