Nas férias fui a Torres. Um lugar de onde tenho muitas lembranças boas que na perspectiva de hoje eu até ache ruim. Na verdade não senti nada, nem de bom, nem de ruim de estar lá. Mas lembranças são inúteis, suscitam algo que existiu por um tempo e depois como dizer que o momento foi verdadeiro?

Eu fui no dia 18 de janeiro, e nos dias que antecederam esta data, mesmo sem saber que eu ia voltar a Torres, eu pensava nela como uma data que faria e que na verdade fez um ano. Dependendo da perspectiva que se fala da coisa. E cheguei a conclusão que o tempo verbal futuro do pretérito é que é o mais-que-perfeito. Quem pode pensar em algo que deveria se concretizar no futuro, porque existe no presente, mas que já deve ser falado como passado?

Mas mais coincidência do que fazer a viagem para este lugar, e neste dia, foi a música que escutei na ida:

A minha vida, eu preciso mudar todo o dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei

E a que eu escutei na volta:

Foi pouco tempo
Mas valeu, vivi
Cada segundo.
Quero o tempo que passou…

Mas o mais incrível disso tudo, e a prova de que estou diferente, é que só me lembrei que este dia, afinal era a tal data, dois dias depois. E fiquei feliz com isso. Como diria a Alice Ruiz, que sempre tem as palavras certas:

sem saudade de você
sem saudade de mim
o passado passou enfim