Estava assistindo ao Camarote TVCOM e um dos blocos foi sobre brinquedos, a propósito do Dia da Criança. Eis que no cantinho apareceu aquela caixa registradora igualzinha a que minha irmã tinha. E a mulher do Museu do Brinquedo da Casa de Cultura Mario Quintana falava sobre Piaget, um cara que estudei no Magistério e aí lembrei de como os brinquedos podem influenciar a personalidade ou quem sabe prever o futuro.

Quando minha irmã ganhou a caixa registradora, eu ganhei a maquininha de escrever. Hoje eu sou jornalista e ela administradora de empresa. Não faz todo sentido?

 

Só que a minha tal maquininha com o slogan “escreve de verdade” não tinha a velocidade dos meus pensamentos. O teclado era um disco e era preciso girar para cada letra que se queria grafar num papel carbono. Isso mesmo, não havia fita, era um carbono que imprimia no papel as letras do disquinho. Foi então depois de me frustrar com o brinquedo e encher muitas folhas de caderno com minhas poesias e pretensos romances com finais piegas é que meu sonho de consumo passou a ser uma máquina de escrever. Mas eu não queria portátil, não, queria uma coisa profi. Meu pai sempre com suas idéias e sem ter como convencê-lo ao contrário, comprou uma usada, que de tão antiga só tinha letras em formato de caixa alta. Para diferenciar maiúsculas e minúsculas, oo tamanho do corpo era diferente. Tenho que guardar essa relíquia, vai que um dia eu me torne escritora… e com a onda retrô e que eu curto, vai combinar com a decoração quando eu tiver mais espaço.

Mas voltando aos brinquedos. Eu não guardei quase nada da infância, uma pena. Não que eu estragasse, eu cuidava… minha mãe que não os teve, cuidava mais ainda. Mas sei lá onde foram parar… Nem a minha Barbie que precisei numa cadeira idiota de publicidade que fiz na faculdade eu encontrei, acabei usando uma do Paraguai mesmo. Ainda tem o Banco Imobiliário que ficou na casa da praia e que meu irmão pequeno quer para brincar de assaltar (pode? influência do GTA). O Cara a Cara que eu adorava não sei onde foi. Dei de Natal para meu irmão há uns dois anos, mas eu gostava mais que ele… acabou que ele também perdeu as peças, e os personagens mudaram de nomes! A Sonia, o Henrique… ganharam nomes mais contemporâneos!

Foi então que pesquisando para achar as imagens da registradora e da maquininha de escrever que encontrei esse blog com coisas dos anos 80 e 90 e várias lembranças vieram à tona. Alguns brinquedos me marcaram, outros eu invejei apenas e alguns só brinquei porque uma prima, coleguinha ou vizinha tinha. Você se lembra?

Brick game – meu pai tinha um bazar e papelaria. Ele vendia muitas coisas made in china. Eu tinha uns 15 anos e “trabalhava” com ele. Adorava estar entre papéis e canetas. Odiava tirar xerox, suspirava pelas caixinhas de música em forma de cômoda e jogava com os brick games que estavam à venda quando não tinha clientes na loja. Ah, trabalhar era bom e eu não sabia…

Agenda eletrônica – a minha não era dessas, era uma do paraguai que meu pai também vendia no bazar. Cabia 50 telefones! E na época a maioria das pessoas em Sapucaia nem tinha telefone em casa mesmo… Celular? Só o tijolo da motorola que meu pai carregava.

Lapiseira Poly – sair do 1.6 (era assim aquela grossa?) até chegar a 0.5 era uma evolução e tanto!

Miniatura supermercado – essa minha irmã tinha para eu fazer as compras e ela registrar na sua registradora!

Pip Pop – É uma das lembranças mais antigas que tenho de um brinquedo. Vai ver por isso adoro pipoca. Não lembro de tê-la usado! Não sei se porque não funcionava mais quando já estava mais grandinha, acho que era com resistência que funcionava. Junto da pipoqueira lembro que eu tinha duas cuias de chimarrão bem pequenas e uma bomba, mas a mãe não deixava eu usá-la de jeito nenhum. O motivo (que eu não recordo): certa vez eu teria colocado talco como se fosse erva.

Mimeógrafo – lembro da primeira vez que escrevi em uma matriz. Eu estava na segunda série e baseada num livro que li nas férias, Tico vai a cidade (hahaha) criei minha primeira história. A professora gostou tanto que pediu para eu escrever na matriz para distribuir aos meus coleguinhas. No estágio do Magistério eu usei muito mimeógrafo. Lembra do cheiro das provas? Até hoje não sei como professores da 5ª série em diante davam aula sem xerox.

Boliche – com pinos de canetinha! Eu tive

Fofi Dog – o meu é igualzinho a esse aí do link. Este e o da minha irmã ainda está lá na casa da mãe… acho que perto do Natal ela ainda dá banho neles como fazia sempre com todas as nossas bonecas.

Abelhudo – nem lembrava que tinha esse nome, visto que brinquei muito pouco e logo estragou. O meu era o branco e o da minha irmã o vermelho. Tu dava corda e ele mexia as patas e o rabo. Os nossos estragou logo de cara, meu pai tentou consertar e acabou desmontando tudo e nunca mais conseguiu montar!

Papéis de carta – tenho uma pasta lotadinha até hoje! E um que mostrava uma casa apor dentro era a minha relíquia, consegui trocar uma vez e depois as meninas me invejavam e ofereciam de tudo por ele… E quando eu inventava de reorganizá-los? Uma tarde inteirinha tirando e colocando nos saquinhos da pasta.

Chuquinhas – com um ano e dez meses de diferença eu e minha irmã ganhávamos quase os mesmos brinquedos para não dar briga. Então essas chuquinhas nós tínhamos várias, só variava o acessório, mas algumas eram repetidas.

Boneca de papel – adoravaaaaa montar as roupinhas. Agora dá para fazer isso na internet. Não é incrível?

Pião – esse era igualzinho o do meu pai, sim de quando ele era criança. Quando eu era pequena os brinquedos mais interessantes não eram os meus, mas os do meu pai, que ele tinha guardado numa espécie de tonel. Nós não podíamos mexer, para não estragar. Dito e feito, quando ele liberou não sobrou muita coisa para contar história.

Brinquedo de parque de diversão – esse primeiro que aparece uma vez passei a tarde nele cheirando a lona quente. E quando alguém pulava de um lado tu caía do outro e batia com as costas nos ferros de sustentação que tinha embaixo. Por que fiquei tanto tempo dentro desse brinquedo insano? Era o único no parque que a gente podia ficar o tempo que quisesse.

Caneta maluca – acho que a minha era promocional dos pneus Michellan, meu pai ganhou. Acho. 

Meu primeiro Gradiente – o meu foi o primeiro mesmo. E lembro do dia que estava na casa de uns primos de uma colega de escola, pois eu ai posar na casa dela, e fomos na sua tia. Os guris estavam jogando bola dentro do apartamento e quebraram o suporte do meu microfone! Bem mais eficiente que a máquina de escrever, mas não me incentivou a ser uma jornalista de rádio.

Peposo – não é o urso mais feio que já existiu? Por que diabos a gente gostava disso? Lembro que o pé era de borracha gordinho, quase tão nojento quanto o bico da minha mamadeira e que o pelo ficou embolotado que nem cobertor velho. (Pior que ele só mesmo o Fofão… esse eu não tive).

Álbum Amar é – esse acho que cheguei quase a completar, o meu era em formato de coração.

Pense bem – sonho de infância não realizado!

Essa era a bicicleta da minha infância (e da infância do meu pai!) só que na minha não estava toda original como essa aí... ela tinha a cor da nossa casa, foi pintada com o mesmo verde escuro. Não é tudo que o uma menina não quer?

Caloi Ceci – essa sim, uma das maiores frustrações da infância. Nunca ganhei uma bicicleta. Meu pai reformou uma antiga, que era dele (igual essa da foto), pintou de verde escuro e nela embalei muito sonhos e fantasias de como eu poderia ter uma bicicleta nova. Eu andava nessa velha sem freio e nunca vou esquecer do dia que desci uma lomba com uns cachorros acuando nos meus pés e sem freio atravessei a encruzilhada e passei raspando por um carro que atravessava a via. Minha prima ganhou uma ceci rosa bebê e eu ralei os joelhos andando nela e me disseram: quando casar sara. Mas eu ainda nem comprei a minha bicicleta! Sério, eu não paro de olhar as propagandas em jornal, tô louca para comprar uma e andar por aí. E se bobear vai ser com cestinha e tudo. Agora o sonho é mais fácil, afinal tenho o dinheiro para pagá-la. Mas e as necessidades racionais de adulta que são colocadas sempre na frente? Parece que eu cresci, né?

Não tem só brinquedos neste blog, mas programas de tv, propagandas, discos, DinOvo, Porta dos Desesperados, móveis da Barbie, Legos, A La, Le, Li, Lo, Lu Patinadora, A Magic Face (minha irmã tinha, nessa época eu achava que nunca usaria maquiagem na vida e nem pintaria as unhas, tudo que a boneca fazia), o Pula Macaco, fita K7 Basf, Bolinha de Sabão (a boneca), Bem-me-quer (essa eu só tive uma colcha), tem materiais escolares, balas soft (quem nunca se engasgou com uma dessas?), copos da Pepsi dos Trapalhões, Redley (usei com fita tape!), aquaplay, mola maluca, ping pong e muito mais. Com certeza você vai lembrar de outros 12 de outubros bem mais divertidos.

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