secondo.jpgEu não tenho uma second life, mas seria voyeur como sou na primeira. Digo isso porque mesmo sem conhecer, sem nunca ter participado ou visto alguém no Second Life, eu fico lendo os depoimentos que sai no jornal Zero Hora e acompanho o blog Digital Life. Curiosidade. Quero saber quem é quem por trás de seus nomes de avatares, o que fazem por lá e como ganham dinheiro.

Uma vida virtual (que está agregando cada vez mais coisas do real) ainda não me interessa muito. Acho que eu não conseguiria ser uma pessoa completamente diferente do que eu sou e não sei se eu preciso de um outro eu. Eu nem faço tatuagem de henna, por exemplo, para não parecer o que não sou ou não tenho! Imaginem uma outra vida…

Tem coisas que não sei como funcionam. Por exemplo, como as pessoas que trabalham na vida virtual cumprem sua jornada de trabalho? Ficam ali na frente do computador durante o “expediente” fazendo sua função ou sua vida existe 24 horas lá mesmo quando se está aqui?

Como na vida real, me parece que lá também tudo gira em torno do dinheiro. Queria ver todo mundo vivendo uma segunda vida num regime comunista, por exemplo. Aí sim seria uma experiência diferente. Mas por lá parece que as pessoas não se importam com o que fazem para ganhar a vida. Seriam dançarinas na vida real? E por acaso tem alguém trabalhando de faxineiro ou lixeiro na Second Life? Tem gordo, deficientes físicos?

Eu já tenho que administrar outras “vidas virtuais”, como o blog e orkut, acho que não gostaria de ter mais uma. Acabaria andando por lá a esmo. Assim como no orkut, chega uma hora que não se tem mais nada pra fazer, a não ser que você seja do tipo que se encarna e aprende tudo do negócio, o que não é muito minha praia…

A Revista Época, em sua chamada de capa, diz que o SL vai revolucionar até mesmo os namoros. Não duvido, porque as pessoas lá devem namorar e casar com pessoas diferentes da real life (RL) e administram negócios juntos, estabelecendo um limite de confiança na rede.

Acho que também é um lugar onde de dentro de sua própria casa as pessoas podem se distanciar de seu super ego original e tornarem-se aquilo que gostariam mas não tem coragem de confessar ou é simplesmente impossível realizar. Uma olhada no “second flickr” dos participantes (pois queria uma foto para ilustrar o post) e se vê fotos de casais em momentos mais íntimos, mulheres nuas (será que foram pagas pela Playboy digital?). Não é um espanto, porque isso vemos na internet de pessoas reais. Mas será que quem está por trás desses avatares faria isso na RL?

Eu só sei que como nas novelas e filmes, o que até então estabalecíamos paralelo como não sendo a vida real, o Second Life é mais uma ferramenta para nos deixar frustrados com possibilidades que não temos e jamais teremos, como voar e ir a qualquer lugar ou então  simplesmente ficar sentando num lugar por algum tempo e ser pago por isso. Seria uma boa forma de ganhar uma grana extra cada vez que a gente precisasse e resolveria a vida de muitos desempregados que já estão acostumados a ficar parados, e pior, em pé, em filas, sonhando com a possibilidade de um emprego e conseqüentemente ganhar dinheiro para poderem se movimentar pela real life, a única que realmente temos.

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