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Quiet, Beatrice Billard

Acordei ao meio-dia depois de desligar o despertador de 10 em 10 minutos durante 2h20min. Levantei com vontade de me atirar no sofá e ficar jogada. Dobrei lentamente as roupas que havia recolhido do varal ontem.

Para fugir do clichê pizza fria, coloquei no forno e esquentei. Comi enquanto zapeava na tevê procurando uma companhia para um típico almoço de domingo de quem mora sozinho.

Antes da voz depressiva do Faustão surgir na tevê fui para o banho. Deixei a cama desarumada, hoje podia.

Dia cinza, céu claro, combinando com uma espreguiçadeira e o cheiro de pipoca doce que vinha da vizinha. São 16h e estou saindo para trabalhar pensando que até este horário não havia pronunciado palavra alguma, sequer algum verso de música perdido que volteava em meus pensamentos. A minha mudez só foi quebrada por um ó para a manobrista do estacionamento, depois para um colega que cruzei no caminho. “Ó, ó”.

Aí depois de trocar algumas poucas palavras eu fiquei na minha, tentando recuperar a sociabilidade, que na época em que eu morava com minha família eu chamaria de mau humor matinal.

Depois ganhei um recuerdo e aí abri o primeiro sorriso do dia.

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