Seine a Argenteuil, Claude Monet “O Tempo é um rio sem nascentes a correr incessantemente para a Eternidade, mas bem se pode dar que em inesperados trechos de seu curso o nosso barco se afaste da correnteza, derivando para algum braço morto feito de antigas águas ficadas, e só Deus sabe o que então nos poderá acontecer.”

Quando fiquei sabendo que o filme A Casa do Lago tratava-se de duas pessoas que se apaixonam em épocas diferentes, ela está em 2006 e ele em 2004, fiquei um pouco incrédula e desconfiada. Mas logo lembrei de um dos meus contos preferidos, na minha opinião, o melhor de Erico Verissimo, que li quando tinha uns 12 anos, ou menos. Para ter uma idéia, eu ainda não sabia o que era sufragistas, palavra citada no texto.

Trata-se de Sonata, que começa com a frase lá de cima que anotei na época e me acompanha durante anos. Achei até que já tivésse publicado aqui, mas não. Procurando-a na internet, encontrei o conto na íntegra. Reli e a história continua a povoar meu imaginário, me transportando ao casarão com o anjo triste no jardim.

Foi daí que tirei a idéia de procurar no Museu de Comunicação um jornal do dia em que eu nasci. Mas não me lembrava, achava que era uma idéia original que eu tivera. Porém, durante dois anos morei muito perto do museu e nunca fui lá fazer tal pesquisa.

Mas há um tempo atrás pesquisando no arquivo digital do jornal descobri que Sonata foi adaptado para a televisão em 2001 e eu, tão vidrada em tevê, fui afastada dessa correnteza por algum braço morto e infelizmente, não assisti.