No mesmo lugar que derrubei as primeiras lágrimas da última era, eu brindei uma sexta-feira que não precisei trabalhar até de madrugada depois de dois anos e a nova oportunidade que a vida me deu, quase uma sacudida: “ei, acorda, tenho coisa melhor pra ti”. Dessa vez eu sabia que era isso, que ia passar, mas na hora a gente nunca consegue entender esses caminhos tortos. E curtir uma dor faz parte, faz parte de entender que nem tudo foi tão em vão assim. Pode não ter sido tão diferente como eu achava que era, mas é bem diferente o que fez comigo agora. Me fez enxergar que tá tudo aí, é só aproveitar. E o que eu perdi não era bem o que eu achava que tinha. Eu tenho amigos, que abandonei mas não me abandonaram, liberdade, independência, a trancos e (subidas de) barrancos eu tenho como ir e vir com meu carrinho, eu estou numa fase ótima da minha profissão, enfim… tô no lucro de tudo.

Resolvemos esticar depois do chopp e fui pela primeira vez parada numa blitz! Na frente do Opinião. Mandaram eu parar quando já tinha passado da barreira, fiquei torta na esquina. Saquei os documentos e dentro da carteirinha um kit lanche da empresa. A habilitação estava junto e descobri que tinha que entregar separado: ok! Enrolando a língua (eu estava bem minutos antes) fui me desculpando, que não estava acostumada, nunca tinha parado numa blitz antes… aí ele me diz que são as normas e que eu tenho que tirar o documento do carro de dentro da carteira também. Ele vai verificar e quando volta me pergunta se não sou de Porto Alegre (a minha placa é de Esteio). Digo que sim, mas que minha família é de lá. Daí o brigadiano começa me dizer que tem gente que é corrupto, que cada um tem um jeito de trabalhar (ih, papo estranho). Eu penso: mal tô com uns trocos para o estacionamento (o segundo da noite). Daí ele diz: mas está tudo certo e me libera! Ufa! Quando chego na João Alfredo para encontrar o restante do grupo, a demora foi tanta que a minha amiga estava na sarjeta e parecia ter fumado algo que ela encontrou por ali mesmo…

Foi a sexta-feira mais despretensiosa da minha vida. Me senti a Carrie naquele episódio do Sex and the City, Solteira e Fabulosa… E aí na prática, refutei uma teoria: sempre confiei em homens que bebem umas cervejinhas e dirigem, mas não nas mulheres. E yes! Depois de tantas batidas, eu confio em mim!