O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante
todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que
levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.
A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve. Mas é levada às últimas consequências mais na
dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão
fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo
lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos
tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como
um orgasmo… Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos
parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se
contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.
Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber
driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como
silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo
que parece encolher e mirrar. Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que havia chegado a ele. Pois até a mais
caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos. O olhar que se tem do outro e
o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma
alegria que dói. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever
seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.
Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.
Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é
transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive,
pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

O Léo Saballa Jr. definiu o filme Nome Próprio como um caos angustiante e essas palavras rodaram pela minha cabeça durante todo filme. E eu acrescentaria solitário. Um caos angustiante e solitário. Dessa solidão que vem todo desespero e os atos que levam à dor. Dessa solidão é que o outro se torna melhor e mais importante. Um livro enquanto a gente não passa de um rascunho.

A intensidade é mesmo uma doença, não sei se contagiante como ela descreve, pois nem sempre somos compreendidos. Mas é levada às últimas consequências mais na dor do que na alegria. Ou pelo menos marca mais assim. Porque na alegria nos leva a um estado de furor, topor ou nos deixa tão fora de si que é como uma dor muito forte, o corpo não aguenta e você desmaia. Desmaia acordado e passa a ver tudo lentamente, slow motion, uma sensação que vicia, mas ao contrário de outras drogas, não se volta até ela facilmente. E ao menos tempo, esse desmaio não deixa marcas. A gente sente mais quando fica a cicatriz e este estado de êxtase é fugaz, fugaz como  um orgasmo…

Já para os intensos, a dor leva a um labirinto psicodélico monocromático grisê, onde aquela profusão de sentimentos parece explicar tudo e eles só se legitimam se arrastarmos nosso pesar por todas as nossas entranhas, até que o corpo se contorsa, até que nossa loucura nos leve à uma dor física.

Não é fácil viver dentro da nossa cabeça. Para estar bem é preciso um esforço diário, tem que se conquistar todos os dias e saber driblar a crueldade dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. Já para se entregar a tristeza, não é preciso muito esforço. É como silenciar por fora e por dentro. Você deixa de se ouvir lá dentro de sua cabeça, uma estranha sensação toma conta do seu corpo que parece encolher e mirrar.

Eu como sempre, otimista, esperava um final feliz e achava que ela havia chegado a ele. Pois até a mais caótica das criaturas busca pelo olhar do outro sobre si. Porque é isso que são os relacionamentos: o olhar que se tem do outro e o olhar que o outro tem de ti e o quanto tu precisa desse olhar para existir. Porque olhar para si mesmo é um ato de coragem, uma “alegria que dói”. Se encarar todos os dias não é fácil, mais fácil é fugir e se ver espelhado numa retina qualquer. E talvez escrever seja outra forma de fugir de si mesmo, é o caminho dos solitários, onde as quatros paredes da casa vazia viram espelhos.  Refletindo a verdade. Ou as mentiras que contamos para enganarmos a nós mesmos.

Ela termina dizendo: “Sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes”. É fácil admitir essas marcas, difícil é transformá-las. Estou nesse processo. Elas não se apagam, mas quero ficar marcada pelo sorrisos que dei, os prazeres que tive, pelas vezes que o vento bateu no meu rosto e por quem eu sou cada vez que tenho a coragem de olhar para meu nome próprio.

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