Na descrição que fiz sobre mim no orkut, escrevi que sou uma quase jornalista que está na idade da Amèlie Poulain e de quando Ernesto Guevara fez sua viagem de moto pela América do Sul.

Pois domingo me despedi desta idade maravilhosa, sem conhecer sequer o meu país e sem me imiscuir na vida de ninguém. E no final do ano, deixo de ser uma quase, para enfim, de fato e de direito, ser Jornalista, com j maiúsculo. Por que já se vão cinco anos que trabalho metida neste meio e só depois de seis anos é que terei meu diploma (talvez se eu fizesse uma revolução, como Che, ou me imiscuísse mais como Amèlie, talvez essa realidade fosse outra).

Mas voltando a minha nova idade, se comparada com a de Che, posso dizer que estou ultrapassando uma fase e é hora de ter um ideal. O dele se pôs em prática pegando em armas. Qual será a minha bandeira de luta e com que armas vou lutar em pleno terceiro milênio? Acho que não ter um ideal não é uma bandeira que só eu carrego não. E há muito tempo que eu penso que quando se tem um ideal a gente e as pessoas a nossa volta acabam sofrendo e historicamente isto acaba sendo aceitável. Além de Che Guevara, cito na ficção (vi o filme, não lembro se é baseado em fatos reais) O Crime do Padre Amaro, que por seu ideal de ser sacerdote, acabou tendo atitudes que contrariavam a própria ideologia do seu ideal, mas ele foi perseguido e alcançado, e era isso que importava a ele. Num exemplo mais pós-moderno, temos Jack Bauer, um herói que mata seus próprios colegas e destruiu sua família em nome de seu país. Então não sei até que ponto a vida que eu levo é sem sentido.

E falando em idade, eu sempre tenho uma idade par num ano ímpar e vice-versa. Eu adoro os números ímpares, sendo até um pouco supersticiosa em relação a isso. E já fazem alguns anos que as coisas boas acontecem para mim durante o primeiro semestre do ano e as ruins no segundo. Sendo que no primeiro mês do primeiro semestre eu tenho idade ímpar. Também nasci num dia e mês par, mas o ano é ímpar. Se depender dos números… no fundo é tudo bobagem, mas eu constato e faço relações todos os dias com muito mais coisas do que esse pequeno exemplo. E esse ano não está sendo diferente. Está tudo legal agora, a diferença é que agora eu estou no controle, e nada vai fazer com que isso mude.